Flor de Laranjeira

solangebretas@gmail.com

Meu nome é Solange Bretas de Castro Fernandes, tenho 45 anos, nasci precisamente às sete horas e trinta minutos do dia cinco de Setembro de 1964, na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Filha de José de Castro, português já falecido, e Maria José Bretas de Castro, brasileira. Tenho três irmãos mais novos. Morei no bairro de Porto Velho na cidade de São Gonçalo até a idade de 11 anos, depois nos mudamos para o bairro de Laranjal na mesma cidade.
Sou professora formada desde 1980.
Morei cinco anos e meio no estado Amazonas, na cidade de Manaus, onde vivi muitas coisas novas.
Sou casada, tenho um casal de filhos. Sou uma pessoa simples, prefiro a beleza de uma rosa ao esplendor de uma jóia. Sou apaixonada pela minha família.
Poesia surgiu repentinamente em minha vida por volta do ano de 2000, quando escrevi minha primeira poesia intitulada Dor. Tenho mais de 800 textos escritos, postados em alguns sites na internet. Assino com o codinome Flor de Laranjeira, um presente que me foi dado por um grande amigo.
Alguns escritores me fascinam como a Cecília Meireles, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, William Shakespeare entre outros.
Então é isso, um pouco de mim!

 

 

 

Nada temo!
Em minhas mãos levo as garras do tempo
Que, implícito no destino de todos nós,
Faz os dias serem surpresa.
Lá fora continuam o vento, o mar, as estações
Adornos passíveis na cabeça do universo.
Sigo com a mesma vontade de um rio
Cortando caminhos, dando voltas
Pra chegar... Onde? não sei!
Só sei que parar é algo que não consigo.
Minha essência tem o perfume da inquietude,
Tem a cor do fogo que ruboriza a pele.
Não, eu não temo o tempo!
Já sinto o peso dos grisalhos pensamentos,
E a rebeldia da juventude me faz rir.
Meus olhos são duas contas verdes
Que se apegam a esperança,
Faz do horizonte o oráculo
De promessas e atos...
É verdade, não temo o tempo,
Ele há de passar e eu nem pretendo ser semente!
Pode ser que a noite seja meu cortejo
E que as estrelas me cubram de flores e véus
E a lua venha se despedir com choro contido.
Enquanto a vida me lamber a face,
Quero é desfrutar da fruta que minha boca adoça,
Cada vez que me redescubro com o sol em minha janela.

 

 

 

 

 

Sonho, delírio, talvez...
Não me lembro de ter adormecido,
nem percebido que as nuances
se dissipavam enquanto eu vagava por imagens frias.
Gritava, mas aquele silêncio absurdo,
ressoava por todas as janelas
que se fechavam diante do breu.
Andava por entre aquela gente
Como se fossem reprises
num espelho quebrado.
E chamavam meu nome...
De onde vinha a voz que me fazia estremecer?
Muitas vezes eu tapei os ouvidos,
mas o som parecia vir de dentro de mim.
Atormentava-me porque não conseguia entender,
eram vibração que enlouqueciam meu pensamento.
Vi você no meio de tudo aquilo
Gente, vozes, breu.
Eu corria em sua direção,
toda aquela gente me olhava
como se estivesse louca.
Meus gritos eram vazios, pareciam me virar do avesso.
De repente, me deparei com um imenso relógio
que nada marcavanem hora nem estação.
Eu estava ali esperando, esperando, esperando...
Até que o chão sumiu debaixo de meus pés.
A terra me tragou como se fora uma folha seca
de um interminável outono ...

 

 

 

 

 

Se hoje me doi o pensamento,
ontem minha alma vagou no sentimento!
Meu coração é vento que me leva longe,
me faz horizonte debruçado em sonhos.
E quando me perco nesse delírio de lembrar
o que foi o ontem, o desejo me arrebata.
A incoerência de hoje não poder voltar
e vencer o tempo, mata meus sonhos,
sufoca a semente e crava no peito, sem piedade,
a dor mais profunda da saudade...

 

 

 

 

Enviados em Mar/2011

 

 


Aprendi a conhecer o tempo
quando comecei a andar com as pedras.
Elas machucavam-me os pés,
mas fortaleciam minhas pegadas.
As dores me faziam sentir medo,
mas despertava-me a ousadia.
Então, desisti de falar com as rosas
e roubei delas os espinhos.
Faziam sangrar minhas mãos,
mas tornavam-me forte
na escalada da vida.
Dei meus pensamentos ao rio
e emprestei ao mar meus sentimentos.
Que o rio saiba navegar meu pensar,
que vá de encontro ao mar,
e na explosão dos sabores do sentir e pensar,
se lancem nas pedras as quais me ensinaram
a conhecer o tempo para que ele, o tempo, me ensine a caminhar.


Flor de Laranjeira.

 

 

 

 


É NOITE

 

Já é noite no quintal
as estrelas brilham prata.
a lua... Sempre sedutora
e eu... Com meus ais.
Agora somos sós....
Eu e ela...
Eu no céu,
Ela na janela.
Somos nós...
verso e poesia,
saudade e vida.
Dela, rouba o horizonte, o olhar
de mim, o mar, empresta o paladar.
Ainda é fria à noite,
invadindo Ela e Eu...
Ela no céu,
Eu na janela...


Flor de Laranjeira

 

 

 

 


Liberto pensamentos...
Na linha do horizonte pousam
Perfeita metamorfose de mim

Reflexo do que sou, o Sol
Nas aguas que deságuo
diluindo feitiço, mel.

Toca-me o céu boreal

Em miragem me vou...


Flor de Laranjeira

 

 

 

 

Enviados em Mar/2011

 

 

Deixa Pra Lá

 

O rio tornou-se deserto.
Sem oásis ficou a saudade
restando somente a miragem de nós.

Melhor assim, fez o destino
secando a fonte onde o amor
era profusamente belo.

O coração tornou-se estéril
suplantou sentimentos
e a alma apenas aprecia a solidão.

 

 

 

 

Quem Sabe...

 

Pode ser que o tempo lá fora
transforme o que sou em céu
e que as nuvens mudem de lugar
voando para fora dos meu olhos de chuva.
Nada pude fazer que evitasse o cair da noite,
fui simplesmente o abismo entre sol e lua.
Ainda não desatei os nós dessa sina que é viver
e que me embaraçam aos cegos laços,
turvando a visão do meu saber...
O que tenho são pedestais vazios,
marcados por valores consumidos
nesta chama invisível do esquecimento.
Dele desceram estrelas apagadas
pelo sopro da ressaca que escorre
dos lábios sombrios do silêncio.
Permito-me envolver neste reflexo de adágio!
Busco por entre pedras e palavras... Um instrumento!
Quem sabe se do outro lado, o lado que é avesso,
esse que desconheço, seja meu lugar de começo?

 

 

 

 

Poesia Absorta

 

Fica tudo aqui!
Os dúbios cálices,
o doce sabor amargo das lágrimas
e as lembranças que por todo esse tempo guardei.
Deixarei no escuro todas as imagens
que minha mente precisa esquecer.
Fecharei todas as janelas
para que o passado não me siga.
Não me preocupo em dizer nada,
só me restam as frias palavras,
estou preferindo o exato silêncio da solidão.
Busco um espelho que me fale a verdade
e uma paisagem que me permita olhar
através de mim e das cores.
Pra terminar, guardarei os sonhos,
torço para que não virarem pesadelos
para que eu não tenha que desistir deles.
Deixo também a tua alegria,
não, ela não me pertence.
Vou só vivendo estações,
sem pensar no tempo liberta de sentimentos.

 

 

 

 

Enviados em Fev/2011

 

 

Reflexos...

 

...Ouço vozes no espelho,
retinem imagens de verbos
conjugados na carne.
Sangram vultos opacos
e distorssem os traços
confundindo voz e visão.
Um toque e o mundo,
vira ao avesso do verso.
Sinto o reflexo nas retinas,
transpassarem o espelho.
Vozes se ocultam.
olhos vagam sem quebrar a visão.
Espelho a dentro se vão
por detrás do clarão.

 

Flor de Laranjeira

 

 

 

 

Cala alma

 

Segredos sangram no silêncio
que amordaça a alma.
O grito que retine no olhar
ondula na lágrima
que bebida a flor da pele
retem seu sabor de fala.
O que não ecoa nos poros,
não exala palavra.
Simplesmente, cala a alma.

 

Flor de Laranjeira

 


 

 

Outro dia
Os teus lábios tocaram os meus,
Fomos além dos sentidos
Não trocamos olhares
Nem palavras
Apenas um beijo.

E nós ficamos em êxtase
Por um simples tocar de lábios...

Tua essência
Misturou-se a minha
Nasceu o desejo.

Em tua boca
Decifrei o enigma
e ao provar-te,
Fiz-me tua.

 

Amo-te
Flor de Laranjeira

 

 

 

 

Enviados em Jan/2011

 

 

 

O Amanhã 


Não é cogente refletir no porvir,
Não surgi para o empós, 
Brindo o hoje, o exato sopro
Que me faz existir.
Que rufa dentro do peito,
Feito tempestade de verão.
Anulei o relógio, adsorvi o exterior.
Nem dia, nem noite
Quero que tudo tarde, menos a tarde
Onde o sol arde no meio do céu.
Pra que a pressa, nem sei se quero chegar.
Vou apenas onde meu pensar puder adejar
 
Pode ser que eu plante uma árvore 
Ou colha uma simples frase qualquer
Sussurrada pelo vento...
Talvez escreva minhas memórias na areia
E entregue ao mar para decifrá-las, 
Que presenteie aos úmidos rochedos 
Para que sejam eternizadas
Como farol de lembranças.
E assim, o meu hoje não caia no blecaute,
Depois de um dia de ressaca.
 
Não me importo em vestir o tempo, ele me cabe.
Certamente que não sei quantas estações me restam,
Preocupo-me apenas em senti-las.
Se pensar, não vivo se viver, depois penso.
Quero provar da cal, temperar com sal,
Adoçar o amargo sabor do tempo.
Se eu quiser, dele eu venço.
Mas, contudo prefiro empatar esse jogo...
 
Nego-me a retroceder no olhar,
“O presente já passou...”.
Não irei projetar efígie futurísticas
Com dúvidas e sombras.
Essa imediata imagem, não permite rasura.
A tinta tem de estar fresca com cores quentes.
E se por um pequeno deslize às cortinas se fechem,
Terei completado o ato do tempo,
Tornei-me nua, atravessei o que fui.
E se me perguntares pelo amanhã, somente direi:
Quiçá o amanhã, é ambíguo, é impreciso, é talvez... 

 

 

 

 

 

Vaga Canção


Na ausência do que sou,
Sobram sombras que duvidam 
do que poderei chegar a ser.
Pouco me importa sua crença,
Sua ideologia ou doutrina,
São sombras que restam somente...
No presente, sou o que sou.
Desigual a tudo 
que tua imaginação consegue compor.
Na ausência do que sou,
Vagam palavras...
Que, ao pronunciar, soam inverdades.
"Conhece-te a ti mesmo"? 
Doce engano...
Não a mim!
Pois, na ausência do que sou,
Sobram somente vestígios 
Impossíveis de seguir.
Experimente!
Busque na sombra, beba água fresca!
Mas na ausência do que sou
Terás somente a vazia canção 
Entoada pela solidão!

 


 

 

 

Minhas Asas

 

Não sei voar!
Minha cabeça doi quando tento...
Meu pensamento é noite
que  de lua mingua
e de estrela é cadente.
Sigo somente sem semente 
nem pó de estrada.
Minhas asas  são pétalas
guardadas entre páginas
envelhecidas de um livro qualquer.
Sem viço e sem virtude
não ousam voar nas entrelinhas
rasuradas pelo tempo.
Nem tenho ninho e alento.
Nem  pássaro eu sou,
tão pouco poeta!
Não sei escrever,
mas quando tento,
minhas asas doem...

 

 

 

Enviados em Dez/2010

 

 

 


O Amanhã

Não é cogente refletir no porvir,
Não surgi para o empós,
Brindo o hoje, o exato sopro
Que me faz existir.
Que rufa dentro do peito,
Feito tempestade de verão.
Anulei o relógio, adsorvi o exterior.
Nem dia, nem noite
Quero que tudo tarde, menos a tarde
Onde o sol arde no meio do céu.
Pra que a pressa, nem sei se quero chegar.
Vou apenas onde meu pensar puder adejar
 
Pode ser que eu plante uma árvore
Ou colha uma simples frase qualquer
Sussurrada pelo vento...
Talvez escreva minhas memórias na areia
E entregue ao mar para decifrá-las,
Que presenteie aos úmidos rochedos
Para que sejam eternizadas
Como farol de lembranças.
E assim, o meu hoje não caia no blecaute,
Depois de um dia de ressaca.
 
Não me importo em vestir o tempo, ele me cabe.
Certamente que não sei quantas estações me restam,
Preocupo-me apenas em senti-las.
Se pensar, não vivo se viver, depois penso.
Quero provar da cal, temperar com sal,
Adoçar o amargo sabor do tempo.
Se eu quiser, dele eu venço.
Mas, contudo prefiro empatar esse jogo...
 
Nego-me a retroceder no olhar,
“O presente já passou...”.
Não irei projetar efígie futurísticas
Com dúvidas e sombras.
Essa imediata imagem, não permite rasura.
A tinta tem de estar fresca com cores quentes.
E se por um pequeno deslize às cortinas se fechem,
Terei completado o ato do tempo,
Tornei-me nua, atravessei o que fui.
E se me perguntares pelo amanhã, somente direi:
Quiçá o amanhã, é ambíguo, é impreciso, é talvez...

 

 

 

 

 


Minhas Asas

Não sei voar!
Minha cabeça doi quando tento...
Meu pensamento é noite
que  de lua mingua
e de estrela é cadente.
Sigo somente sem semente
nem pó de estrada.
Minhas asas  são pétalas
guardadas entre páginas
envelhecidas de um livro qualquer.
Sem viço e sem virtude
não ousam voar nas entrelinhas
rasuradas pelo tempo.
Nem tenho ninho e alento.
Nem  pássaro eu sou,
tão pouco poeta!
Não sei escrever,
mas quando tento,
minhas asas doem...

 

 

 

 

 

 

Vaga Canção

Na ausência do que sou,
Sobram sombras que duvidam
do que poderei chegar a ser.
Pouco me importa sua crença,
Sua ideologia ou doutrina,
São sombras que restam somente...
No presente, sou o que sou.
Desigual a tudo
que tua imaginação consegue compor.
Na ausência do que sou,
Vagam palavras...
Que, ao pronunciar, soam inverdades.
"Conhece-te a ti mesmo"?
Doce engano...
Não a mim!
Pois, na ausência do que sou,
Sobram somente vestígios
Impossíveis de seguir.
Experimente!
Busque na sombra, beba água fresca!
Mas na ausência do que sou
Terás somente a vazia canção
Entoada pela solidão!


Um abraço a todos.

 

 

 

 

Enviados em Nov/2010

 

 

Vazio



Quando pensei estar liberta,
Vi-me cativa de um horizonte
Onde o sol brilha como se eu não existisse
do outro lado daquela janela.
Quando pensei estar longe,
Encontrei-me presa na lembrança,
Com saudades do que descobri vivendo o risco.
Quando pensei que minhas mãos eram fortes,
Não consegui abri-las para colher meus sonhos
Senti-me vencida pelo medo de viver a sorte.
Quando pensei em trilhar novos caminhos,
Caí na sarjeta que cobriu-me de desânimo
entorpecendo meus sentidos, calando-me as palavras.
Quando me joguei num mergulho profundo
A fim de afogar as mágoas do meu coração,
O mar me rejeitou lançando-me sobre as rochas
Do pensamento fazendo-me remoer tristezas.
Quando quis sorrir e assim iluminar meu olhar
Veio a tempestade ignorando-me feito folha seca
Escurecendo meus olhos, negando-me a luz.
Quando tentei dormir para que tudo passasse
Sem que vivesse a desilusão e a amargura,
Fez-me companhia a fria solidão
Que, com seu vazio, assombrou minha alma.
Quando pensei esquecer a história da vida,
Virar a página do destino e romper
Com os desejos do coração,
Veio o desespero por querer pertencer
Mais e mais ao que não posso ter ou ser.
Então, pensei chorar, mas me percebi inútil,
Envolta em sombras de sonhos perdidos,
Sem lágrimas, sem ombro sem chão.



Flor de Laranjeira

 

 

 

 

Penso e Enlouqueço



Ouço vozes na avenida do pensar
não consigo entendê-las, sussurram...
Dividem-se entre o preto e o branco,
há luz ,  há escuridão e se misturam.
Ditam frases, emitem opiniões...
Parece que falam de mim, de nós.
Falam do ontem, do amanhã, interroganções...
Há uma disputa de lógica de emoção,
batem o martelo da razão,
julgam entre si, a questão.
Esse vozeirio que enlouquece a mente,
tirando o sono por ações pendentes
que foram deixadas para trás
por questão de pouca memória.
Elas falam, traçam planos,
ditam fórmulas escrevem em agendas.
Eu aqui assistindo a tudo
não sei por onde começar.
Então, penso que talvez seria melhor nem pensar
e deixar tudo como está
ou mergulhar nesse mundo de vozes
e com elas brigar, ter direito a voz
fazendo minha vontade prevalecer.
Mas qual é minha vontade?

Flor de Laranjeira

 

 



Sensível Desejo



Quero a leveza da brisa,
que se aventura por entre arvoredos
fazendo bailar as folhas no outono,
que com delicadeza penteia os trigais,
que na primavera, espalha no ar o perfume
da mãe natureza ao desabrochar toda manhã.
Quero o bailar de borboletas,
por entre as flores mimosas
dos jardins mais secretos
e o brilho de suas asas refletindo a luz do sol.
Quero da delicadeza do orvalho,
suas gotículas que se unem
e deslizam suavemente sobre pétalas
enchendo a rosa qual taça
a dar de beber aos beija flores.
Quero a macieis da relva
que conforta qual leito, qual ninho.
Quero a carícia da chuva fina,
que como afago, desce regando a terra.
Quero o encanto da alvorecer,
com sinfonia de pássaros a despertar a vida
e do arrebol, quero a sensualidade
que veste a noite com o deslumbrante brilho das estrelas.
Quero a magia das marés, das grandes ondas
que enfeitiçam olhares e luas.
Quero a pureza de um coração a pulsar
filtrando sentimentos e desejos
que adentram o peito alcançando a alma.
Quero os sentidos a flor da pele,
quero viver sem pressa, quero flutuar...
Quero, sobretudo, a sensibilidade de poder entoar um canto,
de me doar num gesto fraterno,
de deixar rolar uma lágrima de saudade, de amar sem medidas...
Quando morrer, quero misturar-me ao ar,
que enche pulmões, que sopra cortinas,
que mexe com o mar, que leva as nuvens a formar imagens ilustrando o céu.
Quero deixar minha essência por onde for,
como brisa suave que refresca e acaricia a face dos coqueirais...
Por que os insensíveis não morrem, viram pedras frias!



Flor de Laranjeira

 

 

 

Enviados em Out/2010

 

 


Sonha o Pássaro



Sonha o pássaro no alto do penhasco.
Sonha ganhar aquele horizonte
que nasce ensolarado diante dos seus olhos.
Sonha em  sentir a brisa  pentear suas asas
ao planar naquele céu azul.
Sonha  cantar seu canto e no novo horizonte,
que deslumbra seu olhar,
fazer seu ninho.
Ele se lança e voa longe...
Mas o desejado  horizonte
fica cada vez mais distante
só seus olhos o alcança
e o coração aproxima.
E em seu íntimo,com liberdade,
ele deseja pelo menos por um dia ser sol,
o sol que nasce em seu horizonte...


(Flor de Laranjeira)

 


 

 

Letras...



...Essas que escrevo,
que compunham sentimentos,
delineiam momentos, tempo, som...
Na caligrafia, o DNA das palavras
denunciam a voz embargada pelo choro,
talvez pelo riso disfarçando um lamento.
Quem sabe um doce alento,
num papel timbrado pelo destino,
endereçado a alguém
como a rosa perdida dos ventos.
Fragmentos soltos de minh'alma
e pela vida, traduzida em versos...
...Derramadas nas entrelinhas
são vozes, são ecos, são letras minhas.


(Flor de Laranjeira)

 


 

 

Fantasias...



Ao despir das fantasias
deixei cair meus sonhos.
A festa acabou, você se foi
e restou o silêncio no salão.
Bailei sozinha,
entoei minha própria melodia.
Meu canto ecoou sozinho,
os acordes de meu choro calou-me a voz.
Parei! O silêncio se fez!
Peguei de volta os meus sonhos
joguei fora a fantasia...


(Flor de Laranjeira)

 

 

 

Enviados em Set/2010

 

 



Breve Outono

Ela cai...
Se deixa embalar pelo vento.
Porque será?
Talvez esteja triste!
Será que pensa nessa hora?
Parece leve, tudo passa por ela...
Lembranças, estações vidas.
No vento baila, gira, plana.
Pode ser que esteja com medo
ou quem sabe foge da desilusão.
Sua queda não mais pode ser interrompida,
nem seus olhos poderão se abrir,
sua voz, confundida com a brisa soa despercebida.
Ela cai...
Com a beleza que lhe ornou o tempo,
com a silhueta que perpetuou a espécie.
Da forma pura com que se lançou,
tornou bela a sua queda.
Quiçá o chão lhe ampare de peito aberto
e a terra lhe construa um castelo
onde seus restos poderão permanecer em silêncio
e o tempo venha devorar-lhe o viço.
Ela cai...
Sente o farfalhar ao seu redor,
percebe que se aproxima  a hora máxima.
Ela se entrega de alma, despe-se de toda  pauta
deixando apenas cicatrizes onde fostes gerada...



Solange Bretas

 


 

 


Quando Vem a Saudade


Daqui da janela desse horizonte que me perco,
meus olhos banham lembranças.
Sinto saudades...
Sinto saudades do chão de estrelas que nunca deitei,
das noites  aos pés da cama que não adormeci,
dos dias de sol que não pude sentir seu calor.
Ah, se ainda em estrelas eu puder ser e estar,
se em águas mornas nosso corpo puder mergulhar,
adormecida em seus gemidos eu assim acordar
e nas viagem, em teus braços eu adoro ficar...
Me  deixa voltar de onde nunca consegui sair.
Meu desejo pede e a saudade implora!
Pois não quero e não vou te esquecer,
tens um pedaço de mim e eu tenho tudo de você.
Cada palavra mesmo sem dizer,
seus afagos que o meu ser ainda está a sentir,
os seus beijos...Ah, nem preciso dizer o sabor...
Ainda desejo de ti o vinho que derramas aí na solidão
tanto que nos embriagou e regou nossa  paixão.
Minha alma se deita com a tua,
plenamente te sinto meu anjo amado,
assim voltamos ao nosso ninho ardente,
onde o mundo pára e o nosso amor vivifica...
Me  descubro além dessa janela, desse horizonte
sempre vou ao teu encontro, não professo, mas sabes que Te Amo!

Sinto-me assim nostálgica...
Quando  vem a saudade ...



Solange Bretas



 

 


Fantasias...


Ao despir das fantasias
deixei cair meus sonhos.
A festa acabou, você se foi
e restou o silêncio no salão.
Bailei sozinha,
entoei minha própria melodia.
Meu canto ecoou sozinho,
os acordes de meu choro calou-me a voz.
Parei! O silêncio se fez!
Peguei de volta os meus sonhos
joguei fora a fantasia...


Solange Bretas

 

 

 

Enviados em Ago/2010

 

 

Algum Lugar do Passado


Em que lugar do passado ficamos nós esquecidos
e em que sótão sombrio guardamos nossa lembranças?
Nossas almas vestiram luto e partiram sem canção,
pegaram rumos diferentes na encruzilhada do destino.

Em que estrada nossos passos deixam pegadas
em que deserto  a solidão nos levou a viajar?
Nossos olhos não enxergam nessa tempestade árida
em respiramos mais a mesma essência de nós dois.

Em que mundo nossos sentidos  foram parar,
qual a dimensão dessa perda que nos faz vazios de nós?
Não há tato, perdemos as digitais, desconhecemos nossa existência,
porque  um dia sucumbiram nossos mais fervorósos sentimentos.

Em que tela poderíamos entrar para eternizarmo-nos,
já que vagamos a esmo nessa saudade de nós?
Que nasça da esperança o verso,  e o soneto, de nossa melodia
cantarolada por nossa alma ferida ao espelharmo-nos.

Já que  é certo o tempo jamais retorna,
não seremos mais como outrora, feliz primavera.
Em nossos lábios  os sussurros de amor emudeceram,
Mas no silêncio do coração, escuto o clamor por nós.


Solange Bretas

 

 

 

 



Palavra de Amor


Tenho comigo o desejo,
o de me tornar palavra.
Aquela de forma falada
em frases de amor ao pé do ouvido,
que ecoa feito a brisa
nas folhagens, melodia.
Desejo ser palavra doce,
ser alento na solidão que te crucifica.
Palavra ungüento que sara feridas,
feitas pela dureza do árduo caminho da vida.
Palavra conforto, que acolhe teu pranto
pulsando viva, dando sabor a tua alegria.
Não desejo ser somente falada,
nem lançada ao vento, tão pouco ditas
às paredes que nada entendem.
Desejo ser palavra sentida no coração,
que desperta sentimentos e emoções
no mundo real e virtual.
Quero ser palavra amada,
saída da alma apaixonada
declarada pelos lábios do poeta.
Palavra escrita num livro de pétalas
com perfeita caligrafia.
Quisera estar nas entrelinhas
deitadas em chão de estrelas.
Quisera ser em mensagens decifradas
por você, Palavra de Amor.


Solange Bretas

 


 

 



Casulo


Assim me refugio,
descanso minha alma
da saudade que me arrebata.
Fecho-me  nesse castelo de solidão
que intransponível, isola meu pensar.
Não há janelas ...
teu sol não alcançará meu olhar
tua brisa não soprará em meu rosto
e as lágrimas que eu poderia verter
adormecerão junto com as lembranças.
Viajo num coma profundo sem estações.
Será inatingível meu coração
e a saudade que vivo de você
baterá suas asas para sempre...


Solange Bretas

 

 

 

Enviados em Julho/2010

 

 

Distração...


...Me olho com teus olhos
me vejo abstrata,
com traços desformes,
nada  mais que sombras
com pouco sentido ou sentido algum.
Toda cor que um dia  iluminou,
agora se retorce num horizonte pálido.
Me vi imagem sem sentimento
pendurada numa parede manchada.
A leitura que faço de mim ,
melhor fechar os olhos,
melhor nem poetar...


Flor de Laranjeira



 

 



Livre

   
Desperta, rescindi  pesadelos 
a alma simplesmente voou... 
Na leveza de nuvens do outono 
não mais temendo invernos
recria a primavera interior.
Flutua sobre céus e sois,
no horizonte azul, 
chameja o arrebol.

Veste-se de estrela 
vai até o infinito 
bailar com a liberdade!


Flor de Laranjeira

 


 

 

Ao Encontro do Sol


Vou ao encontro do sol.
Não temerei queimar as asas
nem fenecer com seu calor.
Desfrutarei dele o ardor
que invadirá o coração.
Juntaremos fogo e paixão
não ouviremos a razão.
Vou ao encontro do sol
que inebria meu olhar
faz tremer o horizonte 
leva-me a beber do mar. 
Ele será meu dia 
ainda que de noite,
não mais haverá sombras
nem o frio da estação,
o tempo não existirá.
vou ao encontro do sol
seremos só nós dois a brilhar,
qual constelação nosso amor será.


Flor de Laranjeira

 


 

Enviados em Junho/2010

 


Epílogo da Alma

De novo degusto o amargo da solidão
ressecando meus lábios
trazendo de volta as lágrimas
que meus olhos quase esquecera,
mas que o meu coração veio derramar.
Pensei ter exaurido de minha alma
os últimos ais, e agora me vejo
encolhida sozinha, sem mais.
Assim em desencontro,
abandonada num canto do silêncio,
querendo poder erguer apenas meu olhar,
mas não quero mais mendigar afeição
Já havia esquecido da penumbra
que encobria meu sonhar.
Então, sorvo o amargor brindando a vida
com a saudade que  restou.


 


Te Sinto!
Como um vento...
Um sopro, alento!
Vem longe...
No horizonte de um olhar
cabe na janela do acreditar,
que um sopro do vento é alento
de seus lábios o amor a sussurrar.
Descortinando meu sonhar,
minh'alma estremece
de tua brisa querendo provar.


 


Um Outro Dia
 
Quando em ti pensei
E ti sentir tão fortemente
Dizia a verdade.
Meu coração não mentia!
 
Disse de minhas alegrias
E da vontade de estar contigo
Um pouco mais que eternamente.
Dizia a verdade.
Meus olhos não mentiam!
 
Acreditando no amor
E assim podia amar-te
Tornar-te simplesmente meu herói.
Dizia a verdade.
Minha alma não mentia!

Quando ganhei vida em seus braços
e neles descansei protegida
Gritei aos quatro cantos, Te amo!
Quem sabe perdiada.
Dizia a verdade
Meu corpo não mentiria!

Perder-te foi perigo eminente
Sem amor minha alma rasteja
E no olhar um adeus agora viceja
Dizia verdade.
Quem ama não mente!


 

Enviados em Maio/2010

 




Apenas Mulher

No horizonte a imagem se faz,
mas o olhar perdido se vai
ao encontro do arrebol.
Sou asas que pensam voar
além dos mundos, arco íris e sol.
Viajo com as velas levando embarcações,
naufrago nas marés que devoram meu pensar.
Não me vejo às margens do rio,
mas sinto suas águas a lapidar meu caminho
que, em cascatas, murmuram meu destino.
Às vezes não sei quem sou
e temo pelo porvir em segredo,
mas quando me sinto lua
nessa plenitude me vejo apenas mulher.

 

Solange Bretas
(Flor de Laranjeira)




 




Sonho apenas
 

Quisera sonhar poesia,
me vestir de sua doce melodia,
beber de seu vício  embriagador.
Pudera ser verso ao avesso
da melâncolia desigual a dor.
Meus sonhos são águas
que rolam margeando solidão,
sem encontro, sem mar...
Sonho contos sem fim,
sem céu, sem luar...
Sonho sem estrelas a contar
tendo apenas linhas gravadas  
 na palma de um adeus 
sem horizonte, sem sol , sem saber amar.
Sonho apenas a sonhar

 

Solange Bretas 
(For de Laranjeira)



 



Tropeços!

 
Pedras a minha frente encontrar
A elas tenho a necessidade retirar.
Elas o ensinamento laços.
Degraus, murralhas. 
Verdades ou mentiras...
Delas, retiradas as trabalharei.
Quantas coisas edificarei.
Degraus e muralhas
até mesmo castelos e fortalezas.
Fragmentos deixados e encontrado pelo destino
 quero com eles erguer a torre, nela haverá um farol...
Quem sabe a iluminar o horizonte
onde sopre a brisa varrendo pensamentos?
Assim eu possa desvendar fronteiras azuis
que meus pés precisam pisar,
subir e alcançar para luz.

 

Solange Bretãs
(Flor de Laranjeira)



 

Enviados em Abril/2010

 



No Mar de Poesia



Tão logo adentrei no profundo mar de poesia
E o lirismo saciou minha alma em versos simples,
Não consigo conter as ondas que desde então são vertidas
De minhas pobres e ousadas rimas desaguadas nas entrelinhas.
 
Teria enlouquecido o deus da poesia ao permitir-me tal ousadia
E põe em meio a um desafio, as letras dessa minha alma escrita
De certo que mesmo que tentasse e de todos os vocábulos usasse
Não descreveria a emoção, faltar-me-iam linhas a velejar grafias.
 
Refugio-me em lençóis de marés que deságuam do céu o azul
E sua aquarela cintilante, inspira minha alma poética
Meu versejar impregna-se da essência mais íntima das marés.
E ao lançar-me nesse mar profundo, fecundo versos.
   
Por entrelinhas elevo ondas de sentimentos e encantos fluem
Minha crítica é farol a guiar minha embarcação sem destino 
Que navega sozinha e, nas tempestades de emoções, perdida.
Minhas palavras desejam portos seguros a ancorar versos.

Tomo posse dessa loucura que veio  em meu ser habitar
Mesmo que me sinta por muitas vezes nesse mar  naufragar
Ergo minhas velas, recolho as âncoras e me ponho a navegar
Na liberdade dessas ondas que me  fazem por amor poetar.

Flor de Laranjeira


 



Ao Anoitecer


No horizonte me perco,
lá mora o meu sol...
Ilumina meus dias de amor,
deixa saudades ao entardecer...
No horizonte te busco
mergulho no mar de ilusões
e, naufragando meus desejos,
me perco sem te ter...
Sou lua ao anoitecer.

Flor de Laranjeira



 




Abandonada  no silêncio
que retine dentro da alma,
dessa prisão esquecida
que em meu corpo segrega.
Lanço-me nas rochas da fria solidão
e sepulto as dores que meu coração
já não consegue controlar.
Deixo flores nas cicatrizes
onde jaz um amor
que ressuscita todos os dias.


Flor de Laranjeira



 

Enviados em Mar/2010

 




Dor



Sinto essa dor
Latejante, dilacerante.
Que enlouquece e angustia.
Dói no peito, dilacera a alma.
Sinto a dor da ausência do seu beijo
que acende meu desejo,
do seu cheiro que entorpece meus sentidos,
tirando-me a razão.
Quero seu olhar a despir minha alma
a incendiar meu corpo qual vulcão
numa louca explosão de prazer.
Minha cura é você.


 - Flor de Laranjeira -




 




Ao Cair do Véu



Como exerce em mim tanto vigor
nunca deixei que chegassem a me conter
como pode ter sobre mim soberania
se tornando o possuidor de meus ais

Será magia, encantamento?
Me tentas tanto  que me tira o torpor
Faz a noite se alongar numa espera louca
E os dias intermináveis de arquejantes desejos

Quando te suponho ao meu alcance
Tudo que me compõe se transforma
Grita pungente por sua existência
Parece insano desígnio influindo em mim

Você se tornou motivo de minha cupidez
E embevecida por teus tantos encantos
Em delírios veementes sofro as consequências
Vivo na expectativa do cair do véu.


_ Flor de Laranjeira _



 




Versos Loucos



Versos que agora invento,
Jogados ao vento, colhidos ao léu.
Bordados no céu da boca,
pintado pela menina dos olhos,
Lidos na palma da mão.
Recortes de palavras soltas,
Burlescas, sobre letras incontidas.
Pobres ricas rimas brancas,
não encontro nesses versos
nem sei escrever, confesso!
Mas a que vem essas palavras
a esmo, se não encontro folhas
que sirvam de ombro a deitar?
Teimosos versos eu diria, até por ironia,
quiseram em mim, grafar.
Loucas letras, coitadas,
não sabem o que fazem estão gastas!
Desbotadas feito anil no mar,
iluminadas qual sol em noite de luar,
provadas pelo fogo a incendiar,
não sou poeta tão pouco sei  versar.
Bebo o lirismo, brindo com a realidade,
devaneios, alguém diria, dessa minha mania
de escrever tudo sem dizer nada!
Só ele sabe esses versos que invento,
cabe bem na boca do vento
a soprar em seus ouvidos...
Esses versos loucos, meu alento!

_ Flor de Laranjeira _



 

Postados em Fev/2010