José Verdasca

José Verdasca dos Santos nasceu em 1936, em Gondemaria, Ourém, Portugal. Após o ensino secundário, ingressou na Academia Militar. Foi Alferes em Cabo Verde e Capitão em Moçambique, onde comandou várias unidades de combate.

Curso de língua e cultura francesas pela Alliance Française de Lisboa.

Desde 1967, reside em S. Paulo, actuando nos ramos da pecuária, indústria e comércio de madeiras e construção civil. Piloto aviador desde 1968. Curso de Administração de Empresas, em nível de pós-graduação pela Universidade Mackenzie de S. Paulo. Sócio, director e conselheiro de várias associações luso-brasileiras. Autor, entre outras obras, de "A Língua de Camões" e "Raízes da Nação Brasileira". Sócio Titular eleito do Instituto Histórico e Geográfico de S. Paulo e da Sociedade de Geografia de Lisboa. É cavaleiro-comendador da Ordem Católica de S. Miguel Arcanjo.

Link(s) transitado(s) de Notícias para esta Página

ONE e Varanda das Estrelícias com "Embaixador da Lusofonia"

 Ordem Nacional dos Escritores. ONE diplomou 28 membros em Sorocaba neste ano.

"A Vida, o Homem e o Universo" - Lido por Laurentino Veiga

 

 

 

D I A DE A N O S



Oito anos servindo a CULTURA
Ao longo da nossa LUSOFONIA
Congregando com muita alegria
A juventude e gente madura

Entre artistas, escritores, poetas
Ultrapassam dois centos bem contados
Todos os meses, trabalhos dobrados
A fim de atingirem suas metas

Assim, as estrelicias da Madeira
Com poesia, crônicas e arte
Vão espalhando sonhos e ilusões

Cinco séculos, é nossa maneira
De nossas naus levar a toda a parte
Como nos ensinou o grande Camões



JVerdasca

 

 

 

 

 

 

 

Seu coração exala um amor puro

O seu apoio torna o homem forte

Sua auréola vai além da morte

A sua presença é esteio seguro

 

 

Alicerce da família e do lar

Ela nos pare, gera e amamenta

Tudo suporta e jamais lamenta

As renúncias que faz para nos criar

 

 

Propagando a espécie eternamente

Cumpre essa missão com dignidade

Desprendimento e amor profundo

 

 

Passa pela vida docemente

Com ternura e com fraternidade

Sem a mulher não haveria mundo

 

 

 

                                                                                               JVerdasca

 

 

 

 

 

 

Enviados em Fev/2012

 

 

 

ANO NOVO - VIDA NOVA
(Homenagem aos resistentes)



Depois da tempestade, a bonança
Nova fase da vida, a começar
Pela segunda vez sendo criança
Podemos aos outros muito ensinar

Psicopatas fizeram a festança
Que a pobreza trouxe, a tanto lar
Pois tendo conhecido a abastança
Agora se vê forçado a mendigar

Altos e baixos da vida do mortal
Que, na curta passagem pela Terra
Humano encarna, sendo espiritual

Assim viveu em Paz e fez a Guerra
Fazendo o Bem e combatendo o Mal
Triste ciclo, que agora encerra



SPaulo, Ano Novo
JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Jan/2012

 

 



NATAL CRISTÃO



Por erros dos governos, concerteza
Como Cristo teremos pobre Natal
Com o vinho minguado no bornal
E o pão rareando à nossa mesa

Nem por isso cedemos à tristeza
Nesta comemoração universal
Que é antes de tudo, lição moral
Da sábia mãe que é a Natureza

E os malfeitores que moram em Paris
Como parasitas que sempre serão
Podem, até, viver embriegados

Mas certo é que nenhum será feliz
E, como todos, um dia voltarão
Na sua Pátria serão castigados



JVerdasca

 

 

 

 

 

COMBATENTE



A ti que arriscaste a VIDA a combater
Pelos valores que foram teu ideal
E pela Pátria juraste defender
Todo o Património Nacional
E ainda agora queres enaltecer
Os que morreram pelo seu Portugal
Eu imploro que não deixes esquecer
Africanos que no próprio matagal
Conosco se dispuseram a morrer
E foram abandonados no local

E foi após este gesto de traição
Daqueles que a Pátria abandonaram
Que para sua e nossa maldição
Muitos outros depois continuaram
A destruir o Estado e a Nação
E tanto estes se aventuraram
Que nesta malfadada deserção
Novos traidores nos atraiçoaram
Sendo improvável a nossa salvação
Depois que os traidores nos saquearam



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Dez/2011

 

 

 

DIA do BOLINHO



Hoje recordo a feliz infância
A pureza d`Alma, a ingenuidade
A dignidade das gentes desse tempo
Os verdes campos de suave fragrância
O doce viço da nossa mocidade
Tudo oposto ao que hoje lamento

Hoje recordo a bela adolescência
As inocentes aventuras dessas horas
Quando tudo corria devagarinho
Isso sim, era pura inteligência
Quando os burros puxavam as noras
E as crianças pediam o BOLINHO



SPaulo, 01/11/2011
JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Nov/2011

 

 

 

CÂNTICO PRIMAVERIL



Depois do Inverno, a Primavera
Traz nova Vida aos campos em flor
E as aves criam em seus ninhos
Novos filhotes dos quais se espera
O alegre chilrear dos passarinhos
Exemplo de beleza, paz e amor

Se os homens desonestos cá da Terra
Aprendessem a lição dos animais
Em todos os aspetos meritória
Aboliriam a violência e a guerra
E em harmonia com seus iguais
Transformariam a derrota em vitória



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Out/2011

 

 

 

Oh Tempore, Oh Mores



Mês a mês, renova-se a Varanda
Onde a poesia floresce nas estrelícias
Cada vez mais frescas, mais belas, mais viçosas
E semelhantemente a uma ciranda
Circulam ou rodam tais delícias
Encantadoras, poéticas, mimosas

Associando-se - flores e poesia
Dão à vida tal encantamento
A realçar o sonho e a quimera
Que vivificam o nosso dia-a-dia
Fazendo-nos crer a cada momento
Que o próximo Outono será a Primavera



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Set/2011

 

 

 

F A T A L I D A D E



Como as águas que correm para o mar
Seguindo assim as leis da gravidade
Aqueles seres que vivem da saudade
Recuam, param, sem nunca avançar

Assim está o nosso velho mundo
Inda sonhando com glórias d`além mar
Sem se dar conta que é a trabalhar
Que o SER se eleva a cada segundo

Nosso destino ou fatalidade
"Só não será fatal como o destino"
Se o enfrentarmos com determinação

Com muita garra e dignidade
Por toda a vida e desde menino
Com galhardia e sem corrupção



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Ago/2011

 

 

 

O P O E T A



Poeta é excepção entre os mortais
Entre eles será, assim, um anormal
Sensível e sonhador, não tem igual
É o mais desigual dos desiguais

O poeta é tão livre como os pardais
Almeja o Globo desde o seu quintal
Torna a poesia sobrenatural
Contempla o Além como os imortais

E se qualquer um entre seus poemas
Atinge alto grau de sublimação
E cai no gosto da Humanidade

As suas contradições e dilemas
São vistas pelo nosso coração
Como algo normal da sociedade



JVerdasca

 

 

 

 

 

MOMENTOS DE AMOR



FORAM TANTOS, TÃO INTENSOS
LINDOS, GOSTOSOS, IMENSOS
NESTES LONGOS, BELOS ANOS
QUE APAGARAM MUITAS DORES
ALGUMAS, MESMO DE AMORES
QUE TAMBÉM TRAZEM DESENGANOS

MAS PARA QUEM SABE VIVER
O AMOR APAGA O SOFRER
PARA OS HUMANOS NATURAL
POIS OS MOMENTOS DE AMOR
TÊM MUITO MAIS VALOR
DO QUE O SOFRER ANIMAL

E NESTE DIA DE ALEGRIA
DAS "BODAS DE DIAMANTE"
DE UM APRENDIZ DE POETA
QUE VENHAM HORAS DE MAGIA
PARA O ETERNO NAVEGANTE
PODER ATINGIR A SUA META



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Jul/2011

 

 

 

P O E T A S



Oh poeta, eterno sonhador
Flutuando no etéreo irreal
Em permanente idealidade
Se acordares de teu torpor
Logo cairás desse pedestal
Para estatelar-te na realidade

Poeta sonha pela humanidade
Devaneios de alma torturada
Chegando ao fundo de seu SER
Mas essa é sua realidade
Cujos pontos de partida e de chegada
Se confundem no amanhecer

Ser poeta é ter mente pueril
É melhor enxergar que o falcão
É mais alto voar que o condor
É ser algo épico, forte, viril
É ousar mais que seu irmão
É não temer a morte nem a dor

Dos poetas alguns dizem serem loucos
Outros, que não vivem neste mundo
Como se tratasse de anormais
Os verdadeiros poetas são poucos
Sendo pois, excepção, no fundo
Portanto, desiguais dos iguais



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Jun/2011

 

T R A N S C E N D Ê N C I A

NO ÂMBITO DA MÍSTICA TUDO NOS TRANSCENDE
E POBRE DAQUELE QUE NÃO O COMPREENDE
POR FALTA DE ESPÍRITO, ALMA, SENSIBILIDADE
TUDO QUE ESTÁ ALÉM DO FIRMAMENTO
É UNIVERSO, E A TODO O MOMENTO
COMUNGA DA NOSSA ETERNA VERDADE

COMO A IDEALIDADE ESTÉTICA DA POÉTICA
FRUTO DA MÍSTICA MEDITAÇÃO-CONTEMPLAÇÃO
QUE AO HOMEM APROXIMA DO ALÉM
A JUSTIFICAR A CIÊNCIA APOLOGÉTICA
QUE DURANTE SÉCULOS SEM HESITAÇÃO
EXPLICOU O MILAGRE DA PRIMEIRA MÃE

Homenagem ao Pedro

JVerdasca

infinitesimamente transcendente


pelas noites das estrelas
passeia o firmamento
por luzes na beleza dos sentidos
atravessando o brilho dos gnomos

são pontos belos encantados
no pólo de uma rosa
com suas pétalas abertas
sedentas de amor

no ruído das urzes
ultrapassadas pelo vento
que arrasta nuvens para o infinito
enamoradas apaixonadas

sem um fim à vista
a fada madrinha
com seus galanteios
passa por caminhos de cetim

são paixões que avassalam
meu coração solitário
encerrado na masmorra
de uma poesia talvez complexa...

pedro valdoy
maio 2011

 

 

 

 

 

 

MISÉRIAS HUMANAS



Não sabem o que é DIGNIDADE
Nada aprenderam sobre ética ou MORAL
Ousam continuar nosso desgoverno
Mas querem ter toda a liberdade
Para destruir o nosso Portugal
Em estado terminal, enfermo

Não parecem cidadãos da nossa terra
Não exibem sentimentos lusitanos
Não receberam nossa educação
São da geração que não foi à guerra
São os autores de nossos desenganos
Não têm Pátria, princípios nem NAÇÃO

Quem será essa louca gente
Que engana, rouba, trai e mente
E a todo um povo lança na pobreza ?
Já todos sabem, por isso não direi
Quem está iludindo nossa grei
A sofrida gente portuguesa



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Maio/2011

 

 

 

SONHOS de ABRIL


Nesta radiosa Primavera
Seja-nos permitido sonhar
E do povo português esperar
O que nos parece uma quimera

Nesta radiosa Primavera
O Sol qu`ilumina nossas mentes
Faça germinar boas sementes
Que a Nação antes já tivera

Nesta radiosa Primavera
Que a luz do Sol venha iluminar
De todos portugueses a RAZÃO

E despertar o que nela houvera
Para mais uma vez se governar
E de novo levantar a NAÇÃO



JVerdasca

 

 

 

 

 

S I M ou N Ã O (?)



Eu sou pela positiva
Não me agrada a negação
Que tudo anula - sempre em vão
Porque há quem não consiga
Algo fazer, ouvindo um N Ã O

Eu sou pela positiva, S I M
Gosto de ir sempre em frente
Mesmo contra quem não "consente"
Ou por vício diz sempre N Ã O
Querendo anular seu "irmão"

O S I M é mais construtivo
E, quando dito com ardor
Já indicando um caminho
Será o passo que o VIVO
Conduz ao ato de AMOR

O SIM é o SOL da VIDA
É concordar com ternura
É acolher, dar guarida
A qualquer alma pura
Sempre na justa medida



JVerdasca

 

 

 

 

 

R I M A S de A B R I L



Como estamos em plena PRIMAVERA
Vamos sonhar com PAZ e AMOR, uma QUIMERA ?
O AMOR é sublime sentimento
Mas mais volátil e leve que o vento
Se acompanhado pela PAIXÃO
Sempre o AMOR trará DESUNIÃO
Para sublimar o nosso AMOR
Há que temperá-lo com alguma DOR
Como o carbono torna AÇO
O ferro, com o seu abraço



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Abr/2011

 

 

 

Dia Mundial da Poesia



Poetas, cantai...cantai
O vosso sentimento sonhador
Elevando ao Sobrenatural
Encanto, sofrimento, beleza ou dor
Estados de alma que - bem ou mal
São fruto da contemplação
Que leva à mística transcendental
Quando o poeta e sua criação
Pairam para lá do bem e do mal
Qual intuição-meditação
Além do racional



JVerdasca

 

 

 

 

 

C Â N T I C O M Í S T I C O

 


Parados ou em movimento, estamos passando pelo tempo; desde o Ser que nasce ao ano que finda, tudo e todos dispõem da sua própria fracção de tempo, grande ou pequena, maior ou menor, sempre em movimento; para evoluir e crescer ou tão somente para cumprir o calendário, tudo e todos serão escravos do seu tempo, que da gruta os levará ao Calvário, fim - que desde o princípio - lhes está destinado, sem direito a a ser prolongado, apelação ou agravo, ou mesmo a repetir José Régio: "Não, não vou por aí."

A nossa caminhada pelo tempo, ao longo do espaço terrestre, pode ser curta ou longa, mas sempre será infinitamente pequena, relativamente ao infinitamente grande do Universo, onde se renovam gerações sem fim, formadas por iões de todos e de mim, a perpetuar - nas muitas vidas - a Vida cósmica dos imortais quarks ou elétrons espirituais, DN de filhos e de pais, a tornar aqueles mais ou menos iguais, dependendo de singularidades como calmarias ou temporais, a que as vidas submetem os mortais.

Passamos pela vida , fração temporal do animal e do ser racional, o primeiro agindo por instintos e impulsos mais que o segundo, que por vezes é mesmo racional, tanto para dominar os instintos quanto para desvendar labirintos, onde acaba descobrindo a reação em cadeia e a clonagem, invadindo, assim, os domínios da mãe Natureza, apoderando-se de seus direitos de vida e morte, azar e sorte, sempre favorecendo o mais forte.

E - demarcado pelo tempo solar, que já encontramos ao chegar - nova época está a começar, definida pelas periódicas estações da Natureza, a bem demarcar o frio e o calor, o nascimento e a morte da flor, a paixão e o fim do amor, o sofrimento e a dor, prova de que o tempo é natural ou da Natureza, como as secas e as inundações ou dilúvios, as pragas do Egito e até os disturbios. E tudo é natural mesmo não o parecendo - até porque nem tudo que parece, é - sujeitos que estamos às ilusões de ótica, às erradas interpretações e ou mesmo perturbações do espírito que tomam a núvem por Juno.

Na Terra - com ou sem miragem - querendo ou não, todos seguimos viagem, pelas estradas escolhidas dentre as permitidas, pois há que viver nossas vidas, percorrendo estreitas trilhas ou largas avenidas, enquanto comandamos o passo e não chega o cansaço. Ao cruzar a fronteira do Novo Tempo façamos um plano, que decerto nos trará desengano por incumprimento, a gerar desalento pela desilusão, sempre parcial como o cumprimento do plano, que ficou para trás por falta de ação, disciplina ou determinação. Afinal, a vida é uma confusão, mesmo depois de cumprida a missão, mas só se chega a essa conclusão quando se atinge o status de ANCIÃO.

 

JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Mar/2011

 

 

 

S E T E   A N O S
(Cântico Apológico)


Querer é Poder; ter ideias é deixar (ou fazer) funcionar os neurónios (dos Evónios), dar asas à imaginação criadora, saber sonhar acordado, viver as novas eras, distinguir sonhos de quimeras, poder controlar a mente, ser capaz de ver à nossa frente, sem deixar de ser gente. Colocar as ideias em prática, já exige iniciativa de atitudes e movimentos, capacidade de efetuar esforços e gastar proventos, poder de decisão e determinação. Tudo isto foi necessário para arquitetar o projeto da Varanda e "construí-la palmo a palmo, residente a residente, tema a tema, poema a poema, quadro a quadro, palavra a palavra, AO LONGO DO TEMPO, AO LONGO DO ESPAÇO, "POR ESTE MAR DE LONGO", como Caminha disse.

Consumada a obra, há que lapidá-la, propagá-la, dá-la a conhecer, torná-la apreciada, prestigiá-la, internacionalizá-la, fazê-la querida, angariar adeptos, trazer simpatizantes, estimular "militantes", incentivar aderentes, conquistar as mentes, enfim, conferir-lhe prestígio e dignidade, pois só deste modo se constroi algo longevo, ao contrário da brevidade da popularidade, caso inexistam raízes sólidas e profundas, alicerçadas em sólidas bases morais e culturais, com as quais a nossa gente se identifique, nelas se reveja e através delas se sinta promovida, prestigiada, dignificada. Em sete anos, o mais belo artefato de ferro estará corroído pela ferrugem, ao contrário de qualquer objeto de ouro ou platina, cada vez mais brilhante.

De um cérebro brotou a ideia, de um técnico surgiu a implantação, de uns poucos "artistas" chegaram os primeiros trabalhos expostos, até que o número foi crescendo, aumentando, engordando, passando de dez a vinte, de vinte a cincoenta, de cincoenta a cem, de cem a duzentos, de........., alcançando primeiro todo o Portugal, depois a Europa, o Brasil, até chegar a toda a Lusofonia, ao Mundo. E, hoje, nas academias de São Paulo, de Maceió e do Brasil fala-se simplesmente da VARANDA, alguns ainda perguntam das estrelícias que de África nos vieram, mas são mesmo muitas(os) aquelas(es) que nos tecem louvores à mprestigiada VARANDA que pensam residir na Pérola do Atlântico, dado seu ODOR a insularidade, talvez por ser a ilha a capital das estrelícias.


José Verdasca - São Paulo

 

 

 

 

Enviados em Mar/2011

 

 

 

AMOR sem VERGONHA



Ninguêm se pode envergonhar
De amar
Amar e fazer amor
São coisas muito diferentes
Ter vergonha, é ter pudor
Para, discretamente, FAZER AMOR
Mas o AMOR sem VERGONHA
É uma peçonha


Amor sem vergonha
Ou sem pudor
Seja onde ou com quem for
Não pode ser AMOR
Pois amor é sentimento
Fazer amor é SEXO
Aquele de ser racional
Este de animal
Sem escolha, sem nexo

AMAR
É gostar, acompanhar, DOAÇÃO
Ternura, carinho, cumplicidade
Para ambos, uma só verdade
Afinidade, lealdade, TESÃO

É estar, servir, e com dedicação
Satisfazer e dar com lealdade
Transformar dois em um, e de verdade
Conquistar sem mudar de opinião

É ser da parceira o complemento
Para que ambos, a todo o momento
Possam caldear-se em plena FUSÃO

É ser da FÊMEA o MACHO completo
E com o membro murcho ou ereto
Saciá-la no Inverno e no Verão



JVerdasca

 


 

 

 

ESTRELÍCIAS na VARANDA



Já lá vão sete anos, que as ESTRELÍCIAS
Mostram sua beleza na VARANDA
Que ao mundo repassa tais delícias
Qual cantiga de roda ou ciranda

Vindas d`África com navegadores
Heróis da lusitana caravela
Sempre carregada de homens e flores
Para ensinar a língua nobre e bela

Já lá vão sete anos, e, como Raquel
Outros sete merecia, sem favor
O farol que ao mundo dá cultura

Caso Jacob fosse eterno menestrel
Para da ilha cantar o seu amor
À lusofonia com ternura



JVerdasca

 

 

 

 

 

LÍNGUA de CAMÕES



Entre todas as línguas deste mundo
A Lusa sobressai pela doçura
Com pronúncia suave, doce e pura
E seu encanto e sentir profundo

Nosso léxico, por demais fecundo
É de palavras cheias de ternura
Que me permitem falar com brandura
Até mesmo se estiver iracundo

O que a torna prática, singela
É sua riqueza e sobriedade
Entre todas, mais elegante e bela

Cada dia mais nobre com a idade
Desde o tempo da nau, da caravela
Só ela sabe o que é saudade



JVerdasca

 

 

 

 

 

D I A do L I V R O



Festejar do livro o DIA
É superior fidalguia
De humanista profundo
É ter sensibilidade
Para a qualquer idade
Mostrar ideias do Mundo

O livro é coisa sagrada
Memória abençoada
Que nos ensina a viver
Uma preciosidade
Para em qualquer idade
Nos ajudar a crescer

Vejam o Livro dos Livros
Que com todos os seus crivos
Nos revela o mundo antigo
Levado p`ra cabeceira
É leitura a vida inteira
Sendo mais que um amigo



JVerdasca

 

 

 

 

 

S O U P O E T A (?)



Serei poeta enquanto sentir o calor do luar
Enquanto observar para além do horizonte
Enquando apreciar o odor da flor
Enquanto enxergar na escuridão
Enquanto usofruir do calor do amor
Enquanto considerar o "outro" como irmão
Enquanto receber e der guarida
Enquanto tiver amor no coração
Enquanto a tua for a minha vida
Enquanto souber o que é solidariedade
Enquanto praticar a pura fraternidade
Até o momento ou altura
Em que conservar a brandura da ternura
com doçura



BOAS FESTAS
JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Jan/2011

 

 

 

ONDAS do MAR



No mar
A ondulação das águas
Tem o ritmo do nosso coração
Quando - também ele a navegar
Vive o sentimento da paixão
Com suas mágoas



JVerdasca

 

 

 

 

 

S E N S A Ç Õ E S


Quando vejo, ouço, palpo, cheiro ou saboreio
E o que sinto me sacode, excita ou agrada
Algo acontece em todo o meu ser
Que assim revida com sua reação
Em relação à mulher pode ser enleio
A dela tudo querer - ou nada
Porque o cérebro comanda a erecção
Obra do desejo, que pode acontecer
A um impulso, instinto de faminto
Ou TOQUE de ALVORADA

Ver algo belo, excita, concerteza
Como ouvir a quinta sinfonia
Ou palpar a "Vénus de Milo"
Semelhante a um bouquet inebriante
Só superado pelo incrível "sabor"
"Degustado" com o fim da dor
Ou êxtase da consumação do amor
Daquele Cavaleiro Andante
Perdido na Natureza
Que há muito o não sentia


JVerdasca

 

 

 

 

 

L A Ç O S de A M O R


Amor são laços
Carinhos, beijos, abraços
Embriagados de ternura
E a encaminhar meus passos
Para a tua figura

Amor são laços
Que unem corpos e almas
Amarrados com muitos nós
Que os amantes deixam lassos
Mas que jamais ficam sós

Amor são laços
Por longos ou curtos espaços
Que se apertam ou desfazem
Co`a força de nossos braços
Movidos pela miragem


JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Dez/2010

 

 

 

EU VI a ALEGRIA


Quando acordei, eu vi a alegria
Nas aves, nos campos, nas flores
E como fui feliz, durante aquele dia
Dedicado a todos os meus amores
Afinal, eu era muito feliz, e não sabia
Fui aprender com passarinhos cantores
Quando me entreguei, totalmente, à alegria
MAS FOI SÓ POR UM DIA



JVerdasca

 

 

 

 

 

A V E R D A D E



Está para a consciência como a beleza para a estética
É a arma do homem livre, como a mentira o é do escravo
Só os bem intencionados a sentem, pois os outros mentem
A verdade é sublime, de idealidade ética e poética
Enquanto armadura da dignidade, a verdade é LIBERDADE
Sem a verdade, a história perderia a sua finalidade
A verdade é como o azeite: sempre flutua
Vem ao de cima, enquanto a mentira cai
Esta jura-se nos tribunais, aquela diz-se na rua
A verdade é o fiel da balança da moral
Em cujos pratos estão o Natal e o Caranaval



JVerdasca

 

 

 

 

 

A B A N D O N O



Todos somos livres, ninguém tem dono
Só as coisas e animais possuímos
Assim, ninguêm ficará jamais ao abandono
Talvez exceptuando os reis e rainhas
No trono
Local onde a solidão é total
Mesmo "absoluto" sendo o Poder
Já que homem algum
Assim o pode exercer
Ou querer



JVerdasca

 

 

 

 

 

S E N S A Ç Õ E S



Quando vejo, ouço, palpo, cheiro ou saboreio
E o que sinto me sacode, excita ou agrada
Algo acontece em todo o meu ser
Que assim revida com sua reação
Em relação à mulher pode ser enleio
A dela tudo querer - ou nada
Porque o cérebro comanda a erecção
Obra do desejo, que pode acontecer
A um impulso, instinto de faminto
Ou TOQUE de ALVORADA

Ver algo belo, excita, concerteza
Como ouvir a quinta sinfonia
Ou palpar a "Vénus de Milo"
Semelhante a um bouquet inebriante
Só superado pelo incrível "sabor"
"Degustado" com o fim da dor
Ou êxtase da consumação do amor
Daquele Cavaleiro Andante
Perdido na Natureza
Que há muito o não sentia



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Nov/2010

 

 

 

O P O E T A



Porque é minoria, entre os mortais
Podemos considerá - lo anormal
Sensível e sonhador, não tem igual
É o mais desigual dos desiguais

O poeta é livre como os pardais
Adivinha o Globo desde o seu quintal
Torna a poesia sobrenatural
Contempla o Além como os imortais

E se qualquer um entre seus poemas
Atinge alto grau de sublimação
E cai no gosto da Humanidade

As suas contradições e dilemas
São aceites pelo nosso coração
Para lhe dar a IMORTALIDADE



JVerdasca

 

 

 

 

 

S O Z I N H A



Há sempre uma companhia
Que acompanha dia-a-dia
Todo e qualquer mortal
Se é anjo da guarda
Ou a eminência parda
Não importa - é real

Vestida de "sentimento"
Protege a cada momento
Quem pensa estar só na Vida
Companhia permanente
Será gente como a gente
Que nos oferece guarida



JVerdasca

 

 

 

 

 

PRIMAVERA-OUTONO



Ao hemisfério Sul chegou a Primavera
Florescem as plantas, criam os animais
Novo ciclo da VIDA, da RENOVAÇÃO
Mas no velho Norte a todos chega o sono
No primeiro nascem sonhos, chega nova ERA
Brotam plantas, cantam passarinhos nos quintais
Até mesmo os humanos se amam com paixão
Ao sabor do tempo, neste novo OUTONO

Assim se alternam as quatro ESTAÇÕES
Espelhos das vidas dos mortais
Que nascem, crescem, vivem morrem
Primavera, Verão, Outono Inverno, nada mais
Pois a ninguém são concedidos dois VERÕES
Apenas seremos filhos, para podermos ser pais
Cujo Outono termina no INVERNO
A que até já chamaram INFERNO



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Out/2010

 

 

 

POR do SOL


Por do Sol encantador
De uma beleza infinda
Como não hà outra igual
É um convite ao AMOR
Das atrações a mais linda
Do humano racional

Por do Sol maravilhoso
Um misto de luz e cor
A despertar os sentidos
Sendo atrativo famoso
É um cenário de AMOR
De apaixonados perdidos

Por do Sol primaveril
Remédio de minhas dores
Encanto da minha alma
És fonte de encantos mil
Para atrair os AMORES
Que minhas paixões acalma


José Verdasca

 

 

 

 

 

No Teu Olhar

Vejo sentimentos e paixões
Súplicas, medos, ilusões
Que o teu encanto acalma
Vejo do mundo a beleza
Que para mim é surpresa
Por estar escondida em tua alma

E esse olhar meigo e doce
Jamais imaginei que fosse
Fazer meu corpo tremer
Mas foi tanta a EMOÇÃO
Que provocou um trovão
E iluminou o meu SER

 

JVerdasca

 

 

 

 

 

MINHA ESTRADA


Estou na estrada da Vida
Caminhando com cuidado
Entre traições e carinhos
Se a Terra nos deu guarida
E este é o nosso FADO
Vamos evitar os espinhos

Sigamos nosso caminho
Nesta ligeira passagem
Da matéria espiritual
Pois se a Terra é um ninho
Daqui temos a miragem
De outro mundo, imaterial

Foi a "luz" que nos deu vida
Ou Energia Universal
Que é força do Criador
Que tem sua mão estendida
Sobre o todo global
Onde existe amor e dor



JVerdasca

 

 

 

 

Enviados em Set/2010

 

 



SALVE a POESIA


O sonho do poeta é da HUMANIDADE
"Deus quere, o homem sonha, a obra nasce"
Dizia Pessoa, o símbolo da poesia
A que Hebbel decidiu acrescentar
"A poesia lírica tem algo de infantil"
"A poesia dramática algo de viril"
"A poesia épica, algo de senil"
Como se não fossemos todos
E ao mesmo tempo, fruto do vento
Que vem, passa e se renova
A todo o momento
Alterando o nosso temperamento
Bem como o seu perfil
Quer seja hostil ou varonil
Que muda com o tempo
Até que nos depositem
Na cova


JVerdasca

 

 

 

 



O P O E T A


O poeta é profundo pensador
Vê o futuro à luz do presente
Usa o coração mais do que a mente
Com uma visão pessoal do amor

A sua alma tem sempre mais ardor
Vê mais além porque mais além sente
Sua paixão é sempre mais ardente
Seus sentimentos são plenos de amor

E quando não é fácil de entender
Tratar-se-à de um ser superior
Acima dos simples e pobres mortais

Que por norma cedo deixa de escrever
Pois jóvem vai ao Olimpo do Senhor
Para prestar contas de seus madrigais



JVerdasca

 

 

 

 



D I G N I D A D E



Perguntaste-me o que era DIGNIDADE
Atributo que ao ser confere fidalguia
Modo de estar na vida, em sociedade
Em qualquer lugar, no dia a dia
A merecer o nome de nobreza

Quando o homem merece respeito
Não há insulto que vingue ou faça fé
E, então, seus amigos do peito
Desmascaram os membros da ralé
À antiga maneira portuguesa



JVerdasca

 


 

 

Enviados em Ago/2010

 

 



CAMÕES, o VATE

Numa das mãos a pena, noutra a espada
Prova  d` inteligência  e  valentia
Se o ideal sempre foi teu guia
A Pátria foi por ti muito amada

Primeiro em Ceuta, depois no Malabar
Viveste a vida pobre do soldado
Em vida sempre foste mal amado
Mas notável conjugando o verbo amar

Num mundo ingrato d`invejas e traições
Onde avultou teu génio e talante
Na pobreza com nobre dignidade

Tu foste um exemplo para as gerações
De uma nação onde o emigrante
A transplanta para a ETERNIDADE

 

Homenagem de
JVerdasca

 


 

 



DIA da PÁTRIA

Aquela Pátria, a que chamamos MÃE
Hoje pede socorro a seus filhos
Para de novo a colocar nos trilhos
De onde alguns a tiraram com desdém

Ao bom rumo preferem o atalho
Ao estudo preferem a baderna
Trocam a escola pela taberna
Dizem não ao esforço e ao trabalho

Em alternativa à emigração
Temos a miséria e a pobreza
O desemprego e desgraças mil

Até que enfim nos chegue a salvação
Quando, num belo gesto de nobreza
A Nação inteira repetir ABRIL

JVerdasca

 


 

 



OS DOIS LADOS da VIDA


"Mens sana in corpore sano"
Eis os dois lados da VIDA
Onde o sacro e o profano
Têm acção e guarida
Quais duas faces de JANO
Frente e fuga garantida
Pois um dos deuses d`antanho
Ia e vinha de fugida

Ou então a noite e dia
A saúde e a doença
Até o frio e o calor
A feiura e a beleza
Onde a luz que alumia
Está na fé e na crença
Na bondade e no amor
Os frutos da NATUREZA

No fundo é VIDA ou morte
Eterna  DUALIDADE
Deste frágil SER humano
Alma e corpo, corpo e alma
Como os dois lados da sorte
 O sonho ou a saudade
O sacro e o profano
Que alma e corpo acalma

JVerdasca

 


 

 

Enviados em Julho/2010

 

 


C A N D U R A

Palavra doce - candura
Traduz um nobre sentimento
De uma nobilíssima alma
Como alvura e brancura
Transmite a todo o momento
A suavidade que acalma

A candura é inocência
Espelho de uma alma pura
Essência da ingenuidade
Fruto da inteligência
Estilo de vida, postura
Lição para a Humanidade

Candura é SABEDORIA
De quem é farol e guia
Neste mundo de incerteza
Ter e exibir CANDURA
Mostra pessoa madura
É um dom da Natureza

 

JVerdasca




 

 

Enviados em Junho/2010

 

 



DIA da PÁTRIA

Aquela Pátria, a que chamamos MÃE
Hoje pede socorro a seus filhos
Para de novo a colocar nos trilhos
De onde alguns a tiraram com desdém

Ao bom rumo preferem o atalho
Ao estudo preferem a baderna
Trocam a escola pela taberna
Dizem não ao esforço e ao trabalho

Em alternativa à emigração
Temos a miséria e a pobreza
O desemprego e desgraças mil

Até que enfim nos chegue a salvação
Quando, num belo gesto de nobreza
A Nação inteira repetir ABRIL




JVerdasca



 

Enviados em Junho/2010

 




GRITOS  do  PRESENTE

Portugal soçobra
Não mais tem timoneiro
Como antigamente
Que nos levava ao mundo inteiro
Onde deixou vultuosa obra
Que engrandeceu a nossa gente

E esta decadência
Que nos afunda na pobreza
De um viver sem glória
Arrisca a nossa independência
Que um passado de nobreza
Ilustrou a nossa história

Onde estão os patriotas
Para conduzir nosso povo
Hoje morto de ilusões
Vamos seguir outras rotas
Vamos ser heróis de novo
E gerar outros CAMÕES

 

JVerdasca




 




P E S S O A

Entre ser gente ou poeta
Preferiste ser esteta
Artista que vê e sente
Filósofo da poesia
Poeta da filosofia
Foste poeta e gente

Em Àfrica ou Portugal
No Chiado ou Madragoa
Eras único, singular
Como poeta genial
Um ícone de Lisboa
Sempre mestre a poetar

Tímido, discreto, pobre
Trabalhando para viver
Ou vivendo a trabalhar
Tinhas uma alma nobre
Que muito veio a sofrer
Porque te faltou um lar

JVerdasca



 

 

SONHOS de  POETA

O POETA É UM CRIADOR
CRIA SONHANDO ACORDADO
VOANDO EM PENSAMENTO
POR ISSO É UM SONHADOR
APESAR DE SER SOLDADO
ALERTA  A TODO O MOMENTO

O POETA É UM SONHADOR
QUE LEVA SEUS SONHOS LONGE
SONHOS DIVAGOS, DIFUSOS
É UM ESTETA MAIOR
QUE COMO MÍSTICO-MONGE
DEIXA OS OUTROS CONFUSOS

O POETA É UM FINGIDOR
FINGINDO MOSTRA A VERDADE
MAS COM ELA SE ENGANA
NÃO SENDO CRENTE É MELHOR
POIS TERÁ A LIBERDADE
DE VIDA LIVRE E PROFANA

OH POETA ENGANADOR
QUE SONHAS O IRREAL
QUANDO CRÊS O HOMEM PURO
QUEM SABE SERÁ MELHOR
QUE NESTE MUNDO DO MAL
NENHUM DE NÓS SEJA MADURO



JVerdasca





 



O PENSAMENTO


Voa mais rápido que o vento
Ultrapassa o Firmamento
Não tem hora nem momento
Pois puro discernimento
É filho da inteligência
Como espiritual alimento
Que nos traz encantamento
Pelo seu envolvimento
No eterno sofrimento
Será o pai da demência

Pensar é algo sublime
Realização superior
Acto de discernimento
O pensar - o pensamento
Do homem e sua razão
É esforço que imprime
Um valor ainda maior
À dimensão-monumento
A todo e qualquer momento
Da humana condição

O pensamento, a razão
Do humano, racional
Ilumina a nossa mente
Mostra o belo e a Beleza
Mostrando-nos a Verdade
É a Humana Dimensão
Do nosso SER Universal
Ou da Universal gente
Que compõe a Natureza
Imagem da ETERNIDADE


JVerdasca






 

 

DIA  das  MÃES

Dias das mães serão todos do ano 
Pois a elas dedicamos o ano inteiro
Até porque nos doou toda uma vida
E quer se trate de crente ou de profano
Mãe sempre estará em lugar cimeiro
Naquele altar de pessoa muito querida

A ela dedicamos o mês de Maria
Da bela Primavera florida
Por excelência o mês da flor
Homenagem do filho que sentia
Já em seu ventre de mulher sofrida
Muito carinho, ternura e grande amor

Mãe, ente que a vida nos dá com alegria
A quando do parto, cujo sofrimento
Ali começa para não mais terminar
Pois toda a MÃE que um filho cria
Sempre sofre a todo o momento
Pelo filho que pôs no mundo a chorar

 

JVerdasca

 


 

Enviados em Maio/2010

 




HINO  ao  AMOR


Vi-a no jardim colhendo uma flor
Agil, alegre e muito graciosa
Voltou-se, e na mão exibia a rosa
Com carinho, com ternura, com amor

Fechando os olhos aspirou seu odor
Com uma expressão linda e mimosa
A mostrar a criatura bondosa
Sempre, onde quer que esteja ou onde for

Nos olhos de quem vê está a beleza
Na mente de quem pensa entendimento
No coração de quem ama o perdão

Poeta é quem entende a Natureza
Gente é quem suporta o sofrimento
Herói é aquele que poupa o seu irmão



JVerdasca




 




O CANTO,  o  PRANTO  e  o  ACALANTO



A poesia antecedeu a prosa 
Como o canto precedeu a fala
O canto do acalanto (tentilhão)
Foi dos humanos encanto
O pranto - sinal de siso 
Surgiu antes do sorriso
Que nasceu do amor
 Talvez olhando a flor
Que pode ter sido a rosa
Aspirando o seu odor
Que elimina a dor
Mesmo a do amor




 




P O E S I A

Poesia é emoção
Sublimado sentimento
A verbalizar sensações
É da alma a reacção
Da beleza de um momento
De certezas ou ilusões

Poesia é extravasar
Aquilo que a alma sente
No seu estado mais puro
É conjugar o verbo AMAR
Ao ente que jamais mente
Quando vislumbra o futuro

Poesia é o encanto
De declamar com talento
O que empolga o coração
É aquele chorar sem pranto
Ou sorriso de acalento
Que leva à RESSURREIÇÃO

 

JVerdasca

 


 

 



CHEGOU  a  PRIMAVERA


Eis a PRIMAVERA
Era de PAZ  -  quem me dera
Que não seja sonho  -  quimera

Nesta estação, a NATUREZA
Tudo transforma em beleza

Regressa a vida a nossos campos
Passarinhos fazem ninhos
Brotam árvores e plantas
E as belezas são tantas
Que até os elementos daninhos
Covardes e envergonhados
Somem
Acabando sendo espantados
Pelos trabalhos dobrados
Que empolgam a Natureza
Onde está presente o HOMEM


JVerdasca

 


 

 

Enviados em Abril/2010

 

 



DIA  da  POESIA

 

Para comemorar a poesia, qualquer dia é dia

Até porque poesia é magia, com muita empatia

Mas, já que "criaram" um dia para a poesia

Vamos comemorá-lo com simpatia

E, se possível, também com alegria

Poetas do mundo, o dia é a vinte e um

Um por todos e todos por um

Repetindo os três mosqueteiros

Que eram poetas por serem guerreiros

E, como tal, idealistas, sonhadores 

Como convém à poesia

Hoje e sempre

Mas, principalmente

Neste seu DIA

São Paulo, 21 de Março, 2010


José Verdasca


 

 

 

Enviados em Mar/2010

 

 


ANIVERSÁRIO da VARANDA


SENDO EMBORA UMA CRIANÇA
A VARANDA TEM PUJANÇA
QUE MUITA ADULTA NÃO TEM
NASCEU MUI FORTE E SADIA
FOI CRESCENDO NOITE E DIA
E HOJE JÁ É ALGUÉM

NASCEU NO NOSSO PORTUGAL
E NUM MEIO CULTURAL
DE PROFUNDAS TRADIÇÕES
ANDOU NA TERRA E NO MAR
POR ISSO CONSEGUIU CHEGAR
AOS LUSÓFONOS RINCÕES

E HOJE COM GALHARDIA
ESTÁ NA LUSOFONIA
COM PRESTÍGIO E ALTIVEZ
POIS TENDO APENAS SEIS ANOS
JÁ NÃO TEME DESENGANOS
EM TODO O ESPAÇO PORTUGUÊS

São Paulo, 01/02/10
JVerdasca


 

 

 

Enviados em Fev/2010

 

 


A M I G O


NA SEMANA DO AMIGO
DIR-TE-EI QUE ESTOU CONTIGO
PARA O QUE DER E VIER
A GRANDE FELICIDADE
SERIA EM BOA VERDADE
SE VOCÊ FOSSE MULHER

MAS SENDO HOMEM OU MULHER
O QUE REALMENTE SE QUER
É ESTA BELA AMIZADE
AMIGA(O) É MAIS QUE IRMÃ(O)
POIS É AQUELE QUE DÁ A MÃO
SE TEMOS DIFICULDADE

E EM TODA ESTA SEMANA
O AMIGO NÃO ENGANA
NÃO ABANDONA NEM TRAI
O AMIGO É PERMANENTE
POR SER GENTE COMO A GENTE
É FILHO, IRMÃO OU PAI


São Paulo, Semana do Amigo
José Verdasca

 

 

 


P R A Z E R E S


Só o BEM nos dá prazer, como o amor
Só o BELO contenta a nossa alma
Só o que é natural nos acalma
E só nos satisfaz o que tem sabor

Deslumbra-nos a beleza da flor
Encanta-nos música celestial
Enternece-nos um canto madrigal
Enebria-nos o delicado ODOR

Pois quando temos sensibilidade
Para tudo que é bom apreciar
Tornamo-nos parceiros da beleza

Nesse caso, com naturalidade
Cumpre-nos com dignidade navegar
Neste mar revolto, a NATUREZA

JVerdasca

 

 

 

Enviados em Jan/2010

 

 

FESTAS FELIZES PARA TODOS

Como sou parte do TODO
Mesmo pisando no LODO
Desta grande inundação
Eu quero retribuir
Porque neste ir e vir
Pode estar a salvação

Para todos em geral
Ou ninguém em especial
Acaba dando no mesmo
É como qualquer fritura
Onde a matéria pura
Produz apenas o torresmo

Festas felizes para ti
Que eu te mando daqui
Neste Natal tropical
Que não tem neve nem frio
Onde eu não me arrepio
Até passar o carnaval

JVerdasca

 

 

 

E S P Í R I T O de N A T A L


Quando nos aproximamos do Natal
Como que rejuvenesce a nossa alma
E a fera que somos se acalma
Dando lugar a um ser sentimental

Surge o homem FRATERNO e racional
O responsável, amigo cidadão
Que passa a enxergar-nos como irmão
Fruto do periodo muito especial

Por isso vos proponho nesta hora
Que não desperdissem a ocasião
E uma decisão tomar primeiro

Qual seja, decidir aqui, agora:
ESPÍRITO de NATAL é o guião
Que vamos desfraldar o ano inteiro

São Paulo, Natal, 2009

BOAS FESTAS
JVerdasca

 

 

 

Enviados em Dez/2009

 

 

JARDIM DA PRIMA ODETE

Nesse jardim encantado
O Evónio, deslumbrado
Está no Céu dos bem nascidos
Vejo-o cantando o fado
Qual artista abençoado
Afagando nossos ouvidos

Este Evónio "descarado"
Ao nascer foi premiado
Com a Grande Prima Odete 
Que eu queria conhecer
Para com ela aprender
As artes de ser "coquete"

Saudações do Brasil

JVerdasca

 

 

 

Enviados em Nov/2009

 

 

A  LÍNGUA  de  CAMÕES

Entre todas as línguas deste mundo
A Lusa sobressai pela doçura
Com pronúncia suave, terna e pura
E um encanto e sentir profundo

Nosso léxico, por demais fecundo
É de palavras cheias de ternura
Que me permitem falar com doçura
Até mesmo quando iracundo

O que a torna prática, singela
Com a riqueza e sobriedade
Entre todas mais elegante e bela

Cada vez mais nobre com a idade
Desde o tempo da nau, da caravela
Só ela sabe o que é saudade

JVerdasca

 

 

 

LANÇAMENTO DA OBRA DE JOAQUIM EVÓNIO "SERCIAL & MALVASIA"
Casa da Madeira, 25-09-09

Senhor Presidente, autoridades presentes, gentis senhoras, nobres cavalheiros, boa noite.

Joaquim Evónio – Vasconcelos para os camaradas da Academia Militar – honrou-me com um convite para – aqui e agora –  fazer uma breve apresentação deste seu novo e interessante livro, tarefa de que Luís Dantas já em parte se desincumbiu, na brilhante Introdução da obra.

Mas, como separar o prestigiado autor dos mais de uma vintena de enternecedores, belos e pedagógicos contos, entremeados de quase outros tantos pequenos-grandes textos poético-filosóficos onde avulta a poesia prosaica – versos brancos em que a expressão rítmica e ou a rima foram vantajosamente substituídas pela "brancura" da sua pureza, pela sofisticação da sua filosofia, pelo arrebatador deslumbramento do seu profundo conteúdo

Aliás – se bem analisada a obra de Joaquim Evónio – esses são os atributos deste autor de belíssimos poemas, em cuja poética sobressai a singularidade castiça da sua amada Madeira, quando Evónio faz brotar e germinar a poesia da extasiante beleza da paisagem física, da riqueza da paisagem humana e da singularidade da cultura local, características que a sua sensibilidade de idealista-humanista eleva ao nível da grandeza da Natureza, que o mesmo é dizer do sobre-humano, do transcendente, do místico!!!

Entretanto, o pensador Evónio talvez discorde desta concepção, para não admitir que suas construções prosaico-poéticas também lhe brotam da alma, para poder afirmar que não tem alma ou mesmo para continuar afirmando – com alguma ironia – ser um anarquista independente.

Vivi pouco mais de dois anos numa ilha do tamanho da Madeira, e foi lá que aprendi a sentir e dar valor aos pequenos espaços físicos, onde a dimensão das almas – normalmente – lhes é inversamente proporcional, e o isolamento convida à meditação, que aprimora e enriquece o Espírito, contribuindo decisivamente para moldar e lapidar o carácter, para valorizar e humanizar a Moral e os bons costumes, para melhor e mais humanisticamente viver em sociedade, deste modo engrandecendo o que a convivência humana tem de mais precioso, como a Fraternidade, a Solidariedade, a Dignidade.

A vida e a obra de Evónio espelham – na sua plenitude – o que acabo de afirmar, para alegria e satisfação das muitas amigas e amigos que a ele se vêm juntando para engrandecer e dar mais brilho a Varanda das Estrelícias, honra - logo glória – da lusofonia pelo mundo semeada. Por isso – e para isso – aqui nos reunimos nesta acolhedora Casa da Ilha, que o é também de todos nós, do Continente e do Mundo

O  P O E T A

O poeta é um sonhador              O poeta é um sonhador                O poeta é um sonhador
Sempre a sonhar acordado        Que sonha em qualquer lado        Que vai dando o seu recado
Construindo a poesia                  Seja de noite ou de dia                 Com a maior fidalguia
Não será um fingidor                   E por ser um pensador                 Ele tem uma visão maior
Seu carácter bem formado         Tudo interpreta calado                   Do objecto sonhado
É sempre farol e guia                  Enaltecendo a poesia                    Onde cria a poesia

 

José Verdasca
Lisboa, 25-09-09

 

 

Enviados em Out/2009




 

À B O L I N A



Com a Varanda à BOLINA

Vamos todos bolinar

E com beliscões na bunda

O Evónio castigar

Pois se não sabe o que é bolina

Neste outro lado do mar

Talvez ele se afunda

Para aqui não mais voltar


A bolina é navegação

Com os ventos de través

P`ra seguir na direcção

Que nos indicam os pés

Uma vez que nossa mão

Nos aponta o viés

E assim a solução

Serve a Joaquins e Josés


SPaulo, 05\07\09
JVerdasca

 

 

 



 

ESPAÇO   ABERTO

 

Vamos abrir este espaço

Torná-lo mais atraente

Brilhante e acolhedor

A varanda vira terraço

Para caber toda a gente

Com simpatia e amor

 

Vamos abrir este espaço

Fazer dele algo gigante

Da dimensão do Globo

É assim que sempre faço

Desde que-quando infante

Abria as portas ao povo

 

SPaulo, 01/07/09

JVerdasca

 

 



 

O  MADRUGADOR

 

Oh meu caro Joaquim

Hoje, aqui, tu madrugaste

Para cumprir teu dever

Se todo o dia fosse assim

Não chegavas onde chegaste

Nem terias que sofrer

 

Informando o mundo inteiro

Dos eventos culturais

De que tens conhecimento

Decerto és o primeiro

A ser citado nos anais

Com todo o merecimento

 

Pelas duas da matina

Já tu com tua batina

Estás frente ao computador

A transmitir a notícia

Com amor e sem malícia

Sem malícia, com amor

 

JVerdasca

 



 

No Dia de Camões

 

   A O    G R A N D E    V A T E

 

 

Entre os portugueses foste o maioral

À  Pátria  deste  toda  uma  vida

Agitada,   heróica   e   sofrida

Como jamais outra houve em Portugal

 

O teu génio não viu outro igual

O teu talento não teve medida

Para cantar tua nação querida

Numa língua que tornaste universal

 

Como paga recebeste humilhação

Desprezo, injustiça, sofrimento

Em tua vida pobre e amargurada

 

E até na morte, em última doação

Ornadas do mais belo sentimento

Brilharam tua pena e tua espada

 

JVerdasca

 



 

E M I G R A N T E

 

O emigrante é um lutador

E por ter alma de gigante

Já não cabia no "berço"

Enfrenta solidão e dor

Por vai sempre adiante

E seja o destino qual for

Como é grande navegante

Será cada vez maior

 

O emigrante é um sofredor

Como o poeta que sente

E chega a fingir melhor

Mostrando a alma da gente

Pois mesmo que esteja triste

Ele mostrar-se-à contente

Fraqueza, nele, NÃO existe

Mostrando o que é, NÃO mente

 

JVerdasca

 

 



 

POETAS D’ABRIL

Na mente do poeta mora o sonhador
Que vê o mundo de um modo especial
Com sua lente de sonhos ou quimeras
Por isso, em flor ele transforma a dor
E como o Bem ele enxerga o mal
Vivendo no ano muitas Primaveras
Pena foi que o 25 de Abril
Não tivesse sido obra de poetas
E de seu humanismo varonil
Pois outras teriam sido as metas
E da revolução primaveril
Ninguém diria ser obra de patetas

JVerdasca

 



 

Primavera dos Poetas  
 
Para os poetas, é sempre Primavera  

Sua visão do mundo é muito especial   

Em sua mente mora o sonho e a quimera

Como se nela não entrasse o mal

Nem morasse a humana fera

Que é o nosso lado animal 

JVerdasca 

 



 

VARANDA PRIMAVERIL

Nesta linda Primavera
Não é só sonho ou quimera
Como naquele outro Abril
Varanda é realidade
Que nos causará saudade
Ao trazer lembranças mil

Naquele Abril malfadado
Ao lado do ideal
Havia muita traição
Daí ter desencantado
Quem não esperava o mal
Que hoje assola a Nação

O povo que veio à praça
Com a fé no coração
Esperava dignidade
Mas hoje sofre de graça
Ao ver a corrupção
Que grassa na sociedade

Esperemos que a Natureza
Com toda sua grandeza
Reponha nosso prejuízo
E que o eleitor finalmente
Para o bem de nossa gente
Possa votar com juízo

JVerdasca

 



 

O  TEMPO  e  o  VENTO
 
Se digo que o tempo passa
E olho através da vidraça
Jamais  o  vejo  passar
Dele  só  tenho  os  efeitos
Minhas rugas, meus trejeitos
D`envelhecer  a  pensar
 
Se pelo tempo passamos
E mesmo assim não notamos
Sua  existência  real
Talvez seja algo abstrato
Que não se revela ao tato
Não se vê nem cheira mal
 
Já o vento é diferente
Anda e grita como a gente
E  até  gera  energia
Faz rodar aquele moínho
Produz farinha sozinho
Dia e noite, noite e dia
 
E nossos Descobrimentos
Feitos à custa dos ventos
Aí  estão  p`ra  provar
Que o vento tem galhardia
E  talvez  a  primazia
P`ra ver o tempo passar
 
SP, Fev. 2009
JVerdasca

 



 


"Desejo" - Bé Cabrita Óleo sobre tela - 50x70

 

                                     PINTURA   "DESEJO"
 
Sem  ser  da mulher exclusividade
O  "Desejo"  da Bé bem simulado
Vai ganhando desejo acrescentado
Na  Varanda  e  na  comunidade
 
                   Eu  bem  sei  que  é  arte de verdade
                   Da boa que a Varanda tem mostrado
                   Mas suponho não ser o nosso "fado"
                   A  principal  "virtude"  da  beldade
 
                                      E,  assim,  como  tudo  leva  a  crer
                                      Se o aumento  chegar  ao  infinito
                                      E  as  sinergias  seguirem a crescer
 
                                                                  Podemos o "Desejo" tornar mito
                                                                  E a Bé e sua  arte  engrandecer
                                                                  O que neste  soneto  eu  admito
 
                                                                            São Paulo, 19/04/08
                                                                                José Verdasca

 

 



 

LÍNGUA  de  CAMÕES
 

Entre todas as línguas que há no mundo
A  nossa  sobressai  pela  doçura
Com pronúncia suave, doce e pura
E seu encanto e sentir profundo
 
Nosso léxico, por demais fecundo
É de palavras cheias de ternura
Que nos permitem falar com brandura
Até mesmo quando iracundo
 
O que a torna prática, singela
É sua riqueza e sobriedade
Entre todas, mais elegante e bela
 
O que mais avulta com a idade
Desde o tempo da nau, da caravela
Só ela sabe o que é saudade

 

JVerdasca

 



 

TERTÚLIA

 

A TERTÚLIA  D`AMIZADE

   POESIA  e  SAUDADE

  Vai reunir trinta e dois

P`ra dizer os belos versos

Que andam meio dispersos

A confirmar o que "SOIS"

 

Poesia é coisa séria

Não se trata com pilhéria

Merece consideração

Ide, pois, prestigiar

Em uma noite de luar

Os poetas dessa NAÇÃO

 

Se quiserem companhia

Irei  aí  nesse  dia

Para vos dar o exemplo

E com toda a liturgia

Misticismo e Magia

Fazer do lugar um Templo

 

 

JVerdasca

 



SONHO  de  NATAL

 
No fim do túnel enxergo alguma luz
Parece que se move, a Humanidade
Com determinação e DIGNIDADE
No caminho que à VIDA nos conduz
 
No fim do túnel eu vejo alguma luz
Iluminando a FRATERNIDADE
No rumo da SOLIDARIEDADE
Para que o Cristo nos livre da Cruz
 
Que esse milagre venha no Natal
Para que o Homem possa RENASCER
E assim construir um MUNDO NOVO
 
Onde cada um cumpra o seu IDEAL
E todas as crianças possam crescer
Livres, sadias, sem medo do POVO
 
Com este sonho, vão sinceros VOTOS de um FELIZ NATAL e VENTUROSO ANO NOVO para todas(os) confreiras e confrades, seus entes queridos, amigas(os), colaboradoras(es), simpatizantes e conhecidas(os).

São Paulo, Natal de 2008

José Verdasca dos Santos
Presidente da ONE

 

 

S O N H O    de    N A T A L

  
 
                                                                                Eis mais um NATAL, e tudo continua mal
                                                                            A fome e a miséria grassam por todo o Universo
                                                                 Milhões de crianças permanecem na escuridão, sem educação
                                                              A droga, livre e solta, avança e destrói grande parte da população
                                                           A violência multiplica-se por todo o Globo Terrestre, qual moderna peste
                                                      A corrupção é prática corrente, entre políticos e empresários - gente influente
                                                  A família - durante milénios base e esteio da Humanidade - está-se desagregando
                                               A terceira idade, antes acarinhada, protegida, cuidada, respeitada, está abandonada
                                              Os governos dos Estados - dando prioridade aos orçamentos  -  exportam armamentos
                                               A política - antes arte e ciência de governar - tornou-se uma plataforma só para furtar
                                                 O Homem - animal racional, gregário, mas vilão, é, hoje, verdadeiro lobo do irmão
                                                     A destruição do Planeta segue acelerada, irresponsável, suicida, por ambição
                                                         A mulher - perseguindo a igualdade com o homem - vulgarizou a união
                                                              A ganância do lucro, a usura, está levando os mercados à loucura
                                                                 A Humanidade, apesar do avanço tecnológico, desumaniza-se
                                                                     A professora primária, segunda mãe, trata-se com desdém
                                                                          No lar, antes sede de nossa formação, há desunião
                                                                                    Mas tudo tem solução, se houver união
                                                                                         Vamos corrigir este rumo errado
                                                                                             Vamos retomar a rota certa
                                                                                             Vamos respeitar a ecologia
                                                                                       Vamos seguir os Dez Mandamentos
                                                                                       Vamos cumprir os bons sentimentos
                                                                                       E neste Natal  dar os bons exemplos
 
                                                                                           FELIZES  FESTAS  a  TODOS
                                                                                                       JVerdasca



 

           A   S O L I D A R I E D A D E   H U M A N A

(A solidariedade converte em direito o que a caridade oferece como se fosse um favor. José Ingenieros)

É nas horas mais difíceis que se reconhecem os amigos, que se revelam os grandes homens, que sobressaem os elevados sentimentos, que surgem as grandes almas, enfim, é na desgraça alheia que os bons corações batem mais forte, levando seus hospedeiros aos grandes gestos de solidariedade e humanismo. Aliás  -  quem fica insensível perante a desgraça alheia  -  nem sequer tem inteligência para imaginar que  -  o que ao outro acontece  -  poderia muito bem ter-lhe acontecido a si, aos seus familiares, aos seus amigos (se os tiver) ou a alguem que lhe diga respeito.  Mas, grandes e maravilhosos exemplos de SOLIDARIEDADE HUMANA,  felizmente,  não estão faltando face à CALAMIDADE PÚBLICA que está acontecendo em SANTA CATARINA, onde, e em poucas palavras, HÁ QUE FAZER O QUE O MARQUÊS de POMBAL ACONSELHOU ao REI de PORTUGAL D. JOSÉ I, logo após o terremoto que assolou LISBOA em 1755: "Vamos enterrar os mortos e cuidar dos vivos".!!!   A frase pode  -  à primeira vista  -  parecer inapropriada, mesmo grosseira, mas, efetivamente, e agora, A MISSÃO de TODOS NÓS é CONTRIBUIR  -  com os meios ao nosso alcance  -  para aliviar o sofrimento dos atingidos, mitigando-lhes a fome e a sede, abrigando os que ficaram sem abrigo, vestindo os que perderam a roupa, levando remédio aos que ficaram (ou podem ficar) doentes, e, SOBRETUDO, tentar salvar os mais frágeis, QUE SÃO AS CRIANÇAS e os IDOSOS, pois os jóvens e sadios têm mais condições de resistir.

Aparte uma insignificante ESCÓRIA de irresponsáveis que vêm tentando criminosamente aproveitar-se da situação para a prática de repugnantes crimes (talvez a cadeira elétrica fosse pouco para eles), FELIZMENTE,  os BRASILEIROS têm boa índole, são humanos e humanistas, sensíveis e solidários, e, AQUI e AGORA, estão dando lições ao mundo, mostrando que a NAÇÃO PACÍFICA e de REVOLUÇÕES sem sangue, é uma NAÇÃO de gente de BEM,   C O M P A N H E I R A  (que com+partilha o pão), que ajuda e acarinha, que auxilia e afaga, que comparece e se solidariza com aqueles que mais sofrem, mais precisam, mais carecem. Na realidade, SÃO COMOVENTES as CENAS de vizinhos que ALBERGAM em suas casas famílias inteiras que perderam os lares, que alimentam os flagelados nos albergues, que trabalham dia e noite para minorar o sofrimento alheio.´Foi comovedor assistir a reportagem com um médico, o qual, ALÉM DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS, executa trabalhos menores e manuais, limpezas e lavagens, como qualquer faxineiro comum!!!. Que exemplo de HUMANISMO, mas principalmente de HUMILDADE para todos nós, "nobres" que não nos "baixamos" a trabalhos dessa natureza, que podem "macular" o nosso sangue "azul", a nossa "linhagem", os nossos diplomas!!!! Por isso  -  dissemos  - É NAS HORAS MAIS DIFÍCEIS QUE SURGEM E SE REVELAM os MAIS ELEVADOS SENTIMENTOS,  os MAIS NOBRES CARÁCTERES, OS MAIORES DE ENTRE OS HOMENS.

E, se os vizinhos e outros ESTÃO LÁ,  AJUDANDO,  TRABALHANDO,  SOFRENDO  com os  FLAGELADOS, nós, os que estamos longe,  VAMOS ENVIAR o QUE NÃO NOS FAZ FALTA,  VAMOS AJUDAR COM O QUE PUDERMOS,  VAMOS  MATAR  A SEDE  E A  FOME  que podem MATAR  os atingidos pelo flagelo que atingiu  os CATARINENSES. 
                             NÃO  FIQUEMOS  de  BRAÇOS  CRUZADOS.

                                                                           JVerdasca

 




"Desenho de José Jorge Soares"

Fernando Pessoa

 

Nosso Pessoa não morreu

Deixou o mundo terreno

Para  se  imortalizar

Pois embora fosse "ateu"

Aceitou um Céu ameno

Para onde foi poetar

 

O  filósofo  Pessoa

Deixou a sua Lisboa

P`ra morar na eternidade

Hoje está em toda a parte

Junto com a sua arte

Alegrando a Humanidade

 

E o menino Fernando

Desde pequeno - quando

Já escrevia em inglês

É guia da juventude

Que quando a ele alude

Honra o génio português

 

Homenagem de JVerdasca

30 Nov 08

 



 

                                         N O I T E S   de   L I S B O A
                                             (Do Título de Euclides Cavaco)
 
 Lisboa à noite é pura poesia
      Alfama, Mouraria e Madragoa
           Recebem os poetas numa boa
                Quando chega a noite e finda o dia
 
                          Lisboa  à  noite  é  pura  alegria
                               Mesmo com frio, chuva ou garoa
                                    Quando, acompanhado da patroa
                                         O  Euclides  chega  com  euforia
 
                                                   Capital do verso, essa  Lisboa
                                                        Onde Camões seus versos dizia
                                                             Como  quem  os  cânticos  entoa
                
                                                                       Hoje acolhe com muita fidalguia
                                                                            O  nosso  Cavaco,  e  apregoa
                                                                                 O  seu  patriotismo  todo  o  dia
 
                                                                                            SPaulo, 19/11/08     
                                                                                                JVerdasca
 


 

     
                                    
N O B R E    C A M Õ E S
 
Camões, nobre Camões, quanta amargura
 Ensombrou   tua   vida   de   soldado
  Da corte ingrata foste escorraçado
  Para a perdição e a aventura
 
   Quase  te  levaram  à  loucura
    Detido, perseguido e degredado
      Mas,  no  Oriente,  iluminado 
       Surgiu teu génio e tua ternura  
 
      C`o a Pátria e por Ela tu sofreste
       Muita  dor, injustiça e ingratidão
       Para pobre morrer como viveste
 
         Sem amigos, família nem ventura
        À Pátria te entregaste em doação 
         E com Ela  baixaste à sepultura
 
                                                
 


TRAZES ROSAS,  LEVO CRAVOS
 
As rosas que me trouxeste
     São  de  vermelho  celeste
          Como o mais belo por de Sol
               Simbolizando  muito  amor
                    Vêem  cantar  a  minha dor
                         Como  canta  o  rouxinol
 
                                   "Pago-te" levando cravos
                                        Que te farão seus afagos
                                             Como aquele cravo de Abril
                                                  Que enquanto não murchou
                                                       E a revolução não mudou
                                                            Silenciaram   o   fusil
 
                                                                     JVerdasca

 





No Brasil é Primavera
     Tempo de sonho/quimera
          Clima  de  florir  e  criar
               Em Portugal é Outono
                    Tempo de clima sem dono
                         Ninguêm o pode controlar
 
                                   No Sul vamos para o Verão
                                        Dias crescendo depressa
                                             E  as  noites  minguando
                                                  No  Norte  o  frio  chorão
                                                       A chuva que molha o chão
                                                            E  as  pessoas  tiritando
 
                                                                   Com extremos e opostos
                                                                     Satisfazemos  os  gostos
                                                                        De gregos e de troianos
                                                                           É  a  vida  aqui  na  Terra
                                                                               Que à paz opõe a guerra
                                                                                   Que só nos traz desenganos
 
                                                                                                                   JVerdasca

.

 



 

FERNANDO  PESSOA
 

Beleza, em forma de poesia
Foi a Criação de Fernando Pessoa
Permanente, no seu dia-a-dia
Quando, logo cedo, olhava a Natureza
O seu olhar abarcava o Mundo
E da sua pena nascia, com certeza
O fruto desse olhar profundo
Dali mesmo, da sua Lisboa.
 
Certo é que a sua poética
Se revelou na África do Sul
Que tem outras gentes e climas
E onde o mar é mais azul
E, decerto, diferente a estética
Daquele Chiado todo seu
Onde o Inverno é - da cor do breu.

 

JVerdasca

 



 

O nosso encontro foi no Universo
   Onde moramos, elétrons Espirituais
      De todos os Seres Vivos,  que  mortais
         Você tão bem canta,  em prosa e verso
 
               O  nosso  encontro  foi  aqui  na  Terra
                  Onde todos nós  devemos ser irmãos
                     Praticar  o  bem  perante  os  cidadãos
                        Sempre em harmonia, e longe da guerra

                            O  nosso  encontro  foi  uma  ventura
                                Em que reinou  respeito e dignidade
                                   Nobre   sentimento   de   alma   pura

                                         O nosso encontro  foi  em  amizade
                                            Que  se prolongará  até  a  sepultura
                                               Para - no ALÉM - nos causar SAUDADE
                             

 

Com um abraço do JVerdasca

 



 

         C O R P O S   e   A L M A S
 
Quando a alma sangra os olhos choram
Lágrimas são o orvalho da tristeza
Frutos do sentimento e da avareza
Quando a alma sangra o corpo sofre
Perfeita união no sofrimento
Que é talvez o único momento
Em que ambos estão no mesmo cofre
Alma e corpo irmanados
Uma de dois, dois em um, tanto faz
Ambos ouvirão o toque de finados
Quando na lápide constará - aqui jaz
Um duo de seres mui festejados
Que será eterno - depois de ser fugaz
 
                                       José Verdasca

 



 

  H I N O   à   P A Z
              
Afinal  o  que  é  a  PAZ
   Senão ausência de guerra
      Omissão  da  violência
         Dos homens aqui na Terra
            Vivendo em santa harmonia
               Como pregou Cristo e Buda
                  Com dignidade e decência
                     Coragem   e  valentia
                        Como heróis de verdade
                           A  servir  a  Humanidade
                              Trabalhando honradamente
                                 Sem gritos de "Deus me acuda"
                                    Respeitando  toda  a  gente
                                       Pois  o  herói  verdadeiro
                                          Dá  a  vida  por  inteiro
                                             Servindo a COMUNIDADE

 

                                                       José Verdasca



 

 
 
PARABÉNS SOROCABA 

 
   Bela terra de tropeiros
         Albergaste os pioneiros        

              Oh lugar de gente fina
                       Tua  cultura  erudita
                            Torna a terra tão bonita
                                 Como a mais bela menina
     
                          Neste seu aniversário
                     Vamos honrar o Sacrário
                Que guarda nossa cultura
          Visita de gente pobre

      À terra de gente nobre            
   Onde a convivência é pura

 
        José Verdasca

http://singrandohorizontes.blogspot.com/2008/08/jos-verdasca-parabens-sorocaba.html

 



 

MULHER

Cantada e decantada em prosa e verso
   Ser frágil, sensível, terno, meigo, muito forte
      A ela atribuíu a Natureza a MISSÃO de MÃE
         Devemos-lhe a VIDA, porque no UNIVERSO
            Se tudo e todos podem provocar a nossa morte
               Apenas ELA nos pode dar a VIDA, mais ninguêm
 
                     Concebe, dá à luz, amamenta, cria, ampara, Mãe
                        Por seus filhos sofre, jamais renuncia, tudo suporta
                           Tudo fazendo com muito amor e sentido de MISSÃO
                              Só ela dá sem receber, ama sem exigir, mais ninguêm
                                 Para ela - sem medir sacrifícios - tudo quanto importa
                                    É o Ser de seu Ser, ventre de seu ventre, sua CRIAÇÃO
 
                                                             JVerdasca

 



 

HOMENAGEM  POÉTICA  a  ANTÔNIO VIEIRA
             O GIGANTE da ORATÓRIA SACRA

 
Qual  o  orador  grego  ou  romano
Que alcançou o brilho e o esplendor
Do   gigante   Vieira,   o   lusitano
Pregando  a  justiça  e  o  amor ?
                              Brilhante no sacro e no profano
                              Mas servindo a um único Senhor
                              Livre, independente e soberano
                              No seu ideal reside o seu penhor
 
                                                            Se veio ao Mundo no nosso Portugal
                                                            Foi  no  Brasil  que  a  sua  aura  pura
                                                            Abriu  caminho  a  um  grande  ideal
 
                                                                                          Aqui  repousa  em  sua  sepultura
                                                                                          Por pequeno ser o seu torrão natal
                                                                                          Para  guardar  tão  sublime criatura
 
                                              JVerdasca, da Ordem Nacional dos Escritores

 




Rosas da Varanda

Rosas - belas - de tão formosas
Finas, leves, deslumbrantes, perfumadas
Que as belezas do Mundo, despeitadas
Acabam ficando invejosas
Face a tanta formosura
Das mais belas destas rosas
Que encantam os mortais
E até despertam a ternura
Com que os poetas normais
Perante a beleza pura
Compõem seus madrigais

*

JVerdasca

 



 

AINDA RESTA O ENCANTO...

Sofri na vida percalços e traições.
Até mesmo dos "amigos" mais fiéis,
Os desgostos foram assim tão cruéis,
Quão fortes haviam sido as ilusões.
 
Mas nem por isso mudei as intenções
E mantive intocáveis os papéis,
Para provar a todos os infiéis,
Que os fortes sempre enfrentam os anões.

Por isso, meus irmãos de sofrimento,
Sobre a Terra há sempre que enfrentar
A traição, o rancor e a maldade.

Para hoje e em qualquer momento,
Os falsos e os traidores derrotar
E, orgulhoso andar pela cidade!

 

Resposta à série de sonetos DESENCANTO de Lenya Terra

 

 



S   A   L   M   O

                                                                                                   (Momento de reflexão)

 

Caminhante, para quem o caminhar é penoso
Não receies, nada temas, a Vida é feita de dilemas
Vai sempre em frente, pois todo o caminho é pedregoso
Teu dever consiste em prosseguir, sem hesitações de medroso
Segue sempre o teu destino, não pares, afinal a tua estrada é reta
E esse teu destino - objetivo de todo o caminhante - é muito honroso
O nosso fado consiste em caminhar  -   tanto à luz do Sol como ao luar
Não te esqueças que cada um de nós tem uma missão - que é a sua meta
Missão essa que apenas termina quando chegarmos ao nosso objetivo
Para tanto, não podes desistir, jamais admitas tornar-te um fugitivo
Mesmo que muitas vezes caias, para outras tantas te  levantar
Qual Cristo com a Sua cruz, subindo o caminho do Calvário
Esse foi o bom exemplo, que a ti também compete dar
Enquanto tiveres forças para te levantar e caminhar
A nossa Vida é feita de prazer e muito sofrimento
E temos que a enfrentar a todo o momento
Afinal, como o bem, também o mal
É um atributo do Ser racional.

 

 
                           
NATAL  FRATERNO

 

Neste Natal

        Vamos  reforçar  a  nossa  União
        E vamos trabalhar honestamente
        Vamos olhar apenas para a frente
        E  vamos  moralizar  esta  Nação

                      Vamos praticar a FRATERNIDADE
                      E  vamos  repartir  nossas  riquezas
                      Vamos trocar os sonhos por certezas
                      Para que todos tenham LIBERDADE

                                  Só assim o Natal deixará de ser
                                  Oásis de ilusão da Humanidade
                                  Onde imperam o ter e o parecer

                                               Para  ser  o  berço  da  igualdade
                                               Perante a Lei que deverá proteger
                                               O  nosso  direito  à   DIGNIDADE

São Paulo, Natal de 2007

BOAS FESTAS

José Verdasca

 




 

A   L U Í S   de   C A M Õ E S

Foi gigante tua humana dimensão
A maior entre a gente portuguesa
Que  elevaste  com  tua  nobreza
Servida  por  um  fidalgo  coração

                    Tuas líricas são obra de eleição
                    Teus sonetos de singular beleza
                    Tua  vida  teve aquela  grandeza
                    Que dedicaste à Pátria e á Nação

                                        Por estas muito fizeste e sofreste
                                        Quanta dor, injustiça e ingratidão
                                        Em tua vida pobre e amargurada

                                                            Para  te finares  tal qual  viveste
                                                            À  Pátria te imolando em doação
                                                            Honrando-a com pena e a espada

                                                                                JVerdasca

 


                                                

ALVORADA   dos   SENTIDOS 

Alvorada dos Sentidos
   Da carne e dias sofridos
      Que abusam da nossa mente
          Mas fazem uma alvorada
              Que nos desperta calada
                  P`ra adormecer novamente

                     Alvorada dos Sentidos
                        A despertar os perdidos
                           Em noites de Lua Cheia
                               Para reviver seus feitos
                                  E fazer sofrer seus peitos
                                     Onde o coração se enleia

                                        Alvorada dos Sentidos
                                           De sentimentos feridos
                                              Dos poetas mais humanos
                                                 Regressa  ao  teu  Paraízo
                                                    Onde ninguêm tem juízo
                                                      Onde não há desenganos

 

SPaulo,31/12/07
JVerdasca

 





 

O  NATAL  UNIVERSAL

Acordei ao som do "Cântico dos Cânticos", flutuando no Espaço Infinito, de onde tinha uma visão privilegiada da crosta terrestre; e, lá bem do Alto, enxerguei os cristãos em suas igrejas, cantando e os sinos bimbalhando, ao lado dos árabes de brancas vestes orando em suas mesquitas, junto aos judeus em suas sinagogas, e todos rodeados de budistas, taoistas, hinduistas, enfim, de crentes de todas as crenças, e de ateus de todas as "descrenças", de "agnósticos" de todas as "gnoses", uma vez que todos eram - e são - Seres Humanos inseguros e carentes, impuros e crentes, imaturos e inteligentes, obscuros e eminentes, presentes e ausentes, prova provada de que - finalmente - não ignoramos que TODOS NÓS SOMOS, simultaneamente, IGUAIS e DIFERENTES.
 
Enquanto FESTA-SÍMBOLO da FAMÍLIA e da PAZ, da CONCÓRDIA e da BEM-QUERENÇA, da HARMONIA e do EQUILÍBRIO, da LIBERDADE-DIGNA ou DIGNIDADE com LIBERDADE, da IGUALDADE perante a LEI, da FRATERNIDADE na CAMARADAGEM, do RESPEITO ao semelhante, do usufruto dos DIREITOS de CIDADANIA e da consequente RETRIBUIÇÃO com os DEVERES do CIDADÃO, numa permanente, constante e efetiva TROCA entre o CIDADÃO e a SOCIEDADE, num DAR e RECEBER retributivo entre COMPANHEIROS da mesma comunidade, entre MEMBROS da mesma FAMÍLIA, entre SÓCIOS da mesma SOCIEDADE.
 
Quem fez a guerra sabe que ela é um fenómeno irracional, uma brutalidade animal, uma violência da demência, um caminho sem meta, uma acção sem solução, uma atitude sem raciocínio, uma consequência da inconsciência, mas também, e ainda, a GUERRA sempre foi, é e será, um repugnante jogo de interesses, um incontrolável impulso dos piores sentimentos, fruto de inferiores instintos e nos piores momentos. Por isso devemos promover o SENTIMENTO NATALINO, o IDEAL de VIDA em FAMÍLIA, em PAZ e com TRABALHO, em SOCIEDADE mas com JUSTIÇA, em COMUNIDADE e com DIGNIDADE.

Comunguem deste IDEAL, e tenham um FELIZ e SANTO NATAL.

JVerdasca

 

 

 

PRIMAVERA / OUTONO

 
Ao Sul chega a Primavera
   E o Outono vem p`ro Norte
      Com temperaturas diferentes
         Ambas são sonho e quimera
            Uma  é  Vida  outra  é morte
               Os extremos  dos  viventes
 
                     A  Primavera  é  risonha
                        Cheia  de  luz  e  alegria
                           Como a criança a nascer
                              Mas com a cara tristonha
                                 E  temperatura  mais  fria
                                    O Outono faz entristecer
 
                                          Dois ciclos, duas estações
                                             A  primeira  traz  as  flores
                                                E a segunda leva as folhas
                                                   É  infância  das  ilusões
                                                      E decadência dos amores
                                                         São as garrafas sem rolhas
 
                                                               A  Primavera  traz  Vida 
                                                                  Com folhas flores e frutos
                                                                     Que  o  Sol  amadurece
                                                                        O Outono vem com frio
                                                                           É mais escuro e doentio
                                                                              E  a  Vida  nele  fenece
 
                                                                                    A Primavera e o Outono
                                                                                       Parecem terra sem dono
                                                                                          Estão em lados opostos
                                                                                             Uma é quente outra fria
                                                                                                Uma  noite  outra  dia
                                                                                                   São de Juno os dois rostos
 
                                   São Paulo, 27/Set/2007
                               José Verdasca 

 

A   S A U D A D E

 
Sentimento agri-doce, a saudade é a revivência do passado no presente, sempre gratificante mas por vezes dolorosa, como no caso da flor - e desta palavra doce - que sempre traz amargor - saudade é como se fosse - o espinho beijando a flor.
 
Saudade tenho saudade
   De quando nem suspeitava
      Que viria a sentir saudade 
         Da vida que então levava
 
               E p`ra não sentir saudade
                  Do tempo que já passou
                     Vou  voltar  à  mocidade
                        Para ser o que já não sou
 
                              Saudade é a recordação
                                 De  uma  feliz  juventude
                                    É o passado e a ilusão
                                       Apenas p`ra quem se ilude
 
                                             A saudade é como sentir
                                                Um  aperto  no  coração
                                                   Quando nós vemos emergir
                                                      Os  tempos  que  já  lá  vão
 
                                                            A saudade é um sentimento
                                                               Repleto  de  contradições
                                                                  Que chega a dar-nos alento
                                                                     P´ra  repetir  as  ilusões
 
                                                                           Só sabe o que é saudade
                                                                              Quem tem algo a recordar
                                                                                 Quem  tem  sensibilidade
                                                                                    E  viu  a  Vida  a  passar
 
                                                                                          Quem jamais sentiu saudade
                                                                                             Dos  tempos  que  já  viveu
                                                                                                Nunca  teve  mocidade     
                                                                                                   Não foi feliz e nem sofreu
 
                                                                                                         Saudade é a contradição
                                                                                                            Que traz sofrimento e prazer
                                                                                                                Faz chorar nosso coração
                                                                                                                   Mas que também nos faz viver
 
                                                                                                                         A  saudade  é  portuguesa
                                                                                                                             E um sentir bem lusitano
                                                                                                                               Espécie  de  vela  acesa
                                                                                                                                   Entra  ano  e  sai  ano
 
                                                                                                                                                             JVerdasca

 

Semana da Pátria

 

Eis aqui três expatriados

 

CAMÕES,  Sto  ANTÔNIO  e  PESSOA

                                 (Trindade de gigantes do Verbo, a celebrar na Semana da Pátria)

 

 

CAMÕES,  a  PÁTRIA,  e  a  LÍNGUA

Luís Vaz de Camões – ou, simplesmente, Camões – simboliza, para Portugal, o que Homero significa para a antiga civilização grega, Virgílio para a cultura romana, ou Goethe para a moderna literatura alemã, uma vez  que todos personificam  o que há de mais elevado, na arte literária das respectivas Pátrias e ou civilizações; as suas magníficas obras – criação desses gênios da língua e da literatura - engrandeceram sobremaneira as culturas local e universal, e a tal ponto, que se tornaram a sua referência maior; particularmente, a vasta, bela, e rica obra do nosso poeta maior, tanto se identificou com a língua pátria, que esta, hoje, é - pura e simplesmente - conhecida como Língua de Camões.

Como soe acontecer com os seres intelectualmente melhor dotados, mesmo iluminados – de que Jesus Cristo é o exemplo maior – também Camões foi objeto de despeito, alvo do ciúme, vítima da inveja, instrumento da vingança, talvez porque os seres moralmente inferiores – vingativos, medíocres, incapazes, e mesquinhos - jamais tiveram digna humildade para suportar, e ou conviver, com a aura do gênio, com o brilho do talento, com a pureza da dignidade, ou mesmo com o prestígio da verdadeira coragem, especialmente quando natural, altruísta, desprendida, desinteressada.

Expressão viva da língua e da cultura lusíadas, intérprete dos Descobrimentos renascentistas, e apologista das virtudes pátrias, Camões legou-nos uma obra essencialmente poética – lírica e épica – cuja inigualável harmonia, equilibrada estética formal, e sólida estrutura verbal, jamais foram igualadas, apesar das muitas imitações e tentativas levadas a efeito, com tal finalidade. Dessa obra, sobressaem naturalmente “Os Lusíadas”, expoente maior da poesia épica do Renascimento – talvez mundial – se bem que a sua poesia lírica (redondilhas, sonetos, canções, elegias, éclogas, odes, oitavas, e sextina) nos transmita, com amor e paixão, todo o sentimentalismo camoneano, e seja de incomparável beleza e insuperável riqueza, portanto capaz de despertar as mais nobres reações, as mais fortes sensações, e as mais elevadas emoções. Senão, vejamos: Nunca o prazer se conhece, senão depois da tormenta; tão pouco o bem permanece, que, se o descanso florece, logo o trabalho arrebenta....Menina fermosa e crua – bem sei eu – quem deixará de ser seu – se vos quiséreis ser sua.

Deixou-nos o vate, ainda, três autos – comédias - (Anfitriões ou Enfatriões, El-rei Seleuco, e Filodemo), a marcar  presença na dramaturgia, e a reviver e recriar mentalmente a sua rica experiência no “teatro da vida”, que magistralmente transplantou para o papel, e para o palco, como que a provar que – para além da delicada sensibilidade, do inspirado talento criativo, e da arte de conjugar com harmonia sons e ritmos – os grandes poetas  possuem aguçado espírito crítico, analítico, e de observação.

Barbirruivo – de acordo com a descrição de sua figura à época do embarque para a Índia – Luís de Camões  era de estatura mediana, forte, de nariz comprido e curvo, e, depois que no Norte de Àfrica perdera o olho direito, de fronte sombria e de certa fealdade, devido à deformidade resultante do vazamento do globo ocular. E teria sido essa fealdade do ferimento recebido, a causa da grande mudança operada em seu comportamento, que, de um galante frequentador do paço, o tornou assíduo da libertina boemia lisboeta, onde poetava para as infelizes “damas de aluguel” do “Mal Cozinhado”.                Talvez para elas, Camões escreveu: Uma diz que me quer bem – Outra jura que mo quer­ – Mas, em jura de mulher – Quem crerá, se elas não crêem? – Não posso não crer a Helena – A Maria, nem Joana – Mas não sei qual mais me engana. 

Nascido talvez em 1525, provavelmente em Lisboa, Camões terá passado parte da adolescência no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde deve ter tido como perceptor e protector  o prior seu tio, cónego D. Bento; ali recebeu a vasta cultura clássica - mesmo erudição – patenteada em “Os Lusíadas”; há  quem admita a hipótese de o vate ter, de algum modo, frequentado a Universidade de Coimbra, ao tempo (1539 a 1542) em que D. Bento ali exerceu as funções de cancelário ou chanceler. Do que não restam dúvidas, é que regressou a Lisboa com bom conhecimento dos clássicos. Então com mais de cem mil habitantes, Lisboa, cidade rica e cosmopolita, fervilhava de estrangeiros, atraídos pelos negócios das especiarias, a cujos lucros a corte devia o seu fausto, o seu luxo, e as suas constantes festas; na altura, Luís Vaz foi assíduo freqüentador dos famosos Serões do Paço, nos quais brilhou com sua poesia, deu largas à sua fogosa juventude, e, decerto, namorou e se apaixonou. Desses namoros e paixões, iriam resultar inimigos, desenganos, dissabores, e desilusões. Talvez recordando-os, Camões tenha escrito os belíssimos versos: Amor é um fogo que arde sem se ver – É ferida que dói e não se sente – É um contentamento descontente – É dor que desatina, sem doer.

Erros meus, má fortuna, amor ardente – eis (em um de seus versos), os condimentos que, possivelmente associados aos ciúmes de outros jovens freqüentadores dos Serões, ou até mesmo à decisão da família de uma apaixonada de elevada posição social, determinaram o seu primeiro exílio no Ribatejo – talvez em Santarém – o que lhe proporcionou viajar até Abrantes, com estadia em Constância, onde o rio Zêzere enriquece, com seu caudal, as tranquílas águas do Tejo, e onde ainda se conserva uma modesta casa, que  teria albergado o irrequieto e jovem poeta desterrado. Por essa altura, os mancebos cavaleiros fidalgos, estavam sujeitos a servir dois anos nas praças do Marrocos; assim, como serviço militar obrigatório, ou até mesmo como novo exílio disfarçado, Camões segue, aos vinte e três anos de idade, para o Norte de África, de onde regressou provavelmente em 1550, sem o olho direito, perdido em combate perto de Ceuta. Desde então, Luís Vaz jamais seria o mesmo, altura em que passou a freqüentar lugares de má fama, e em más companhias.Aos vinte e cinco anos tornou-se irritadiço, arruaceiro, anti-social. Era quase um velho. Ele próprio assim se descreve: Tanto de meu estado me acho incerto – Que, em vivo ardor, tremendo estou de frio – Sem causa, juntamente, choro e rio – O mundo todo abarco, e nada aperto.

Pobre, malquerido, e cego de um olho, já com fama de desordeiro, alcunhado Trincafortes, Camões acabou fazendo muitos inimigos; invejado pelos jovens cortesãos, ninguém terá valido a Luís Vaz, quando -  no dia 16 de Junho de 1552, durante a procissão do Corpo de Deus – o poeta enfrentou três adversários, puxou da espada, e feriu na nuca Gonçalo Borges, moço da estrebaria real. Imediatamente encarcerado na Prisão do Tronco (situada em um pátio interior ainda existente, quase em frente ao Coliseu dos Recreios, na baixa lisboeta), lá permaneceu até que, através de uma carta de perdão de sete de Março de 1553, o rei o mandou soltar, após mais de oito meses de clausura. Eis, talvez dessa época: Passo por meus trabalhos tão isento – De sentimento grande, nem pequeno – Que só pola vontade com que peno – Me fica amor devendo mais tormento.                                                                     

Entretanto, a ordem de soltura a favor de Camões impunha-lhe o embarque imediato para a Índia, cumprindo como que um degredo; logo seguiu para o Oriente na nau S. Bento – ironia do destino, a nau tem o mesmo nome do cônego seu tio e protetor – lá tendo permanecido quase dezassete longos e penosos anos, durante os quais foi bafejado pela inspiração, a que todos nós ficamos devendo o poema maior do poeta, e da língua, que são “Os Lusíadas”. Das agruras por que passou no Oriente, diremos apenas que, até mesmo a prisão enfrentou de novo; e foi nessa prisão que posou para o único retrato feito em sua vida; nele, é apresentado no interior de uma cela, em Goa, sentado a uma mesa, sobre a qual se encontra uma folha do poema. Eis seu lamento: Amor fero, cruel, fortuna dura – Bem tendes vossa força experimentada – Assolai, destruí, não fique nada – Vingai-vos desta vida, qu’inda dura.

De Goa – talvez em 1567 ou 68 - Luís Vaz foi para Moçambique, onde o escritor seu amigo Diogo do Couto o foi encontrar,  em 1569 “tão pobre que comia de amigos, e para se embarcar para o reino, lhe ajuntamos, os amigos, toda a roupa que houve mister, e não faltou quem lhe desse de comer...”. Na ilha de Moçambique o embarcaram para Portugal, a bordo da nau Santa Clara, que lançou âncora em frente a Cascais a sete de Abril de 1570. Aos cincoenta e cinco anos de idade, Luís Vaz de Camões era um velho alquebrado, doente, pobre, e desiludido; apenas a glória que o aguardava, seria a réstia de Sol de uma vida atormentada. Eis seu lamento: Oh como se alonga de ano em ano – A  peregrinação cansada minha – Como se encurta, e como ao fim caminha – Este meu breve e vão discurso humano.

Lisboa – a capital do reino, onde grassava uma epidemia de peste, de que o poeta acabaria falecendo – era, à sua chegada, uma sombra do que tinha sido: despovoada, pobre, e miserável, não lhe podia dar bom acolhimento. Apesar de tudo, em vinte e quatro de Setembro de 1571, obteve alvará de privilégio para a impressão de “Os Lusíadas”, impressos pela primeira vez em 1572, em casa de Antônio Gonçalvez, Impressor. A capa era encimada por uma águia, com a cabeça voltada para a esquerda. Mais tarde, surgiria uma falsa primeira edição, reconhecível por ter a águia a cabeça voltada para a direita.

Do monarca, logo teve o seu merecimento alguma recompensa, através do alvará de 27 de Julho de 1572, que lhe concedia uma tença (pensão) de quinze mil réis, e por três anos, mas tal reconhecimento foi mais aos feitos da Índia, que à sua obra. E o valor da pensão - relativamente modesta – não desmerecia a distinção honrosa. Dela viveu Camões e seu fiel servidor Antônio, vindo com ele da Índia, e que, segundo a tradição, chegou a pedir esmola para auxiliar seu amo. Mas a vida de Camões – como a de Portugal independente – ia chegando ao fim.  Foi a 10 de Junho de 1580 - dia sempre celebrado - que Luís Vaz deixou de respirar, abandonando o mundo dos vivos, para entrar na história. Se dele muito ignoramos, até mesmo a data de nascimento, passamos a honrar a sua memória comemorando a data em que faleceu, à semelhança de Santo Antônio de Lisboa, falecido a 13 do mesmo mês de Junho, mas três séculos e meio antes, precisamente em 1232.

Morro com a Pátria – teriam sido suas últimas palavras – quando, pressentindo a sua, adivinhava também a morte da Nação - ou perda da independência - que na realidade via aproximar-se, consequência natural da aventura africana de D. Sebastião, que nas escaldantes areias de Alcácer Quibir, levara ao desastre as armas portuguesas, quando a fina flor das elites lusas caíu por terra, e, com ela, pasme-se – além da independência nacional, vários milhares de guitarras – como se os combatentes tivessem ido para uma serenata!. E, por não ter sido convenientemente absorvida a histórica lição, acabou o retorno sendo mais um desastre, apesar dos avisos de Camões, através do Velho do Restelo!. Repare-se nos versos dedicados a um amigo, que bem se lhe aplicam: No mundo poucos anos, e cansados – Vivi, cheios de vil miséria dura – Foi-me tão cedo a luz do dia escura – Que não vi cinco lustros acabados.

Durante sessenta anos (1580-1640), foram “Os Lusíadas” a Bíblia dos patriotas ou nacionalistas, a manter acesa a luz do ideal de independência, que acabaria por chegar em 1640.  Hoje – nestes conturbados tempos, em que outros modelos de domínio derrubam a essência da independência - o novo e desejado Camões pode, muito bem, ser personificado pelos portugueses da Diáspora e pelas Forças Armadas, sem dúvida alguma a reserva moral da Nação.

 

                    AO  CAVALEIRO  FIDALGO  LUÍS  VAZ  de  CAMÕES

 

Camões, nobre Camões, que  grandeza

Revelas  nos  teus  versos  de  eleição

Quando neles,  com  alma   e  coração

Cantas  a  gente  ilustre  portuguesa

 

                            Camões, triste Camões, que subtileza

                            Se esconde em tua obra de excepção

                            Carpindo a morte,  exaltas  a  nação 

                            Que ao mundo revelou tanta beleza

 

                                                       Co’a Pátria, e por ela  sofreste

                                                       Muita dor, injustiça, humilhação

                                                       Vida triste,  pobre e amargurada

 

                                                                                  Para  morrer  tal  qual  viveste

                                                                                  Guerreiro,  em  completa  doação

                                                                                  Nas mãos alternando a  pena e a espada

 

 

 


Desenho de H. Mourato

 

Luís Vaz de Camões-Séc. XVI (1524?1525?-10/06/1580)

 

A família galega CAAMANOS ou CAAMÖNES (do topónimo de mesmo nome) transferiu-se para Portugal dois ou três séculos antes do nascimento do Vate (1524?, 1525?), e, durante esse periodo, deu ao reino poetas e marinheiros, tendo-se espalhado por Lisboa, Alenquer, Santarém, Constância, talvez Eztremoz); nobres e pobres (pelo menos os pais do herói), nada nos permitiria admitir ou acreditar tivesse Luís Vaz de Camões instrução superior, não fosse a existência de um seu tio D. Bento, frei no Mosteiro de Santa Cruz de Coímbra e Cancelário (chanceler?) da Universidade, que acolheu o sobrinho, propiciando-lhe o acesso aos livros e decerto às aulas, onde absorveu a elevada cultura revelada na sua obra. A Lisboa de Camões já não seria a mesma de Fernando Martins de Bulhões, quando a sua população teria subido de 10 a 20.000 habitantes para cerca de 100.000, a que a corte daria outros ares e outro formato, com seus saraus, suas recepções a embaixadores estrangeiros, quando o porto quase sempre se encontrava repleto de navios de todos o tipos, tamanhos e nacionalidades, carregando ou descarregando as especiarias das Índias e outros produtos, naquela que era, então, a capital mais movimentada e cosmopolita da Europa, quiçá do Mundo. Por esse motivo, a capital de Portugal recebia a visita e a influência do estão mundo civilizado, quando nas estreitas, sinuosas, sujas e húmidas ruas se viam os mais estranhos trajes e se ouviam os mais variados iidiomas. Foi ali que Luís Vaz regressou, vindo da Lusa Atenas, ao final de sua permanência de poucos anos, e ainda no fim de sua adolescência. Rapaz brilhante, irrequieto, ousado e ilustrado, estava-lhe reservada uma agitada e movimentada vida e uma não menos ousada obra.

 

 

***

 

 


Quadro de Henrique Tigo

 

Santo Antônio-Séc. XII-XIII (15/08/1195-13/06/1231)

 

 

À semelhança de D. Afonso Henriques=filho de Henrique, Martins=filho de Martim, nome do médico, pai do taumaturgo.

Fernando Martim(ins) de Bulhões, depois o franciscano frei António, que deu o nome a Santo António dos Olivais (Coímbra), onde se encontrava o eremitério onde Fernando se recolheu depois que trocou o hábito de Santo Agostinho pelo de burel castanho dos seguidores de São Francisco de Assis. Nascido em frente (ou ao lado) da Sé de Lisboa, a 15 de Agosto de 1195 (reinava D. Sancho I, filho de D. Afonso Henriques e 2º rei de Portugal), em plena Idade Média, e quando a instrução e cultura se tinha refugiado nos templos, natural foi que o menino frequentasse a escola da Sé Catedral para lá aprender as primeiras letras. Ali, decerto também foi coroínha e ou auxiliar dos religiosos nos serviços litúrgicos, tomando o hábito e o gosto pela carreira religiosa. Da escola catedral e feito o aprendizado primário, Fernando passou ao Mosteiro de São Vicente de Fora (cerca das muralhas de Lisboa), local onde os alunos - noviços ou não - frequentavam os estudos equivalentes ao nosso secundário - já incluídos o trivium (dialética, retórica, gramática, as então consideradas três artes liberais), além de outros. Os estudos superiores seriam efetuados no Mosteiro de Santa Cruz de Coímbra (na realidade já de nível universitário, obra de D. Afonso Henriques), onde ao quadrívium (geometria, aritmética, astronomia e música, as quatro artes matemáticas) e às línguas e cultura clássicas se acrescentavam os cânones e - já então - rudimentos de medicina, o que levou, mais tarde, o nosso compatriora a lecionar na primeira faculdade de medicina do mundo, em Montpellier, Sul da França. Interessante notar que - muito antes da fundação dos Estudos Gerais em Lisboa (1290) depois Universidade de Coímbra - já Portugal dispunha de estudos superiores, o que teria facilitado o caminho dos Descobrimentos.

 

 

 


Quadro de Celito Medeiros

 

 

Fernando Pessoa-Séc. XIX-XX (13/06/1888-30/11/1935)

 

O nosso maior poeta contemporâneo (ou quase), como soe acontecer a muitos espíritos superiores - e em parte à semelhança de Camões - só foi devidamente reconhecido após seu passamento, e, como os seus companheiros aqui celebrados depois da lei da morte lbertado, porquanto, ainda como eles, foi perenizado por sua obra superior e sublime, permanecendo, desta arte, entre nós através da sua poesia, das suas idéias, da herança que nos legou. Ao contrário do que acontece em relação a Santo António e a Luís Vaz de Camões, de Fernando Pessoa sabemos quase tudo acerca de sua infância e adolescência, esta já coroada de êxito por ter sido premiado na África do Sul, onde por algum tempo residiu, e começou a "poetar" em inglês, idioma que dominava em absoluto. Criador de poesia, construtor de poemas, idealizador de conceitos estético-poéticos, inventor de poetas (heterônimos), Fernando Pessoa foi - ainda e principalmente - um filósofo-poeta ou poeta-filósofo, que tão superiormente soube fazer da poesia um livro aberto de psicologia e ou antropologia, pois que era mestre nas ciências do Homem, que tratava por tu, dissecava espiritualmente como um dos melhores cirurgiões da alma humana, que profundamente conhecia. Talvez por isso Feranando Pessoa tenha "produzido" uma poesia tão original e simultâneamente tão simples, porque acessível e a todos compreensível, sem malabarismos modernistas, sem artifícios futuristas, antes de uma riqueza estética talvez inigualável. É certo que teve seus pecadilhos, suas quimeras seus sonhos, seus vícios seus empecilhos, com cachaça de medronhos.

 

Santo António de Lisboa         Santo António de Lisboa        Santo António de Lisboa

     Meu santo casamenteiro         Muitos  milagres  fizeste          O pregador das multidões

          Casa os jóvens numa boa        Só não casaste o Pessoa          Se não casaste o Pessoa

               E eu quero ser o primeiro          Aquele solteirão da peste          O mesmo fizeste ao Camões

 

                                                            JVerdasca

 

 

 

*José Verdasca – da Academia Cristã de Letras (Brasil), da Sociedade de Geografia de Lisboa,

e do Parlamento Mundial Para Segurança e Paz (Itália).                                                                    

(Nota: Estes textos foram enviados a e difundidos em primeira mão por www.portugalclub.org )

 

          

       N  A  S  C  E  U     a   P   O   E   S   I   A

 
           Olhando o pôr do Sol nos Andes Peruanos
              Assisti ao mais belo e telúrico acontecimento
                 Quando, sobrepostas, as cores do Firmamento
                    Se  elevaram muito acima da Vida e dos humanos
 
                          Era a Natureza, que jamais nos traz desenganos
                              Revelando todo o seu encanto e deslumbramento
                                A um humano que naquele lugar e exacto momento
                                   Subiu além da morte, de místicos, crentes e profanos
 
                                         E quando, pelo facto embriagado, senti o que acontecia
                                             Meu corpo vibrou, e minha alma, semelhante ao furacão
                                               Transformou-se no instante em que a noite se tornou dia
 
                                                       E de tal modo se transfigurou e exaltou, que só então
                                                         Pela primeira vez vivi tal euforia, e senti nascer a poesia
                                                             Que ali mesmo, como a uma criança, me estendeu a mão
 



 

Da Varanda Vejo o Infinito
 
Desta Varanda, com meus olhos vejo o horizonte
   Mas minha alma enxerga mais além, o eterno Infinito
      Com seus fenómenos etéreos, albergue dos bons fluidos
         Que nos vêm dos ancestrais, da Lua, do Sol, do Céu e do Mar
            Para nos ensinar a viver, estar e Ser, para que possamos amar
               
            Desta Varanda vejo os bons Espíritos, artistas, poetas e estetas
         Fecho os olhos e viajo em pensamento, muito mais leve que o vento
      Vou onde me leva a imaginação, e, sem barreiras, livre solto a paixão
   Pois lá encontro o grande companheiro que é mais que meu irmão
Que me acolhe, dá lições de Vida que aqui não consigo encontrar

 

 

 

 

Fragrâncias  e Odores          

 

Sou um animal bravio

   Comandado por odores

      Por impulsos instintivos

        É bem curto o meu pavio

           E quando estou de amores

               Sigo instintos impulsivos

 

                    Sou um animal bravio

                      Encantado por odores

                         E só sei viver no campo

                            Ali quem manda é o cio

                               Que brota como as flores

                                 Perfume em frasco sem tampo

 

                                       Sou um animal bravio

                                          Perturbado por odores

                                            De vegetais ou animais

                                               Sempre sinto um arrepio

                                                  Se os odores dos amores

                                                     Me pedem seus madrigais

 

                                                          Sou um animal bravio

                                                             Com um fraco por odores

                                                                Cheiros do mundo e da Vida

                                                                    Para as aves é um pio

                                                                      Para quem pare são dores

                                                                            De uma vida sofrida

 

JVerdasca

 

 

CELEBRANDO a PRIMAVERA

 

Se surgisse uma brisa redentora
Soprando dignidade de mansinho
Com o sol ainda mais devagarinho
Brilhando na esperança sonhadora

Se o Homem se tornasse um racional
Inocente que nem um passarinho
Para a seus irmãos tratar com carinho
Como de um igual para outro igual

Se o mundo não mais que de repente
Por um milagre ou divina inspiração
Nos trouxesse paz, saúde, muito amor

Então devíamos, alegremente
A Primavera cantar com devoção
E Bem alto agradecer ao CRIADOR

 

São Paulo, 22 de setembro de 2006
José Verdasca dos Santos

m

 

 

 

 

P R I M A V E R A 

Acordei com uma arara chilreando
    Mal despontava o dia em meu quintal
         Madrugada chuvosa, fresca e outonal
              Tive a sensação que estava sonhando
                   Porque, neste manhoso clima tropical
                        O Outono chega-nos como em Portugal
 
                                  É nesta altura que o clima se nivela
                                       Embora seguindo opostos caminhos
                                            Que alimentam nosso sonho ou quimera
                                                 Aqui recordamos Cabral e sua caravela
                                                       Que deixou em Portugal os passarinhos
                                                            Para encontrar o Outono na sua Primavera

***

Modinha da Varanda

 
Oh varanda, varandinha, vamos todos varandar
          Com um bailinho da Madeira para o Evónio alegrar
                 Afinal é lá na ilha que as estrelícias das varandas
                           Chamam à terra turistas com as suas propagandas
                           Inspiram os seus poetas e lançam no ar seus odores
                 Que enleiam os namorados e fundem os seus amores
        Para depois de casados darem seus frutos e flores
E depois, eternamente curtirem os seus sabores
    E juntos - é natural - suportarem suas dores

 

NOBRE FALA

Nobre fala, veneranda e bela
Fruto  de  várias  civilizações
Que aportou a todos os rincões
Com  a  Lusitana  Caravela
 
          Idioma sublime em que Camões
          Se  consagrou  poeta  imortal
          E  Vieira,  orador  sem  igual,
          Se eternizou com os seus sermões
 
                    Ouvida nos cinco continentes
                    Por todos os povos deste Mundo
                    É por isso uma Língua Universal
 
                              Elo  d’ união  entre  viventes
                              Nasceu com um ideal profundo
                              Onde ela aporta, AÍ É PORTUGAL
 
                                                                        JVerdasca


 

De: JVerdasca To: Varandistas

 
Pensas que penso que pensas
     Que  eu  penso  que  te  perdi
          Mas eu só penso que pensas
               Que eu vivo pensando em ti
 
               Se pensasse que pensavas
          Que eu penso apenas em ti
     Pensava que não estavas
Pensando que eu te perdi
 
A  pensar  me entristeci
     Pensando que te esqueceste
          De  pensar  no  que  eu  sofri
               Pensando que me esqueceste
 
               E  pensando  no  teu  pensar
          Quando pensas que só penso
     Que pensas deixar de me amar
Eu penso que t`amo imenso

Terceiro Aniversário da Varanda

 
Abençoado, o nascimento da Varanda
   Que em três anos ganhou celebridade
      Mercê de muito trabalho e mais talento
         O mérito não será só de quem comanda
            Mas também da excelente qualidade
               Dos varandistas aos quais cumprimento
 
                     Prosa, poesia e arte, enfim beleza
                        Que à inteligência agrada e encanta
                           Até porque dela é uma filha natural
                              Cultura e erudição com a subtileza 
                                 Que aos varandistas dá graça tanta
                                    Como a maior graça que há em Portugal
                                   
                                          Como eu gostaria de ser poeta nesta hora
                                             E poder juntar à dela a minha poesia
                                                Ou mesmo um naco de prosa terna e bela
                                                   Mas não o sendo posso ir-me embora
                                                      Sempre contando com a nobre fidalguia
                                                         Dessa Varanda que nos doa o que é só dela.
 
Joaquim, antecipadamente cumprimento-te por tudo que vens fazendo pelos varandistas.
                                               Sinceramente, José Verdasca  

 

VARANDA

Essa varanda tão bela
                É de tanto encantamento
                     E de tão grande distinção
                               Que o simples estar nela
                                                  Mesmo que por um momento
                                                 Vale uma condecoração

                                E com esta digo t`chau
                                            Em dia fresco e chuvoso
                                                Deste Verão paulistano
                                                          Para atravessar a vau
                                                                A Rua Eusébio Matoso
                                                                                Com um amigo franciscano


Foto de Ricardo Zerrenner

SAUDANDO a PRIMAVERA
(21 de Setembro, Primavera no Hemisfério Sul)

Foto de Ricardo Zerrenner



Chegaram os passarinhos, para arquitetar seus ninhos; dos campos brotam flores, como nos corações nascem amores; no ar aspiramos suaves odores, obra das flores, que dão frutos, de maravilhosos sabores; com a renovação da Vida, cresce a esperança na mudança, que garanta o futuro da criança; há que construir o futuro, e isso não se faz em cima do muro; aliás, o futuro é AGORA, e onde você mora, e seu filho chora; a nossa Vida carece de guarida, com um mínimo de comida para o corpo, e alimento puro para o Espírito.

Vamos sem demora, pois a Primavera é AGORA, até porque chegou a hora; e, porque é Primavera, há que realizar o sonho, chega de quimera; e a esperança de mudança, começa pelos humanos, que nos vêm provocando tantos desenganos; assim, nesta Primavera, vamos acabar com os homem-fera;
o Sol nasce para a Humanidade, e esta rima com Fraternidade, com Dignidade e ainda com igualdade de oportunidade; a Justiça vem do Direito, e para tudo há um jeito; e a solução - meu irmão - é tomar as "coisas" a peito; e, olha que isso não constitui nenhum defeito.

 

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

 

Completam-se, neste dia 7 de Setembro, 184 anos sobre o chamado Grito do Ipiranga - atribuído ao então Príncipe Herdeiro do trono português, e Regente do Brasil D. Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon - data comemorada como o Dia da Independência do Brasil.

Nascido na sala D. Quixote do Palácio de Queluz a 12 de Outubro de 1798, D. Pedro estava predestinado para ser o primeiro e único príncipe de potência colonizadora a declarar a independência dos colonizados, e a assumir o seu governo como Imperador, com o título de Pedro I para, mais tarde, vir a ocupar o trono de Portugal, agora como Pedro IV e seu vigésimo sétimo rei.

Jóvem agitado e rebelde, voluntarioso e decidido, aventureiro e patriota, D. Pedro teve vida curta - faleceu no mesmo quarto em que nascera, em 24 de Setembro de 1834, contando, portanto 36 anos incompletos, a mesma idade com que, 600 anos antes, falecera Santo António de Lisboa - tendo, entretanto, sido pai de 7 filhos havidos da primeira esposa D. Leopoldina, com quem casara aos 18 anos de idade; 1 filha do segundo casamento com a Duquesa Amélia de Leuchtenberg; 5 filhos com a Marquesa de Santos; 1 filho com a francesa Noémi Thierry; 1 filho com a Marquesa de Sorocaba Maria Benedita Bonfim; 1 filho com a uruguaia Maria del Carmen Garcia; 1 filho com a francesa Clémence Saisset; e o último filho, Pedro, com a monja portuguesa Ana Augusta, nascido em 1833.

Mas a independência política deste gigante chamado Brasil, proclamada pelo príncipe português depois Imperador e Rei, ainda aguarda a oportunidade de conceder aos brasileiros uma verdadeira, completa e real independência, em que a igualdade de oportunidades seja efetivamente real; em que o poder político seja exercido em benefício da Nação e não de quem o detem; em que ao exercício da liberdade corresponda a prática da responsabilidade; em que cada direito de todo e qualquer cidadão tenha a contrapartida do dever correspondente; enfim, e por fim, em que todos os poderes sejam exercidos harmoniosamente, compondo um Poder equilibrado e justo, equitativo e humanista, pois só desse modo as sociedades sairão do atoleiro em que se encontram, muitas vezes ao sabor de aventureiros e egocêntricos, de aproveitadores e inescrupulosos, de irresponsáveis e criminosos.

 

A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (II)

 


Dependeu a "Ilha de Vera Cruz" - política, econômica e administrativamente - do Estado Português desde o Achamento pela armada de Cabral em 22 de Abril de 1500 (a Carta-Certidão de Nascimento de Pero Vaz de Caminha está catalogada na Torre do Tombo de Lisboa como Carta do Achamento), durante muito tempo, dado que eram gigantescas as despezas com a construção de naus e caravelas, sua equipagem e manutenção, salários e alimentação de marinheiros e homens de guerra, materiais, sementes e alfaias vindas com os colonizadores, além de muitas outras, não esquecendo que, por vezes, naufragavam mais de metade dos navios, como aconteceu com os comandados por Cabral, dos quais regressaram seis a Portugal.

Só após o aumento da produção de açúcar das capitanias, o Brasil deu algum lucro, com o que passou a desenvolver-se, altura em que surgiram DO NADA cidades como São Salvador da Baía, que ainda no século XVIII era a maior do Novo Mundo; depois, teve o Brasil a honra de se tornar - a partir do Rio de Janeiro - cabeça do Império Português, tendo esta cidade como capital, por ali residir a corte, tendo o rei D. João VI no seu comando. Deste modo, talvez se possa afirmar ter sido esse o início da independência, até porque do Brasil era governado Portugal. Nesse ambiente cresceu o Príncipe português D. Pedro, a criar nele espírito de autonomia, que o teria levado ao famoso Grito do Ipiranga: Independência ou Morte!.

Durante os três primeiros séculos da época histórica desta Nação Continente (1500-1808), foi o seu território sendo colonizado (do latim colonus, de colere=cultivar, desbravar, povoar) por talvez 200.000 migrantes portugueses, além de uns poucos castelhanos, franceses, holandeses e outros, infelizmente com a diminuição dos cerca de 1.200.000 nativos aqui existentes (devido principalmente a doenças, que não ao extermínio, como o praticado no Norte), não esquecendo os talvez mais de 3.000.000 de escravos africanos aqui aportados, principal base da mão de obra que - nesse período - transformou a selva humana e geográfica em um dos grandes Estados do século XIX, quando o Brasil cresceu de quase CINCO para perto de QUATORZE MILHÕES de habitantes, mercê de intensa imigração, só suplantada pela corrida aos Estados Unidos do Norte.

Neste cenário se verificou o grito e o fico, duas decisões desse grande príncipe por vezes tão mal interpretado e pior reconhecido, pois se foi seu pai - o Príncipe Regente D. João, depois rei D. João VI - o grande obreiro do fantástico surto de progresso desta terra (Faculdade de Direito de Olinda, Faculdades de Medicina da Baía e do Rio, Escolas Militares e Navais, de Risco (engenharia) e outras, foi seu filho o aglutinador das forças nacionalistas, com o que promoveu a Independência evitando a guerra fratricida, a destruição homicida e o confronto genocida. E é tal saída que a ele se deve, que devemos comemorar, lição e exemplo para todos os brasileiros, a lembrar a humanista, inteligente e civilizada legenda do símbolo nacional - A BANDEIRA - que, solene e nobremente nos aponta o caminho da ORDEM e PROGRESSO. Que os milhares de candidatos às próximas eleições pensem seriamente nisto.


A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (III)



Entre a chegada ao Brasil da Corte de Portugal - tendo à frente o Príncipe Regente D. João - em 1808, e o Grito da Independência que hoje completa 184 anos, ocorreram factos importantes, como a proclamação de D. João como rei de Portugal em 1816, o seu regresso a Lisboa em Abril de 1821, e o Fico do Principe Regente D. Pedro (Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto, diga ao povo que FICO) a 9 de Janeiro de 1822, mas o Brasil caminhava célere para a separação, pela oportunidade internacional, pela exigência de seu povo e pela vontade de seu Príncipe Regente, nascido português mas de alma tropical.

Como já tinha ocorrido em Minas Gerais - onde a simples presença de D. Pedro acalmou os ânimos - resolveu o Príncipe visitar a Província de São Paulo, então sombra do que hoje é; seguindo a cavalo, escolheu o caminho do Vale do Rio Paraíba (400 km), ponteado de prósperas vilas já com ricas fazendas de café que bem o acolheram, com destaque para Lorena, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí, Mogi das Cruzes e Penha, altura em que chegou a esta última acompanhado por verdadeira multidão de simpatizantes e apoiantes.Entrou em Piratininga (São Paulo) a 25 de Agosto, altura em que os paulistanos o receberam apoteoticamente com fogos de artifício, festas e cerimônias religiosas. Poderia ter dito: cheguei, vi e venci.

Permaneceu D. Pedro 11 dias na capital paulistana, após o que desceu ao porto de Santos, onde residia a família de seu ministro José Bonifácio; dali poderia ter comodamente regressado à Corte de navio, mas - quem sabe se por razões que a razão desconhece - o Príncipe subiu de novo a íngreme serra, até porque em São Paulo tinha ficado uma bela mulher (Domitila, mais tarde, e sintomaticamente, Marquesa de Santos) que havia conhecido dias antes, e que viria a dar-lhe cinco filhos. A meia dúzia de quilômetros de Piratininga, às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro encontrou-se com um emissário de seu ministro José Bonifácio que, do Rio de Janeiro, lhe enviava notícias de Lisboa (onde as Cortes lhe impunham decisões humilhantes) e lhe solicitava que regressasse urgentemente ao Rio. A reação de D. Pedro foi o célebre GRITO.

A esse grito contra o que considerou abuso dos políticos de Lisboa, seguiu-se a solidariedade dos quatro a cinco milhões de habitantes do Brasil, em prol de um país mais digno, mais próspero, mais livre, mais humano, mais seguro, mais equitativo e mais justo, com vistas a um FUTURO MELHOR. E hoje, passados quase dois séculos, e com uma população 40 a 50 vezes maior, o Brasil continua sendo o País do Futuro, clamando por JUSTIÇA, reclamando por SEGURANÇA, sonhando com ABASTANÇA, enfim, SONHANDO com a ORDEM e PROGRESSO estampadas na Bandeira Nacional, contra sanguessugas, mensalões, anões e outros SENÕES, que transformam a Pátria em COLÓNIA de INFRATORES.

São Paulo, 07 de Setembro de 2006
José Verdasca dos Santos
Presidente da Ordem Nacional dos Escritores

 

 

SEMANA  de Camões de  Sto.  ANTÓNIO  e  FERNANDO  PESSOA

Na semana que se iniciou a 10 de Junho - DIA DA  PÁTRIA - reverenciamos três dos maiores vultos da língua e da cultura lusas de todos os tempos, que ilustraram e dignificaram a si mesmos e, principalmente, a terra onde nasceram. São eles:

Luís Vaz de Camões - de quem ignoramos a data de nascimento (1525?), pelo que o reverenciamos neste 10 de junho em que faleceu (1580), oficializado e consagrado como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas; senhor de vasta e profunda cultura humanista, terá sido no Mosteiro de Santa Cruz de Coímbra - onde seu tio Frei Bento era o prior, cargo que acumulava com o de Cancelário da Universidade de Coímbra - que Camões recebeu a superior instrução; por sua obra "Os Lusíadas", é reconhecido como um dos três gigantes da poesia épica mundial - a par de Homero (SEC. VIII a.C.) autor de "Odisseia" e "Ilíada" e de Virgílio (SEC. I a.C.) autor de "Eneida"; Luís de Camões deixou-nos não menos importante, bela e vastíssima obra lírica, onde avultam sublimes sonetos, maravilhosas éclogas, encantadoras canções, profundas odes, belas elegias, sensíveis sextinas, lacrimejantes oitavas, graciosas redondilhas, além de muitas outras produções poético-literárias que - acrescidas de três autos - e  no seu conjunto, lapidaram e deram definitiva e brilhante forma à nossa língua portuguesa.

Santo Antônio de Lisboa - dito de Pádua - nascido Fernando Martim(ins) de Bulhões, em 15 de Agosto de 1195, frente à milenar Sé de Lisboa, e falecido a caminho de Pádua (Itália), em 13 de Junho de 1231. Singular exemplo de pregador erudito português do século XIII, que com o brilho de sua oratória atraía multidões às grandes cidades italianas e francesas da época; professor da faculdade de medicina de Montpellier - a primeira do mundo - Santo Antònio de Lisboa, durante os dez anos em que pregou em Itália e França, foi o mais brilhante orador sacro do tempo, e, ao falecer pouco antes de completar 36 anos de idade, possuía tanto prestígio, e tal era a sua aura de santidade, que as cidades italianas quase entraram em guerra para terem a honra de inumar seus despojos. Passados três dias de sua morte venceu Pádua, que logo iniciou a construção de uma catedral digna do santo, pois Fernando de Bulhões foi santificado menos de um ano após seu falecimento, portanto antes de construída a sua catedral. 

Fernando Pessoa - nascido e falecido em Lisboa, a 13 de Junho de 1888 e a 30 de Novembro de 1935 - o poeta que "dizia" o que sentia, ou sentia o que dizia, e que à sua poética - de raríssima perfeição formal - incutia uma sublime e única musicalidade. Eis um exemplo:

"Oh mar Salgado - quanto de teu sal - são lágrimas de Portugal" ou, ainda "O poeta é um fingidor - finge tão completamente - que chega a fingir que é dor - a dor que deveras sente".

Artista da palavra - do verso e da prosa - místico mas lúcido, ocultista e pensador, senhor de um complexo mental inultrapassável que não escondia o desmistificador, Fernando Pessoa tinha perfeito e completo domínio intelectual da sua inigualável criação poética. Da vasta obra do nosso maior poeta do século XX, apenas "Mensagem" foi editada em vida do autor.

De salientar que, se comemoramos Fernando Pessoa no dia de seu nascimento, celebramos Santo António de Lisboa e Luís Vaz de Camões nos dias de seu falecimento; se de Camões ignoramos a data de nascimento, o mesmo não ocorre com Santo António, nascido em Lisboa - como já se disse - a 15 de Agosto de 1195.

Celebrando estes três heróis - ou gigantes - da poesia épica, da oratória sacra e da poesia reflexiva, lírica e meditativa, sempre puramente intelectual, decerto estaremos dignificando os três mestres mundiais de outros tantos ramos do saber e da arte de bem escrever e bem dizer, que são fruto do talento e ou do gênio, através dos quais se alcança o Belo, particularmente o Belo Artístico que compõe a Estética da Poética, com que estes Mestres do idioma brindaram os Espíritos mais sensíveis, Almas mais profundas, a Pátria que lhes foi berço, e o Mundo das Belas Artes. Trata-se, pois, de três ícones de uma "religião" que é a língua portuguesa, três altos representantes de uma Nação de heróis e aventureiros, três Mestres de uma cultura que com os Descobrimentos se tornou universal, enfim, três seres de excepção, que ao Mundo legaram, para a posteridade, o mais nobre produto e obra da inteligência e da arte, quer se trate da Arte Poética, da Oratória e das Belas Letras, enfim, e como já se disse, da Arte de Bem Escrever e Bem dizer.

A    C A M Õ ES

Dia da Pátria e Dia de Camões
   Dia  de  Gama  e  dia  de  Cabral
      Dia  da  singular  língua  universal
         Que aportou a todos os rincões
 
               Dia de Pessoa e Dia de Pombal
                 Dia de Henrique das navegações
                     Dia  de  Abril  e  das  revoluções
                      Que dignificaram nosso Portugal
 
                          Dia do Hino e Dia da Bandeira
                            Das conquistas e Descobrimentos
                                Da  arte  e  da  cultura  nacional
                                 

                                   Dia da saga Luso-brasileira
                                    Das alegrias e dos sofrimentos
                                      Da grande Nação que é Portugal
 

José Verdasca dos Santos 

Acadêmico e Presidente da Ordem Nacional dos Escritores

 

V A R A N D I S T A S

 
A Varanda tem poetas
        Todos sensíveis estetas
                  De conteúdo profundo
                           São  uma  elite  Universal
                                     Que  tem  alma  e  ideal
                                               Como poucos neste Mundo
 
                                                            Dos artistas nem se fala
                                                                  Todas(os) vestidas de gala
                                                                         Como  as  suas  criações
                                                                               Por  isso  fazem  brilhar
                                                                                    Tanto ao Sol como ao luar

As nossas  civilizações
        Da beleza das estrelícias
                    Nasceram estas delícias
                           Que nos dão muito prazer
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