Delmar Gonçalves

Delmar Maia Gonçalves nasceu a 5 de Julho de 1969 em Quelimane, na República de Moçambique.
É autor do livro de poesia MOÇAMBIQUE NOVO, O ENIGMA, Editorial Minerva, Junho de 2005, do livro de poesia MOÇAMBIQUIZANDO, Editorial Minerva, Março de 2006, do livro AFROZAMBEZIANDO NINFAS E DEUSAS, Edições Mic, Junho de 2006, e do livro de poesia MESTIÇO DE CORPO INTEIRO, Editorial Minerva, Novembro de 2006.
O autor foi premiado com o Prémio Português de Literatura Juvenil Ferreira de Castro em poesia, em 2006, com o prémio de literatura África Today e foi distinguido na 1.ª Gala da Casa de Moçambique com o prémio Kanimambo em 2008.



 

 

Sem Título

 

Assaltam-me dúvidas neste mundo belo e cruel
Com a fadiga dos tempos
Só receio ter de injectar por conveniência
pinceladas de prazer
para aniquilar a monotonia pregando enfim
um tiro certeiro na palavra tristeza.

 

Delmar Maia Gonçalves

 

 




Enviados em Jul/2011




       



Exercício sobre a Moçambicanidade


Reduzido
está este exercício
por um simples pedaço
de papel plastificado.
Onde reside então
a moçambicanidade?
Onde está sua essência?
Talvez nas telas dos geniais
Chichorro, Pádua e Bertina
Talvez na escrita mágica
de Craveirinha e Mia
Talvez nos remates certeiros
de Eusébio, Coluna e Matateu
Talvez na engenharia táctica
de Wilson e Queirós
Talvez nas danças taurinas
de Chibanga
Talvez na velocidade gazelante
de Mutola
Talvez nas orações sentidas
do Cardeal Alexandre
Talvez na inocência e labor
camponês
Talvez no sorriso sempre
presente nos Mupfanas
Talvez no olhar silencioso
e falador dos moçambicanos?
Não sei!
Talvez esteja
em tudo isto
ou talvez...?

San Lorenzo de El Escorial, 1 de Outubro de 2006

(in “Mestiço de Corpo Inteiro”, DELMAR MAIA GONÇALVES, llustrações do interior de Filipa Gonçalves e Isabel Carreira, Ed. Editorial Minerva, Nov 2006)


 




Enviados em Abril/2010



 

 

Mulher XXI

 

Se os teus

Olhos falassem

Comeria

Tâmaras no

Sepulcro sacro

Da minha ignota

Existência.

*

Mulher XXXI

 

Sinto saudades

De momentos

Que contigo

Não vivi.

*

"Mulher II
 
Quero alcançar-te
Ser-te fiel
Algo me impede
Sinto-o
Talvez parte do meu ser
Desconfiado e prudente
Talvez te ame demasiado
Para te querer
Prefiro estar só
Perdoa-me ser infame e maravilhoso."
 
Delmar Maia Gonçalves
Parede, 21 de Dezembro 1994

 




Ao Fernando Pinto Ribeiro

De nada vale
Chorar tua partida.

De nada vale
Chorar tua ausência definitiva e inútil.

De nada vale
Chorar uma notícia antecipadamente anunciada.

Consola-me enfim
Escutar tua voz imortalmente amiga e infinita

Sentir tua fraterna amizade sem fronteiras
Sentir tua genuína simplicidade pulsar
Sentir teu gesto singular de inclusão
Contra todas as exclusões
Sentir teu grito silencioso e profético
Da poesia para os poetas.

Poetarás mares contra mares
Para um reencontro de mar aberto imortal
Na solidão da morte anunciada e para
A eternidade das outras vidas!

 

Delmar Maia Gonçalves
Lisboa, 20 de Fevereiro de 2009
(Inédito)