Manda-me o senso
Eugénio de Sá
Manda-me o senso que a vós somente o diga
Já que outros fins os quero ver vedados
Que a graça, o bem ou mal dos nossos fados
Só depende do zelo que os persiga
E mais vos digo, por prova pessoal
Que a nada leva o ódio, o agastamento
Não é por dar ao dano provimento
Que se elimina a causa germinal
Mas se, ao contrário; dermos agasalho
A pios pensamentos redentores
Mais da virtude escolhemos o atalho
Das intenções, escolhamos as melhores
Limitemos o impulso ao justo valho
Sejamos de nós mesmos os censores
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Um bem maior
Eugénio de Sá
Não tem forma, limite, nem recantos
Este poder da nossa inspiração
Que nos abre ao prazer da fruíção
Todos os sonhos, todos os espantos
É dela que se nutrem os impulsos
Que nos movem a mente e a vontade
Mesmo se a mão não sabe como há de
Dar suprimento ou encontrar recursos
Da criação, um dos seus bens maiores
Das maravilhas que da vida impendem
A imaginação é uma das que tendem
A fazer-nos de Deus adoradores
E nós poetas, escritores, amantes
Desta estesia que nos vem da escrita
Temos de agradecer-Lhe toda a dita
Que os nossos dias torna inebriantes
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Quadras Precisas
Eugénio de Sá
Quem se assoma a alturas de juiz
Pra escritura lavrar sobre outro ser
Terá consigo outro maior dever
O de saber que não sabe o que diz
Ninguém é dono d’ outro coração
Só porque decidiu que assim seria
Toda a razão é escassa d’empatia
Se o despeito lhe manda a intenção
Amigo não se diz, não se anuncía
Limita-se a mostrar em cada acção
Que sabe merecer essa menção
Não lhe negando o gesto a hipocrisía
Quem d’outrem quer calar a poesia
Mesmo que d’algum dom seja provido
Ninguém lhe encontrará algum sentido
Na vil atoarda, na torpe aleivosia
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Um bem maior
Eugénio de Sá
Não tem forma, limite, nem recantos
Este poder da nossa inspiração
Que nos abre ao prazer da fruíção
Todos os sonhos, todos os espantos
É dela que se nutrem os impulsos
Que nos movem a mente e a vontade
Mesmo se a mão não sabe como há de
Dar suprimento ou encontrar recursos
Da criação, um dos seus bens maiores
Das maravilhas que da vida impendem
A imaginação é uma das que tendem
A fazer-nos de Deus adoradores
E nós poetas, escritores, amantes
Desta estesia que nos vem da escrita
Temos de agradecer-Lhe toda a dita
Que os nossos dias torna inebriantes
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Serenamente, Amor
Eugénio de Sá
Assim te quero, Amor, serenamente
sem sobressaltos, sem perplexidades
Só há certezas neste beijo ardente
que te trago em rumor de eternidades
Como não há-de Amor, como não há-de
conseguir-te um sorriso confiante
este meu beijo, e nele toda a verdade?
Sei que te amo, Amor, perdidamente
com esta alma que me enche o ser
que em nós, amor, tudo é consequente
e amar assim, amor, é tudo querer!
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A SÍNTESE IMPOSSIVEL
Eugénio de Sá
Dizer-te o que senti após o amor
é pedires que eu seja o narrador
das tantas emoções do coração
é síntese impossível de fazer
é um querer depois de tanto querer
É um fulgor passível de perdão
Só posso, Amor, falar-te de ternura
contar-te o que em mim se configura
Ao retomar das pulsações normais;
Na minha boca ficou teu doce gosto
No meu olhar ficou teu olhar posto
Nas minhas mãos, memórias sensuais
Depois de amar-te tão intensamente
nesse envolver de corpos, eloquente
dizer-te, meu Amor, o que senti
e do prazer que em mim permaneceu
é querer viver depois que se morreu
e eu te direi, Amor; quase morri!
Julho/09 |
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Respondendo a Florbela
(Tortura)
Não se esvazia assim esse teu pranto
Com um sopro de vento, ou temporal
Mas tenta um verso puro, talvez santo
Que o que é santo é do bem, renega o mal
Esquece a altura a que possa subir
Um pensamento nobre em verso posto
Que o importante é não deixar cair
Um sorriso fugaz nesse teu rosto
E vê; nada há de rude nos teus versos
Que a tristeza é demais e a solidão
Conta de ti efígies e anversos
E não percas na rima a solidão
Que sem ela o poeta perde o amplexo
De que se serve a sua emoção.
Eugénio de Sá - Junho/09
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Ensaio sobre a poesia de Florbela Espanca
Tortura
Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida verdade, o sentimento,
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!…
Sonhar um verso d’alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento!…
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!
Florbela Espanca - In Livro de Mágoas |
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Serenamente, Amor
Assim te quero, Amor, serenamente
sem sobressaltos, sem perplexidades
Só há certezas neste beijo ardente
que te trago em rumor de eternidades
Como não há-de Amor, como não há-de
conseguir-te um sorriso confiante
este meu beijo, e nele toda
a verdade?
Sei que te amo, Amor, perdidamente
com esta alma que me enche o ser
que em nós, Amor, tudo é consequente
e amar-te assim, Amor, é tudo
querer!
Eugénio de Sá
Julho de 2009
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Gesto primordial
Eugénio de Sá
Esses teus olhos com brilhos de amor
Que cílios castos tentam esconder
São bem a prova de quanto langor
Te perpassa na alma de mulher
E os teus lábios que o carmim decora
Quais bagos de romã amadurecidos
Fazem que eu acordado espere a aurora
P’ra que outro dia os mostre aos meus sentidos
Todos os pormenores que o gesto encerra
Porque o teu gesto me é primordial
Levam-me ao céu mas dele me torno à terra
P’ra te esperar o gesto crucial
Aquele que me trará o que mais prezo;
O coração de volta ao seu lugar
Mitigado de fomes e desejo
De correr para o teu a se aninhar
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No dia internacional da poesia....

Tudo é poesia
de Deus
(Eugénio de Sá)
Há poesia num carinho,
num gesto, numa intenção,
há poesia numa pomba
que vem comer-nos à mão,
há poesia num abraço
de um irmão a outro irmão,
há poesia numa flôr
que se deixa debicar
p’lo pequeno colibri,
há poesia no amor
que brilha no olhar doce
do mais remoto Tupi,
há poesia numa mãe
que beija o filho ao nascer,
há poesia quando o amante
vê a amada padecer,
há poesia no gingar
do andar das quitandeiras,
há poesia no orar
da mais devota das freiras,
há poesia na palmeira
que verga à força do vento,
há poesia numa vela
quando alumia um lamento...
E tudo o que nos rodeia,
nos envolve em emoções,
nos maravilha e enleia,
nos aquece os corações,
é a poesia de Deus,
desse Deus que nos criou
para que fossemos Seus
como Ele nos imaginou.
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A VERDADE DA MENTIRA
Eugênio de Sá
O reverso de mentira
Deveria ser verdade
Mas aquilo que mais ira
E que do sério nos tira
É sabermos que quem mente
Nos quer impor o que sente
Como uma realidade
A verdade já não sente
Quem faz da mentira norma
Contraria toda a agente
E perde freqüentemente
Porque não querer assumir
Que já só sabe mentir
Nem sabe agir de outra forma
Gosta de ludibriar
Sempre num jeito inocente
E acaba dando-se um ar
De quem se quer afirmar
A quem não o contradiz
Por saber que o infeliz
É mentiroso e não mente
# # #
Arte: Lêda Yara
Arte final e adaptação: Lenya Terra
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Reflexões sobre o Ego
Eugénio de Sá
A memória quer sorrir,
mas só consigo forrar de folhas mortas este peito cansado.
Nem as cores da primavera me exaltam mais.
Afivelo aos lábios um esgar comprometido, enquanto procuro
outras folhas com viço.
Debalde, já que caíram todas perante os ventos debutantes.
E nos silêncios da tarde que se fecha, ainda ouço restolhos
das folhas arrastadas pelas militâncias de Eolo,
indiferentes ao meu desagrado.
Preciso desta paz para mitigar a ânsia de interiores
e insubmissos agravos.
Engano o meu; pois não há paz no inconformismo,
mas sim (e só) revoltas.
Esqueço então o peso do certo e do errado, e aceito os meus pecados.
E esboço um sorriso.
Verdadeiro?
- Engano o meu !
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Confissão
Eugénio de Sá
Estive ausente de mim, e reconheço
Que pouco sou aquilo que pareço;
Dono das mil certezas que defendo.
E ao mundo que só quer sábios e doutos
Direi que sou aquilo que só sabem poucos;
Um homem triste, sempre só, sofrendo!
Lisboa, Abril, 2009
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Sortilégio
Eugénio de Sá
Sente na boca a força deste beijo
Oh meu amor tão novo mas tão forte
Que outro esplendor igual ao do teu porte
Não me embargue a visão que ora festejo
Faz deste servo teu tão venturoso
O ser que imaginaste em devaneios
Deixa que enfim repouse nos teus seios
Todo este amor liberto e fervoroso
E que o ígneo desejo assim brotado
Que pulcro rege o nosso amanhecer
Nos mostre sem vergonhas de pecado
Que amar assim nos faça bendizer
Todas as vidas de um outro passado
E remir todo o mal doutro viver!
Lisboa
Abril de 2009
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Deusa Themis
Assim chamada pelos gregos antigos - e de Justiça pelos romanos
Parcialidade
Eugénio de
Sá
Rogamos ao
direito por direito
Que seja
imparcial nas decisões
Mas
responde o direito em negações
Às ânsias
da justiça, de seu jeito.
Baixa a
credibilidade de quem julga
À condição
menor do parcial
E em
torvelinhos movidos plo mal
Roda no
vento o arbítrio, que perturba;
Que ao
rico vem trazer o beneplácito
Por
consentido ardil que a lei permite
E
prescreve o injusto como tácito.
Pobre de
quem de seu pouco admite
Que a
pobreza é um dano que por clássico
Classifica a desgraça
que se omite!
***

Lisboa,
Abril/03/09
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IN MEMORIAM
Eugénio de Sá
Estive onde está Camões e lá repousa
O poeta maior que ao mundo deu
Um país que já sonhar não ousa
Porque aos poucos a gesta já esqueceu
E na pedra fria e tumular deixei
Promessa de render todo o meu preito
À lusa gente que eu sempre amei;
Os mártires, os heróis, de cruz ao peito
Ganhava luz a nascente manhã
Na nave principal daquele Mosteiro
De secular reverência d’ anciã
Mil vitrais reflectiam qual luzeiro
No mármore ancestral da laje chã
Um doirado caudal alvissareiro
***
Lisboa, Abril /01/09
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FÉNIX
Eugénio de Sá
Um verdadeiro poeta pode ser controverso, mas nunca negação
do que o seu coração lhe dita à pena;
a sua assumida missão do revelado dom que intuíu como mandato,
e que se traduz na intransigente defesa e proclamação
da solidariedade, da paz e do amor.
Ninguém se iluda;
onde há forças do bem, sempre outras, de sinal inverso, se lhe irão contrapor.
E o poeta poderá ser erroneamente entendido, só porque foi culpado, sim;
mas por omissão de si próprio, por se ter esquecido das
suas obrigações
de auto defesa da dignidade e da sanidade mental e até física.
Um verdadeiro poeta pode ser vítima da tentativa de o silenciarem, mas,
tal como uma Fénix, renascerá sempre,
pela força da poesia que lhe está no sangue e na alma.
***
Eugénio de Sá
Lisboa, Março/31/2009
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Renascer
Eugénio de Sá
Quero dizer verdades, que não há
Outra intenção velada neste querer
Dizer o bem, negando o mal-dizer
Que mais mal faz a quem o mal mais dá.
Venho de muito longe, da mentira
Que só maldice o bem de um coração
E me deixou prostrado d’aflição
Vergado por mentiras feitas ira.
É hora de me dar alguma calma
Pôr um final às mágoas desta alma
Escravizada ao pesar da fé perdida.
É tempo de esquecer a escuridão;
Que a luz da vida me inunde a visão
E toda a dor de mim seja banida.
***
21 de Março de 2009
Lisboa, Portugal
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O poema impossível
Eugénio de Sá
Sem mais apoio, sinto-me pairar
Num espaço bem acima daquele leito
Não me reconheço no corpo desfeito
Nem outro sentimento por ele me faz vibrar
Lá em baixo há gente em movimento
Em torno do inerte e frio destroço
E eu alheado de todo este alvoroço
Aligeirado de todo o sofrimento
Prouvera eu intuísse a nova condição
Que o meu entendimento não assume
Ausentes são de mim dor e queixume
Nem já estranho o silêncio do meu coração
Presumo que perdi da vida o seu alento
E uma mágoa tenho que irá permanecer;
A poesia de Deus que não vou descrever
Pois a pena que levo perdeu o vencimento
Num túnel sombrio vogo, entristecido
Mas de súbito incandesce-se a luz
E ao ver estendidas as mãos do Bom Jesus
A poesia volta a fazer sentido!

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Hoje, ligeira corre a minha pena
À flor da vida que me resta ainda
Hoje, a alma repousa leve e terna
Na foto que te mostra doce e linda.
Por trás de ti vejo aquele regato
Cujo murmúrio parecia cantar
A glória do rubor que o teu recato
Ao receberes meu beijo fez brotar.
Quisera amor que o dia fosse leve
Que a pena prometia aligeirar
Sempre se quer o que se não deve
Pois as memórias vêm pra ficar.
É por isso que o verso é indomável
Não se verga à vontade que o conduz
É o que a poesia tem de mais notável;
Trazer o nosso cerne até à luz!
( O verso é indomável - Eugénio de Sá)
Fevereiro/2009
arte e edição: Olga Kapatti/AVPB
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Soneto frustrado
Eugénio de Sá
Ah, quem me dera amar sem sofrimento
Amar a vida inteira, o tempo todo
Recebendo o que dou, em pagamento
Ao tudo o que consagro em meu arroubo.
Mas se a cada suspiro corresponde
Um exalar de pranto num lamento
Cansei de procurar o que se esconde
Nas dobras do meu triste desalento.
Quisera serenar-me na poesia
Aceitar de bom grado a condição
Da frustração que marca cada dia.
Mas versos que são traços de união
Não podem reunir numa ironia
O que é disperso p’la contradição!
fevereiro/2009
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«Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo
novo,
calai-vos, que pode o povo
querer um mundo novo a
sério.»
António
Aleixo
Legado de um poeta
Eugénio de Sá
Que triunfe o amor no mundo novo
Que jaza o velho em paz, fique esquecido
Que nunca mais ninguém seja exaurido
Dos bens maiores do direito de um povo;
E que as globais razões instituídas
Que o bem comum exige respeitadas
O sejam realmente e que implantadas
Façam que as vidas valham ser vividas;
Que mais não se suspire p’la liberdade
Como cousa difícil de alcançar
Se agrilhoada da adversidade;
Que haja paz sobre a terra e sobre o mar
E que o aço mais sirva a quem mais sabe
Dar-lhe outro fim mais nobre que o de armar!
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Trovadores
Medievais
Quadras
soltas à vida
Eugénio
de Sá
Põe
uma cara serena
Esquece
revoltas e iras
Que
a vida só vale a pena
Com
piedosas mentiras
Vê
no verde da paisagem
A
bela cor de uma esperança
Que
a vida é breve passagem
Pinta-a
nos tons da bonança
Dá
um rumo aos teus amores
Não
te confundas demais
Que
na vida os dissabores
São
amarguras reais
Deixa
que à porta te batam
A
calúnia e a inveja
Que
a vida é pros que se fartam
Da
estupidez da peleja
Menospreza
quem te ofende
Não
lhe prestes atenção
Que
a vida é de quem se prende
Ao
bem que há no coração
***
S.José
do Rio Preto/Brasil
Janº/2009
Quadras
soltas à vida
Carmo
Vasconcelos
Nobre
e gentil trovador
Tuas
trovas são teu mosto
Jamais
teriam pendor
Se
gravadas noutro rosto
Dá-lhes
um traje merecido
E um trinado bem
ao jeito
Que
ficarão no ouvido
Do
mais amargo sujeito
Quem
as ler com atenção
E na
mente as conservar
Resguarda o
seu coração
Só
para o acto de amar
São
pura filosofia
Pra
quem quiser ter saúde
Sem amor
e harmonia
Não
há remédio que ajude
Só
esse desprendimento
Por
quanto possam dizer
Nos dá
esse entendimento
Dum
sadio bem viver
Semeia aos cantos
do mundo
A fértil
sabedoria
Que
encerra o verso fecundo
Que
lavras em poesia!
***
Lisboa/Portugal
Janº/2009
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Ary dos Santos
SIMPLES PREITO
©Joaquim Marques
Eras tratado, por sobrenome de Ary
Santos! Apelido que te assentava bem.
Pra nós, deixaste a saudade... Aqui!
Levaste o talento prós Santos do Além!
Um bom português sente a saudade
Que deixaste na rua onde viveste.
Fadistas, em tom de voz triste e suave
Pranteiam os poemas que escreveste!
Num mesclado poético, lindos versos...
São repercutidos por vozes de divas
E portentosos talentos da canção...
Da poesia, és alimento fecundo...
A procriaste na vida, com emoção.
A legaste a Portugal e ao Mundo!
***
Porto
Portugal
18-01-09
********************
À MEMÓRIA DE ARY DOS SANTOS
Eugénio de Sá
Foi o poeta dos cravos
Das canções que o povo amou
Deu o peito como os bravos
Nos poetas que cantou
Um português de verdade
De que Portugal se orgulha
Que morreu na mocidade
Como se apaga a faúlha;
E c'o sopro dessa aragem
Foi-se a fogueira também
Que incendiou a imagem
Da força que um cravo tem
Nela se apagou a vida
Do poeta da emoção
Foi tudo o que dele disseram
Poeta castrado, não!
***
18/Janeiro/2009
********************
POETA, PÁSSARO, MENINO
Carmo Vasconcelos
A memória não se lava
Do poeta da ousadia
Que a tristeza mascarava
Em versos de rebeldia
Era um cavalo à solta
A palavra que brotava
Duma latente revolta
Pelas mágoas que guardava
Chamas no sangue lhe ardiam
Fogo rubro amargurado
E suas trovas gemiam
Lamentos de dor e fado
Pesada genialidade
Numas asas de voar
Levou-o a eternidade
Para as dores lhe sepultar
Misto de mel e amargura
Poeta, pássaro, menino
É sua pena-bravura
Saudade em nosso destino
***
Lisboa/Portugal
18/Janº/2009
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[ilustrações]
/ Ramos Ribeiro. - [ca. 1920?].

Mosqueteiros
portugueses
Eugénio de Sá
Três
mosqueteiros seremos
Mas só
esgrimimos com penas
Nas
pelejas que escolhemos
Nossas
guerras são serenas...
Serenas
mas eficazes
Contra
os males deste mundo
Aos
maus e aos seus sequazes
Enterramo-los
bem fundo;
C'o
a denúncia dos seus atos
E
aos seus mais vis impropérios
Respondemos
com ditérios;
E
que as penas não desistam
E em
acusar sempre insistam
Dos
maus, os seus desacatos.
Mosqueteiros
Lusos
©Joaquim Marques
Unidos
seremos uma força!
De
armas não precisaremos.
E mesmo que
o ferro torça...
Com
penas, o combateremos!
Firmes,
serenos, mas audazes;
formaremos
a sigla três em um...
Combateremos
a perversidade,
em
prol da paz e do bem comum!
Esgrimiremos a
murmuração;
os vis
traidores que usam a arma
do
embuste, pra difamação!...
Unos,
fortes, gentis mas garbosos,
lutaremos contra
os maldosos...
Cujo
atributo é destruição!...
Avante,
Cavaleiros!
Carmo
Vasconcelos
Armada
no vosso templo
Mosqueteira
me farei
Seguindo
o mui nobre exemplo
“Pela
Lei e pela Grei”
Vós
de penas, eu de cravos
Seremos
força irmanada
A lutar pelos
escravos
Da
prepotência instalada
“Paz
e Bem” nossa bandeira
Pena
em riste, altaneira
Avante,
meus cavaleiros!
Juntos
seremos inteiros
Cavalgando
o destemor
Vós
a força, eu o Amor !

15/Janº/2009
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