Palavras de abertura ditas por:  

 

Dr. Joaquim Evónio:

"Um dia, um conhecido prémio Nobel da Literatura disse que a melhor maneira de construir uma ponte era mostrar aos habitantes das duas margens que tinham vantagem em encontrar-se. E a ponte apareceria feita.

Nós, poetas e prosadores, pensadores e filósofos de mar aos pés, seres de diálogo emocionados com a comunicação, elixir do amor, somos verdadeiros construtores de pontes... De cá para lá... De lá para cá... E somos tantos... E elas serão tantas que todos esses tramos representarão nervuras virtuais percorrendo os céus, românicas ou góticas, desenhando uma abóbada virtual digna dum Nimeyer cósmico, apenas visível pelos iniciados que ali colocaram com acrisolado amor o tecido fino da palavra solidária!

Poderemos então dizer, com toda a propriedade, que construímos uma autêntica Catedral sobre o Atlântico, cada vez mais real, porto-de-abrigo e de encontro depois de tanto navegar...

Quando hoje se falar no Reino d'Aquém e d'Além Mar, o Aquém só pode ser a inércia, o imobilismo e o passadismo. O Além, pujante de energia, será sempre a expressão mátria, criativa e em franca expansão, que nos une e leva voando através do incomensurável universo da palavra falada ou escrita.

Claro que nem tudo foram sempre rosas e outras flores... Os conceitos vigentes ao longo dos tempos levaram a que "a cultura" não tivesse sido sempre entendida como um bem natural, no seu verdadeiro sentido antropológico.

Mas o nosso Atlântico é um traço de união entre irmãos, desenhou no seu fundo, no seu sal e nas moléculas da sua transparência a história de viagens imortais e espera que os intelectuais de hoje continuem a alimentar com palavras metafóricas e quentes o vulcão de amor e emoção que pulsa no âmago do seu ser!

Como cantava aquela voz ímpar finissecular, "O mapa está errado/Isto assim não está certo/Brasil e Portugal/Não estão longe, estão perto".

A todos nos cabe demonstrá-lo, como precursores que somos do amanhã. 

O grito do Ipiranga passou a ser o símbolo de Pátrias Irmãs, rejeitando em uníssono todos as formas de opressão do mundo cruel em que vivemos.

 

Orgulhemo-nos, pois, da originalidade, do sincretismo e das sinergias que hoje fazem da cultura lusófona uma das mais ricas do mundo.

        joaquim evónio

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Outro momento musical muito apropriado ao momento, foi-nos aqui oferecido pela passagem do CD, cedido por Joaquim Evonio, com a lindíssima canção "O Mapa está Errado", na voz do saudoso cantor português Alberto Ribeiro, e cujo poema aqui deixamos:

 

          O mapa está errado
           
           
          O mapa está errado
          Isto assim não está certo
          Brasil e Portugal
          Não estão longe estão perto
           
          Aqui há mar a mais
          O mapa está errado
          Brasil e Portugal
          Devem estar lado a lado
           
          Tirem o Oceano
          Acabe a confusão
          Brasil e Portugal
          São dois num coração
           
          Brasil e Portugal
          Vivem o mesmo anseio
          O mapa está errado
          Tirem o mar do meio
           
          São duas pátrias numa
          Bem grande e bem unida
          Brasil e Portugal
          Duas numa só vida
           
          É presente sem par
          Este que Deus nos fez
          Aqui sou brasileiro
          Tu lá és português
           
          Tirem o Oceano
          Acabe a confusão
          Brasil e Portugal
          São dois num coração                 
           
          Brasil e Portugal
          Vivem o mesmo anseio
          O mapa está errado
          Tirem o mar do meio       

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Mais palavras, por:

Carmo Vasconcelos

É com emoção e alegria que vemos aqui reunidos tantos vultos amantes da Arte, da Poesia e da Cultura em geral, neste Encontro, que sendo o Zero, se ambiciona seja o precursor de outros que se seguirão. Não importa quantos aqui estejamos, mas sim o espírito que nos irmana e o propósito que nos move. Uma pedra, mesmo sendo a primeira, pode ser sempre a base de um grande monumento. Que este Evento seja a primeira pedra de um monumental objectivo. É deste inicial abraço entre Portugal e Brasil que nascerão, das opiniões colhidas e repartidas, os caminhos e as orientações para um alongar de braços que estreitem entre si todos os Autores Lusófonos espalhados pelo Mundo que, artística e/ou literariamente se exprimem, radicados no seu próprio país ou nos vários países de acolhimento.

A todos os presentes, o nosso muito e muito obrigado pela vossa comparência nesta partida para uma viagem que se deseja continuada e incrementadora em prol da divulgação da Lusofonia e dos autores que através das suas obras a engrandecem.

Que sejam o Amor à Palavra e à Arte, a Partilha e o Intercâmbio, a comunhão do mesmo ideal, a Fraternidade despida de exclusivismo e protagonismo, na certeza de que, unidos pelo Idioma contribuiremos para exaltar a Cultura Lusófona no Universo Artístico/Literário.

Bem Hajam todos os que contribuíram para que este Encontro se tenha tornado uma realidade, ainda que este seja só a primeira pedra.

      Carmo Vasconcelos

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E, finalmente:

Moisés Salgado

Hoje, dia um de Julho em que se comemora o dia mundial das bibliotecas estamos aqui reunidos para dar início ao Encontro Zero da Lusofonia. Zero por ser o pioneiro mas convencida a Organização e as Entidades apoiantes de que o êxito deste Evento será um saboroso aperitivo para outros que no futuro se seguirão.

O objectivo da Comissão Organizadora deste encontro é proporcionar as condições e estimular o interesse de todo o universo lusófono para a realização de um evento abrangente e diversificado que nos reúna aqui, no coração da interioridade, em torno da exaltação das nossas criativas raízes culturais.

Não poderíamos porém esquecer a nossa latinidade e acreditamos que no futuro, para além da representação de todos os países lusófonos, possamos também contar com a presença dos nossos vizinhos Galegos e Castelhanos.

Para não me alongar, expresso os nossos votos de boas-vindas, bom evento e agradável estada a todas e a todos aqui em Murça.

Muito obrigado.

      Moisés Salgado