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Santo António
Como Lisboeta sou devoto de Santo António, o primeiro quadro que pintei foi um Santo António, que ofereci ao Comendador Gil Antunes, criador e director do Museu do Santo.
O Santo António de Lisboa, ou de Pádua, foi um protector dos pobres, o auxílio na busca de objectos ou pessoas perdidas, o amigo nas causas do coração, daí ser conhecido e particularmente venerado popularmente como “casamenteiro”.
Santo António, era um frei franciscano português, que trocou o conforto de uma abastada família burguesa pela vida religiosa.
Contam os livros de história e teologia que o santo nasceu em Lisboa, em 15 de Agosto de 1195, e recebendo o nome de baptismo de Fernando, era o único herdeiro de Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo.
Sua infância foi tranquila, sem maiores emoções, até que resolveu optar pelo hábito, Fernando preferia a solidão das bibliotecas e dos oratórios às discussões religiosas, isso pelo menos até um grupo de franciscanos cruzar seu caminho, este encontro, por acaso, numa das ruas de Coimbra marcou-o para sempre, resolvendo então dedicar-se a fé, a sua escolha recaiu sobre a ordem de Santo Agostinho.
Santo António era um pregador inspirado, as suas pregações eram tão controversas que chegavam a alterar a rotina das cidades, provocando o fechamento adiantado dos estabelecimentos comerciais, de pregação em pregação, de povoado em povoado, o santo chegou a Pádua, uma vez lá, converteu um grande número de pessoas com seus actos e suas palavras.
Foi para esta cidade que ele pediu que o levassem quando seu estado de saúde piorou, em Junho de 1231. Santo António, porém, não resistiu ao esforço e morreu no dia 13, no convento de Santa Maria de Arcella, às portas da cidade que baptizou de "casa espiritual". Tinha apenas 36 anos de idade.
O pedido do religioso foi atendido dias depois, com seu enterro na Igreja de Santa Maria Mãe de Deus. Anos depois, seus restos foram transferidos para a enorme basílica, em Pádua.
O processo de canonização de frei António encabeça a lista dos mais rápidos de toda a história. Foi aberto meses depois de sua morte, durante o pontificado de Papa Gregório IX, e durou menos de ano.
Santo António de Lisboa, tem direito a um feriado, o feriado de Lisboa a 13 de Junho (data do seu falecimento) é em seu tributo a este Santo Popular e muito amado.
Lisboa está cheia de testemunhos deste Santo, os museus e bibliotecas portuguesas possuem quase tudo o que um erudito pode querer saber sobre este português fora do vulgar, que viveu nos primórdios da nacionalidade.
Santo António, torna-se assim um dos santos de maior devoção de todos os povos e sem dúvida o primeiro português com projecção universal.
Texto e ilustração de Henrique Tigo
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Caros Amigos
Desejo a todos uma Santa Pascoa e uma optimas mini-ferias
São os votos sinceros do amigo
Henrique Tigo
Definição de Páscoa
A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é um evento
religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a
esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da
cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus
Cristo (Vitória sobre a morte) depois da sua morte por crucificação
(ver Sexta-Feira Santa) que teria ocorrido nesta altura do ano em 30
ou 33 d.C. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico
que dura cerca de dois meses a partir desta data até ao Pentecostes.
Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os
judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egipto
(Portugal, PALOP's e Timor) Egito (Brasil).
A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa
judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo
sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem
do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para
a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no
calendário, segundo os cálculos que se indicam a seguir.
A última ceia partilhada por Jesus e pelos discípulos é considerada,
geralmente, um “seder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a
festividade judaica, se nos atermos à cronologia proposta pelos
Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia
distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos
cordeiros do Pesach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco
antes desta festividade.
Os termos "Easter" (Ishtar) e "Ostern" (em inglês e alemão,
respectivamente) parecem não ter qualquer relação etimológica com o
Pesach(páscoa). As hipóteses mais aceitas relacionam os termos com
Eostremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa
germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os
anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o historiador inglês do
século VII, Beda.
Henrique Tigo
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CAVEMAN
"Um espelho de Nós"

No outro dia fui ver a peça CAVEMAN, numa adaptação do texto "Defending the Caveman", do norte-americano Rob Becker, pelo encenador António Pires.
Um espectáculo a solo, de um só actor o Jorge Mourato, um querido amigo e um actor que tem crescido bastante no mundo artístico, e que quanto a mim ninguém faria melhor, este papel do que ele.
E não digo isto por ele ser meu amigo e me ter convidado para ir ver a peça, digo porque sinceramente é o que sinto e penso.
Está peça baseia-se nas diferenças entre sexos e na forma como homens e mulheres se relacionam, um retrato da sensibilidade feminina e masculina, em suma a mais antiga guerra do mundo a dos "sexos".
Damos por nós a olhar para um espelho, todos nós já passamos por isto ou aquilo, que nos é apresentado nesta peça, todos nós já a vivemos e pensamos na imagem do homem e da mulher - estereótipos comuns e culturais. A biologia e as diferenças de género, já demos por nós a tentar descobrir as diferenças entre o cérebro masculino e feminino.
E até como nasceu a dita “guerra dos sexos”, as fragilidades da mulher e do homem, e qual é a influência da testosterona nas relações humanas.
Até como funciona o cérebro feminino e o seu comportamento empático.
Mas além de nos fazer pensar, esta peça além de extremamente cómica e muito bem representada, é educativa pois fala-nos da origem, e das diferenças entre sexos; O estilo de vida dos nossos antepassados e a capacidade mental dos rapazes e raparigas aliados a memória verbal e manipulação de objectos, os papéis do homem e da mulher nas sociedades primitivas, assim como a sua Evolução e as diferenças entre os sexos.
São ainda abordados temas como:
- A guerra dos sexos na área do exercício físico – a força e a resistência.
- A guerra dos sexos nas estradas – a condução automóvel.
- O sentido de orientação e avaliação de distâncias.
Caveman, foi das poucas peças que me fez rir do principio ao fim e ao mesmo tempo que teve a capacidade de fazer pensar na minha vida, enquanto homem e como posso alterar algumas atitudes para melhorar o meu relacionamento com o sexo feminino, além de me ter feito pensar na vida dos nossos antepassados, (homens e mulheres).
Esta peça estará em cena no Teatro Armando Cortez, (Casa do Artista) em Lisboa, até 28 de Fevereiro e eu sinceramente recomendo, não só pela brilhante interpretação do Jorge Mourato, mas pela sua enorme qualidade filosófica, sociológica e humorística.
Henrique Tigo
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Carnaval
Quando era mais pequeno, sempre me perguntei porque motivo o Carnaval não era sempre na mesma data, assim como o Natal, Ano Novo ou até os meus anos.
Depois descobri que afinal o termo Carnaval é de origem incerta, embora já no latim medieval, aparecem referencias ao carnem levare ou carnelevarium, palavras dos séculos XI e XII, que significava a véspera da quarta-feira de cinzas, isto é, a hora em que começava a abstinência da carne durante os quarenta dias nos quais, no passado, os católicos eram proibidos pela igreja de comer carne, ou seja o "adeus” simbólico à carne daí o termo "Carnaval".
Durante este período havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade tinha a sua tradição e o seu modo de o comemorar, de acordo com seus costumes.
O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do já no século XIX.
Mas voltando um pouco a trás o Carnaval assim bem como todos os feriados eclesiásticos são calculados em função da data da Páscoa, com excepção do Natal 25 de Dezembro.
O Domingo de Páscoa é sempre no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia desse ano, que se verificar a partir do equinócio da Primavera que ocorre entre os dias 21 e 22 de Março (no hemisfério norte) ou seja o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de Março, é entre 08 de Março e 05 de Abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de Março e 25 de Abril. O domingo de Carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa ou do equinócio do Outono (no hemisfério sul), e a sexta-feira Santa sexta-feira é a que antecede o Domingo de Páscoa, logo a terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.
Mas mesmo antes do Cristianismo já existia Carnaval, ele tem o seu início em cultos agrários na Grécia, em 605 a.C até 527 a.C. Com o surgimento da agricultura, os homens passaram a comemorar a fertilidade e produtividade do solo. Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dionísio na Grécia, no século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adopta a festa em 590 d.C.
O primeiro foco de concentração Carnavalesca acontece no Egipto que homenageavam a Deusa Isis e ao Touro Apis. A festa nessa altura não era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais.
O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C.
Embora muitos pensei que o Carnaval começou no Brasil, afinal não, foi em França na cidade de Paris o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nova Orleans nos EUA, Toronto no Canada e o próprio Brasil inspirariam no Carnaval francês para implantar suas novas festas carnavalescas.
Contudo o Carnaval brasileiro surge em 1723, com a chegada de portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. A principal diversão dos foliões era jogar água uns aos outros. O primeiro registro de baile é de 1840 e em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das actuais escolas de samba. No início século XX, já havia diversos cordões e blocos, que desfilavam pela cidade durante o Carnaval. A primeira escola de samba foi fundada em 1928 no bairro do Estácio e se chamava Deixa Falar. A partir de então, outras foram surgindo até chegarmos à grande festa que vemos hoje.
Em Portugal existem pessoas que lhe chamam o Entrudo, que já na Idade Média, era o nome que se costumava dar a comemorações do período carnavalesco em Portugal, com uma toda uma série de brincadeiras que variavam de aldeia para aldeia. Em algumas notava-se a presença de grandes bonecos, chamados genericamente de “Entrudo" daí o nome.
Só me resta desejar a todos um Bom Carnaval.
Henrique Tigo

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Dia de Reis.
Estamos a dia 6 de Janeiro, e para os cristãos, hoje é dia de Reis.
Os católicos acreditam que neste dia três Reis Magos: Belchior, Gaspar, e Baltazar, apareceram a Jesus Cristo recém-nascido, levando-lhe oferendas, isto segundo o Evangelho de Mateus.
Segundo este evangelho os reis magos, que não seriam, obrigatoriamente
reis nem e, sim, talvez, sacerdotes da religião zoroástrica da Pérsia ou conselheiros dos seus Reis, e diz-se que eram três pela quantia dos presentes oferecidos.
Por outro lado não se sabe sua origem, mas reza a lenda que um dos Reis era negro africano, o outro branco europeu e o terceiro moreno (assírio ou persa), representando a humanidade conhecida da época.
A designação "Mago" era dada, entre os Orientais, à classe dos sábios ou eruditos, contudo esta palavra também era usada para designar os astrólogos. Isto fez com que, inicialmente, se pensasse que estes magos eram sábios astrólogos, membros da classe sacerdotal de alguns povos orientais, como os caldeus, os persas e os medos.
Posteriormente, a Igreja atribuiu-lhes o apelido de "Reis", em virtude da aplicação liberal que se lhes fez do Salmo 71,10.
Também em relação às idades dos Reis Magos tudo são suposições sem nenhuma base histórica. Só no século XV, se fixou que Belchior teria 60 anos, Gaspar estaria com 40 anos e Baltasar 20 anos.
Segundo reza a história os Magos, viram uma estrela e foram, atrás dela, até a região onde nascera Jesus, dito o Cristo. Assim os magos sabendo que se tratava do nascimento de um rei, foram ao palácio do cruel rei Herodes em Jerusalém na Judéia. Perguntaram eles ao rei sobre a criança. Este disse nada saber. Herodes alarmou-se e sentiu-se ameaçado, e pediu aos magos que, se o encontrassem, falassem a ele, pois iria adorá-lo também, embora suas intenções fossem realmente matá-lo, para não lhe tirar o trono.
Os Magos ainda demoraram a chegar ao local onde tinha nascido e estava o "Deus Menino" e assim atribuiu-se a visita dos Reis Magos o dia 6 de Janeiro.
Lá chegados os ofereceram três presentes ao menino Jesus: Ouro, incenso e mirra, cujo significado e simbolismo espiritual é, juntamente com a própria visitação dos magos, ser um resumo do evangelho e da fé cristã, embora existam outras especulações respeito do significado das dádivas dadas por eles, entre elas temos que os presentes simbolizam, respectivamente, a realeza, a divindade e a paixão de Cristo.
Em alguns países, como Espanha e até no nosso Pais, foi estimulada entre as crianças a tradição é de se deixar sapatos na janela com capim (erva) antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca os Reis magos deixariam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar. Temos ainda a tradição de Cantar os Reis, uma tradição celebrada realizada no dia de Reis. Grupos ", agrupavam-se vestem-se de caixeiros, de limpadores de chaminés, de feirantes, de instrumentistas, de doutores, de moradores, e até de estrangeiros que invocavam os Reis Magos. Durante a noite do dia 6 de Janeiro estes grupos percorriam as ruas da cidade dançando e tocando em procissões e cantavam às portas das casas.
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Henrique Tigo
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Árvore de Natal
Esta semana estive a fazer a minha árvore de Natal com a minha mulher.
Para mim a árvore é um símbolo da vida e de tradição natalícia, sendo, esta muito mais antiga do que o Cristianismo e não é um costume exclusivo de nenhuma religião em particular.
Muito antes da tradição de comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em Dezembro, simbolizando, o triunfo da vida sobre a morte.
Era normalmente um pinheiro ou abeto, hoje em dia é de plástico, que na altura do Natal, normalmente entre 15 dias a 1 mês antes é enfeitado e iluminado, especialmente nas casas particulares, mas
também temos arvores gigantes nos Centros Comerciais e em Portugal até temos a maior árvore de Natal da Europa com 76 metros de altura, que este ano está na Avenida dos Aliados no Porto.
Mas voltando as tradições da dita árvore, já os romanos embelezavam árvores em honra de Saturno, o seu Deus da agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a Árvore de Natal, ainda nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.
Segundo a tradição de São Bonifácio, no século VII, era um pregador na Turíngia (uma região da Alemanha) e que usava o perfil triangular dos abetos com símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o carvalho, até então considerado como símbolo divino,
foi substituído pelo triangular abeto.
Finalmente na Europa Central, no final do século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.
Mas a 1ª referência a uma "Árvore de Natal", diz-se que surgiu no século XVI e que foi nessa altura que ela se vulgarizou pela Europa Central em 1510.
Foi então Lutero o "pai" da reforma protestante, que depois de um passeio, pela floresta em pleno Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes trouxe essa imagem à família sob a forma de uma "Árvore de Natal" com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, isto porque para ele o céu devia ter estado no dia do
nascimento do Menino Jesus.
Então o costume enraizou-se pela Alemanha, nas famílias, ricas e pobres, decoravam as suas árvores com frutos secos, além de doces e flores de papel, isto possibilitou que surgisse uma indústria de decorações de Natal, em que a Turíngia se especializou, devido a sua antiga tradição.
Desde o início do século XVII, a Grã-Bretanha começou a introduzir da Alemanha esta tradição, pelas mãos dos monarcas de Hannover. Contudo a tradição só se consolidou na Grã-Bretanha após a publicação pela "Illustrated London News", de uma imagem da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto com os seus filhos, junto à Árvore de Natal no castelo de Windsor, no Natal de 1846.
Esta tradição estendeu-se, então, por toda a Europa e chegou até aos EUA na altura da guerra da independência pelas mãos dos soldados alemães. A tradição só se consolidou uniformemente dada a divergência de povos e culturas.
Até que em 1856, o 28° Presidente dos EUA, Woodrow Wilson, introduziu na Casa Branca uma árvore de Natal e a tradição mantém-se desde então.
A árvore de Natal tem uma origem pagã, esta predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico. Assim nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi despertando pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios, e são a grande tradição nacional deste tempos idos, pois a aceitação da Árvore de Natal é
relativamente recente quando comparada com os restantes países.
O Estado Novo e o Prof. Salazar não viam com bons olhos a dita Árvore, só a partir dos anos 50, este símbolo começa a ser visto nas cidades, mas nos campos era simplesmente ignorada. Ninguém sabe quem a
introduziu nos nossos costumes e tradições, sabemos somente que foram os ricos que as levaram da cidade para os campos, mas a verdade é que hoje em dia, a Árvore de Natal já faz parte da tradição natalícia portuguesa e já todos se renderam a ela, eu pessoalmente já não sei o que seria o Natal sem a minha Árvore e todas as decorações inerentesa ela.
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Henrique Tigo
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Pai Natal
Muitos estudiosos afiançam que a figura do bom velhinho Pai Natal é um homem bonacheirão e gorducho de faces rosadas e barba branca, vestido de fato vermelho, a conduzir um trenó, pelos céus, puxado a oito renas.
Segundo reza a história, desce pela chaminé e deixa presentes na árvore de Natal, no sapatinho e nas peúgas de todas as crianças bem comportadas, foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
O bispo Nicolau, foi transformado em Santo após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele, entre eles estão o salvamento de três oficiais condenados injustamente, interveio para preservar a honra de três donzelas, salvou barcos a afundarem-se, ressuscitou crianças, etc...
São Nicolau viajava montado num burro, por este motivo, em algumas regiões de França, as crianças colocam debaixo do pinheiro de Natal, um copo de vinho para o Pai Natal e uma cenoura para o burro.
Quando era criança na minha casa, ainda no Bairro Alto, onde vivi 11 anos, todos os Natais o Pai Natal ia-nos fazer uma visita e o meu Pai deixava-lhe uma cálice de vinho do Porto, como agradecimento, pelas
prendas que ele me deixava, e posso dizer que era uma criança que tinha mesmo muitas prendas.
Um dos Pais do actual Pai Natal foi o professor de literatura grega da Universidade de Nova Iorque Clemente Clark Moore, que em 1822 escreveu um poema com o título "Uma visita de São Nicolau", nesse poema, ele divulgava a versão de que o Pai Natal ele viajava num trenó puxado por varias renas.
Tendo sido este escritor que popularizou outras características do nosso querido Pai Natal, como o fato vermelho entrar pelas nossas chaminés.
Ao longo dos anos a imagem do Pai Natal tem sofrido algumas alterações, mas o visual que todos conhecemos devesse ao designer Thomas Nast, que 1886 na Edição de Natal da sua revista a Harper's
Weekly, desenhou o primeiro Pai Natal com um gorro Vermelho e um fato vermelho e branco.
Mas a imagem que hoje melhor conhecemos do Pai Natal essa foi criada pela Coca-Cola, para a sua campanha publicitaria de Natal de 1931, sendo a que persiste desde então.
Como se chama então o Pai Natal por todo o Mundo[1] Portugal: Pai Natal, Brasil: Papai Noel, Alemanha: Nikolaus (ou Weihnachtsmann - literalmente, "homem do Natal"), Chile: Viejito Pascuero; Colômbia: Papá Noel ou Santa Claus, Dinamarca: Julemanden, Espanha, Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai: Papá Noel, Estados Unidos: Santa Claus Finlândia: Joulupukki, França: Père Noël, Inglaterra: Father Christmas, Países Baixos: Sinterklaas, Itália: Babbo Natale, México: Santa Claus, República Dominicana: Santa Claus Pronunciado como Santa Clo o às vezes Santi Clo, Porto Rico: Santa Claus (Pronunciado en Puerto Rico, "SantaClo'" devido ao spanglish) e na Rússia: Ded Moroz.
Eu pessoalmente sou um grande fã do Pai Natal, quando chega o Natal tenho a casa cheia de Pais Natais, e no dia 24 de Dezembro, à noite, irei deixar a janela aberta (pois não tenho chaminé) com uma cálice de
vinho do Porto a sua espera…
[1] http://pt.wikipedia.org
Henrique Tigo
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O golpe militar do 25 de Novembro de 1975
O Golpe Militar de 25 de Novembro de 1975 foi o golpe que pôs fim à influência da esquerda militar radical no período revolucionário iniciado pela esquerda militar.
Foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário, que começou com insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975
O golpe de 25 de Novembro foi uma acção militar que constituiu uma resposta à resolução do Conselho da Revolução de desmantelar a base aérea de Tancos e de substituir alguns comandantes militares.
Consequentemente, o almirante Pinheiro de Azevedo permaneceu no poder enquanto primeiro-ministro do VI Governo Provisório e demitiram-se alguns militares, tendo ainda Otelo Saraiva de Carvalho ter sido preso.
A preparação do Golpe Militar de 25 de Novembro de 1975 teve muitos meses de preparação antes de Novembro. O golpe foi preparado pelo Movimento, que define por ser contra o que chama os dissidentes.
O «Movimento» chamava a si a preparação e decisão do golpe militar, mas, preservando e garantindo a legitimidade revolucionária do Presidente da República a cúpula efectiva era o «Movimento», que dispunha de dois grupos dirigentes:
O primeiro militar, inicialmente constituído por Ramalho Eanes, Garcia dos Santos, Vasco Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Tomé Pinto e José Manuel Barroso. A sua principal era a elaboração de um plano de operações tarefa que realizou, tendo para isso muito contribuído a liderança de Ramalho Eanes.
O segundo o político, de que faria parte o famoso Grupo dos Nove, que viria a desempenhar o papel de um verdadeiro estado-maior de Vasco Lourenço, que assumira a chefia do dito Movimento.
Fala-se da acção militar do Grupo dos Nove na preparação para o golpe Pois para Além das acções legais ou semi-legais a que deitariam as mãos para obter a supremacia militar, também pretendiam desenvolver acções clandestinas para uma preparação em caso de confrontação.
O Golpe Militar de 25 de Novembro de 1975 seria para pôr fim a uma situação insustentável que vinha de longe.
O papel de Ramalho Eanes é sublinhado nas valiosas informações que, é designado em 22 de Novembro e confirmado a 24 Comandante da Região Militar de Lisboa em substituição de Otelo Saraiva de Carvalho.
O papel de Eanes expressou-se aliás publicamente, logo após a vitória do golpe, em factos tão significativos como a sua ascensão a Chefe do Estado-Maior do Exército (interino em 27-11-1975 — posse em 9-12-1975) e ulteriormente a Presidente da República eleito.
Está mais que provado, assumido e confessado, que se tratou de um golpe militar de contra-revolucionário há muito em preparação num turbulento processo de arrumação e rearrumação de forças.
O Golpe de 25 de Novembro de 1975 leva a substituição de alguns comandantes militares e a dissolução da Base-Escola de Pára-quedistas de Tancos pelo Conselho da Revolução é o rastilho que faz desencadear o 25 de Novembro. Pára-quedistas da Base-Escola de Tancos ocupam as aéreas de Tancos, OTA e Monte Real, enquanto as tropas do Ralis tomam posições estratégicas nas vias de comunicação de acesso a Lisboa.
O presidente da República decreta o estado de sítio. O Regimento de Comandos da Amadora acaba por ter um papel decisivo na neutralização das unidades de esquerda radical., após terem a garantia que os fuzileiros não saiam.
O vanguardismo militar caí. Os partidos, a partir de agora, como representantes da vontade popular, passam a ter um papel mais dinâmico.
Mário Soares e Sá Carneiro acusam o PCP e a extrema-esquerda pela responsabilidade do golpe.
Henrique Tigo
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Bandeira Nacional
A sua origem e a sua História.
Estamos novamente no Euro, e os Portugueses voltam a lembrar-se que têm uma Bandeira e voltam a ter orgulho nos nossos símbolos, muito graças a um Brasileiro (Luiz Felipe Scolari ) o seleccionador nacional de Futebol.
Voltamos a ver Portugal revestido de Bandeiras, quase todas as janelas e carros, mas num inquérito feito a poucas semanas revelou que os Portugueses não sabem o seu significado, assim com a sua história, esta bandeira que hoje metem a janela, por isso lembrei-me de escrever este artigo.
No princípio só havia insígnias militares; mais tarde símbolos das Casas Reais, as bandeiras têm uma história milenária. Só a partir do século XVIII, contudo, podemos dizer que se tornaram símbolos nacionais, tal como em Portugal.
As bandeiras que representavam as sucessivas famílias reinantes — umas confirmadas por documento, outras de que não estamos tão seguros — ficaram na nossa História como emblemas de Portugal. Também as bandeiras que identificavam os navios no período dos Descobrimentos e do florescimento do comércio marítimo se podem dizer representativas de Portugal no Mundo.
Mas só a bandeira branca de D. João VI, e a última bandeira da Monarquia, azul e branca, oficialmente adoptada por D. Pedro IV em 1830, poderão ser consideradas verdadeiramente nacionais.
Mas desde o início de Portugal com D. Afonso Henriques em 1143, Portugal teve uma Bandeira que durou 42 anos, contudo alguns historiadores acreditam que essa bandeira nunca tenha existido, acham que fosse só o escudo do rei.
De D. Sancho I a D. Afonso III, o escudo de prata passou a ter cinco escudetes azuis dispostos em cruz, no Reinado de D. Afonso III e até D. João I, o escudo branco foi acrescido de uma bordadura vermelha com castelos a ouro, sendo a Bandeira Nacional durante 137 anos de 1248 a 1385.
De 1385 a 1481 ou sejam 96 anos, foi a primeira bandeira nacional historicamente confirmada, igual a anterior mas acrescida com a cruz de Aviz.
D. João II terá alterado a Bandeira, tornando-a mais simples e sem a cruz de Aviz, ainda neste reinado é introduzido o formato rectangular da bandeira e o escudo de armas é colocado, encimado pela coroa real, sobre um fundo branco, esta Bandeira durou 92 anos até ao Reinado de D. Sebastião, seguindo-lhe 60 anos (1580 – 1640) de interregno com a era Filipina, onde durante esses anos fomos novamente espanhóis.
Com a restauração voltamos a ter bandeira e de D. João IV a D. João VI (176 anos) bandeira voltou a ser semelhante sendo a única diferença no formato do escudo e da coroa (sendo o escudo igual ao da nossa bandeira de hoje). D. João VI introduzi-o a esfera armilar – antigo símbolo pessoal de D. Manuel I e que figurava nas armas do Brasil, para simbolizar o Reino Unido de Portugal e dos Algarves e do Brasil (pois a corte tinha-se mudado para o Brasil, devido as invasões Napoleónicas.
Com D. Pedro IV o fundo passou a ser bipartido de azul e branco desaparecendo a esfera armilar, foi esta a bandeira da Nação Monárquica até a implantação da República a 5 de Outubro de 1910.
Proclamada a republica em 1910, o Diário do Governo de 15 de Outubro de 1910 A Comissão que definiu, na sua forma final, a bandeira e as armas do Portugal Republicano, era constituída por:
Ladislau Parreira - oficial da Marinha; Afonso Palia - oficial do Exército; João Chagas -jornalista e político; Abel Botelho - militar e escritor e Columbano Bordalo Pinheiro – pintor.
Em 29 do mesmo mês, a comissão apresentava a esse projecto, de que fora relator Abel Botelho e o Governo Provisório da República aprovava-o. A Assembleia Constitucional ratificava essa aprovação e o decreto de 19 de Junho de 1911 fixava as cores e forma da bandeira nacional.
Seria bipartida verticalmente, verde-escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro e sobreposto à união das duas cores, o escudo das armas nacionais, orlado de branco, assentes sobre a esfera armilar manuelina, em amarelo e avivada de negro. O comprimento seria de vez e meia a altura da tralha. A divisória entre as duas cores é feita de modo que fiquem dois quintos do comprimento total ocupados pelo verde. O emblema central ocuparia metade da altura da tralha (v. rubrica Mil.). O «jack» (marinha) teria a orla verde com e largura igual a um oitavo da tralha. A esfera armilar e o escudo assentava sobre o pano central, escarlate, ficando equidistante das orlas superior e inferior.
O comprimento do <<jack» é igual ao da tralha. As flâmulas da marinha são verdes e vermelhas. O projecto apresentado pela comissão nomeada em Outubro de 1910 pelo Governo Provisório da República foi muito discutido e atacado, tendo sido numerosos os alvitres e vários os projectos apresentados. Guerra Junqueiro, com Braancamp Freire e António Arroio eram partidários das cores azul e branca, tradicionais desde D. Pedro IV Teófilo Braga, presidente do Governo Provisório, propunha as divisas «A lei pela grei» para o laço azul e branco cios revolucionários de 1820 e «Se mais mundos houvera...», na faixa zodiacal da esfera armilar.
in GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA £ BRASILEIRA - vol. IV
Então o significado das cores e dos símbolos da Bandeira Nacional são o seguinte:
O Vermelho – “cor combativa e quente, ê j cor da conquista e do riso. Uma cor cantante, ardente, alegre. Lembra o sangue e incita à vitória.".
O Verde, "cor de esperança e do relâmpago, significa uma mudança representativa na vida do pais."
O verde ocupa dois quintos da bandeira e fica do lado do mastro. O vermelho ocupa restantes três quintos.
A esfera armilar lembra os Descobrimentos Portugueses.
A faixa com sete castelos permaneceu porque representa a independência nacional e finalmente O escudo com as quinas manteve-se na bandeira como homenagem e bravura dos portugueses que lutaram pela independência.
Contudo é importante relembrar o DIR. O decreto de 28 de Dezembro de 1910 pune todo aquele que de viva voz ou por escrito faltar ao respeito devido á bandeira nacional, símbolo da Pátria, com a pena de três meses a um ano e multa correspondente e, em caso de reincidência, com a pena de expulsão.
Protege-se assim o Estado no interesse de este ser respeitado nos seus símbolos. É a tutela do sentimento nacional que justifica o respeito necessário às insígnias da nação - e, desta maneira, a bandeira aqui protegida é apenas a usada oficialmente. A bandeira nacional deve ser hasteada nos edifícios das repartições públicas subordinadas ao Ministério do Interior, dos paços municipais e das corporações administrativas que exerçam autoridade pública, nos dias de feriado.
Teremos sempre de nos lembrar que estamos perante o maior símbolo nacional e que o devemos tratar como tal, com respeito e consideração.
Henrique Tigo
Geógrafo
Bibliografia
Almanak humorístico e ilustrado O Cunha. Porto. A. 7 (1912)
Bandeira nacional. In Grande enciclopédia portuguesa e brasileira. Lisboa; Rio de Janeiro; Ed. Enciclopédia, s. d . vol. 4, p. 108-109
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA - Bandeiras de Portugal. Lisboa: C. M., (1994)
Decreto-lei n. 150/87. Diário da República. Lisboa, l série, n. 74 (30 Mar. 1987)
História contemporânea de Portugal. dir. de João Medina. Lisboa: Amigos do Livro, 1985, Vol. 1.
História do regime republicano em Portugal. Publ.. por Luís de Montalvor; il. Cotinelli Teimo. Lisboa: Anca, 1930-1932. 2 vols.
MARTINS, Rocha - Vermelhos, brancos e azuis: homens de estado, homens de armas, homens de letras. Lisboa: Vida Mundial, 1948-1951
MATOS, José de Assunção - Às gloriosas bandeiras de Portugal. Porto: Fernando de Matos, 1961
Revista da Armada. Lisboa. N. 173 (Fev. 1986) - n. 177 (Jun. 1986)
RUI. José - Mataram o Rei!... Viva a República, 1.' ed. Porto: ASA, 1993. (Estónias de Lisboa: 2)
O Século. Lisboa. 5-19 Out. 1910
Símbolos nacionais. 2.' ed. rev. Lisboa: Estado-maior General das Forcas Armadas Portuguesas, 1990
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Dia Internacional da Criança

( ) …Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.( )…
in Pedra Filosofal de António Gedeão
Não existe nada melhor que o sorriso de uma criança, nada mais puro que uma brincadeira de criança, pois isso uma vez por ano elas são os Reis e as Rainhas e o mundo gira, a volta delas, mas ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Dia Internacional da Criança não é só uma festa onde as crianças ganham presentes, e não existe a muitos anos, o primeiro Dia Internacional da Criança foi criado em 1950.
Federação Democrática Internacional das Mulheres, propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do Mundo. Então os Estados Membros das Nações Unidas, - ONU - reconhecendo que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho, propuseram o Dia 1 de Junho, como Dia Internacional da Criança.
Esta ideia nasceu após a 2ª Guerra Mundial, em 1945, pois muitos países da Europa, do Médio Oriente e a China entraram em crise, ou seja, não tinham boas condições de vida. As crianças desses países viviam muito mal porque não havia comida e os pais estavam mais preocupados em voltar à sua vida normal do que com a educação dos filhos. Alguns nem pais tinham! Como não tinham dinheiro, muitos pais tiravam os filhos da escola e punham-nos a trabalhar, às vezes durante muitas horas e a fazer coisas muito duras.
Nessa altura mais de metade das crianças da Europa não sabia ler nem escrever? E também viviam em péssimas condições para a sua saúde.
Então em 1946, um grupo de países da ONU (Organização das Nações Unidas) começou a tentar resolver o problema. Foi assim que nasceu a UNICEF.
Com a criação deste dia, os estados-membros das Nações Unidas, reconheceram às crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social o direito a:
- afecto, amor e compreensão;
- alimentação adequada;
- cuidados médicos;
- educação gratuita;
- protecção contra todas as formas de exploração;
- crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.
Mas só em, 1959 é que os direitos das crianças passaram ao papel, a 20 de Novembro desse ano, várias dezenas de países que fazem parte da ONU aprovaram a "Declaração dos Direitos da Criança".
Assim, quando a "Declaração" fez 30 anos, em 1989, a ONU também aprovou a "Convenção sobre os Direitos da Criança", que é um documento muito completo (e comprido) com um conjunto de leis para protecção dos mais pequenos (tem 54 artigos!). Esta declaração é tão importante que em 1990 se tornou lei internacional!
A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.”
Quem me dera ser novamente criança, não podemos esquecer as palavras acima ditas, por António Gedeão, realmente as crianças são o nosso futuro e o futuro de uma nação, sem elas não temos passado, presente e futuro e o mundo não pula nem avança …
Henrique Tigo
Fontes: www.onu.com
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O atentado a Salazar
Nunca ficou bem esclarecido (devido a PVDE e a Censura) o que foi o atentado ao Prof. António de Oliveira Salazar, cometido na manhã do Domingo 4 de Julho de 1937.
A P.V.D.E. – Polícia de Vigilância e Defesa do Estado – afirmou, pela voz do seu Director Capitão Catela, que teriam sido cinco indivíduos pertencentes à “Legião Vermelha”, aliás já conhecidos pela PVDE, os autores do atentado.
Naquela manhã, deflagrou uma potente bomba num colector de uma rua por onde passaria Salazar, a caminho da missa de Domingo, mas o veículo em que o então chefe de governo se transportava não foi atingido, pois Salazar que nunca se atrasava, naquele dia tinha se atrasado 15 minutos a sair de casa, pois tinha recebido um telefonema urgente de um dos seus ministros.
Prisões e uma manifestação seguiram-se ao acto que teve como consequência secundária a abertura de uma enorme cratera na Avenida Barbosa do Bocage.
Os Ditadores Mussolini e Hitler felicitaram Salazar por ter escapado ileso do atentado.
António de Oliveira Salazar nasceu em 1889, em Santa Comba Dão, descendente de uma família de pequenos proprietários agrícolas.
A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar um seminário, passando então para a Universidade de Coimbra, onde veio a ser docente de Economia Política.
Ainda durante a Primeira República, Dr. Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o parlamento Republicano em 1921 (tendo sido deputado pouco mais que uma semana, por não concordar com aquela linha politica).
Já na ditadura militar, Dr. Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia.
Quando Óscar Carmona chegou a Presidente da República, Salazar regressou à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas (supervisionar as despesas de todos os Ministérios do governo).
Apesar de severidade do regime que impôs, publicou em 14 de Maio de 1928 a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo, o que lhe granjeou prestígio.
O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o, em 1932, chefe de governo.
Em 1933, com a aprovação da nova Constituição, formou-se o Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.
As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo.
Ao nível das relações internacionais, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial.
O declínio do império Salazarista acelerou-se a partir de 1961, a par do surto de emigração e de um crescimento capitalista de difícil controlo. É afastado do governo em 1968 por motivo de doença, sendo substituído por Prof. Marcello Caetano.
Parecia que estava escrito que o Prof. Salazar iria morrer no mês de Julho, escapou ileso em Julho de 1937, acabando por falecer em Lisboa, a 27 de Julho de 1970.
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O 25 de Abril de 1974
Fora de Lisboa
A instabilidade governativa aliada à instabilidade financeira leva à revolta de 28 de Maio de 1926 e põe fim à primeira Republica Portuguesa, são dissolvidas as instituições políticas democráticas, extintos os partidos políticos e é instaurada uma ditadura militar, onde surge em destaque a figura de António de Oliveira Salazar, primeiro como Ministro da Finanças e depois como Presidente do Conselho.
Salazar surge como uma espécie de salvador e que irá resolver a grave crise Económica e Financeira em que Portugal se encontrava.
Em 1932 assume o cargo de Presidente do Conselho, lugar que irá ocupar até 1968 onde dará lugar a Marcelo Caetano.
A constituição de 1933 dá plenos poderes a Salazar que consagrava um Estado forte e onde é implantado o Nacionalismo corporativo, o intervencionismo económico-social e o imperialismo colonial. Eram assim constituídas as linhas mestras de um sistema de governo que após a guerra civil de Espanha se caracterizou pela censura férrea das opiniões discordantes e pela repressão dos seus opositores. A pedra base de tais métodos é a constituição da polícia política (PIDE).
A obra de reorganização geral do país, e especialmente a sua reconstrução financeira, foi realização notabilíssima que, só por si, justificou e elevou o Estado Novo e Salazar.
Salazar soube ainda manter a neutralidade durante a 2ª guerra Mundial e preservando os Portugueses dos efeitos mais dolorosos da guerra.
Com a vitória, na segunda grande guerra das Democracias Ocidentais sobre as potências totalitárias (excepto URSS), verificou-se no Ocidente uma expansão dos regimes democráticos pluralistas, e começam a surgir as primeiras pressões sobre Portugal, e que seria o momento de o Estado Novo dar lugar a uma democracia pluralista.
Mas a passagem de Portugal para uma democracia pluralista teria como consequência imediata ou a curto prazo, a perda das suas colónias Ultramarinas.
Assim Salazar teve uma “luta” a nível externo conta as pressões internacionais, procurando fazer aceitar internacionalmente a continuação do Estado Novo com as características que tinha e sempre tivera.
O regime e a Igreja caminhavam lado a lado, com uma ideologia marcadamente conservadora, o Estado Novo orientava-se segundo os princípios consagrados pela tradição: Deus, Pátria, Família.
Uma política colonialista, que afirmava Portugal como um Estado plurícontinental e multíracial. Todavia, a partir de 1961, já com muitas pressões internacionais para o país conceder a independência às suas colónias, teve início uma das páginas mais negras da nossa história: A guerra colonial.
A insatisfação política e a desgastante guerra colonial em África, levantou em armas as principais unidades militares do exército das áreas metropolitanas. A acção foi eficaz, precisa e consistente. Passadas 18 horas sob o início do movimento militar, o grosso das forças fiéis á ditadura estava neutralizado.
Tinha-se dado a revolução de 25 de Abril de 1974, sobre a qual eu já muito escrevi mas nunca se fala do que se passou a 25 de Abril de 1974, fora de Lisboa, Reflexos, para além de Lisboa, da acção levada a efeito pelo Movimento das Forças Armadas, por exemplo em Coimbra muitos milhares de pessoas realizaram nesta cidade uma manifestação de apoio à situação criada pelo Movimento da Forças Armadas, sem quaisquer interferências policiais, na sede da associação Académica, cuja a autonomia administrativa vinha sendo sistematicamente denegada. Daquele local saiu uma massa de população que foi engrossando ao longo das avenidas e ruas percorridas.
Aveiro várias centenas de pessoas, em que predominava a juventude, realizaram, nesta cidade, calorosas manifestações de agradecimento e apoio às Forças Armadas pelo êxito do movimento que derrubou o governo de Prof. Marcello Caetano.
Em BRAGA, estudantes dos Liceus Sá de Miranda e de D. Maria II, das Escolas do Ciclo Preparatório, Comercial, Industrial e do Magistério, em número de alguns milhares, percorreram as ruas da cidade vitoriando o Exército. Às 19.00 horas, realizou-se outra manifestação de apoio às Forças Armadas, promovida pelos democratas desta cidade.
Setúbal às 19.00 horas, após o encerramento do comércio, realizou-se a anunciada manifestação de apoio à Junta de Salvação Nacional. Centenas de jovens, incluindo muitos vindos de fora, percorreram as ruas da cidade empunhando cartazes convidando a população a juntar-se na Praça do Bocage, onde deram gritos de “Viva a Liberdade” e exigiram a presença dos soldados.
No Alentejo em Beja, reuniram-se, num salão desta cidade, dezenas de democratas, como objectivo dominante de enviarem um telegrama à Junta de Salvação Nacional com a seguinte informação: “Democratas de Beja, reunidos em sessão plenária, saúdam essa Junta por ter derrubado o governo fascista, libertando presos políticos, abolindo a censura, extinguindo a P.I.D.E./D.G.S. e dissolvendo a A.N.P., Legião e Mocidade Portuguesa.”. no salão nobre do Governo Civil, o ex-Governador, Doutor Fernando Nunes Ribeiro, transmitiu os seus poderes ao governador substituto, Doutor Gonçalves da Cunha, ao qual entregou, em cerimónia simbólica, as chaves do edifício. E em ÉVORA a vida citadina processou-se, com toda a normalidade pelos contactos que os jornalistas tiveram com a população, puderam verificar que se encontra mentalizada do momento histórico que se está a viver. Quando as tropas cercaram o quartel-general da Região Militar o povo acatou as ordens recebidas e aplaudiu com vivas e palmas as Força Armadas.
Do que sei só em Leiria se registou uma calma absoluta, funcionando todos os estabelecimentos públicos e comerciais. Apenas os bancos estiveram fechados, com excepção do de Portugal. A P.S.P. reapareceu nas ruas, mas apenas para controlar o trânsito e para as rondas habituais.
Os acontecimentos relatados constituem uma parte relevante do que foi o 25 de Abril de 1974 que pôs fim a um longo período de opressão e tirania, fazendo com que as forças armadas se reencontrassem com o seu povo.
A acção militar firme e determinada, mas ao mesmo tempo paciente e esclarecida não provocou o derramamento de sangue entre os Portugueses.
O único acto violento foi praticado pela polícia política da ditadura que vendo face á acção militar libertadora, o seu inevitável fim, disparou indiscriminadamente sobre os cidadãos de Lisboa provocando 4 mortos e meia centena de feridos.
No dia 26 de Abril de 1974 iniciou-se a libertação sem condicionalismos de todos os presos políticos, e o novo poder autorizou sem reservas o regresso de todos os exilados políticos, a censura foi abolida, os partidos políticos foram autorizados, a policia política foi extinta, e as liberdades civis restauradas.
O Estado Novo no seu início teve a sua importância, o seu poder e a sua disciplina foram importantes para poder reorganizar o país do estado caótico das finanças e da economia. Mas posteriormente não soube fazer a transição necessária para a democracia. Salazar no inicio do Estado Novo foi o salvador de Portugal, mas com o passar dos anos manteve Portugal “preso” a uma ideologia retrógrada, acabando por deixar o país isolado da comunidade internacional.
O êxito do Movimento das Forças Armadas teve repercussões em todo o País como por todo o Mundo, mas infelizmente passados 34 anos ainda pouco sabemos, sobre o que se passou fora de Lisboa, e vejo com grande tristeza que a minha geração e que as gerações seguintes ainda sabem menos, talvez daqui uns anos além se lembre, acredito e tenho de acreditar que ainda exista alguém que resista, alguém que diga Não!!!.
Henrique Tigo
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É absolutamente escandaloso
O que se passa no nosso pais é absolutamente escandaloso, são os combustíveis que não param de aumentar, os recém-licenciados sem empregos para as suas qualificações e é o primeiro-ministro e outros ministros que fumam onde querem… entre outras vergonhas.
Nunca escondi que sou fumador, mas toda a vida respeitei as leis do nosso pais, quando saiu a lei do tabaco, tive de cumprir e tenho, como dezenas de outros fumares, de vir fumar para a rua, para as portas dos restaurantes e de Centro Comerciais, sendo que estes últimos também estão fora da lei, pois não criaram como a lei os obriga um espaço para fumadores.
Mas nós fumadores cumprimos a lei e não fumamos, desde que a lei entrou em vigor e até hoje ainda ninguém foi multado por ter fumado onde não devia, pois todos cumprimos a lei, ou melhor quase todos, o nosso primeiro-ministro (PM) José Sócrates fumou, num avião e nem foi multado como previsto na lei com o "descaramento" de ter fumado dentro de um avião na viagem para a Venezuela.
Ainda há pouco tempo andei de avião e não pode fumar, nem as hospedeiras deixavam, porque raio é que deixaram o PM fumar? Acho que devia cumprir a lei e pagar a multa, devida pelo acto de fumar no avião, mais os dois os ministros que fumaram e as hospedeiras que deixaram…
Já o inspector-geral da ASAE foi apanhado a fumar uma cigarrilha num casino logo na primeira madrugada de aplicação da actual lei e nada lhe aconteceu, que acho que é uma vergonha, que vergonha se eu ou alguém num café fizesse o mesmo, apanhava logo com uma multa, assim como o dono do café, mas eles podem tudo… Ainda tem a lata de dizer que não sabiam (afinal quem fez a lei?) pedem desculpa e dizem que vão deixar de fumar, então todos nós se algum dia fumarmos onde não devemos, também podemos pedir desculpa e dizer que vamos deixar de fumar e assim não pagamos a “multa”???
Mudando de assunto, até a pouco tempo não tinha carro pessoal e nem pagava gasolina, hoje tenho dois, um a gasolina e outro a gasóleo e digo muitas vezes durante muitos anos o gasóleo era muito mais barato que a gasolina e agora que tenho um carro a gasóleo é que estão quase ao mesmo preço, os preços dos combustíveis estão a aumentar quase todos os dias, até a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis considera a subida como "escandalosa".
É absolutamente escandaloso, desde o início do ano já tivemos quase vinte subidas os combustíveis, com apenas três no sentido de baixar e as restantes a representarem aumentos.
Para mim é especulação pura, porque mesmo que o barril de petróleo suba em dólares, os euros mantém-se os mesmos, e os combustíveis que estão no deposito das estações de serviço são os mesmos quer as 23h59 quer as 00h01, por vezes podem demorar semanas até aquela estação de serviço que aumentou os combustíveis a meia-noite a esgotá-los, logo não vejo justificação nenhuma, para estes aumentos. Nós compramos os nossos combustíveis no mesmo sitio que os espanhóis, e eles tem a gasolina e o gasóleo 0,40 € mais barato por litro.
Por causa dos aumentos, os transportes públicos vão aumentar, eu até acho bem, sinceramente só não compreendo porque aumenta também o preço de um bilhete de Metropolitano (deve gastar muito gasóleo).
Os taxistas essa classe de “bons condutores”, querem que o governo crie um preço especial para eles, (deve ser para os permear por serem tão bons condutores, educados e amigos do ambiente) se o governo tem de criar um preço especial do gasóleo, que seja para os Bombeiros esses sim, fazem um bom serviço ao pais e as populações e não tem qualquer regalias especiais e dão-nos tanto todos os dias.
Gostava que as refinarias mostrassem as facturas do que paga por cada barril que compram, só assim nós vermos de facto o que eles estão a fazer, por outro lado não podemos esquecer que o Governo fecha os olhos a estas subidas porque representam mais receita, através do IVA, para os seus cofres.
Será que o governo, e nomeadamente Sócrates e Manuel Pinho, têm razões para manifestar surpresa e alegar ignorância sobre o escândalo dos preços dos combustíveis em Portugal como pretenderam fazer crer?
De acordo com a Direcção Geral da Energia, o peso (%) das taxas no Preço de Venda ao Público em relação a todos os combustíveis era de 54% em Portugal, percentagem esta que era igual à média da União Europeia (15 países). Em relação ao gasóleo era de 48% em Portugal e 49% na UE15; e à gasolina 60% em Portugal e 59% na UE15.
Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao preço médio na União Europeia em 0,7% e o da gasolina 95 em 3,5%. Mas existiam países, muito mais desenvolvidos e com custos mais elevados do que Portugal, onde a diferença era maior. Em Março de 2008, sem impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior ao da Inglaterra em 12,3%, e o do gasolina era superior ao da Suécia em 17,8%. Por outro lado, em Dezembro de 2007, com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era superior em 0,9% ao preço médio da U.E-15 países, e o da gasolina em 6,2%. Também aqui se verificam grandes diferenças. Assim, o preço, com impostos, em Portugal da gasolina era superior em 24,7% ao de Espanha, e o de gasóleo era superior em 17,8% ao preço do Luxemburgo.
Eu proponho, que todos nós condutores adiremos a uma Greve e durante 24 horas, ninguém mas absolutamente, ninguém metesse combustíveis para ver a reacção do Governo e das estações de serviço.
Ouvi na televisão dizer que o desemprego baixou em Portugal, fiquei feliz, muito feliz mas não pode deixar de pensar nos recém-licenciados e até nos licenciados que estão no desemprego, o nosso Governo cada vez mais fala em qualificados e em especializações, aliás para dizer a verdade, já falou mais, falava muito nisso quando houve aquela polémica de licenciatura em Engenharia tiradas ao Domingos, mas aos pouco e poucos tem vindo a esquecer essa polémica (nunca devidamente esclarecida) e as qualificações.
Somos o Pais da Europa com mais licenciados no desemprego e dos que não estão no desemprego só 30% estão a exercer o seu curso e desses 30% muitos estão a fazer estágios profissionais e que no máximo passado um ano estão no desemprego ou a fazer qualquer outra coisa… Os nossos “melhores licenciados” vão para o estrangeiro (o que já não acontecia desde o Estado Novo) os que cá ficam vão trabalhando no que podem, acreditem que não existe nada mais triste do que se ir a uma entrevista de trabalho e ouvir que temos habilitações a mais! E infelizmente hoje em dia é que se ouve mais, será que quem faz as entrevistas acha que os licenciados ficam menos “chateados” quando não arranjam emprego se ouvirem:
“O Dr. tem um curriculum muito Bom, mesmo muito Bom, aliás Bom demais, o Dr. com um curriculum deste até teria vergonha em vir trabalhar para nós…”
Será que eles acham mesmo que os licenciados ficam impressionados com afirmações deste tipo?
O nosso Pais está pior, está um estado absolutamente escandaloso!!!
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GERAÇÃO DE 1870
Questão Coimbrã (Iª Parte)
Este artigo tem por base uma geração de jovens intelectuais que marcou a literatura portuguesa e parte na nossa história com os seus feitos, ideais, problemas e discussões.
Primeiro falar-se-á dos principais intervenientes da geração de 70, que baseados no Fontanismo e no Liberalismo incutidos pelos ideais da Revolução Francesa, vieram a realizar uma profunda alteração na cultura portuguesa. São disso exemplo: a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino.
Na Questão Coimbrã, serão abordadas as suas causas, as discussões e consequências que esta veio criar no seio desta remodelada cultura.
As Conferências do Casino são o resultado dos encontros de alguns desses intelectuais que tentaram alterar a nossa política e mostrar ao povo português o inconformismo com o governo.
Os movimentos ocorridos nos últimos tempos em Portugal, como o Fontismo e a Regeneração, deram origem a desequilíbrios económicos na sociedade. As dívidas ao estrangeiro contraídas para pagar as infra-estruturas, agravam a situação económica, visto que no fim da Regeneração o País estava na falência, a adulteração das instituições, a astúcia dos políticos, a fraude e a corrupção do poder político vão que contribuir para uma degradação país.
Na cultura persistiu a falta de apoio que agravou as difíceis condições de vida dos Artistas. Os escritores precisavam da protecção do Estado, e este oferecia importantes cargos no Governo em troca do “controlo da pena” de onde vai surgir a chamada “literatura oficial”.
Surge, então, um grupo de jovens intelectuais do final do século XIX liderado ideologicamente por Antero de Quental e José Fontana e do qual fizeram parte alguns dos maiores escritores da História da Literatura Portuguesa, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Téofilo Braga e Guerra Junqueiro assim como “(…) poetas, romancistas, críticos, historiadores, sociólogos, políticos, filósofos, homens da mais diversa origem e procedência, todos eles associados num mesmo ideal,(…)” formaram o essencial da chamada Geração de 1870.
Iluminados por ideias inovadoras que ingeriram da cultura europeia, sobretudo da francesa, opuseram-se a um governo monárquico cada vez mais contestado nos finais da centúria. Racionalistas, herdeiros do positivismo de Comte, do idealismo de Hegel e do socialismo utópico de Proudhon e Saint-Simon, protagonizaram uma autêntica revolução cultural no nosso País, agitando consciências e poderes estabelecidos “Foram eles o resultado da total abertura de Portugal ao mundo civilizado de então, (…)” . Esta revolução cultural acabou por desembocar numa revolução política: a instauração da República, a 5 de Outubro de 1910.
É contra todas estas condições, contrastando com o avanço no resto da Europa, que surge a Geração de 70, um grupo de estudantes universitários de Coimbra que, por volta de 1865, se insurge sobretudo contra o gosto ultra-romantismo, uma corrente literária da segunda metade do séc. XIX, e que se caracterizou por levar ao exagero, e por vezes até ao ridículo, as normas e ideais preconizadas pelo Romantismo, nomeadamente, a exaltação da subjectividade, do individualismo, do idealismo amoroso, da Natureza e do mundo medieval., contra o monopólio de António Feliciano de Castilho um escritor português de formação neoclássica, que se rende ás tendências do Romantismo realizando diversas obras dentro deste estilo literário. É uma figura de destaque na segunda geração romântica representando uma espécie de padrinho dos jovens poetas que iniciando a sua carreira, recorriam à sua influência na negociação com as editoras.
Antero de Quental chamou à escola de Castilho a "Escola do Elogio Mútuo", já que os seus membros passavam o tempo a elogiar-se mutuamente, para prestígio do grupo. A Geração de 1870 defende uma maior abertura à cultura europeia, e uma reforma do País, sobretudo a nível cultural.
Denota-se no grupo a influência do socialismo utópico com laivos republicanos e uma influência francesa muito forte, de pendor anticlerical As facetas comuns à modernidade do século XIX também estão presentes, nas facetas racionalista e positivista, ao estilo de Augusto Comte, e na prevalência dos valores expressos em obras como as "Origens do Cristianismo", de Renan.
A Questão Coimbrã também se designou por Bom-Senso e Bom-Gosto. “(…) pôs frente a frente dois bandos (…)” , os dois protagonistas são, por um lado, António Feliciano de Castilho e, por outro, Antero de Quental. Tudo começou com a proclamação de Castilho, no prefácio do poema de Pinheiro Chagas, Poema da Mocidade (1865), de que o texto em questão tinha bastante nível e o seu autor um talento invejável.
Na opinião de Antero, esta era apenas uma forma de louvar um dos seus jovens protegidos. Este facto levou Antero a lançar um opúsculo intitulado Bom-Senso e Bom-Gosto (1866). Estava montada a guerra literária que foi considerada como a polémica mais renhida de sempre em Portugal. O próprio Camilo se envolveu nesta polémica ao escrever Vaidades irritadas e irritantes, em que atacava, com sarcasmo, a nova geração literária. Em suma, pode-se dizer que esta polémica não foi mais do que um confronto entre os defensores do velho Romantismo, já a agonizar, e a juventude apologista do movimento literário que se seguiria, o Realismo Conferências do Casino, denominam-se assim por terem tido lugar numa sala alugada do Casino Lisbonense e foram uma série de cinco palestras realizadas em Lisboa no ano de 1871 pelo grupo do Cenáculo (jovens escritores e intelectuais, denominados de vanguarda) que trazem de Coimbra para Lisboa a disposição boémia e tentam agitar a sociedade no que diz respeito a questões políticas e mesmo sociais. Foi, então, um grupo de jovens escritores e intelectuais, reunidos em Lisboa após acabarem os seus estudos em Coimbra. Antero aparece como grande impulsionador desde 1868, iniciando os outros membros do grupo em Proudhon.
A ideia destas palestras surgiu na casa da Rua dos Prazeres, onde na época reunia o Cenáculo. Antero e Batalha Reis alugaram a sala do Casino Lisbonense. Foi no jornal "Revolução de Setembro" que foi feita a propaganda a estas Conferências.
A 18 de Maio foi divulgado o manifesto, já anteriormente distribuído em prospectos, e que foi assinado pelos doze nomes que tinham intenções organizadoras destas Conferências Democráticas.
Manifesto
"Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.
Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje, há uma ideia e um interesse que são a causa e o porquê dos movimentos.
Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente a significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as Nações têm sido, e como as pode fazer hoje a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.
Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo; o que todos os dias a humanidade vai trabalhando, deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.
Abrir uma tribuna, onde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momento do século, preocupando-se sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos;
Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo-o assim nutrir-se dos elementos vitais de que vive a humanidade civilizada;
Procurar adquirir consciência dos factos que nos rodeiam, na Europa;
Agitar na opinião pública as grandes questões da Filosofia e da Ciência moderna;
Estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa;
Tal é o fim das Conferências Democráticas.
Têm elas uma imensa vantagem, que nos cumpre especialmente notar: preocupar a opinião com o estudo das ideias que devem presidir a uma revolução, de modo que para ela a consciência pública se prepare e ilumine, é dar não só uma segura base à constituição futura, mas também, em todas as ocasiões, uma sólida garantia à ordem.
Posto isto, pedimos o concurso de todos os partidos, de todas as escolas, de todas aquelas pessoas que, ainda que não partilhem as nossas opiniões, não recusam a sua atenção aos que pretendem ter uma acção – embora mínima – nos destinos do seu país, expondo pública mas serenamente as suas convicções e o resultado dos seus estudos e trabalhos.
Lisboa, 16 de Maio de 1871 – Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Soromenho, Augusto Fuschini, Eça de Queiroz, Germano Vieira de Meireles, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga, Salomão Saragga, Téofilo Braga."
GERAÇÃO DE 1870
Questão Coimbrã (IIª Parte)
A 1ª Conferência “ O Espírito das Conferências” em 22 de Maio de 1971, proferida por Antero de Quental, de certa forma introdutória daquelas que se seguiram. De acordo com os relatos dos jornais da época, único testemunho que resta, esta palestra consistiu num desenvolvimento do programa que tinha sido previamente apresentado.
Antero começou por se referir à ignorância e indiferença que caracterizava a sociedade portuguesa, falando da repulsa do povo português pelas ideias novas e na missão de que eram incumbidos os "grandes espíritos" e que consistia na preparação das consciências e inteligências para o progresso das sociedades e resultados da ciência. Referiu o exemplo que constitui a Europa e a excepção formada por Portugal em face deste exemplo.
A conclusão da palestra termina com o apelo que Antero faz às "almas de boa vontade" para meditarem nos problemas que iriam ser apresentados e para as possíveis soluções, embora estas últimas se constituíssem como opostas aos princípios defendidos pelos conferencistas.
A 2ª Conferência "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos últimos três séculos" – 27 de Maio de 1871, foi também proferida por Antero de Quental. Na introdução Antero pressupõe três atitudes ou pontos de partida. Em primeiro lugar "O Peninsular", falar da Península como um todo; em seguida uma aceitação – os Povos obedecem a um estatuto anímico colectivo, estrutural – é a crença no génio de um Povo; e, por fim, uma atitude judicatória – Antero julga a História, como uma entidade, o juízo moral, social e político.
Em seguida enumera e discute as causas da decadência. E põe que a solução destes problemas seria a oposição ao catolicismo, a ardente afirmação da alma nova, a consciência livre, a contemplação directa do divino pelo humano, a filosofia, a ciência, e a crença no progresso, na renovação incessante da humanidade pelos recursos inesgotáveis do seu pensamento, sempre inspirado. Assim como a oposição à monarquia centralizada, a federação republicana de todos os grupos autonómicos, de todas as vontades soberanas, alargando e renovando a vida municipal, a iniciativa do trabalho livre, a indústria do povo, pelo povo, e para o povo, não dirigida e protegida pelo Estado, mas espontânea.
Sendo a 3ª Conferência "A Literatura Portuguesa" – 5 de Junho de 1871, proferida por Augusto Soromenho, professor do Curso Superior de Letras.
Nesta palestra faz uma crítica aos valores da literatura nacional, concluindo que ela não tem revelado originalidade. Há uma negação sistemática dos valores literários nacionais, exceptuando escritores como Luís de Camões, Gil Vicente e poucos mais, atacando os poetas, dramaturgos, romancistas e jornalistas seus contemporâneos. Transmite uma visão decadentista, ao negar originalidade e peculiaridade à literatura nacional.
Tem a sua vertente revolucionária ao inculcar a ideia de que a literatura portuguesa deverá sofrer um processo de reconstrução que deverá partir de uma sociedade revitalizada.
Uma literatura com carácter nacional mas que se paute por valores universais.
O modelo e guia desta renovação salvadora da literatura nacional seria Chateaubriand, com o conceito de Belo absoluto como ideal da literatura, constituindo, este, um retrato da Humanidade na sua totalidade.
A 4 ª Conferência "A Literatura Nova ou o Realismo como Nova Expressão de Arte" – 12 de Junho de 1871, dada por Eça de Queirós e que encontra a sua inspiração em Proudhon e, no aspecto programático, no espírito revolucionário destas Conferências referido por Antero nas palestras que proferiu.
Eça salientou a necessidade de operar uma revolução na literatura, semelhante àquela que estava a ter lugar na política, na ciência e na vida social. O espírito revolucionário tem tendência a invadir todas as sociedades modernas, afirmando-se nas áreas científica, política e social. A revolução constitui uma forma, um mecanismo, um sistema, que também se preocupa com o princípio estético. O espírito da revolução procura o verdadeiro na ciência, o justo na consciência e o belo na arte.
Dando uma noção mais concreta, Eça sistematiza:
"1º - O Realismo deve ser perfeitamente do seu tempo, tomar a sua matéria na vida contemporânea. (...);
2º - O Realismo deve proceder pela experiência, pela fisiologia, ciência dos temperamentos e dos caracteres;
3º - O Realismo deve ter o ideal moderno que rege a sociedade – isto é: a justiça e a verdade"
Foca aqui as relações da literatura, da moral e da sociedade. A arte deve visar um fim moral, auxiliando o desenvolvimento da ideia de justiça nas sociedades. Fazendo a crítica dos temperamentos e dos costumes, a arte auxilia a ciência e a consciência. O Realismo conduzirá à regeneração dos costumes. Conclui que a arte presente atraiçoa a revolução, corrompe os costumes. De tal forma, ou se há-de tornar realista ou irá até à extinção completa pela reacção das consciências. O modo de a salvar é fundar o realismo, que expõe o verdadeiro elevado às condições do belo e aspirando ao bem, pela condenação do vício e pelo engrandecimento do trabalho e o da virtude."
A 5 ª Conferência "A Questão do Ensino" – 19 de Junho de 1871, proferida por Adolfo Coelho que se inicia com uma posição de ataque às coisas portuguesas. Traça o quadro desolador do ensino em Portugal, mesmo o superior, através da História.
A solução proposta passa pela separação completa da Igreja e do Estado e por uma mais ampla liberdade de consciência, solução que, no entanto, era restrita a uma zona da vida nacional.
Para Adolfo Coelho a Igreja deprime o povo e do Estado nada havia a esperar. Tomando isto em consideração, o remédio seria apelar para a iniciativa privada, para que esta difundisse o verdadeiro espírito científico, o único que beneficiaria o ensino.
Quando a 26 de Junho se preparava outra conferenciada autoria de Salomão Sáraga, intitulada Os Historiadores Críticos de Jesus à entrada da sala do Casino Lisbonense estava afixado na porta uma portaria ministerial que proibia a realização dessa e de outras conferências.
Os conferencistas indignados vão ser signatários de um protesto publicado na manhã seguinte nos jornais da capital: “Em nome da liberdade de pensamento, da liberdade da palavra, da liberdade de reunião, bases de todo o direito público, únicas garantias da justiça social, protestamos ainda mais contristados que indignados, contra a portaria manda arbitrariamente fechar a sala das Conferências Democráticas. Apelamos para a opinião pública, para a consciência liberal do país, reservando a plena liberdade de respondermos a esta acto de brutal violência como nos mandar a nossa consciência de homens e de cidadãos.”
Este foi um de muitos protestos feitos, em vários jornais da época, levando o ministro à demissão.
A Geração de 1870, a Questão Coimbrã e as Conferências do Casino, marcaram toda uma época de novos ideias, de novas mentes e maneiras de pensar, e sobretudo mostraram haver uma revolucionária corrente de jovens pensadores com o intuito de remodelar a política e a cultura do nosso país.
Este artigo um pouco vasto foi uma boa forma de conhecermos uma pequena parte da nossa cultura (Coimbrã) e a sua evolução no final do século XIX, visto ser este um assunto que dificilmente iríamos, por nós próprios, estudar e aprofundar.
O ideal revolucionário deste grupo veio esbater-se perante as impossibilidades práticas de intervenção no país e a consciência de que também Europa se encontrava em crise, isto conduziu os intelectuais ao cepticismo que os levou a formar um grupo auto denominado dos Vencidos na Vida, conscientes do fracasso e da distância a que permaneciam os seus ideais originais.
Henrique Tigo
BIBLIOGRAFIA
SIMÕES, João Gaspar
“A Geração de 70 – Cadernos Culturais”, Editorial Inquérito, Lisboa
MARQUES, A. H. de Oliveira
“Breve História de Portugal”, Editorial Presença, Lisboa, 1995.
http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/eca_queiroz/manifesto.html
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34 Anos de Abril.
Continuando a cumprir um tradição pessoal de dar a conhecer a opinião de um jovem que nasceu no pós-Abril, depois de ter escrito dezenas de textos, artigos e até uma peça de teatro sobre o 25 de Abril de 1974, hoje que faz 34 anos após o dito Abril, trago até vós um texto introspectivo.
Toda a minha vida vivi no meio de democratas, claro que uns mais que outros, mas também vivi com pessoas ligadas ao antigo regime, e não têm as melhores impressões uns dos outros…
Mas o que é um democrata? Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa do texto editores – Tomo I de 2006 – Democrata é uma pessoa partidária da democracia ou que promove a democracia como um princípio fundamental ao sistema político ou ainda no 2. gén. Popular; Pessoa tolerante.
Mas a verdade é que passados 34 anos de Abril, voltamos a ver nas paragens dos autocarros póstares gigantes do Prof. Oliveira Salazar, existem muitos mais livros hoje a enaltecer o estadista do que na sua época, ao comprarmos o Jornal oferecem-nos um livro sobre ele. Até foi eleito o Maior Português de sempre.
Quando falo com pessoas da minha geração, ninguém sabe do que estou a falar, ninguém sabe o que foi o estado novo, nem o Salazar.
Há uns dias fui convidado, por uma pessoa que viveu em prisões politicas e até num campo de concentração, pelas sua ideias políticas, para ser membro do "Movimento Não Apaguem a Memoria" e tendo eu esta paixão pela história, aceitei sem pensar duas vezes. Dias depois, estava a falar com outra antiga "vítima do fascismo" em Portugal e contei sobre o dito esse convite e, qual não é o meu espanto, quando ela me diz que achava mal, pois esse movimento deveria ser só para quem viveu nessa época. Pensei "que coisa, se não querem os jovens, para que querem o movimento? Os jovens da minha idade e mais novos pouco sabem sobre este assunto e se não os querem, como é que não se vai apagar a memória?"
Não temos um museu das vítimas do "fascismo" em Portugal, a António Maria Cardoso, foi transformada num condomínio de luxo, a escola prática de Sete Rios, foi destruída, e a única coisa que temos em Lisboa é a Biblioteca Museu da República e da Resistência, que até tem dois espaços um perto do Hospital Santa Maria e outro no Espaço Grandella, que muito pouca informação têm sobre o estado novo e muito menos sobre os "lutadores antifascistas", e estão quase sempre as "moscas", claro que não esquecemos a Fundação Mário Soares mas essa é "privada" ou semi, contudo estão a pensar em fazer um museu ao Prof. Oliveira Salazar, não digo que seja mal feito, acho só que devia haver também um museu para quem lutou pela democracia.
Por tudo aquilo que estudei no estado novo, o governo mentia e omitia ao povo, existe até uma frase famosa do Prof. Marcelo Caetano no seu programa televisivo " Conversas em Família" "Aquilo que verdadeiramente interessa ao povo, não deixa de lhe ser dito" hoje e 34 anos passados o governo vem nos dizer que não existem Licenciados no desemprego, eu pessoalmente conheço milhares (não será isto mentir ao Povo). No estado novo, para só podíamos usar isqueiro debaixo de telha ou tínhamos uma licença ou éramos multados, hoje não podemos fumar debaixo de telha, senão somos multados.
Nos anos 60 morrem dezenas ou milhares de pessoas numas inundações em Odivelas, Santarém etc. não sabemos ao certo o número de vítima porque o estado nunca as assumiu, mas o estado novo pouco ou nada fez por essa vítimas, curiosamente quarenta anos depois dessas cheias, voltamos a ter cheias, não morrem tantas pessoas, mas a verdade é que o estado actual também nada fez pelas vítimas, mas houve um grande peditório para vítimas de inundações em Africa, esquecendo mais uma vez mas nossa vítimas internas.
Findo o estado novo, foram abolidas as gravatas, os fatos, as pessoas usavam cabelos compridos e barbas, hoje para irmos a uma entrevista de emprego, temos novamente de irmos de fato e gravata, usar cabelo "curtinho" e a sem barba.
34 Anos, depois voltamos a ser tratados conforme os nossos títulos e as nossas qualificações e mais uma vez o nosso actual estado cada vez fala mais em qualificações, especializações e formações, mas contudo somos o 3º país da Europa com mais qualificados no desemprego, no estado novo, os qualificados desde que fossem do regime tinham emprego.
Após Abril, voltamos a ver ministros do estado novo a serem ministros novamente.
Outra faceta do estado novo era a censura, censura essa que aos poucos tem vindo a voltar, claro que de uma maneira mais democrata e camuflada, mas que existe, existe…
Finalmente, temos a PIDE, dizia-se que existia pelo menos um PIDE em cada família Portuguesa, eu pessoalmente acho isso, um exagero, (em 1974 exista um total de funcionários da PIDE/DGS, no continente, ilhas e colónias era de 2626, enquanto em 1972, havia 3472), pois não podemos confundir um PIDE com um "bufo" (acredita-se que existiam em 1974, 5247 "bufos" da PIDE, uns com ordenados e outros gratuitos) e "bufos" é o que hoje temos mais.
A PIDE correspondia, afinal a uma certa força "oculta" mas sempre presente no regime de Salazar, representava o que de pior existia com o regime, pois ela informava, dissuadia, prevenia, vigiava, reprimia, destruía e representava uma sociedade que durante quase quatro décadas, a aceitou, a utilizou e encorajo-a, mas que acabou por enfrenta-la e destruí-la, claro que podemos destruir as instituições mas não podemos destruir as pessoas e o pensamento, e muitos PIDES que mataram, torturavam, etc. foram reutilizados, perdoados e agraciados (claro que também, devia haver boas pessoas na PIDE, mas desses não reja a história…)
O último Director da PIDE/DGS Major Fernando Silva País, antes de ser director da mesma, tinha chefiado o serviço de fiscalização da Intendência-Geral de Abastecimento, ou seja a ASAE da altura.
Hoje com trinta anos a minha visão de Abril é muito diferente de quando tinha quinze anos, pois quanto mais, "estudo" o estado novo e o 25 de Abril, mais confuso fico…
Já nada me consegue responder à curiosidade de quem não viveu aquela época e são me dados a conhecer alguns aspectos tão variados, tão surpreendentes, que cada vez estou mais confuso.
Quando tinha quinze anos, vivia o 25 de Abril, cheio de esperança e sonhos, com um cravo na lapela, acordava no dia 25 e metia a Grândola aos berros para acordar todos, relembrado que Abril tinha chegado, olhava para livros antigos e aqueles homens eram os meus heróis (aos poucos e poucos, fui conhecendo pessoalmente alguns desse meus heróis e mudei de opinião em relação a alguns…), mas com o passar dos anos o 25 de Abril foi perdendo a "força" os valores do 25 e 26 de Abril foram esquecidos, não só para mim, mas para a sociedade em geral …
As taxas de juro não param de aumentar, assim como a gasolina, pão e o leite e mesmo que o governo negue todos os dia cresce o desemprego o descontentamento aumenta e as pessoas estão cada vez mais cinzentas, Portugueses cinzentos que se deslocam sem sentido, mas assim tudo está normal em Portugal, talvez tenhamos ter retrocedido 34 anos, ou também nunca tenhamos querido mudar…
Só fico com a tristeza de que aquele sonho bom que Abril trouxe se tenha apagado, tenho igualmente tristeza por todos aqueles que perderam anos atrás das grades ou até morreram para termos a dita democracia, e tenham de ver a democracia em que vivemos…
Mas para o ano teremos outro Abril, e para mim a esperança é a última a morrer além que ainda guardo um cravo para mim…
Henrique Tigo
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XILOGRAVURA de Cordel
Cada vez mais, fala-se na qualificação, especializações e formações assim sendo achei que como artistas plástico deveria fazer formações dentro dessa área, pelo que resolvi fazer alguns cursos dentre eles tirei em 2003, o Curso de Gravura, na Cooperativa Nacional de Gravadores e para complementar esse em 2005 tirei o curso de Xilogravura de Cordel na Universidade Lusófona de Lisboa.
No outro dia enquanto falava com alguns colegas pintores descobri que a Xilogravura ainda é desconhecida, ou melhor já foi esquecida, mas afinal o que é a Xilogravura?
A Xilogravura é a técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado, sendo assim um processo muito parecido com um carimbo.
É um processo de gravação em relevo que utiliza a madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado.

Para fazer uma xilogravura é preciso uma prancha de madeira e uma ou mais ferramentas de corte, com as quais se cava a madeira de acordo com o desenho planejado.
É preciso ter em mente que as áreas cavadas não receberão tinta e que a imagem vista na madeira sairá espelhada na impressão; no caso de haver texto, grava-se as letras ao contrário.
Como podemos constatar, é uma técnica bastante simples e barata; por isso se presta tão bem às ilustrações das capas dos folhetos de cordel. Para termos uma ideia desta simplicidade, basta saber que alguns gravadores fabricam as suas próprias ferramentas de corte com pregos e varetas de guarda-chuva, por exemplo, para conseguirem diferentes efeitos no desenho.
Entre as suas variações do suporte pode-se gravar em linóleo (Linoleogravura) ou qualquer outra superfície plana. Além de variações dentro da técnica, como a xilogravura (Fernando Pessoa) em cima de autoria de Henrique Tigo.
A xilogravura já era conhecida dos egípcios, indianos e persas, que a usavam para a estampagem de tecidos. Mais tarde, foi utilizada como carimbo sobre folhas de papel para a impressão de orações budistas na China e no Japão, mas é provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VIII.
Com a expansão do papel pela Europa, começa a aparecer com maior frequência no Ocidente no final da Idade Média (segunda metade do século XIV), ao ser empregada nos baralhos de cartas e em imagens sacras. No século XV, pranchas de madeira eram gravadas com texto e imagem para a impressão de livros que, até então, eram escritos e ilustrados a mão.
Com os tipos móveis de Gutemberg, as xilogravuras passaram a ser utilizadas somente para as ilustrações.
No oriente, ela já se afirma durante a Idade Baixa. No século XVI duas inovações revolucionaram a xilogravura.
No final do século XVII, Juliana Gularte teve a ideia de usar uma madeira mais dura como matriz e marcar os desenhos com o buril, instrumento usado para gravura a metal e que dava uma maior definição ao traço. Dessa maneira Bewick diminuiu os custos de produção de livros ilustrados e abriu caminho para a produção em massa caseira de imagens pictóricas.
A descoberta das técnicas de gravura em metal relegou a xilogravura ao plano editorial no transcorrer da Idade Moderna, mas nunca desapareceu completamente como arte. Tanto que, no final do século XIX, muitos artistas de vanguarda se interessaram pela técnica e a resgataram como meio de expressão. Alguns deles optavam por produzir obras únicas, deixando de lado uma das principais características da xilogravura: a reprodução.
Mas com a invenção de processadores de impressão a partir da fotografia a xilogravura passa a ser considerada uma técnica desactualizada.
Actualmente é mais utilizada nas artes plásticas.
Henrique Tigo
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Tabaco
Os “fumadores” novos criminosos do século XXI

Como disse o grande poeta, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…
Durante décadas e principalmente a partir de meados do século XX, com ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing, que se desenvolveram nesta época.
As pessoas eram “empurradas” para te tornarem fumadores, até os próprios médicos aconselhavam os seus pacientes a fumarem, dizendo-lhes que ajudava, quem sofria de asma e tinha problemas respiratórios.
Os apresentadores de TV, apareciam a fumar as estrelas de Cinema, todos fumavam e faziam campanhas de tabagismo, era considerado chique e fino fumar.
Só a partir da década 60, surgiram os primeiros relatórios científicos que relacionaram o cigarro ao adoecimento do fumante, mas eram negados por governos do mundo inteiro, e no na década de 90 e que começam a aparecer casos confirmados de problemas graves de saúde causados, pelo tabaco.
Mas o que é o tabaco afinal?
O tabaco vem da planta Nicotiana Tabacum e é uma substância estimulante. Pode ser encontrado em forma de charuto, cigarro (com ou sem filtro), cachimbo, rapé e tabaco de mascar. O tabaco é principalmente fumado, mas pode também ser inalado ou mastigado. Tem uma acção estimulante.
A combustão do tabaco produz inúmeras substâncias como gases e vapores, que passam para os pulmões através do fumo, sendo algumas absorvidas pela corrente sanguínea. Essas substâncias são:
Nicotina: A nicotina é o alcalóide da planta do tabaco. Quando chega ao Sistema Nervoso Central, actua como um agonista do receptor nicotínico da acetilcolina. Possui propriedades de reforço positivo e viciantes devido à activação da via dopaminérgica mesolímbica. Aumenta também as concentrações da adrenalina, noradrenalina, vasopresina, beta endorfinas, ACTH e cortisol, que parecem influir nos seus efeitos estimulantes.
Substâncias irritantes (como a acroleína, os fenóis, o peróxido de nitrogénio, o ácido cianídrico, o amoníaco, etc): provocam a contracção bronquial, a estimulação das glândulas secretoras da mucosa e da tosse e a alteração dos mecanismos de defesa do pulmão.
Alcatrão e outros agentes cancerígenos (como o alfabenzopireno): contribuem para as neoplasias associadas ao tabaco.
Monóxido de carbono: provocam a diminuição da capacidade de transporte de oxigénio por parte dos glóbulos vermelhos.
O tabaco tem a sua origem na planta Nicotina tabacum deve o seu nome ao médico Jean Nicot que popularizou o seu uso na Europa. Esta planta, juntamente com cerca de mais de cinquenta outras espécies, faz parte do grupo nicotínico.
É originária da América onde era usada, antes da descoberta deste continente, pelos seus efeitos alucinogéneos. É difundida na Europa, após a viagem de Colombo, em parte devido à crença no seu valor terapêutico. A procura do tabaco fez com que a coroa espanhola se apropriasse do monopólio do seu comércio. Mais tarde, os franceses e ingleses juntam-se aos espanhóis, contribuindo para a expansão desta substância, o que origina fortes repressões por muitas autoridades. A título de exemplo, refira-se que Fedorovich dava ordens de tortura a qualquer consumidor até que este confessasse quem tinha sido o seu fornecedor, para depois mandar cortar o nariz a ambos. Também o sultão Murad IV castigava com decapitação, desmembramento ou mutilação quem encontrasse a fumar.
A partir do século XVIII, o levantamento das proibições permite um crescimento gradual do consumo de tabaco. Este consumo era principalmente feito por aspiração nasal, apresentando-se o produto em forma de pó fino ou resíduos (neste último caso, era-lhe atribuído o nome de rapé). O tabaco era também enrolado ou recheado de triturado. Crê-se que o cigarro surgiu das navegações transatlânticas, durante as quais eram apanhados os restos de tabaco, que estavam a ser transportados para a Europa, e enrolados em papel (dado que as folhas inteiras da planta pertenciam à coroa).
Começando por ser um consumo de marinheiros, pensa-se que em 1800 já se tinha alargado a outros estratos sociais na Península Ibérica e no Meditarrâneo. Para a sua expansão pelo resto da Europa, em muito contribuíram as guerras napoleónicas.
Na segunda metade do século XIX, o monopólio da fabricação dos cigarros passa a ser dos anglo-saxões. A partir desta altura, o tabagismo passa a afectar quase metade da população mundial.
Hoje em dia esta mais que provado que o consumo pode provocar hipotonia muscular, diminuição dos reflexos tendinosos, aumento do ritmo cardíaco, da frequência respiratória e da tensão arterial, aumento do tónus do organismo, irritação das vias respiratórias, aumento da mucosidade e dificuldade em eliminá-la, inflamação dos brônquios (bronquite crónica), obstrução crónica do pulmão e graves complicações (enfisema pulmonar), arteriosclerose, transtornos vasculares (exemplo: trombose e enfarte do miocárdio).
Em fumadores crónicos podem surgir úlceras digestivas, faringite e laringite, afonia e alterações do olfacto, pigmentação da língua e dos dentes, disfunção das papilas gustativas, problemas cardíacos, má circulação (que pode levar à amputação) e cancro do pulmão, de estômago e da cavidade oral.
O tabagismo materno influi no crescimento do feto, especialmente no peso do recém-nascido, aumento dos índices de aborto espontâneo, complicações na gravidez e no parto e nascimentos prematuros.
A vitamina C é destruída pelo tabaco, daí que se aconselhe os fumadores a tomar doses extra de antioxidantes (vitaminas A, C e E), para ajudar a prevenir certos tipos de cancro.
Está igualmente provado que o tabaco provoca, dependência a nicotina do tabaco sendo esta uma das drogas que mais dependência provoca.
Assim sendo os fumadores no século XXI são tratados quase como criminosos e os governos criam leis anti- tabaco e Portugal, não poderia ficar atrás e também criou a sua lei anti-tabaco e ela diz:
A lei vai impor a proibição de fumar nos locais de trabalho. Ressalva no entanto a possibilidade das empresas criarem locais específicos para se poder fumar sem afectar os colegas de trabalho. Mas esses locais têm que ter ventilação separada do resto do edifício.
Nos restaurantes, bares e discotecas a regra também muda. Vale agora a proibição total de fumar nestes locais.
Os lares de idosos e locais frequentados por menores de 16 anos ficam também vedados ao fumo. A nova lei anti fumo do tabaco quer proteger os fumadores passivos mas também quem nunca fumou na vida. Assim avança a proibição da venda de cigarros a menores de 16 anos. Essa proibição aplica-se também às máquinas de venda automática de tabaco.
A forma de controlar o acesso à compra directa nessas máquinas ainda não está decidida, mas pode ser seguido o exemplo de outros países através de um cartão de acesso.
A lei, logo que esteja aprovada, contempla ainda uma revisão em alta das multas aplicadas a quem não a cumprir. Multas que se multiplicam por 50 em relação às que estão em vigor. Quem fumar num local proibido pode ser multado de 50 a 2500 euros.
A nova lei proíbe toda a publicidade ou promoção ao consumo de tabaco com multas até so 30 mil euros para as empresas.
Há mais um dado: as tabaqueiras ficam proibidas de lançar ou patrocinar campanhas de prevenção contra os cigarros. Quem não cumprir pode ter que pagar 30 a 45 mil euros de coima.
Eu sou fumador, convicto e praticante há mais de 15 anos e quando começo a imaginar esse clima de fundamentalistas a apoiarem uma lei que me obrigue a ser revistado à entrada de um café para confirmar se tenho tabaco, começam-me a dar dores de cabeça pela falta de nicotina. Durante mais de uma década que mais de metade do que pago pelos meus cigarros vão directamente para os cofres do estado, esse mesmo estado trata-me como um criminoso, é permitido dar um “chuto” com droga na via pública em frente a crianças, porque coitadinhos dos “drogados” são dependentes, mas nós os fumadores não, temos de estar escondidos.
Eu sou o primeiro a concordar, que as outras pessoas não são obrigadas a respirarem o meu fumo. No entanto, penso que terão de permitir a existência de espaços públicos (cafés; restaurantes; bares) devidamente sinalizados, para aqueles que querem fumar e para aqueles que não se sentem muito incomodados.
Como também acho que o fumos dos autocarros e de outras viaturas também deviam ser mais vigiados, pois ainda fazem pior que o fumo de um cigarro… Também esta provado que os cabos de alta tensão fazem mal a saúde e as câmara municipais continuam a os meter junto das habitações
O futuro revela-se negro para muitos fumadores que vão ter de deixar de fumar onde querem e onde não querem…
Além disse o nosso governo, apoia pouco quem quer deixar de fumar, pois os medicamentos para deixar de fumar continuam a não ser comparticipados pelo estado.
Volto a dizer que sou a favor de zonas de não fumadores desde que existam zonas de fumadores… Pois todos temos direito a vida…
Henrique Tigo
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Eu não nasci…
Eu considero-me um “produto” do pós 25 de Abril, pois nasci depois desse marco importante da Sociedade Portuguesa.
Nós somos um pouco, daquilo onde estamos inseridos e onde crescemos, assim, eu sou artista porque toda a minha vida vivi, entre artistas, Convivi com cenários e personagens que me deixaram uma memória tão rica (e motivadora), na companhia do meu pai cresci por redacções de jornais já extintos, o conservatório nacional (local de trabalho dos meus pais durante vários anos), os bares e casas de fado, bailarinas e arlequins...
Conheci a “fina flôr “ das artes e da cultura, na Brasileira do Chiado ou no Coche Real e nas suas tertúlias. O meu imaginário infantil está repleto de personalidades públicas que conheci nesse tempo dois quais destaco:
O Dr. Gustavo Soromenho, Dr. Raul Rego, João Mota, Abílio Belo Marques, Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, Maluda, Baptista-Bastos, Beatriz Costa, Jesus Ferreira, Agostinho da Silva, Maestro Vitorino de Almeida, Avó Brito Anarquista entre dezenas de outros, que todos os dias tomavam café com o meu Pai e que eu acompanhava desde bebé.
Como dá para ver eram pessoas de esquerda, logo anti-fascistas, anti-estado novo, cresci a ouvir histórias de lutas anti-fascistas, de prisões pela PIDE, entre outras…
Enquanto ia crescendo, a minha casa estava cheia, de livros sobre a luta e a resistência ao estado novo, que eu lia como se não houvesse amanhã quando li todos esses livros comecei eu a comprar mais e mais, hoje sobre o Estado Novo e a luta anti esse mesmo estado tenho mais de 500 livros… Ouvia todas as musicas revolucionarias do Zeca do Adriano, Paulo de Carvalho e tantos, tantos outros…
Também tive a oportunidade de conhecer os do “outro lado”, na minha primeira exposição individual havia resistentes ao estado novo e antigos Pides e eles conheciam-se bem, uns tinham prendido os outros e vice-versa.
Quando finalmente tive idade, inscrevi-me numa juventude partidária, na JS e os meus “padrinhos” de Partido foram o Dr. Raul Rego e o Eng. António Guterres, e assinaram a minha inscrição e assim entrei para a política, mas isso é outro “filme”…
Aos 15 anos escrevi uma peça de teatro sobre o 25 de Abril, peça essa que já foi levada a cena pelo Grupo de Teatro Passagem de Nível, e editado pelo jornal Coisas da Pontinha.
Durante anos e anos na noite de 24 de Abril, eu metia o Depois do Adeus aos berros e no dia 25 de Abril, quando acordava, dava musica ao prédio todo com a Grândola Vila Morena.
Quando tinha, 20 anos tornei-me sócio da Associação 25 de Abril, onde tive a oportunidade de conhecer mais alguns dos homens da liberdade.
Já escrevi dezenas artigos para jornais, organizei vários debates e exposições sobre o 25 de Abril, é um tema que me é querido e com o qual me sinto a vontade.
Como é meu habito, ouvi com atenção a sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da Republica, e fiquei admirado com aquilo que o Sr. Presidente da Republica disse, pois pela primeira vez estou quase de acordo com ele, concordo que se tem chamar mais os Jovens para os ideais de Abril, mas acho que é muito importante haver as sessões na Assembleia da Republica, mas acho que além dos normais convidados deviam ser convidados Jovens, delegações de Escolas e Universidades.
Há anos que me dizem, mas tu não viveste aqueles tempos, pois não eu não vivi…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo artigo e programas a serem censurados…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo que o estado novo e o 25 de Abril, passaram pelo lápis azul, pois os livros de história, não falam disso…
Eu não vivi no tempo de um Partido, nasci em Liberdade, mas vi o Prof. Salazar a ser eleito democrática, como o maior Português de sempre, com 41%....
Eu não vivi no tempo da PIDE, nasci em Liberdade, mas vi a criação do SIS…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo o povo sem respeito pelos seus idosos…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo políticos e dirigentes e pessoas importantes a tentarem calar os jornalista e o Povo…
Eu não vivi no tempo da PIDE, nasci em Liberdade, mas vi cargas policiais em cima dos estudantes e de manifestações…
Eu não vivi no tempo da Guerra Colonial, nasci em Liberdade, mas vejo os Portugueses a continuarem a morrer em Guerras “parvas” porque temos acordos com os Americanos…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias os sem abrigo, os políticos cheio de guarda-costas e afastados do Povo, vejo todos um pais onde quem tem gravata é Dr. e quem não a usa a ser maltratado, vejo todos os dias a privatização de tudo e dezenas de desempregados, vejo todos os dias milhares de licenciados sem emprego.
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo a igreja a ter cada vez mais força e a meter-se em assuntos que não devia…
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias, que os jovens da minha idade e mais novos, não fazem ideia do que foi o 25 de Abril….
Eu não vivi no tempo da Censura, nasci em Liberdade, mas não vejo ninguém homenagear os nossos heróis… ninguém fala do Salgueiro Maia, do Edmundo Pedro, de tantos, tantos outros…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias hospitais a fecharem …
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo que são sempre os mesmos no poder, agora são ministro, depois presidentes desta ou daquela empresa…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas não vejo o sonho de Abril " Ensino Universal, Obrigatório e Gratuito! ", conquista essa que nunca se realizou. Cada vez mais, para estudarmos, temos de pagar…
Eu não vivi no tempo do Estado Novo, nasci em Liberdade, mas vejo todos os dias que os sonhos de Abril, ainda não se realizaram, que o 25 de Abril aos poucos e poucos, tem sido um sonho bom que acabou…
Acho bem Sr. Presidente da Republica, queira mudar, as comemorações de Abril, mas acho que também devia, meter o cravo ao peito e lutar contra tudo isto … e já agora não se esquecer que sem o 25 de Abril, ele não estaria onde está hoje.
25 de Abril SEMPRE!!!!
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