
Vazio
Quando pensei estar liberta,
Vi-me cativa de um horizonte
Onde o sol brilha como se eu não existisse
do outro lado daquela janela.
Quando pensei estar longe,
Encontrei-me presa na lembrança,
Com saudades do que descobri vivendo o risco.
Quando pensei que minhas mãos eram fortes,
Não consegui abri-las para colher meus sonhos
Senti-me vencida pelo medo de viver a sorte.
Quando pensei em trilhar novos caminhos,
Caí na sarjeta que cobriu-me de desânimo
entorpecendo meus sentidos, calando-me as palavras.
Quando me joguei num mergulho profundo
A fim de afogar as mágoas do meu coração,
O mar me rejeitou lançando-me sobre as rochas
Do pensamento fazendo-me remoer tristezas.
Quando quis sorrir e assim iluminar meu olhar
Veio a tempestade ignorando-me feito folha seca
Escurecendo meus olhos, negando-me a luz.
Quando tentei dormir para que tudo passasse
Sem que vivesse a desilusão e a amargura,
Fez-me companhia a fria solidão
Que, com seu vazio, assombrou minha alma.
Quando pensei esquecer a história da vida,
Virar a página do destino e romper
Com os desejos do coração,
Veio o desespero por querer pertencer
Mais e mais ao que não posso ter ou ser.
Então, pensei chorar, mas me percebi inútil,
Envolta em sombras de sonhos perdidos,
Sem lágrimas, sem ombro sem chão.
Flor de Laranjeira
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Penso e Enlouqueço
Ouço vozes na avenida do pensar
não consigo entendê-las, sussurram...
Dividem-se entre o preto e o branco,
há luz , há escuridão e se misturam.
Ditam frases, emitem opiniões...
Parece que falam de mim, de nós.
Falam do ontem, do amanhã, interroganções...
Há uma disputa de lógica de emoção,
batem o martelo da razão,
julgam entre si, a questão.
Esse vozeirio que enlouquece a mente,
tirando o sono por ações pendentes
que foram deixadas para trás
por questão de pouca memória.
Elas falam, traçam planos,
ditam fórmulas escrevem em agendas.
Eu aqui assistindo a tudo
não sei por onde começar.
Então, penso que talvez seria melhor nem pensar
e deixar tudo como está
ou mergulhar nesse mundo de vozes
e com elas brigar, ter direito a voz
fazendo minha vontade prevalecer.
Mas qual é minha vontade?
Flor de Laranjeira
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Sensível Desejo
Quero a leveza da brisa,
que se aventura por entre arvoredos
fazendo bailar as folhas no outono,
que com delicadeza penteia os trigais,
que na primavera, espalha no ar o perfume
da mãe natureza ao desabrochar toda manhã.
Quero o bailar de borboletas,
por entre as flores mimosas
dos jardins mais secretos
e o brilho de suas asas refletindo a luz do sol.
Quero da delicadeza do orvalho,
suas gotículas que se unem
e deslizam suavemente sobre pétalas
enchendo a rosa qual taça
a dar de beber aos beija flores.
Quero a macieis da relva
que conforta qual leito, qual ninho.
Quero a carícia da chuva fina,
que como afago, desce regando a terra.
Quero o encanto da alvorecer,
com sinfonia de pássaros a despertar a vida
e do arrebol, quero a sensualidade
que veste a noite com o deslumbrante brilho das estrelas.
Quero a magia das marés, das grandes ondas
que enfeitiçam olhares e luas.
Quero a pureza de um coração a pulsar
filtrando sentimentos e desejos
que adentram o peito alcançando a alma.
Quero os sentidos a flor da pele,
quero viver sem pressa, quero flutuar...
Quero, sobretudo, a sensibilidade de poder entoar um canto,
de me doar num gesto fraterno,
de deixar rolar uma lágrima de saudade, de amar sem medidas...
Quando morrer, quero misturar-me ao ar,
que enche pulmões, que sopra cortinas,
que mexe com o mar, que leva as nuvens a formar imagens ilustrando o céu.
Quero deixar minha essência por onde for,
como brisa suave que refresca e acaricia a face dos coqueirais...
Por que os insensíveis não morrem, viram pedras frias!
Flor de Laranjeira
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Enviados em Out/2010
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