DISCUSSÃO E DELIBERAÇÃO...

    Sessão de 02 Jul 06

Dr.ª Andreia - Em nome da Biblioteca e da C. M., sendo a única representante presente, disse que ficou entusiasmada com a proposta desde a primeira hora, por se tratar da área da literatura e ser abrangente, pois não havia nada assim feito que fosse do seu conhecimento.

Entretanto, o Programa deveria ser organizado de forma mais científica.

A maioria das pessoas que vem a este tipo de encontros está ligada às letras e para esse público têm de fazer-se programas mais específicos, com linhas mestras, de forma a cativar mais gente.

Toda a gente que cá está está com mito interesse. Acho que é um bom ponto de partida.

Deveriam ter-se em atenção as datas (dias e meses) do evento (de preferência 5.ª e 6.ª com componentes sábado de manhã).

Termino pois dizendo que havia todo o interesse em que este evento voltasse a realizar-se em Murça mas noutra perspectiva.

Carmo Vasconcelos - Tem razão em quase tudo o que disse. Quereríamos que este Encontro tivesse sido mais alargado. Há necessidade de mais opiniões. Tivemos alguns contratempos, alguns imponderáveis. Há de facto pontos a limar e a ponderar.

Moisés Salgado - Este Encontro foi uma carolice a partir duma ideia muito primária e a brincar. Começou a voar e espera toda a colaboração que possa haver. Com tempo para estruturar, informação a correr, divulgação apropriada, específica e ao público em geral.

No NE transmontano o objectivo destes Encontros é que sejam aqui na interioridade e que não saiam daqui.

Há que melhorar a forma de passar a mensagem para que haja muito mais participantes.

Não nos interessa que sejam encontros científicos. São para o público em geral, para trazer para a ribalta as vozes da poesia. Não são para quem está sentado nas poltronas da cultura.

Aproximar as letras, artes plásticas, o teatro, etc., do público em geral, em prol da lusofonia e da língua mãe.

É fundamental não querermos fazer isto limitado a meia dúzia de intelectuais.

Dr.ª Andreia - Vimos o público que temos. Não está satisfeito, pois não? Temos de captar público. Melhorar as técnicas.

Dr.ª Assunção - Realmente, é necessária uma conjugação de estratégias a desenvolver... Isto é uma mais-valia para a região. Existe uma rede de escritores que pode ser explorada no Norte: Guerra Junqueiro, Trindade Coelho, Eça de Queiroz, Camilo. E por que não fazer renascer actividades locais como a cestaria, olaria, vindimas? Claro que tem de haver sempre maior divulgação.

Pode ter indicada a identidade das pessoas intervenientes e depois a indicação dos tempos para comunicações livres...  Mas tudo de forma mais estruturada.

A altura do ano deve ser ajustada às escolas. Jun/Jul é uma altura muito complicada. Deveria ser durante o primeiro ou segundo período. A seguir à Páscoa já não é aconselhável.

O Encontro tem raiz muito positiva. Por que não uma ficha de inscrição apesar de esta ser gratuita?

H. Mourato - Primeiro, não faço parte da organização. Agradeço o convite mas posso malhar neles.

Há grande dificuldade em as entidades locais perceberem como estas coisas funcionam. "Com o apoio de"... Por vezes dão a sala ou pagam o pequeno-almoço... Exige-se muito do artista, do escritor. As Câmaras talvez não tenham muito mas os artistas ainda têm menos. Os poetas, actores, escritores são os mecenas de si próprios...

Afinal estamos a prestar um serviço à comunidade mas isso sai muito caro aos artistas.

Os organismos tê de dar um maior contributo.

José Verdasca - Vou ser muito curto, rápido e directo. O que faltou cá foi público. Fossem ao padre, que o dissesse na missa.

O evento deveria ser para todos, eruditos e analfabetos, mas para Todos!

A Dr.ª Andreia pôs as suas normas magistralmente. A Dr.ª Assunção deu achegas maravilhosas.

Insiram o Evento nas Festas da Cidade. Envolvam Deus e o demónio. Se vazar aqui a irradiação chega lá fora. Dêem oportunidade a todos.

Parabéns, fizeram a criança nascer.

Nestes casos, cada um tem de convidar o seu círculo de contactos, por carta ou pessoalmente, através do telefone, etc..

Houve falta de comunicação, sim, mas tenham cuidado com o próximo&ldots; Deve ser aqui&ldots;

Ivone Zouain Zuppo - Na minha opinião, o ponto alto do Encontro está sendo agora.

Se o Encontro "0" foi germinado aqui, então foi um sucesso. A ciência da Dr.ª Andreia é fundamental. Validemos o que aconteceu. E neste encerramento está-se afirmando.

Que seja sobretudo um Encontro Humanista.

Vai ter sucesso daqui para a frente.

Cristina Serôdio - Gostei. Foi uma experiência enriquecedora. Há que corrigir os defeitos para que haja uma próxima oportunidade ainda melhor.

Quem não veio perdeu muito.

Donzília Martins - Parabéns à mesa e à organização pelo esforço grande que fizeram e que o "0" se multiplique com outros algarismos atrás. Que os órgãos locais sejam mais participativos. Há locais de grande beleza ou interesse histórico que não foram visitados. O autocarro poderia ter estado disponível para se verem as coisas lindas que há. Se a autarquia estivesse envolvida ter-se-ia notado uma grande diferença.

Ivone Zouain Zuppo - Quando comentarem, deixem de volta uma sugestão.

Que se faça um planeamento, tipo concurso, nas escolas&ldots; Para que haja interacção!

Dr.ª Andreia - Em 21 de Março realizou-se um concurso de Poesia infantil tendo por tema "O riso das árvores". Das 300 crianças possíveis só concorreram 40.

Moisés Salgado - Sem o apoio da Dr.ª Andreia não estaríamos cá hoje.

Joaquim Evónio - Se em geral comemos mais ovos de galinha do que de pata é porque a galinha cacareja quando põe o ovo. Não se pode de facto menosprezar o efeito da divulgação, da publicidade.

Umberto Eco, no seu livro "Como fazer uma tese", refere que o requisito essencial é que ela seja exequível. O mesmo se aplica a este Encontro Zero e tal ficou demonstrado.

Foi perfeitamente exequível esta celebração poética em forma de abraço transatlântico, embora tenha faltado corpo para o receber. Provou-se que é tão fácil vir de S. Paulo, Londrina, e Belo Horizonte como de Paredes, Martim ou Vila Real, donde se pode desde já concluir que o factor vontade se sobrepõe à distância.

Aqui se passou algo de bom, belo e útil. Se Dali aqui estivesse, diria que um pequeno grupo exterior algo veio trazer com a "humildade dos génios"... Passe a ironia. Pena que os usufrutuários tenham sido tão poucos.

Sublinhe-se o merecimento dos artistas plásticos que generosamente corresponderam ao convite de juntarem esforços e criarem sinergias.

Às vezes, deparam-se-nos pessoas ou organizações que apenas têm para oferecer um mostruário e nada em profundidade... Em armazém. Julgo termos demonstrado a bondade e continuidade da oferta que conseguimos concitar.

A exposição montada com tanto carinho para o Evento continua patente por tempo indeterminado por acordo entre a Sr.ª Directora da Biblioteca Municipal e os Artistas participantes.

Sublinhe-se o apoio prestado pela C. M. de Murça e pela Biblioteca Municipal, designadamente pela Sr.ª Dr.ª Andreia, e felicitem-se todas as pessoas "de tamanho natural" como nós e de forma solidária, tal população flutuante, encantaram esta sala com a sua presença e participação.

Algum apoio não terá sido concretizado na medida do desejável, mas é compreensível que uma autarquia que adere à ideia quando lhe parece que a mesma vai ter sucesso não possa dar um grande salto qualitativo nesse sentido.

O Evento é não só repetível como me parece desejável a sua repetição com base nos ensinamentos colhidos durante esta edição. Se conseguimos ser eficientes, isto é, extrair o rendimento máximo dos meios disponíveis, seremos certamente eficazes quando supridas todas as deficiências, o que significa atingir em pleno os objectivos inicialmente propostos em benefício da Lusofonia.

De quanto foi dito nesta sessão, parece poder concluir-se ainda que um evento desta natureza deve ter origem local/regional com apoios exteriores e não o contrário, deve pois ter natureza centrífuga e não centrípeta, gerado pela cultura em verdadeiro sentido antropológico, tradicional e civilizacional e não baseado em superficiais virtuosismos. Tal como na agricultura ou na floresta, o melhor adubo continua a ser a sombra do dono.

Criámos todos oportunidades para o estabelecimento de contactos que podem ser duradouros e profícuos e transpostos para outras iniciativas afins no contexto global do amor à língua portuguesa.

Um Encontro desta natureza nunca poderá demitir-se da sua natureza transversal nem tão pouco esquecer que tudo o que merece ser feito merece ser bem feito. Com alegria e boa disposição.

Aqui. Este ano. Antes do fim do ano.