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Palavras
de Lénya Terra
Meus
caros amigos, Poetas e autoridades desta casa, Senhores, Senhoras...
Aqui,
em Murça, nesta terra mítica de gentes e chão
granítico, estamos também nós, a construir a
firmeza de um duradouro enlace com a lusofonia.
Oxalá
que, na amplitude deste abraço, atando corações
e poesia, superando a grandeza do oceano, seja possível unir
as diferentes culturas lusófonas com os laços fortes da
irmandade e da língua comum. Aqui estamos, unidos por um mesmo
sentimento de pertença a uma comunidade fraterna, com
profundos laços históricos e com sonhos de futuro
comum. Aqui viemos evocar Fernando Pessoa - A minha Pátria
é a língua portuguesa, aqui viemos evocar Miguel Torga
e Vinicius de Morais.
Vejo
as águas do Rio Tinhela brotando em terras de Jales, terra
fria que Miguel Torga bem sentia, vejo-as engrossando a corrente do
Tua, que com generosidade jorra no D'Ouro.
Vejo
essas águas como que num ato de amor, a abraçar o
Atlântico, a buscar o calor, a alcançar verdes terras,
com a claridade do amarelo e o cintilar do ouro.
Enfim,
vejo essas águas de Murça a chegarem ao meu Brasil,
às terras do nosso Cabral.
Pois
bem, segui o caminho de volta, vim sentir o cheirinho do alecrim e
trazer do Brasil para vós,
um
abraço fraterno e um pouquinho de mim.
DESVENDA-
ME
Não
venha me falar de razão,
Não
me cobre lógica,
Não
me peça coerência,
Eu
sou pura emoção.
Tenho
razões e motivações próprias,
Sou
movido por paixão,
Essa
é minha religião e minha ciência.
Não
meça meus sentimentos,
Nem
tente compará-los a nada,
Deles
sei eu,
Eu
e meus fantasmas,
Eu
e meus medos,
Eu
e minha alma.
Sua
incerteza me fere,
Mas
não me mata.
Suas
dúvidas me açoitam,
Mas
não deixam cicatrizes.
Não
me fale de nuvens,
Eu
sou Sol e Lua,
Não
conte as poças,
Eu
sou mar,
Profundo,
intenso, passional.
Não
exija prazos e datas,
Eu
sou eterno e atemporal.
Não
imponha condições,
Eu
sou absolutamente incondicional.
Não
espere explicações,
Não
as tenho, apenas aconteço,
Sem
hora, local ou ordem.
Vivo
em cada molécula,
Sou
o todo e sou uno,
Você
não me vê,
Mas
me sente.
Estou
tanto na sua solidão,
Quanto
no Teu sorriso.
Vive-se
por mim,
Morre-se
por mim,
Sobrevive-se
sem mim.
Eu
sou começo e fim,
E
todo o meio.
Sou
seu objetivo,
Sua
razão que a razão
Ignora
e desconhece.
Tenho
milhões de definições,
Todas
certas,
Todas
imperfeitas,
Todas
lógicas apenas
Em
motivações pessoais,
Todas
corretas,
Todas
erradas.
Sou
tudo,
Sem
mim, tudo é nada.
Sou
amanhecer,
Sou
Fênix,
Renasço
das cinzas,
Sei
quando tenho que morrer,
Sei
que sempre irei renascer.
Mudo
a protagonista,
Nunca
a história.
Mudo
de cenário,
Mas
não de roteiro.
Sou
música,
Ecôo,
reverbero, sacudo.
Sou
fogo,
Queimo,
destruo, incinero.
Sou
água,
Afogo,
inundo, invado.
Sou
tempo,
Sem
medidas, sem marcações.
Sou
clima,
Proporcional
a minha fase.
Sou
vento,
Arrasto,
balanço, carrego.
Sou
furacão,
Destruo,
devasto, arraso.
Mas
também sou cimento, sou tijolo,
Construo,
recomeço...
Sou
cada estação,
No
seu apogeu e glória.
Sou
seu problema
E
sua solução.
Sou
seu veneno
E
seu antídoto
Sou
sua memória
E
seu esquecimento.
Eu
sou seu reino, seu altar
E
seu trono.
Sou
sua prisão,
Sou
seu abandono e
Sou
sua liberdade.
Sua
luz,
Sua
escuridão
E
seu desejo de ambas,
Velo
seu sono...
Poderia
continuar me descrevendo
Mas
já te dei uma idéia do que sou.
Muito
prazer, tenho vários nomes,
Mas
aqui, na sua terra,
Chamam-me
de AMOR |