Miriam  Panighel Carvalho

Meu nome completo é Miriam Lima Panighel de Campos Carvalho, sou brasileira, natural do Estado de São Paulo, nascida na capital que leva o mesmo nome. Sou formada em Direito pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, (Velhas Arcadas), da Universidade de São Paulo  (USP). Alguns anos após minha graduação, cursei a Faculdade de Letras do Instituto Presbiteriano Mackenzie também em São Paulo, onde tive a oportunidade de estudar Latim, língua que considero fundamental para que tenhamos melhor conhecimento de muitos idiomas dela derivados, inclusive o meu: português. Tive o privilégio de ser filha de pais professores que me orientaram a aprender outras línguas, como a francesa, inglesa e espanhola. Não milito na profissão porque descobri que meu caminho para a realização profissional e pessoal está na literatura,  por onde posso jorrar meus sentimentos de tristeza e alegria

A literatura é o bálsamo da minha vida.

 

 


Amar São Paulo é fácil. Difícil é ser sensível o bastante para querer conhecê-la em sua essência e desvendar seus mistérios. Metrópole que acolhe a todos de braços abertos e coração repleto de amor, é amada por poucos, tolerada por alguns e detestada por muitos. Esta antiga e, em outros tempos, pacata cidade da garoa, que surgiu num pequeno pátio e aos poucos foi crescendo, evoluindo e progredindo até ultrapassar todas as fronteiras do Brasil, é hoje a moderna e gigantesca Sampa "do agito", do corre-corre, dos imensos edifícios comerciais, das grandes avenidas, das inúmeras linhas de um metrô que não tem fim, dos milhares de carros, dos congestionamentos estafantes, da super povoada colônia de emigrantes e imigrantes. Cidade das Marginais e também dos marginais, das grandes universidades e inúmeras beldades, do aglutinamento de prédios descomunais, é o núcleo dos grandes empresários e de incansáveis operários. É a megalópole do trabalhador que não vacila nem mesmo frente às greves paralisantes dos meios de transporte. Quem mora em São Paulo é um bravo: não fica sem trabalhar, haja o que houver. Da periferia ao centro, da zona norte à zona sul, vai de um extremo ao outro. Enfrenta as quatro estações do ano num só dia, transpõe quaisquer barreiras, não hesita diante das intempéries, “faz corpo mole, não!”.
São Paulo é vida para todos e para todos é uma vida... Meiga ou atrevida, palco de tragédias dantescas e de comédias pitorescas, dos restaurantes elegantes, dos botecos petiscantes e das baladas dos “ficantes”. Das noites esfusiantes, dos aflitos e desvairados, das favelas e das grades nas janelas. A sampa do Bar Brahma, cuja tradição fez a fama, do Tobias da “Vai Vai” e do Corinthians que não vai...
A minha São Paulo que tudo tem e nada pede a ninguém, é auto-suficiente, é pátria de toda gente. Algo assim como intrigante: selva urbana deprimente e edificante, opulenta e miserável, nababesca e invejável. Ah, Paulicéia desvairada! Tens o coração revestido de pedra, és grito que medra, és canto que alegra... Cidade dos absurdos, estrela cadente no amanhecer, sol vibrante ao anoitecer, és o próprio entorno do cimento “almado” que suporta os imensos blocos de concreto dos centros comerciais. És súmula da modernidade, chama ardente que bruxuleia dentro do coração de toda sua gente, de tantos quantos aqui vêm buscar seus rumos, seguir seus destinos engajando-se na engrenagem do progresso que faz desta urbe kafkiana um verdadeiro país. Tens a alma da mulher com todos os seus mistérios, o coração da mãe enérgica, mas dedicada ao extremo. És puro sentimento, mas também és razão. Tens a delicadeza feminina e a força masculina, o encanto da fêmea sedutora que, provocante, incita o amante a enveredar pela senda de teus mistérios infindáveis e incognoscíveis... És frenética, fremente, "anti-estética", incongruente... Sem preconceitos, amar é o teu lema: do pau-de-arara sofrido, à carioca Garota de Ipanema...
Poucos te elogiam, muitos te depreciam... Mas os que te amam de verdade, os que reconhecem teu valor e tua riqueza, minha São Paulo adorada, só estes sabem, com certeza e imenso orgulho, que és humana como poucos, tão sensível quanto os bardos e seresteiros que sempre te louvam em versos e acordes!


Miriam Panighel Carvalho

 

 

 



Enviados em Nov/2011

 

 

 

SAUDADES, MEU POETA

Madrugada de saudades
De viver um grande amor
Saudades do meu poeta
Homem forte, abrasador

Madruguei mil pensamentos
Na pele sentindo o ardor
De uma carícia secreta
Tão própria do meu amor

De um beijo tão caprichado
Que até me dá estertor
De uma forma indiscreta
Polida, mas com vigor!

Meu poeta acende a chama
Deste meu fogo interior
E me deixa toda inquieta
Valha-me Deus, nosso Senhor!

 

Miriam Panighel Carvalho

 

 

 



Enviados em Set/2011

 

 

 

 

 

OPOSTOS


Você foi para mim
uma espécie de glória
foi troféu, foi triunfo...
Vitória

Trouxe paz, alegria
e a ilusão de um amor
que jamais existiu!
Dor

Meu amor sacrossanto,
seu desejo profano:
Um milagre e uma farsa...
Desengano

 


Miriam Panighel Carvalho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A POESIA

 

No sofrimento, dá-me a força
na alegria, faz-me exultar.
Apazigua a minha ira,
harmoniza o meu caos...
Torna-me complacente,
aguça a minha mente.
Faz-me chorar e sorrir,
morrer e renascer...
Liberta-me dos meus grilhões
aprisiona-me na esperança...
E quando me falta o estro
é só nela que me encontro
em meio às rimas e métricas
de seus versos em estrofes...
No seu compasso melodioso
dissipo angústias sempre existentes
entre a mulher e a poetisa,
entre o mundo e a POESIA...

 
Miriam Panighel Carvalho

 

 

 

 



Enviados em Jul/2011

 

 

 

"Os que estiverem na Academia continuarão a obra de assistência; os que terminarem o curso terão nela uma sociedade de ex-alunos, tão útil, e se auxiliarão mutuamente através do tempo. E, ainda mais tarde, se quiser, poderá governar o país..."

Júlio Frank.

 

Quem passa em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Lgo.de São Francisco, não imagina que em seu interior haja um imponente túmulo em granito, com ricos símbolos esotéricos e cercado por grades de bronze. E, por mais estranho que possa parecer, poucos são os jovens alunos de hoje que têm a curiosidade de conhecer a sua história. Tantas pessoas ilustres já passaram pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e nenhuma delas teve a honra de ser sepultada no interior da Velha Academia. Somente a uma coube esta glória. Não foi nem aluno, nem professor de Direito. E tampouco era brasileiro. Os restos mortais que lá repousam pertencem a Júlio Frank ( JULIUS GOTTFRIED LUDWIG FRNK ), fundador da sociedade secreta denominada "Bucha", que congregava os estudantes e que teve grande influência na política do Segundo Império e da Primeira República. O verdadeiro nome do misterioso personagem ninguém sabe ao certo e sua identidade é motivo de controvérsia. Segundo Pedro Brasil Bandechi, Júlio Frank foi um foragido político da Alemanha que apenas lutava pela república, sem haver cometido crime algum, conclusão a que Gustavo Barroso não só chegou como também foi além: seu verdadeiro nome seria Carlos Luiz Sand, membro ativo dos " Iluministas da Baviera", uma sociedade secreta alemã. Teria ele sido responsável pela morte de Köetzebue, diplomata russo que servia na Alemanha.

Condenado à morte, Carlos Luiz Sand foi secretamente libertado horas antes da execução e colocado num navio com destino ao Brasil. Aportou no Rio de Janeiro, foi recebido por membros brasileiros de outra sociedade secreta e encaminhado primeiramente para Sorocaba, vindo em seguida para São Paulo. Aqui, foi recepcionado pelos estudantes de Direito e fundou o Curso Anexo de História e Geogafia, bem como , por volta do ano de 1831 a Bucha - abreviação de Burschenschaft - do alemão bursch, que significa camarada e schaft, confraria.

Como Júlio Frank era protestante, nenhum cemitério católico acolheu os seus restos mortais. Daí porque os estudantes da Academia o enterraram no pátio das Arcadas, erigindo-lhe um túmulo hoje tombado pelo Patrimonio Histórico Nacional.

 

Miriam Panighel Carvalho

 

 



Enviados em Jun/2011

 

 

 

Haikai

 

Terra. Sol nascente
treme toda a natureza
Planeta doente.

 

Miriam Panighel Carvalho


Minha homenagem a esse heróico,
bravo povo japonês.

 

 



Enviados em Mar/2011

 

 

 

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ENTREVISTA COM O JORNALISTA E POETA PAULO BOMFIM

 

PAULO LEBEIS BOMFIM nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1926. Estudou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mas não quis terminar o curso jurídico. Preferiu o Jornalismo, profissão a que se dedicou com esmero e muito afinco. É, hoje, Coordenador de Cerimonial e Relações Públicas do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. E foi lá que me recebeu de forma polida e simpática para a entrevista que segue abaixo.

 

 

Tribuna das Letras

Como surgiu a sua paixão pelas Letras?

Paulo Bomfim

No seio da família. Recebi influência dos meus pais, avós especialmente de um tio, Carlos Magalhães Lebeis, retratado por Cândido Portinari. O ambiente familiar foi fundamental na minha inclinação para as Letras. Meu pai, médico, era homem bastante culto e minha mãe, além de tocar violão também cantava. Pode-se dizer que desde que nasci já comecei a conviver com saraus a que compareciam escritores e artistas conceituados como: Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Mario de Andrade. No âmbito da pintura, Tarsila do Amaral era uma das presenças constantes e, no da música, as pianistas Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro, entre outros.

Tribuna das Letras

Onde foi a sua estréia como jornalista?

Paulo Bomfim

Comecei no Correio Paulistano em 1945 e a seguir fui para o Diário de São Paulo a convite de Assis Chateaubriand. Lá, passei dez anos escrevendo Luz e Sombra, enquanto redigia Notas Paulistas para o Diário de Notícias do Rio.

Tribuna das Letras

Sendo jornalista, o senhor chegou a apresentar-se no Radio e/ou na Televisão?

Paulo Bomfim

Fui diretor de Relações Públicas da Fundação Casper Líbero e fundador, com Clóvis Graciano, da Galeria Atrium. Na televisão produzi Universidade na TV, ao lado de Heraldo Barbuy e Oswald de Andrade Filho. Fui jornalista do canal 4, no Mappin Movietone e no canal 2, no Crônica da Cidade. Na Rádio Gazeta apresentei o Hora do Livro e Gazeta de Notícia.

Tribuna das Letras

O livro com que o senhor estreou foi Antonio Triste publicado em 1947. Como foi essa estréia?

Paulo Bomfim

Em minha apresentação fui saudado por Guilherme de Almeida como “o novo poeta mais profundamente significativo da nova cidade de São Paulo”. Antonio Triste tem prefácio de Guilherme de Almeida e ilustração de Tarsila do Amaral.

Tribuna das Letras

O brasileiro lê muito pouco. Por que?

Paulo Bomfim

Não existe apenas uma causa que explique a falta de interesse que o nosso povo tem no tocante às Letras. No meu modo de ver, há uma série de fatores que conduzem a isso. Sem dúvida trata-se de um problema de cunho sócio-econômico-cultural.

Tribuna das Letras

Dentre os gêneros literários de sua preferência, o senhor inclui os de auto-ajuda?

Paulo Bomfim

Não tenho gêneros literários preferidos. Gosto da boa literatura. E se encontrar livros de auto-ajuda que tenham qualidade e conteúdo satisfatório, aceito-os. Ainda que com restrições.

Tribuna das Letras

Transfiguração, Sonetos, Tempo Reverso, Sonetos da Vida e da Morte são alguns dos seus livros de sonetos. Por que essa predileção?

Paulo Bomfim

Considero o soneto o traje a rigor do pensamento. Sinto-me perfeitamente à vontade escrevendo-os e lendo-os.

Tribuna das Letras

Quais seus escritores preferidos?

Paulo Bomfim

Guilherme de Almeida (Acalanto de Bartira, Meu, Raça, Messidor, como algumas obras de que mais gosto); Cecília Meirelles; Manuel Bandeira; Vinícius de Moraes (meu particular amigo e excelente sonetista); Florbela Espanca (de quem sou devoto); Jorge de Lima (cito A Invenção de Orfeu); Raul de Leoni; Gerardo Mello Mourão, notável escritor brasileiro que, incompreensível e lamentavelmente, é pouco conhecido pelos brasileiros. Autor de A Invenção do Mar é a mais bela celebração do Vº centenário da descoberta do Brasil e uma verdadeira epopéia da nacionalidade brasileira. Dentre os estrangeiros, gosto de Jorge Luiz Borges, Thomas Mann e Hermann Hesse (aliás, vale dizer que um dos meus poemas preferidos - A Casa - foi vertido para o alemão e enviado à Suíça para Hesse, que agradeceu com uma carta e o mandou com seu retrato autografado).

Tribuna das Letras

E dentre os de sua autoria?

Paulo Bomfim

Armorial é o meu preferido. Foi ilustrado por Clovis Graciano. Nele, como escreveu Cassiano Ricardo, faço uma “volta proustiana ao passado paulista”. Um passado que remonta a meus ancestrais, os bandeirantes.

Tribuna das Letras

Em qual país a poesia é mais valorizada?

Paulo Bomfim

Portugal que, além de valorizar a própria poesia, também o faz com a poética brasileira. Cecília Meirelles, cuja ascendência é açoriana, é mais lembrada e cultuada nos Açores do que no próprio Brasil. A tal ponto que, na Ilha de São Miguel há uma avenida que leva o seu nome.

Tribuna das Letras

Há uma corrente de esquerda que divulga a história pátria de maneira distorcida denegrindo os bandeirantes paulistas, taxando-os de bandidos. Qual a sua opinião a respeito?

Paulo Bomfim

Lamentável. A distorção é um verdadeiro crime de lesa tradição. Os que aviltam a memória dos nossos antepassados fazem com que as novas gerações desconheçam os feitos e as bravuras dos bandeirantes. E um país sem memória é como uma árvore sem raízes: qualquer vento derruba.

Tribuna das Letras

Poeta, qual a importância de Guilherme de Almeida em sua vida?

Paulo Bomfim

Ele foi meu mestre, meu guru intelectual, meu grande amigo. Tudo o que sei de poesia é a ele que devo.

Tribuna das Letras

Foi de Guilherme de Almeida que o senhor herdou o título de Príncipe dos Poetas?

Paulo Bomfim

O primeiro a ser conhecido com esse título depois de Guilherme de Almeida, foi Menotti Del Picchia. Em seguida, eu. Mas considero meu maior título o de ser poeta de São Paulo.

Tribuna das Letras

Qual é a origem desse imenso amor que o senhor sente por São Paulo?

Paulo Bomfim

È algo que defino como uma espécie de  consciência genética. São Paulo está em minhas raízes e em toda a minha vida. Aliás, São Paulo é a minha vida. Aqui os meus pais se conheceram, aqui viveram, aqui nasci e cresci. Enfim, é uma cidade cósmica, universal. Uma demonstração fiel do que a terra tem de melhor, de fascinante e de contraditório.

Tribuna das Letras

Qual é a sua ligação com o Tribunal de Justiça?

Paulo Bomfim

Durante  a infância meu pai tinha o hábito de ir comigo visitar o Palácio da Justiça ainda em obras, em fase de acabamento. Foi aqui que tive o meu primeiro emprego público. Era assistente de Aldo de Assis Dias que me convidou para participar do Juizado de Menores.

Tribuna das Letras

O senhor recebeu muitas homenagens durante sua vida profissional. Existe alguma que deixou lembrança especial?

Paulo Bomfim

A da Academia Paulista de Magistrados foi a mais bela das homenagens que recebi: o livro “Tributo a Paulo Bomfim”, no ano de 2002. Foi prefaciado pelo poeta José Rodrigues de Carvalho Netto. Naquela noite, no Pátio do Colégio, o Desembargador Sérgio Augusto Nigro Conceição, à época presidente do Tribunal, entregou-me o Colar Acadêmico.

Tribuna das Letras

Na sua opinião, o que deve fazer uma pessoa para ter sucesso como escritor?

Paulo Bomfim

O segredo do bom escritor está na leitura. Ler, ler e ler para saber como e o que escrever.

Tribuna das Letras

O senhor poderia descrever as semelhanças e diferenças entre a São Paulo da sua infância e adolescência e a São Paulo atual?

Paulo Bomfim

Era uma cidade completamente diferente da de hoje. Pacata, quase não havia prédios e existiam muitos bondes. Embora já houvesse  luz elétrica, a cidade era romanticamente iluminada com lampiões a gás. Tanto é que trago bem vívida na lembrança, a imagem dos lampiões furados à bala, durante a Revolução de 32.

 

ALGUNS SONETOS

 

    Soneto 1

 

 

Venho de longe, trago o pensamento

Banhado em velhos sais e maresias;

Arrasto velas rotas pelo vento

E mastros carregados de agonia.

 

Provenho desses mares esquecidos

Nos roteiros de há muito abandonados

E trago na retina diluídos

Os misteriosos portos não tocados.

 

Retenho dentro da alma, preso à quilha

Todo um mar de sargaços e de vozes,

E ainda procuro no horizonte a ilha

 

Onde sonham morrer os albatrozes...

Venho de longe a contornar a esmo,

O cabo das tormentas de mim mesmo.

 

Paulo Bomfim

 

* do livro Transfiguração

                    ---

                                                                         

Soneto XIII

 

Pastor já fui desse rebanho alado

 

 

Pastor já fui desse rebanho alado,

Que pelos céus caminha, pensativo,

A ruminar a grama azul do prado

E a desmanchar-se em pensamento vivo.

 

Pastor já fui de olhar perdido e calmo,

Guardando as reses pelo campo etéreo,

Entoei sobre a campina cada salmo

De um livro que perdi sobre o mistério.

 

Já fui pastor fora de certo espaço,

Das loucas dimensões em que me banho,

Não sei se é no futuro em que me abraço

 

Ou no passado desse meu rebanho!

Pastor já fui, hoje arrebanho a mágoa

Do meu rebanho a desfazer-se em água.

 

Paulo Bomfim

 

________________________________________________

 

Luz e Sombra

 

in "DIÁRIO DE SÃO PAULO",

11.04.67

E o mar se faz carne, e a carne é uma flor de mármore na lapela da cidade. Dentro da paisagem onírica "O Sonho dos Cavalos Selvagens", de Álvaro Pacheco. O galope glauco dos hipocampos, a face heráldica dos licornes, o galope altivo dos vocábulos de raça. E entre o leito do amor humano e a nostalgia do tempo em que os deuses penetravam a dimensão dos heróis surge este cantar da imensa solidão:

 

na hora da dor

você está sozinho

na hora do gozo

você está sozinho

na hora da morte

você está sozinho

você está sozinho

em todas as coisas importantes

você está sozinho

em todas as conseqüências

e qualquer que seja o peso

a carga é sua e, de fato

ninguém pode lhe ajudar."

E num grito que vai dos blocos de concreto armado ao sangue de Knossos, o poeta entrega à vida a nobreza de um epitáfio:

                         no futuro dirão:

                         esse, pelo menos tentou:

                        caiu, tentou levantar-se

                        andou, tentou permanência

                        amou, tentou o infinito

                        (viveu, tentou não morrer)

 

                                             Paulo Bomfim

 

 

                               

BIOGRAFIA

 

Paulo Lébeis Bomfim nasceu no dia 30 de setembro de 1926 em São Paulo (SP). Abandonou o curso de Direito, que havia iniciado por volta de seus 20 anos, preferindo continuar trabalhando como colaborador dos jornais “Diário de São Paulo”, “Correio Paulistano” e “Diário de Notícias”. Seu primeiro livro, “Antônio Triste”, lançado em 1946, com prefácio de Guilherme de Almeida e ilustrações de Tarsila do Amaral, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras, em 1947.

Atuou como relações públicas da "Fundação Cásper Líbero" e fundador, com Clóvis Graciano, da Galeria Atrium. Produziu "Universidade na TV" juntamente com Heraldo Barbuy e Oswald de Andrade Filho; "Crônica da Cidade" e "Mappin Movietone". Apresentou na Rádio Gazeta, "Hora do Livro" e "Gazeta é Notícia". Entre 1971 e 1973 foi curador da Fundação Padre Anchieta, diretor técnico do Conselho Estadual de Cultura de São Paulo e representante do Brasil nas comemorações do cinqüentenário da Semana de Arte Moderna, em Portugal.

Publicou, em 1951, "Transfiguração". Em 1952, "Relógio de Sol". Lança as primeiras cantigas, musicadas por Dinorah de Carvalho, Camargo Guarnieri, Theodoro Nogueira, Sérgio Vasconcelos, Oswaldo Lacerda e outros.

Publica, em 1954, "Cantiga de Desencontro", "Poema do Silêncio", "Sinfonia Branca" e depois, em 1956, "Armorial", ilustrado por Clóvis Graciano. Em 1958, lança "Quinze Anos de Poesia" e "Poema da Descoberta". Publica a seguir "Sonetos"(1959), "O Colecionador de Minutos", "Ramo de Rumos" (1961), "Antologia Poética" (1962), "Sonetos da Vida e da Morte" (1963). "Tempo Reverso" (1964), "Canções" (1966), "Calendário" (1968), "Poemas Escolhidos" (1974), "Praia de Sonetos" (1981), com ilustrações de Celina Lima Verde, "Sonetos do Caminho" (1983), "Súdito da Noite" (1992), "50 Anos de Poesia" e "Sonetos" pela Universitária Editora de Lisboa. Em 2000 e 2001 publicou os livros de contos e crônicas “Aquele Menino” e “O Caminheiro”. Publicou, em 2004, “Tecido de lembranças” e, em 2006, quando o poeta completou 80 anos de idade, “Janeiros de meu São Paulo” e “O Colecionador de Contos”.

Suas obras foram traduzidas para o alemão, o francês, o inglês, o italiano e o castelhano. No dia 23 de maio de 1963, passou a ocupar a cadeira 35 da Academia Paulista de Letras tendo sido saudado por Ibrahim Nobre. Presidente do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito, na década de 70. O poeta é, ao completar 80 anos, o decano daquela Academia.

Em 1982, recebeu o título Personalidade do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores

Em 1993, foi agraciado com o Prêmio pelo Cinqüentenário de Poesia, concedido pela União Brasileira de Escritores.

Recebeu, em 1982, o Troféu Juca Pato de Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira de Escritores.

 

 

Miriam Panighel Carvalho

 

 

 



Enviados em Fev/2011

 



A LÁGRIMA

É gota vertente
Cristal transparente
Que brota da alma
Na face se espalma
Saudade e paixão
Vêm do coração
Meu pranto de amor
É tristeza e dor...

Miriam Panighel Carvalho

 

 

    Miriam

(Panighel Carvalho)

  panigirls@uol.com.br

 

 

 

 

 



Enviados em Nov/2010

 

 


PÁTRIA AMADA, BRASIL!

Psss...!Ouçam!
Ouçam o silêncio do brado que findou...
Vejam a ausência de paz nestas paragens
busquem nas trevas o sol que se apagou
e a liberdade que se ganhou àquelas margens.
Há pouca vida e tanta morte!...
Há confusão, há caos... desigualdade
entre esta gente que empunhava o braço forte
mas que perdeu a garra ante tanta iniqüidade!
Ah, minha bela Pátria amada!
Formosa terra idolatrada,
Salvem-na! SALVEM-NA!
Meu país feito de sonho e povo híbrido:
há amor e esperança qu’inda reste
neste povo outrora heróico, hoje sofrido
no teu céu, tão estrelado, azul celeste?
Levanta do teu berço esplêndido, gigante meu,
e desta flâmula o verde-louro faz bramir...
Clama a teus filhos que a liberdade não morreu
e que da luta, esta Nação não vai fugir!

 

Miriam
(Panighel Carvalho)
panigirls@uol.com.br

 

 

 



Enviados em Out/2010

 

 

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TROPÊÇOS


Chega de infortúnios
De atos incautos, de conflitos...
De desenganos, de infaustos!
Chega de cenas do passado
batendo à porta das lembranças.
Lembranças dos tempos idos
que já se foram... não voltam mais!
Chega de ter inveja de mim mesma
por nunca mais poder viver os
momentos vividos...
Na ânsia de amar e ser amada
tropecei no meu amor próprio...
Tropecei na vida, na sorte
e até mesmo na morte.
Perdi o passo no descompasso.
Chega de tropeços...
Parem o mundo:
EU QUERO DESCER!



Miriam Panighel Carvalho

 

 



Enviados em Ago/2010

 

 

Em Algum Lugar do Passado
 

Tanta lágrima já rolou destes meus olhos.Tanto pranto verti ao longo

da minha busca por você que um dia há de voltar! Há sede nesta alma e fome

no meu coração combalido pelo sofrimento que causa a solidão. Uma angústia

doentia obceca-me o espírito e a mente deixando-me quase que desvairada! Não

tenho um minuto de paz, um só momento em que possa relaxar e aproveitar os

poucos instantes em que experimento um laivo de felicidade em meio aos meus

devaneios... Ah, que sina a minha! Quantos raios e trovões rasgam o meu céu

interior, tão cinzento e mórbido. Chove amargura dentro de mim!

Contorço-me em terríveis esgares de dor lancinante e - bem sei! – incurável,

pois que pior que a dor da carne, é a da alma que se sente só e vazia, sem

um ser amado. Tenho certeza de que essa dor há de matar o pouco que sobrou

de mim se você não voltar para mudar o meu mundo e me fazer renascer...

Parece que este sofrimento jamais terá fim,

já que quanto mais eu espero, mais e mais me desespero...

O tempo, algoz de todos, vai passando... Passando...

Ah, Inexorabile tempus fugit!...

Nem mesmo a minha juventude foi-me permitido lhe dar para aproveitá-la

com você. E assim também os prazeres da vida passaram sem que pudéssemos

vivenciá-los juntos. Tantas são as minhas súplicas e os meus ais para que

você volte um dia! Que lindos, doces momentos foram os nossos! Mas, certo dia você se foi e veio a saudade. Cruel, impiedosa, crucial saudade! Novamente nossos caminhos se desencontraram.

Desde então sonho com você todas as

horas dos meus dias na esperança de lhe dizer, olhando em seus olhos, que

fui completa e somente sua! E que desde as plagas mais longínquas deste mundo,

desde as regiões mais quentes às mais frias, estarei sempre com você!

A vida sem amor é implacável: mata e consome.

Sim! Só mesmo um coração que pulsa por alguém conhece e sente a fome do

alimento gerado por quem ama... E que se encontra presente em mim, mesmo

estando longe, em algum lugar do passado! Já perdi a conta das vezes em

que, movida pela fúria dos momentos de solidão, blasfemei contra Deus!

Pensava, naquelas horas, que Ele me condenara para sempre a carregar nos ombros

o fardo do meu tormento. Ele nos colocou face a face e você acendeu em mim o fogo do amor, aqueceu meu coração, harmonizou minha alma, enriqueceu todo o meu ser com um sentimento que iluminava meus dias e noites, que me fazia renascer a cada manhã em que acordava. Cheguei a acreditar que jamais nos separaríamos. Que caminharíamos unidos por toda a vida presente e, até mesmo, pela eternidade...

Você e eu, enfim juntos, homem que me encanta!

 

Miriam Panighel Carvalho

 

 

 


 

 

A CANETA E O PINCEL



Minha caneta é o pincel

que pinta quando eu escrevo

e desenha no papel

da minh'alma todo o enlevo



As palavras que transcrevo

são os esboços das telas

de baixo ou alto relevo

tinta à óleo ou aquarela



A rima de cada verso

é mais uma pincelada

pois neste meu universo

pintura é frase enquadrada



Meu pincel é uma caneta

que escreve sempre que pinto

tinta azul, vermelha ou preta,

retrata tudo o que sinto.



Miriam Panighel Carvalho

 


 



Enviados em Jun/2010

 


JOSÉ DE FREITAS VALLE E A
“VILLA KYRIAL”

                                         No início do século XX São Paulo entrava numa auspiciosa era de inovações. Os postes de lampiões a gás foram substituídos pelos de luz elétrica, charretes e carruagens cediam lugar aos bondes movidos à eletricidade e alguns poucos carros já circulavam pelas ruas. Ao redor do ano de 1904, período em que às grandes conquistas seguia-se contínuo progresso – mais notadamente no plano cultural, que aflorava dia a dia com mais força – São Paulo resplandecia numa época considerada a mais bela até então. Foi o período conhecido como “Belle Époque paulistana”, termo francês cujo modernismo influenciava toda a elite aqui existente.
Jovens de todos os Estados brasileiros atravessavam fronteiras rumo a São Paulo com a finalidade de estudarem numa das mais renomadas e concorridas faculdades do mundo: a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Inúmeros são os vultos brasileiros que enobreceram as “Arcadas Franciscanas” com sua presença ilustre. Ao mesmo tempo em que a nossa cultura era descoberta pelos estrangeiros e pelos próprios brasileiros, outra cultura, a do plantio, expandia-se por todo o interior de São Paulo: a cultura do café.
                                       Proprietários das grandes e imponentes fazendas cafeeiras logo passaram a habitar os belos palacetes situados num dos pontos mais altos da cidade, a Av. Paulista, que acabou por se transformar no reduto dos “barões do café”. Enquanto a cidade começava a se expandir por todos os lados, os nobres grãos de café aromatizavam o ar paulista e enchiam os bolsos dos fazendeiros que se dedicavam ao cultivo da planta que passou a ser a maior fonte de divisas para o Brasil.
                                       Se, de um lado deveu-se ao “baronato cafeeiro” a grande deslanchada financeira do nosso país, de outro, pode-se afirmar que ficou por conta de um ilustre desconhecido gaúcho o despontar da cultura paulistana. JOSÉ DE FREITAS VALLE, natural da cidade de Alegrete, veio para São Paulo estudar Direito e aqui fincou suas raízes pelo resto da vida. Era o ano de 1888. Antes de terminar o curso, casou-se com a herdeira de um dos maiores produtores de café na região de Campinas. Se já era rico até então, juntadas as fortunas, tornou-se milionário.
                                      Em 1904, mesmo ano em que foi eleito deputado estadual pelo Partido Republicano Paulista, comprou de alguns alemães uma chácara que ficava na Rua Domingos de Morais, 10, situada no bairro da Vila Mariana, pouco povoado mas de terras altas e solo fértil. Sua localização não podia ser melhor: colado à Estrada do Vergueiro que unia o centro da cidade ao litoral, diretamente pelo antigo Caminho do Mar, cuja paisagem é bela e exuberante até hoje. Além disso, havia a proximidade com a luxuosa Av. Paulista e seus ricos moradores...
A chácara, conhecida como Vila Gerda e rebatizada por seu novo proprietário com o nome de Villa Kyrial, possuia mil metros quadrados, com frente para a própria rua Domingos de Morais e fundos para a rua Cubatão.
                                      O principal propósito de Freitas Valle era transformar a Villa Kyrial num reduto de cultura. E foi exatamente o que aconteceu. Nossa cidade carecia muito de espaços apropriados para a convivência dos boêmios intelectuais e o vasto salão da Villa tornou-se o ponto de encontro de todos eles. Assim, a vida em São Paulo passou a girar em torno da Faculdade de Direito e das festas, encontros culturais, almoços e jantares que ocorriam na Villa Kyrial. Em pouco tempo, lá se encontravam artistas de todos os gêneros: literatos, músicos, políticos, artistas plásticos, atores, etc. Foram muitos os talentos que se revelaram em meio aos frequentes saraus, concertos, exposições, leituras e conferências sempre organizadas e realizadas por Freitas Valle. Graças a ele, ao seu empenho e prodigiosa dedicação, a Villa Kyrial nada deveu à Academia de Arte de São Paulo.
                                     Freitas Valle, além de advogado, educador, político (foi deputado e Senador da República por São Paulo), mecenas dos talentos então descobertos e por ele protegidos, também foi “Freval”, o perfumista,  “Jacques D’Auvray”, o escritor, e “Jean-Jean”, maître e  excelente “gourmet”. Embrenhou-se com garra na luta pelo ensino das artes, razão pela qual se transformou num dos principais dirigentes do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo.
                                    E foi assim que nesse cenário o mundo dos artistas começou a antever a chegada de um novo movimento cultural: o Modernismo. Leonor Aguiar, Victor Brecheret, Lazar Segal, Francisco Mignone, João de Souza Lima, Manoel Bandeira, Tarsila do Amaral, Villa-Lobos, Anita Malfatti foram,entre outros, alguns dos talentos que puderam terminar ou aprimorar seus estudos na Europa. Sempre e graças à interferência de Freitas Valle que, ao lado de Washigton Luis, propiciou as condições necessárias para o aprimoramento da maioria dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922, o movimento que resgatou a identidade nacional para a arte, a música e a literatura. Por outro lado, a Villa Kyrial foi um autêntico marco da “Belle Époque” paulistana, onde a vida era vivida tal qual uma obra de arte. No quotidiano respirava-se, comia-se, dormia-se e vivia-se a arte na sua mais profunda pureza, autenticidade e amor em toda a sua essência.
                                    Há muito mais a se falar sobre o tema, que é extenso, pois tanto a Villa, quanto suas atividades administradas por Freitas Valle, fizeram história em São Paulo e expandiram a nossa cultura pelo Brasil e exterior.Apesar de ter sido duramente criticado por Monteiro Lobato que, além de qualificá-lo como adepto de práticas políticas para se autopromover, dizia ser ele, um “um imitador da França”, seu prestígio crescia a passos largos.
                                    Esta é, em breve linhas, um aparato da história da Villa Kyrial e de José de Freitas Valle, o gaucho que veio de Alegrete para São Paulo com a finalidade de estudar Direito. Fez mais, muito mais do que isso. Pena que hoje em dia seja pouco divulgado no âmbito escolar...

 

OBS.: Ao invés de ser tombada como patrimonio nacional, a mansão
foi  demolida em 1961, três anos após a morte de Freitas Valle.
Suas paredes levaram consigo a alma da Villa Kyrial e enterraram
todo um tesouro de documentos, quadros e livros que
enriqueceram a nossa cultura.

                                              

Miriam Panighel Carvalho






ESTA BOCA

 

Esta boca é um chamamento
do meu sexo, o substrato
É o próprio descaramento
verdadeiro desacato

São meus lábios horizontais
a transmitirem apelos
que os seus gêmeos verticais
fazem sem que possas vê-los...

Dois polos equidistantes,
sensores interligados
sedutores... Intrigantes...

Mistérios investigados
têm segredos excitantes
que devem ser bem explorados...


Miriam Panighel Carvalho






Palácio dos Campos Elíseos em São Paulo, Brasil

Corria o ano de 1882. São Paulo já absorvia os avanços tecnológicos originários da Europa. Numa época em que a matéria prima usada nas edificações das casas resumia-se à taipa, tijolos, ferragens grosseiras e mal acabadas, esse avanço representava mais um passo para o crescimento da cidade. Com efeito: novos bairros nem bem se formavam totalmente e suntuosos palacetes já surgiam.É que a camada mais rica da sociedade paulistana tinha facilidade para importar da Europa grande parte do material que serviria para construir suas mansões. Deixava para trás o Centro Velho em que habitava e mudava-se para a chamada “ala nobre” ou “bairro dos cafeicultores”, tão logo terminadas as obras.
                        Elias Antonio Pacheco Chaves era um desses ricaços. Sua mansão, localizada no bairro dos Campos Elíseos, demorou quase uma década (de 1890 a 1899) para ser totalmente construída.Conhecido como pessoa de importância fundamental na economia de São Paulo – pois além de cunhado do Conselheiro Antonio Prado (político e cafeicultor), era também, seu sócio na Cia. Prado Chaves, empresa que liderava a exportação do café e o setor imobiliário.
Extremamente sofisticado, Elias Chaves viajava com freqüência para a Europa. Com seu cunhado Antonio Prado e sua sogra, D. Veridiana, visitava famosos antiquários e vários castelos franceses, dentre os quais, o Castelo de Écouen, em estilo renascentista,datado dos anos de 1500. Nele espelhou o projeto de seu palacete elaborado peloarquiteto alemão Matheus Heusller que vivia no Brasil há alguns anos. Inspiradonas informações recebidas e no seu próprio conhecimento fez o projeto na Europa a fim de entregá-lo de acordo com os moldes do Castelo de Écouen. Voltando aoBrasil, o arquiteto trouxe lustres de cristal Bacará, maçanetas de porcelana de Sèvres e vitrais franceses. A decoração interna do palacete veio da Itália:
espelhos do mais puro cristal veneziano e vários elementos de terracota coloridos. Dos Estados Unidos vieram todas as ferragens de bronze que foram utilizadas nas portas e janelas de carvalho francês. O telhado, puro pinho de Riga, foi coberto por telhas de ardósia importada.
                      João Grundt, outro alemão que aqui trabalhava como mestre na construção do Viaduto do Chá, foi escolhidopara executar a obra que, por motivos desconhecidos, ficou paralisada durante alguns anos. Após esse tempo, os trabalhos foram definitivamente retomados, desta vez, sob a direção do engenheiro Herman Von Puttkamer, também natural da Alemanha e do decorador Cláudio Rossi.
                     Uma vez concluída, a mansão passou a ser chamada de “Palacete Elias Chaves”. Talvez porque seus portões e vitrais das portas e janelas continham as iniciais “EC”. Detalhe que ganhou relevância quando, oito anos após a morte de Elias Chaves, em 1907, sua família transferiu a propriedade (que fora registrada no nome da Cia. Prado Chaves) para o governo do Estado. O que era pormenor passou a ser problema, já que as iniciais, de bronze maciço encrustadas nos portões e gravadas nos vitrais, não poderiam ser retiradas sem lhes causar irreparáveis danos. O dilema perdurou até que foi encontrada uma solução perfeita: providencialmente, alguém notou que quando os portões se fechavam, as iniciais se entrelaçavam de tal sorte que tanto poderiam sugerir “EC”, quanto “CE”. O mesmo acontecia quando se observavam os vitrais.
Assim é que o Palacete Elias Chaves é conhecido até hoje, como Palácio dos Campos Elíseos.


Miriam Panighel Carvalho






Enviados em Maio/2010



 

ALGUNS HAIKAIS

Quão linda floresta
o verde que a terra encerra.
O pouco que resta

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Belo é o céu fulgente
Lua cheia, muita areia
Estrela cadente

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Sob a luz da lua
Água de prata na mata
Natureza nua

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Beleza de flor

Dentro de mim um jardim
e as cores do amor

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Flocos brancos caem.

Céu cinzento.Fortes ventos

As flores se esvaem

 

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Corre, voa a vida
Essa, que passa depressa
 E deixa ferida
 
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Piam passarinhos
Nas manhãs de primavera
E fazem seus ninhos

 
Miriam Panighel Carvalho

 



 

PÁSCOA

                          

 

                    A PÁSCOA, além de ser considerada uma das principais festas cristãs, sempre representou a passagem de um tempo de trevas para um tempo de luz. Na verdade, em grego (paskha) e no latim (pache), ou seja, passagem, é a verdadeira tradução para o vocábulo “páscoa”, em nossa língua. Um dos significados seria a transição anunciada pelo equinócio da primavera do hemisfério norte, que ocorre no dia 21 de março, e na do sul, em 23 de setembro. Para que entendamos o significado da Páscoa cristã, é preciso que voltemos no tempo até a Idade Média, antes de partirmos para “o começo de tudo”...  Os antigos povos pagãos da Europa, homenageavam Ostera – Esther, em inglês, que quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a deusa da primavera, que segura um ovo enquanto observa um coelho, símbolo da fertilidade, a pular alegremente em redor de seus pés nús. A deusa e o ovo, portanto, são símbolos da chegada de uma nova vida. Na mitologia grega, Ostara equivale a Persephone e na mitologia romana, a Ceres.

                          Tais povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos, costume que surgiu na Inglaterra, durante o século X, no reinado de Eduardo I (900-924), que tinha o hábito de banhar ovos em ouro para ofertá-los aos seus amigos e aliados. Pintar ovos a mão também é uma tradição que acompanha os ucranianos em quase toda a sua história.r Para eles, receber ovos pintados traz boa sorte, fertilidade, amor e fortuna. Geralmente esses ovos são de galinha, ganso ou codorna e requerem um trabalho artesanal minucioso.

                         Em hebraico, temos o “pessach”, a chamada “Páscoa Judaica”, que se originou quando os hebreus, há mais ou menos três mil anos, celebraram o êxodo e a libertação do seu povo pelas mãos de Moisés, após quatrocentos anos de cativeiro no Egito. Comemoravam, assim, a passagem da escravidão para a libertação: saíram do solo egípcio, ficando quarenta anos no deserto até chegar à região da Palestina, a terra prometida, atualmente chamada Israel. A comemoração inclui, entre outras coisas, uma refeição onde se come o Cordeiro Pascal, o pão àzimo (sem fermento), também conhecido como ”matzá”, ervas amargas e vinho tinto. A festa da Páscoa passou a ser cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressureição de Cristo e sua ascenção ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a ressurreição. A celebração completa tem início na quarta-feira de cinzas e se conclui no domingo de Páscoa; é o período chamado de Quaresma.

                        A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicea, em 325 d.C, como sendo “o primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotada como sendo o dia 21 de março”.

 

 

                                          A ORIGEM DA SIMBOLOGIA DO OVO

 

                                                      

 

                        O ovo é um símbolo que se explica por si mesmo. Contém o germe, o fruto da vida que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que o ovo é o símbolo da vida.

                      Celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” sempre aparece depois de um período de cáos.

                     Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao céu e a terra. O céu seria a parte leve do ovo, a clara, e a terra, a mais densa, ou seja, a gema. Para os chineses, o mito do ovo cósmico também faz parte das tradições. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era cáos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a terra (Yin) e, da parte leve e pura, nasceu o céu (Yan). Também para os celtas o ovo cósmico é comparado a um ovo de serpente: assim, a gema representaria o globo terrestre; a clara, o firmamento e a atmosfera; a casca, a esfera celeste e os astros.

                    Para os cristãos, o ovo surge como uma renovação periódica da natureza. Algo como o mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no domingo de Páscoa traz saúde e sorte por todo o resto do ano. Há quem acredite que um ovo posto numa sexta-feira Santa afasta as doenças...

 

 

                                         POR QUE OVOS DE CHOCOLATE E COELHO?

                                              

 

 

                    Ambos foram trazidos de antigos rituais pagãos de fertilidade da primavera, que aconteciam na Europa e no Oriente Médio e eram relacionados à ressurreição. O coelho da Páscoa representa o renascimento da vida. No Egito antigo, o símbolo da fertilidade era a lebre. Já na Europa, é também o coelho que  representa o renascimento da vida pois a Páscoa européia coincide com com o início da primavera. Assim que a neve se derrete, a vida ressurge e os coelhos deixam suas tocas após a hibernação do inverno. Do outro lado do mundo, com a chegada da primavera, os chineses costumavam presentear seus amigos com ovos que eram embrulhados em cascas de cebola e cozidos com beterraba. Quando retirados do fogo, eles apresentavam desenhos mosqueados na casca.

                  A partir do século XIII, a igreja católica adotou o ovo como símbolo oficial da Páscoa. Quanto ao fato de serem de chocolate, a explicação mais provável tem a ver com o início da produção de chocolate em larga escala, pela indústria, no ano de 1828. Interessante destacarmos que como os primeiros cristãos celebravam a ressurreição de Jesus ao mesmo tempo em que os judeus comemoravam sua Páscoa, vários costumes e símbolos da festa judaica foram incorporados às tradições cristãs. O cordeiro é um exemplo. Presente na Páscoa dos judeus, ele simboliza, para os cristãos o próprio  Jesus Cristo, que foi crucificado para pagar os pecados dos homens. Alguns costumes da Páscoa, entretanto, permanecem apenas no Oriente. Na Rússia, por exemplo, há cristãos que se cumprimentam no dia da Páscoa com a saudação: “Cristo ressuscitou”; e a resposta: “Ressuscitou realmente”.

No sábado de Aleluia, os países ibéricos e suas colônias, têm o hábito de fazer a chamada “malhação de Judas”, o apóstolo que traiu Jesus. Apesar de ser uma tradição já ultrapassada e condenada pela igreja católica, também  algumas cidades brasileiras ainda a praticam.

 

 

                                                  O SIGNIFICADO DA PÁSCOA

                                      

 

                     A palavra Páscoa vem do hebraico, Pessach que, conforme já foi dito, significa “passagem”. Os antigos hebreus foram os primeiros a comemorar a Páscoa. Para eles, historicamente, ele celebra a libertação do povo hebreu da escravidão do Egito. Livres, passaram a formar um povo com uma religião monoteísta. É com o sentido de libertação que, até hoje, os judeus celebram esta festa. Os cristãos também a comemoram. No entanto, sua origem é diferente no cristianismo apesar de ele ter se originado numa Páscoa judaica. Nela, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo que, segundo a Bíblia, ocorreu três dias depois da crucificação, durante a Páscoa judaica. É a principal festa do ano litúrgico cristão e, provavelmente, uma das mais antigas, pois surgiu no início do cristianismo. Ainda que todos os domingos do ano sejam destinados, pelas igrejas cristãs no mundo à celebração da ressurreição de Cristo (o que na igreja católica é feito através da celebração da eucaristia, nas missas), no domingo de Páscoa esse acontecimento ganha um destaque festivo especial.

                    A Páscoa é uma data móvel que acontece anualmente entre os dias 22 de março e 25 de abril. Como no hemisfério Norte esse período coincide com a chegada da primavera, o Pessach  também é a festa do início da colheita dos cereais e da chegada da nova estação. É comemorada no primeiro domingo após a lua cheia do equinócio de março, ponto da órbita da terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite. Mas há um modo bem mais prático de sabermos quando é domingo de Páscoa: basta contarmos quarenta e seis dias a partir da Quarta-feira de Cinzas. A Páscoa cristã é antecedida pela quaresma, período que dura quarenta dias entre a Quarta-feira de Cinzas e o Domingo de Ramos, que ocorre uma semana antes da Páscoa. Os católicos destinavam a Quaresma para fazer penitência, como o jejum, com o objetivo da purificação da alma e de obter o perdão divino pelos erros e faltas cometidos. O que era uma tradição seguida à risca, hoje tornou-se um esquecimento, o que não impediu de ainda  existirem uns poucos católicos que a respeitem e cumpram, mas sem exageros ou fanatismos.

 

 

                                            A TRADIÇÃO DOS OVOS DE PÁSCOA

 

                                             

                     A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, levada pelos cruzados. Esta prática – pintar ovos para os festivais da primavera – era comum entre egípcios, persas, fenícios, gregos e romanos. Na Polônia e na Ucrânia essa tradição sempre foi levada muito a sério. Há ovos tão bem elaborados que nem podemos considerar mais apenas um ovo, e sim, verdadeiras jóias! Foram criados sob encomenda por um joalheiro russo, Carl Fabergé, que os confeccionou em ouro, prata e pedras preciosas. Estes, quando abertos, revelam pequenas imagens de pessoas, animais, plantas ou prédios e eram dados como presente pelo imperador russo.

 

 

                                                                 CÍRIO PASCAL

                                                              

                    O Círio Pascal é uma grande vela cuidadosamente decorada com vários símbolos e sinais  que, para os católicos, nas celebrações eucarísticas, representa a figura de Jesus Cristo Ressuscitado. A chama do Círio, acesa, simboliza a luz de Cristo que um dia afirmou a seus seguidores: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12b). Lembra também a coluna de fogo – mencionada na Bíblia, no livro do Êxodo 13,21 – que precedia o povo hebreu na caminhada para a libertação da escravidão do Egito, através do deserto, rumo à terra prometida. O Círio tem gravado em sua haste uma grande cruz. Nas extremidades superior e inferior, em sentido vertical, estão escritas as letras gregas Alfa e Ômega (primeira e última letras do alfabeto grego) simbolizando a eternidade de Jesus Cristo, o princípio e o fim, o ontem e o hoje, pois para ele são dedicados o tempo, a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim representados pelos algarimos do ano em curso e gravados nos quatro ângulos da cruz. Sobre a cruz são colocados cinco grãos de incenso, simbolizando as chagas de Jesus, causadas por sua crucifixão. Acende-se o Círio Pascal na missa do Sábado de Aleluia, ou Sábado Santo, que precede o Domingo de Páscoa, e em todas as missas dominicais celebradas até o Domingo de Pentecostes.

 

 

                                                                    TRIGO E UVA

                                                                         

                   Eram os alimentos básicos nas refeições judaicas. Simbolizam também o trabalho cooperativo dos homens: um semeia, outro colhe, outro mói, outro coze. Porém, o maior significado destes símbolos, para os cristãos, é decorrente do pão e do vinho que, usados por Jesus em sua última ceia com os seus discípulos, foram por ele assumidos como seu Corpo e Sangue, o que transformou estes alimentos no sacramento da eucaristia: “Tomai e comei, isto é meu corpo”. Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu a eles dizendo:” Bebei dele todos, pois isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados”. Mt 26, 26-28

 

 

                                                            CORDEIRO PASCAL

                                          

 

                     Mais um símbolo forte, herdado do povo hebreu que, ao sair do Egito, orientado por seu líder Moisés, recebeu de Deus a ordem de, a cada ano, na lua cheia da primavera, fazer uma reflexão em família, tendo como prato principal, o cordeiro, cujo sangue seria utilizado para marcar os umbrais das portas de suas moradas e assim livrar seus antepassados da morte, além de a carne lhes servir de sustento na longa caminhada através do deserto. O Cordeiro para eles significava o “Deus que tirava o pecado do mundo”. Jô 1, 29.

                   Jesus posteriormente assumiria para si este sinal identificando-se como o único e verdadeiro Cordeiro de Deus, que com seu Sangue derramado na cruz libertaria a humanidade  das conseqüências de seus pecados, e pela Eucaristia  se faria alimento espiritual para o povo cristão, neste peregrinar de volta ao Pai.

 

 

                                                                    CHRISTÓS

 

                                                                   

 

                    Este é um dos mais antigos símbolos de Cristo, muito usado pelas primeiras comunidades cristãs. Consistia nas duas primeiras letras da palavra “CHRISTUS” (em grego, CRISTOS); entrelaçadas e cercadas de uma grinalda de louros (Triunfo de Cristo)

 

 

                                                                         PEIXE

 

                                                                 

 

                   Logo a pós a crucifixão de Jesus e nos primeiros séculos do cristianismo, os cristãos sofreram violentas repressões por parte dos sacerdotes judeus e das autoridades romanas. Nesta época de perseguições, os cristãos não podiam falar publicamente o nome de Jesus, pois poderiam ser presos e martirizados. Estrategicamente recorreram ao uso da palavra “Peixe”(ICTUS, em grego) pois cada letra desse vocábulo corresponde à inicial da afirmativa: Jesus Christus Dei Filius Salvator (Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador). Em suas casas e nas roupas que usavam, pintavam a figura de um peixe como sinal de sua profissão de fé em Jesus Cristo. Depois de ressuscitado, em uma de suas aparições, Jesus serviu-se de peixe e ofereceu-o aos Apóstolos. Este gesto, associado ao milagre da multiplicação de pães e peixes que alimentou uma multidão de pessoas, ocasionou a oportuna associação do peixe ao tempo Pascal.

 

 

                                                    O MAIOR QUESTIONAMENTO 

                                           DA HUMANIDADE 

 

                                         

 

                   A Bíblia, reconhecida por judeus e cristãos como Livro da Verdade expressa por Deus ou o Livro da Revelação, em um de seus versículos assim se expressa: “Uma grande inquietação foi imposta a todos os homens, e um pesado jugo acabrunha os filhos de Adão, desde o dia em que saem do seio materno até o dia em que são sepultados no seio da mãe comum, a terra: seus pensamentos, os temores de seu coração, a apreensão do que esperam, e o dia em que tudo acaba, desde o que senta em um trono magnífico até o que se deita sobre a terra e a cinza; desde o que veste púrpura e ostenta coroa, até aquele que se cobre de pano. Furor, ciúme, inquietação, agitação, temor da morte...” (Eclo 40,1-4)

                  Daí se deduz a importância de que se reveste a celebração da festa da Páscoa ao longo dos séculos, que de uma maneira clara e objetiva reaviva no coração do homem uma resposta às suas dúvidas: a Ressurreição. A Páscoa, de uma maneira ou de outra, sempre simbolizou esta renovação, esta transformação, e as festas de páscoa, celebradas de maneiras tão diferentes, nas várias culturas – mas não menos significativas – evocam tradições anteriores aos ritos cristão e judaico. Este último, provavelmente tomou consistência quando os judeus celebraram a passagem do anjo pelo Egito, onde eles viviam escravos, ocasião em que os filhos de Israel foram salvos porque identificados pela marca do sangue de um cordeiro imolado.

 

                                                            A PÁSCOA CRISTÃ

 

                                                 

                    A Páscoa Cristã, iniciada com Jesus Cristo,  tem um significado mais profundo, apesar da correspondência com alguns símbolos da páscoa judaica, ou seja: como Ele ressurgiu três dias após sua morte, todos os que nele crêem ressurgirão também para a vida eterna. Os símbolos usados pelos cristãos significam um novo desabrochar, uma passagem da morte para a vida, por meio da ressurreição. Isso explica o costume dos ovos coloridos (às vezes até dourados, como na Rússia, verdadeiras jóias), porque o ovo, ao se abrir, representa o sepulcro que liberta a nova vida.

                  Outras tradições comuns aos cristãos são: a benção do fogo novo, o já aludido círio pascal, o pão artisticamente enfeitado porque é alimento que sustenta a vida. Para os judeus, a Páscoa é vida e liberdade; para os cristãos, vida e ressurreição.

 

 

                                         RELAÇÃO ENTRE OS SÍMBOLOS E A VIDA

 

                    Existem símbolos comuns na páscoa cristã e judaica: o cordeiro sem ossos quebrados e seu sangue marcando o povo para uma nova realidade de mudança e libertação. Cristo é o cordeiro imolado que salva a humanidade com seu sangue, e o evangelista insiste em dizer que, na cruz, nenhum osso lhe foi quebrado. Esses mesmos símbolos são utilizados em tribos de beduínos, nômades pastores de ovelhas que vivem no deserto ao norte do Iraque. Eles celebram o rito de vida, correspondendo à páscoa de cristãos e judeus que é celebrada na primeira lua cheia da primavera. Na verdade, esses beduínos árabes têm a mesma origem dos judeus, em Abraão – são descendentes de Ismael que é filho legítimo de Abrão com uma escrava egípcia chamada Agar – e essas semelhanças comprovam a autenticidade, a antiguidade e a origem de ambas as tradições.  

 

 

                                                           A PÁSCOA MOSAICA

                                 

 

                    Quem tem o privilégio de, uma vez estando no Oriente Médio, presenciar a celebração da vida entre os beduínos, pode afirmar que viu algo realmente inédito... Quando o sol se põe, os beduínos, povos nômades  que atravessam o imenso deserto, de ponta a ponta, reúnem-se para os preparativos da “festa da vida”. Entre outras coisas, pedem aos deuses para que tornem verdes as pastagens para os seus carneiros, meio de sobrevivência desses povos e suas famílias. Um cordeirinho é degolado após ter sido pendurado pelas pernas posteriores, recolhem o seu sangue numa espécie de tigela, com o cuidado de não lhe quebrarem nenhum osso, caso contrário, os deuses certamente recusarão a oferenda. Nesse ínterim, as mulheres dividem-se entre   cozinhar o pão ázimo (sem o fermento) típico do oriente, em grandes pedras quentes e preparar um molho de ervas aromáticas também próprias do deserto. O chefe o grupo de beduínos, unge com o sangue do cordeirinho as testas das cabeças dos homens e das mulheres, as tendas de cada um, bem como suas estacas e amarras. A finalidade desse ato (insopo) é a de afugentar os espíritos do mal, também conhecidos como “anjos exterminadores”, a fim de que todos os beduínos fiquem protegidos. O ritual culmina com um banquete, onde os homens ficam em pé, com um cajado na mão, ato que simbolicamente sugere estarem se preparando para uma viagem. Terminada a celebração, os beduínos voltam às suas andanças pelo deserto, certos de que podem contar com a proteção divina. Essa festa possui simbologias comuns com a páscoa judaica: o cordeiro novo, imaculado, sem ossos quebrados que é comido em pé e as ervas amargas. Os povos samaritanos (naturais de Samaria, perto de Nablus, antiga cidade de Neápolis, muito citada nos Evangelhos) ainda realizam o mesmo rito pascal, no monte Garizim.

 

 

                                                  PESSACH, A PÁSCOA JUDAÍCA 

                                                                 

                     A Páscoa judaica é chamada pessach, ou seja, libertação, certamente  fazendo referência ao livro do Êxodo, quando relembra a escravidão dos judeus, no Egito, bem como ao fazer referência à ordem dada por Moisés para que matassem um cordeirinho de um ano, comessem-no em pé, aspargissem com sangue as portas de suas casas e se preparassem para viajar. “E Moisés disse ao povo: Lembrai-vos deste dia no qual saís do Egito, da escravidão; pois por força de sua mão, D'us vos tirou daquele lugar, e nenhum pão fermentado será comido. Vós estais vos libertando neste dia do mês de Abib. Assim, quando D'us vos levar para a terra dos Canaanitas, dos Hititas, dos Amoritas, dos Hivitas, e dos Jebuseus, que Ele jurou a vossos pais vos dar, uma terra onde flui o leite e o mel, mantereis este serviço neste mês. Sete dias comereis pão sem levedura, e o sétimo dia será uma festa de homenagem a D'us. (Êxodo 12, 3-6)”. Disfarçado de peste, o “anjo exterminador” matou os filhos primogênitos dos egípcios e dos animais, porém preservou os dos israelitas. Os judeus celebram a páscoa no primeiro dia de lua cheia, do primeiro mês do início da primavera e dura oito dias. Por comemorar a liberdade e identidade judaica, proteger o povo durante muitos séculos através de seus ritos tradicionais, o Pessach é a festa  mais importante do calendário judaico. Sendo uma festa tipicamente familiar, no dia anterior à celebração faz-se uma profunda limpeza da casa cuidando para que nela não se deixar nenhum fermento. Em alguns lugares, costuma-se até queimar esse lixo para ensinar às crianças que durante o Pessach  somente é permitido comer pães ázimos, conforme a prescrição do Livro do Êxodo. A Cabala, livro de orientações dos judeus, ensina que o fermento representa as imperfeições morais e as tendências negativas do homem. Como a massa fermentada enche-se  de ar e cresce, assim o homem se enche de vaidades vazias. Quando os judeus fugiram do Egito, suas mulheres, que começavam o preparo dos alimentos, viram-se tão assoberbadas de trabalho para juntarem seus pertences que não tiveram tempo hábil para acrescentar o fermento ao pão. Tudo o que tiveram tempo de fazer foi levar a massa já feita para assá-la durante a travessia do deserto. Desde então, o pão dos judeus passou a ser conhecido por “pão ázimo” (sem fermento), ou Matzot, único que é servido nos dias da celebração do Pessach.

 

 

                                                O  SEDER DA PÁSCOA JUDAICA 

                                                            

                    Nas duas primeiras noites de Pesach (a festa do Pessach dura sete dias) as famílias se reúnem para recitar a Hagadá, ao redor da mesa do Seder (a ceia). A Hagadá  narra o êxodo dos judeus do Egito e encena, de forma simbólica, os feitos históricos bem como os ensinamentos que deles advêm. A palavra Seder  significa “em ordem”. No seder serve-se uma refeição chamada Keará, composta dos seguintes pratos: zeroá, pescoço ou coxa de galinha que simboliza o cordeiro Pascal; betsá, ovo cozido. É servido normalmente aos enlutados  e relembra o luto pela destruição do Templo; maror, as ervas amargas que simbolizam  a amargura da vida escrava no Egito, onde para cada tijolo que faltava, a vida de uma criança era sacrificada; charoset, massa feita com nozes  maçãs, uvas passas, simboliza a argamassa dos tijolos feitos no Egito; karpás, salsão ou salada de verduras secas cortadas (rabanete, alface, almeirão e cebolão sem tempero). Representa o trabalho duro do povo judeu, então  escravo; chazeret, folhas amargas com o mesmo significado do maror que, dessa vez, é comido como sanduíche; água salgada servida numa pequena tigela. Durante o seder, são tomadas quatro copos de vinho, e mais um para Elias, que anunciará a vinda do Messias. Mas, por que só quatro copos de vinho? Segundo a tradição, para  lembrar os quatro verbos hebraicos que Deus usou quando prometeu a libertação do povo judeu do Egito:  “Eu vos tirarei... vos livrarei... vos remirei... vos trarei para mim...” (Êxodo 6:6-7). O copo da Santificação é o primeiro e relembra que os judeus foram escolhidos por Deus como um povo santo e libertados da opressão do Egito tornando-se livres para servirem o seu Deus; o segundo copo é o do Ensinamento, como diz a própria palavra, é tomado no momento em que as crianças fazem quatro perguntas: por que mergulhamos o Karpás, na água salgada? Por que comemos matzá? Porque comemos ervas amargas? Por que nesta noite sentamos reclinados? Então, é feita uma breve narrativa para que as crianças aprendam a história de seus ascendentes. O copo da Redenção - na língua hebraica representado pelas palavras go’el, e padah, é o terceiro. É aquele que redime, o redentor. Ga’al é usado para redimir pessoas familiares, e padah simplesmente significa pagar um preço. O preço pago pelos israelitas foi o sangue do cordeiro, aplicado nas portas de suas casas para redimir a vida do primogênito. Para os que crêem, o sangue do Cordeiro de Deus é aplicado em seus corações a fim de que se redimam. Yeshua (Jesus, para nós, cristãos), o redentor, pagou o mais alto preço para redimir nossos pecados. Morreu crucificado. O quarto copo é o da Esperança. Quando é sorvido, cantam-se os Salmos 115 ao 118 e o 136. É esse o exato momento em que se demonstra a esperança de que um dia o Messias virá. Após a refeição, as crianças buscam a sobremesa que foi escondida pelo pai no início da cerimônia. É feita a bênção de ação de graças e toma-se mais um copo de vinho que é ofertado ao profeta Elias. Encerra-se, o seder de um modo formal, com canções e melodias que podem continuar durante toda a noite. A última delas, “No ano que vem em Jerusalém”, representa um voto de esperança que reproduz desejo que está nos corações de todos os judeus: que se restabeleça o reino de Deus e que o de Jerusalém seja o símbolo, aonda que incompleto, da vida nos tempos messiânicos.

 

                                                     O VERDADEIRO PESSACH

                                                               (A celebração)

                                                

                    Temos visto que nas celebrações da Páscoa judaica fazemos referência somente ao nome da festa. Mas há muitos judeus e não judeus que têm um Pessach e Páscoa verdadeiros tal qual a Tora e a Bíblia descrevem
“E era a preparação da Páscoa, e quase a hora sexta; e disse aos judeus: eis aqui o vosso rei. Mas eles bradaram: tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos Hei de crucificar o  vosso rei? Responderam os principais dos sacerdotes: não temos rei, senão  César. Então entregou-lhes para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus e o levaram. E, levando Ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus (Yeshua) no meio. Pilatos escreveu um título, e o colocou em cima da cruz; nele estava escrito em latim: Iesus Nazarenus Rex Iudeorum (Jesus Nazareno, Rei dos Judeus - INRI). Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Porque isto aconteceu para que se cumprisse o que as Escrituras dizem: nenhum de seus ossos será quebrado”. Alguns anos mais tarde, Saulo (Shaul), um judeu ortodoxo e grande rabino entendeu a verdade sobre este cordeiro de Pessach especial e lembrou aos judeus e gentios, em Corinto:... “Há Mashiach, nosso Pessach, foi crucificado por nós” (I Corintios 5:7).

                    O evento correspondente à Páscoa no Novo Testamento é a redenção. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da Páscoa para a libertação dos judeus do Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: "... Ele salvará o seu povo dos pecados deles" (Mt.1:21); "...pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados" (Ap.1:5); "...Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado" (I Co.5:7). Cristo se fez oferta pelo pecado. Há uma perfeita identificação entre o pecado do crente e a oferta pelo pecado (Jo 3:14). Esta identificação é ainda mais evidente no Antigo Testamento, pois "a palavra hebraica hattâ't usada para traduzir pecado é derivada de uma forma verbal que significa purificar, de modo que o substantivo significa um sacrifício que obtém a purificação”.Desse modo o texto do Gênesis 4:7 fica com mais sentido: "... se, todavia, procederes mal, eis que o (a oferta pelo) pecado jaz à porta... a ti cumpre dominá-lo (domá-lo)" (Gn 4:7). Esta identificação também pode ser vista no Novo Testamento: "Aquele que não conheceu pecado, ele o fez (oferta pelo) pecado por nós..." (II Co 5:21). Este era o método usado por Deus, desde os tempos de Adão, para perdoar os pecados: O sangue deveria ser derramado "Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação (kafer = cobertura - veja Gn 3:21 e 6:14) pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Lv 17:11). Por isso "... sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9:22). No tempo do Antigo Testamento o sangue dos animais apenas cobria os pecados. O sangue de Cristo tira o pecado do mundo (Jo 1:29).A primeira Páscoa foi comemorada numa sexta-feira. Jesus também foi crucificado numa sexta-feira (Mt 27:62; Mc 15:42; Lc.23:54; Jo.19:14), às 09h00, isto é à "hora tertia", à “hora terceira” (Mc 15:25). Das 12h00 às 15h00, isto é, da hora sexta à hora nona, houve trevas sobre a terra (Mt 27:45; Lc 23:44-46). Depois disso Ele rendeu o espírito, no período entre 15h00 e 18h00. Este período compreendido entre a hora nona (15h00) e o pôr do sol (18h00), no qual Jesus morreu é o mesmo período designado para o sacrifício da Páscoa, ou seja, no crepúsculo da tarde, (Lv.23:5; Nm.28:4,8).Tudo indica que Jesus morreu após as 15:00 horas, que é a hora nona (Lc 23:44-46). Porém, naquele tempo as horas não eram indicadas com precisão, como ocorre hoje. Assim sendo, é possível que Jesus tenha morrido entre 15:00 e 17:00 horas, tendo sido sepultado aproximadamente após as 17:00 horas (Mc 15:42), pois o Sábado iria começar às 18:00 horas (Lc 23:54), e a Lei Judaica proibe o trabalho aos Sábados bem como a permanência de um corpo morto na cruz (Dt.21:22,23; Jo.19:31). É o shabat.

                                                     Miriam Panighel Carvalho

 

                                                                Páscoa, 2009

 



 

A Sombra do seu sorriso

Sorrias naquele dia
Do jeito bem que eu queria
Amor e felicidade
Como não houve jamais!
Mas veio a fatalidade
Do seu sorriso, a saudade
A sombra do nunca mais...  
 

Miriam Panighel Carvalho

 



 

BEIJOS "LAMBIDOS"

Quero os teus beijos bem lambidos
Intensos, longos, sufocantes
Em meio a espasmos e gemidos
Dois corpos tesos, latejantes
 
Beijos lambidos ardorosos
Permeados de fartos "ais"
A volúpia em beijos gososos
Com sabor de " vem...quero mais!"
 
Beija-me inteira que me entrego
Nos teus versos do "vai-e-vem"
Faz-me amor, exalta-me o ego...
 
Vamos deixar de "nhénhéinhéin"
E vem buscar o que eu não nego
Que igual jamais terás de alguém!
 
 Miriam Panighel Carvalho

 



 

COMPROMISSO ETERNO
 
Tenho um compromisso eterno com você.
Tenho um encontro marcado com você por toda a vida.
E depois dela, e da outra... e de todas as demais que hão de vir...
Tenho uma relação constante, infinitamente bela, profunda e sincera com você.
Tenho um amor perene e imutável por você...
Tenho a minha vida passada, presente e futura para lhe dedicar.
Tenho tudo de mim para lhe entregar... Já nada mais do que possuo seja só meu...
Sou eu mais você, portanto não sou mais eu.
Somos nós... almas semelhantes, plenamente entregues uma à outra,
definitivamente integradas uma na outra...
Agora, mesmo que algo ou alguém se interponha entre nós,
sei que seremos suficientemente fortes e capazes de lutar contra
e, com determinação, enfrentar cada obstáculo para não mais nos separarmos...
Porque nosso amor será firmado, reafirmado e sacramentado com as bençãos de Deus...
Hoje não somos mais abstratos um para o outro: sabemos que existimos e isso já faz com que
não só possamos  sonhar como sempre fizemos em nossa solidão,
mas, principalmente, imaginar o romance que desejamos viver.
Hoje trilhamos um caminho que não tem mais volta, visto que existe sentimento.
Sei que vou amá-lo como sempre desejei amar alguém ofertando-lhe a melhor parte de mim.
Isso me fará sorrir até mesmo nas horas de desespero e encarar os embates da vida
com todo o otimismo que somente você me transmite...
Ao longo de todos os anos em  que vivi sem você, a vida me fez sofrer as piores dores...
Passei por momentos de muita, muita tristeza e desolação...
Desses momentos trago as cicatrizes que estão se diluindo em minha alma
graças ao bálsamo que a sua presença tem sido nos meus dias...
Você, que é o meu amor, a minha vida e toda a esperança de poder finalmente, tê-lo feliz comigo...
Você, que é o porto seguro do meu eu, é a fonte das minhas alegrias, caminho do meu viver...
Você são as asas do meu pensamento, o perfume que  meus poros exalam, a luz do meuamanhecer...
É o alvorecer dos meus poemas e o crepúsculo da minha solidão,
a aurora da minha felicidade, o vendaval de sentimentos que inundam meu interior
e fazem com que eu vibre intensamente por ter o privilégio de dividí-los com você.
Você é o meu homem amado, aquele a quem desde há muito já entreguei meu espírito
e a quem em breve também entregarei  o meu corpo
para, enfim, me consagrar como mulher de forma plena e total...
EM VOCÊ.

 Miriam Panighel Carvalho

 



 

O Pincel e a Pena 

 

                                            O pincel pintou...

                                            O que a pena escreveu...

                                            Uma fusão mais que boa:

                                            que tal um Rembrandt

                                            com Fernando Pessoa?

   
                                             Miriam Panighel Carvalho

 


http://i78.photobucket.com/albums/j108/alpenna/Artes/Rembrandt/TheNightWatch.jpg

                                              
 

                 

Tudo quanto penso

           Tudo quanto penso, 
           Tudo quanto sou 
           É um deserto imenso 
           Onde nem eu estou. 

           Extensão parada 
           Sem nada a estar ali, 
           Areia peneirada 
           Vou dar-lhe a ferroada 
           Da vida que vivi. 

[...]    Fernando Pessoa, 18-3-1935 
 

 



 

"MISTERY"
 
Nada tenho a revelar,
Pois que sou puro mistério
Enigma a decifrar
Com muita calma e critério.
 
Preciso ser explorada
Devagar, com precisão
Depois de ser bem "cli-ca-da"
No meio da multidão...
 
De mim, nada saberá
Pois sou túmulo cerrado
Procurando encontrará
Um paraíso encantado...
 
Se duvida, vem checar
Sou como agulha em palheiro
Se quiser me desvendar
Seja bem bisbilhoteiro!
 
Encontrará armadilhas
Que dentro de mim encerro
Mas deixarei pegadilhas
Afinal, não sou de ferro...
 

Miriam Panighel Carvalho

 




.

 

                                                          O POETA
 
                                                  Assim como o ator interpreta
                                                  uma peça com emoção,
                                                  assim também verseja o poeta
                                                  que escreve com seu coração.
 
                                                  Faz poemas com sentimento
                                                  A emoção não consegue ocultar
                                                  Não tem hora, não tem momento
                                                  Para o bardo o amor decantar 
 
                                                  O poeta jamais "faz de conta"
                                                  Ele conta e -ah! - como encanta!
                                                  Abre a alma e jamais desaponta
                                                  Não escreve - o vate - ele canta.
 
                                                  De espírito super sensível
                                                  Na verdade é incompreendido
                                                  Mas nos olhos deixa visível
                                                  Vestígios de um amor perdido...
 
                                                    
                                                         Sampa, 25/07/2007

 

 

 

 

FELIZ ANO NOVO!

Mais um ano que termina, outro que começa... Um tempo que vai outro que fica... Lembranças inesquecíveis, instantes de fugaz felicidade, momentos de interminável angústia... Algumas recordações que levaremos conosco para o próximo ano até que esmaeçam... outras que de tão marcantes, ficarão para sempre em nossos corações adquirindo mais cor a cada passar de ano...
E novamente ficará a impressão de que com o término de 2007, hão de desvanecer um pouco  mais as vetustas esperanças de vivermos num mundo melhor.
Um mundo em que possamos divisar uma réstia de luz que aclare o negrume que envolve o nosso planeta, já de há muito imerso em convulsões de todos os gêneros, em todos os sentidos.
Ameaças de terroristas ainda pairam no ar que fica sombrio a cada ano que se inicia.
Tragédias naturais, catumbis, acidentes, incidentes, medo... O medo continuará dominando as pessoas e a desconfiança toldará nossos horizontes, é inevitável!
Vivemos numa sociedade materialista que, deteriorada em quase tudo – principalmente nos valores morais – fez com que acabássemos por enveredar numa verdadeira “barragem” de mentiras, corrupção e ganância pelo poder. E a violência grassa como penas ao vento!O que nos reserva o futuro? Conseguiremos uma trégua em meio à luta que travamos anos a fio? Será que nós, brasileiros sempre otimistas, briosos, povo adepto da paz e da alegria, teremos forças para continuar desfraldando nosso estandarte da fé? Ou será que nos transformaremos em derrotistas? Estas e outras tantas indagações povoarão milhões de cabeças quando os ponteiros dos relógios em 31 de dezembro marcarem meia-noite...
Mas bem no íntimo de cada um, lá estará uma esperança latente: desmembraremos fibra por fibra de nossos corações a fim de que, em 2008, nossos ideais sejam mais bem direcionados renovando, assim as esperanças quase perdidas. Porque o brasileiro é tinhoso. Somos persistentes, em nossos propósitos (somos o “florão da América”), valentes ante as ameaças, bravos em nossos lutas e vencedores de todas as batalhas. Nosso povo não se deixa enganar, apesar da aparente apatia, nem permite que nos roubem as ilusões, os anseios, as esperanças. Brasileiro tem garra, não se “deita em berço esplêndido”. Trabalha para conquistar o melhor para o País. E, dentre os enganos e desenganos, sabe se defender através da única “arma” que leva à paz: o Amor. Não precisamos de armas assassinas, nem mesmo de derramamento de sangue para libertar nosso país das mãos dos corruptos e traiçoeiros. Nosso trabalho para o progresso da Nação, bem como o amor ao próximo, a solidariedade e, acima de tudo, o AMOR, e a FÉ em Deus, são os aliados de que precisamos para vencer o mal e triunfar a corrupção que fatalmente nos levará à lama se não tivermos “braço forte”.  Nosso “brado retumbante” ecoará por todas as futuras gerações que, orgulhosas, saberão que não “fugimos à luta”.

                 Que o repicar dos sinos, no primeiro minuto do Ano Novo, traga o prenúncio de perspectivas felizes para 2008, com a certeza de que o mundo inteiro estará definitivamente renascendo para a PAZ!

FELICIDADES SEMPRE!
VIVA  2008!

 

 

 

 

 

O NATAL SÃO TODOS OS DIAS

 

 

Ah, eu adoro o Papai Noel! E gosto tanto, que outro dia, no aeroporto Internacional de São Paulo, bastava ver um, (lá está cheio deles!) que saia correndo e sentava no colo dele... Abracei, beijei e...bem, vou confessar: agradeci pela paciência  que teve para com meus filhos e sobrinhas, quando crianças...

 

Agradei sua barba imensa, apertei a bochecha vermelha e pedi para falar:

 

                                      HO!  HO!.HO!        

 

Até fotografias consegui permissão para tirar! Foram momentos de agradável diversão e descontração.É simpático, muito simpático o "bom velhinho"! Mas tudo não passou mesmo de uma brincadeira inocente, pois quem não sabe que ele é apenas uma figura simbólica, fictícia, inventada para representar um dia que só é cultuado pelos cristãos?? E quem  não sabe que  o homenageado é Cristo? O mundo inteiro sabe, claro! Natal é o aniversário de Jesus Cristo e, infelizmente, muitos de nós, cristãos, temos nos esquecido disso... A tal  ponto que O  substituimos pela figura do "bom velhinho " e entramos na  armadilha do consumismo!

 

Natal é o nascimento de Jesus Cristo!

Ele nasceu, viveu e morreu por nós...

 

                            Não esqueçamos, amigos!

 

Se estas palavras conseguirem fazer com que uma pessoa - apenas uma! -  pare e reflita sobre o verdadeiro significado do Natal, já valeu tê-las escrito!

 

OOOOOOOOPSSSSSS!! ESQUECI DE DIZER: OS PAPAIS NOÉIS

DO AEROPORTO ERAM BONECOS, OUVIRAM?????...

 

 

PANTUM

Apenas para relembrar um estilo de poema que caiu em desuso.

Pantum é um poema de origem Malaia, introduzido na Europa por Victor Hugo. Foi muito utilizado por Olavo Bilac e Alberto de Oliveira aqui no Brasil. Suas regras consistem em intercalar versos de forma que o 2º e 4º verso de cada estrofe passem a ser o 1º e 3º verso da estrofe seguinte. O último verso do poema tem de ser similar ao que  iniciou o Pantum.

APALAVRADOS

(PANTUM)
         
Apalavrada estou contigo amor
Comprometida na alma e coração.
De um modo incrível, avassalador,
serei só tua, inteira devoção.

Comprometida na alma e coração
se estiveres comigo apalavrado
Serei só tua, inteira devoção
do meu mundo eu farei o teu reinado.

Se estiveres comigo apalavrado
terás em mim amor e sedução
Do meu mundo eu farei o teu reinado
te darei os delírios da paixão

Terás em mim amor e sedução...
Com tal fulgor e tamanha pujança
te darei os delírios da paixão
Corpos e almas, divina aliança!

Com tal fulgor e tamanha pujança
de dois amantes consumando o amor
Corpos e almas, divina aliança,
no teu morno jorro ao tocar a flor... 

De dois amantes consumando o amor
o compromisso da nossa união
No teu morno jorro ao tocar a flor
que destila o mel da minha paixão...

O compromisso da nossa união
sagrado enlace - teu corpo no meu
que destila o mel da minha paixão...
Meu mundo passa a ser somente teu!

Sagrado enlace - teu corpo no meu
Bênçãos sagradas por nós a zelar
Meu mundo passa a ser somente teu
Num céu de estrelas sinos a tocar...

Bênçãos sagradas  por nós a zelar
"nas colossais esferas das alturas"
Num céu de estrelas sinos a tocar
"saudando o nosso amor com mil venturas"

"Nas colossais esferas das alturas"
Os astros em perfeita conjunção
"Saudando nosso amor com mil venturas"
Eternizando, enfim, nossa união.

Os astros em perfeita conjunção
Se aceitares do meu mundo ser senhor
Eternizando, enfim, nossa união
Apalavrada estou contigo amor.

 

 

Arco do Triunfo

                               
                                    PARIS

 

Não. Não é saudade que sinto de Paris, pois que só se tem saudades dos lugares em que vivemos algum tempo. O que meu coração sente, na verdade, é melancolia ao lembrar de uma época que não volta mais. E nesse tempo, entre tantas emoções, passando por encantos e desencantos, está  P a r i s!

Ah, Paris... Não conheço quem não goste da Cidade Luz .Romântica, misto de tristeza e alegria, encontros e desencontros, ilusões e desilusões, Paris é vida!

É feminina, excitante, amorosa, arrogante, terna e cruel. Paris é dama, mas também, rameira; charmosa e sedutora, é capaz de nos levar ao paraíso e em seguida nos atirar aos infernos...

Ah, Paris! Dos amores eternos e das paixões fugazes, das sofisticadas madames e das desbocadas meretrizes; dos imensos parques e das grandes praças, das avenidas largas e das ruelas estreitas...Dos frígidos invernos e das floradas coloridas...Paris das bicicletas e do metrô antigo; dos garçons e das “garçonieres”.

Paris dos momentos críveis, das emoções incríveis é luz, é mulher coquete, arrebatadora... é pecado e perdição, magia e ilusão. Paris é toda extremos, nada é comum ou meio termo desde as cafeterias aos cafetões, dos filósofos aos xenófobos, das cafetinas e dançarinas, dos “bistrôs” da San Michelle  e dos “vitraux” da Saint-Chapelle...O fulgor do “Lido”, o Noir Pinot......

De Piaf e Aznavour, de Gilbert Becaud e o “ Et Maintenant”, Alan Delon e Brigitte Bardot,  Mireille Mathieu e Maurice Chevalier... Paris do “Triunfo” e da “Bastilha”, a queda; das pinturas de Montmartre às mesuras de Bonaparte... Burgos e “Chateaux”, Jardins e Torre Eiffel... Da baguette “axilosa”, da “Lafayette” perfumosa... Do “Bateau Mouche” no Rio Sena e da Versailles serena... Paris da “Notre Dame” e da Place Vendôme”; do Palais de “La Monnaie” e do “Musée d'Orsay , da “Madeleine”, do Louvre e da “moderne” Defense... Paris, Paris... da  “Marseillese” de France:

“Allons enfants de la patrie”...

Allons, allons!

Qu’est-ce qu’elle est belle, Paris! 

 

 

BUBBLING

 

Eu sou um mistério inquieto

Na efervescência da vida

Sou também amor secreto

E paixão endoidecida

Vago por todo este mundo

Esfuziante, vigorosa

Amo sôfrego, profundo,

Torno-me presa dengosa

Misto de santa e profana

Cá dentro de mim aflora

Uma força sobre-humana...

É a poção do amor que exora

E se a paixão tergiversa

Sei me render cedo ou tarde

Pois existe quem impeça

"Este meu fogo que arde?"

 

 

TRISTEZA
 
Margarida despetala
Vai morrendo devagar
A natureza não fala
O céu começa a chorar
Silencia todo o mundo!
E Deus, de triste, se cala...
 
 
(Texto originalmente publicado em
DESAFIO POETICO- Varal do Luna

 

 

"ARACHNE

Fêmea perigosa

 

Tecelã das rendas

Seduz às sabendas

 

Dois palpos-agulha

Brilho cor breu-hulha

Um tanto sinistro

Cerda calamistro

 

Sugestiva parte

    Feminina. “Quella”...

   Teu farte...meu enfarte...

 

Será minha,"a dela"?

Obra prima de arte

Madonna, è più bella!

 

 

UNIVERSO
 
Vim de reticências
Vago no vaivém
Recrio desinências
Meteorodízimas além.
 
Da poeira cátion
O Sol primevo
Star-evolution
E elipse-relêvo.
 
Da erg dos mundos
Fez-se movimento
A macropontos rotundos.
 
Fez-se relatividade:
Silêncio, inércia, idade...
Eis-me Fimamento.
 
          Freddy Diblu

 

 

                                                      Não tira esses óculos !

                                          Mulher, não tira esses óculos
                                                Tira o supérfluo, apenas...              
                                                Vem, que entre amplexos e ósculos             
                                                 Enlouqueces teu mecenas!
 
                                           Dos óculos, usa e abusa
                                                 E não me priva de nada
                                                 Lembra-te!És tu minha musa
                                                Anjo meu, fera danada
 
                                           É que quando te imagino
                                                 Ponho-me doido... Ah!Capice?
                                                 Ma che bello desatino:
                                                 Seus óculos, meu fetiche...
 
 
                                           Sai da insossa fase zen
                                                 Mostra todo o teu ardor
                                                 De vez em sempre faz bem
                                                 Esquentarmos o motor"...
 
                                            Deixa que eu prove o tempero
                                                  Que exalas no teu suor
                                                  Que em tua pele o meu cheiro
                                                  Misture com teu sabor
 
                                            Exaura-me com fervor
                                                  Na balada sensual
                                                  Cadenciada do amor
                                                  Inocente e animal...
 
                                           Bella donna, donna bella
                                                 Eletriza, sai do "zen"
                                                 Extrapola, te revela
                                                 Forti, fortissimo...vem!
                                       

 

 

"Tuazinha"
 
Quão sortuda a tua musa
Que te inspira, te enlouquece
Que no teu leito usa e abusa
Desse ardor que te ensandece!
 
Que te sussura - voz rouca  - 
Na alcova do teu docel:
Vem sorver c'o a tua boca
No meu orgasmo o teu mel...
 
Quantas mulheres, na certa,
Musas tuas sonham ser...
Inspiração de um poeta?
Ah! São poucas com tal poder!
 
Tuazinha, amada, amante
Sou eu que teu sangue inflama!
Sei amar, e sou vibrante,
Seja na cama ou... na lama.

************************

ZINHA MINHA
Autor: Freddy Diblu

Zinha minha, Zinha minha!
Sozinha, é desperdício de freirinha
Suplício de modinha libidinosa
Ego i n f l a d o por louvaminha.
No pomar de relação extremosa
Me ensina desfrutar de polpa de zinha
Fantasiar à corda de seda libertina
Decodificar áreas erógenas com rosa
Aflorar à língua seu broto-de-calcinha
Voltear preciso nesse ponto G de china
Preencher-lhe na pegada, de sair da linha
E alar seu multiorgasmo de dançarina
Do ventre, até deixa-la levinha, levinha...

Zinha minha, Zinha minha!
Já na manhã, momento de se reafirmar
Sem distanciamento nem tuna maninha
Só dá você, o contentamento – uh-la-lá!
Ósculos, amplexos, sorrisão sacaninha
E claror nos olhos de salaz bem-estar.
Você, mamilo-tesão, dita-cuja comezinha
Da coisinha-ímã, cara () ladinha... felice
Felice não, felicíssima! Ar de putinha!
Na expressão indecomponível de Alice
E sensação de ultrafogosa Engraçadinha
Estuação erótica que ninguém ainda disse
Se permita ser Zinha minha, Zinha minha


 

   A UM POETA AMANTE
                     (Resposta ao poema "Amante Tenaz"
                                      de Freddy Diblu) 
 
                    Queres amar perdidamente
                    Alguém que saiba amar também?
                    Que seja pura e indecente  
                    Do seu amor doce refém?
 
                    Mulher criança, fêmea fera
                    Que embora sábia, queira aprender.
                    Misto de pomba com pantera
                    Seja discreta sem se esconder.
 
                    Que ao seu toque teu corpo trema
                    E o seu beijo te aguce a fome
                    No leito - ai,louca! - grite e gema
                    De intenso amor, prazer enorme...
 
                    "Alguém dada, vinda do além",
                    Já não mais sente o fogo que arde... 
                    E eis que pergunto  então, também:
                    Amar-te assim, sabes quem há de?
 
 
 

 AMANTE TENAZ

 

                “Já nem sei dizer se sou feliz ou não

                       Já nem sei pra quem eu dou meu coração

                       Preciso acreditar que gosto de alguém
                       E essa tristeza...

                       Vai ter que acabar e custe o que custar”

 

                                             Edson Ribeiro/ Hélio Justo

 

        

Hei de amar como ninguém

Alguém que saiba amar também

Alguém dada, hem! vinda do além

Linda e infinda que nada a detém.

Tentação imprevista que à vista

Sussurra uma canção, suave surra

A canção doce e aberta, predestinada

Como se fosse à corrente alerta

Numa inocente expressão de namorada.

Alguém, alguém qualquer coisa de graça

Carnadura bela , brunidura de pele mulata

Uma tortura sequer delicada – mulher-cela.

Aquela, cuja desenvoltura empina a raça

E que faça sete juras de fidelidade nela.

Gataça audaz! chegada a segredos da mata

Que, por apetente e desejada, muito desacata

Frente a frente... sinuosamente feraz!

Do mio rente, cio e amavios na dança exata.

Alguém cujo roçar de pêlos são apelos carnais!

E corpos lambidos a marcas de dentes fatais.

 

Hei de amar como ninguém

Alguém que saiba amar também

A antimachista consciente de seu entono

Que me tenha tão mais que objeto-conquista.

Ah, nunca o abandono das tardes de outono!

Nunca, inda mais assim um tanto passado

Perfumado de rosais antigos, num vagar de pista

Mendigo de beijos pontuais, de amor requentado.

Ai de mim, é demais! A quem amarei, Luz fugaz

E por quem tudo serei capaz?

 

Hei de amar como ninguém

Alguém que saiba amar também

Alguém que caiba bem de Mão-guia

Do tipo vem-que-tem, com Termo de Garantia

À quem conjugarei devoção e afrodisia

Que nem em Meu Bem, Meu Bem, Meu Bem.

 

© Freddy Diblu

 

 

Haikai

Ave grande, forte.
Garoa. No chão avoa
Pássaro da morte.

 

                             Caros amigos, bom dia!

                     Este texto é baseado em fato verídico. Ocorreu com a mãe de uma das vítimas da tragédia do Airbus da Tam, dia 17 pp, que sensibilizou o mundo inteiro, à exceção do nosso "presidente" omisso,vaidoso, etc, etc, bem como os demais membros deste (des) governo corrupto, criminoso e desqualificado.

Desculpe-me o desabafo, mas a alma do povo brasileiro está de luto!   

                                                      Meu abraço, 

 

                                  “SOPA DE LÁGRIMAS”

                                                                 

O relógio marcava 17:30min. Quando o telefone tocou, a mulher já sabia quem era. Atendeu. Um largo sorriso iluminava-lhe o semblante.

"Mãe? Faz pra mim aquela sopinha que só você sabe fazer tão bem”?

Olhos brilhantes de satisfação, a mulher aquiesceu feliz. Tão logo desligou, pôs-se a separar os ingredientes para a sopa. Sorriu novamente. Ainda "ouvia" a voz do filho.

 Por volta das 18:30 ligou a tv enquanto cozinhava. O silêncio da casa foi quebrado pelo som de gritos e sirenes. Eram 19hs. Imensas labaredas lambiam as paredes do prédio em que o Airbus da Tam se chocou. Explosões sucessivas aumentavam as chamas. Gigantescas cortinas de fumaça negra dificultavam a visão dos bombeiros. Horrorizada, pensou no filho e sentiu um forte aperto no coração. Grossas lágrimas saltavam-lhe dos olhos e caiam diretamente na sopa que, num gesto mecânico, ela ainda mexia.

Seguiu-se outra explosão e o fogo tomou conta de todo o prédio onde seu filho trabalhava. Correu para o telefone e, trêmula, discou o número do rapaz. Um apito, nada mais. 

Tresloucada, ganhou as ruas, correndo sem rumo. Os vizinhos bem que tentaram, mas não conseguiram detê-la. Através da porta aberta quem passasse podia ouvir a tv ligada.

No fogão, a sopa fria... 

 

A PALAVRA
 
A palavra que é escrita
Talvez seja a que mais fala
Traduz o que o peito grita
Sempre que a boca se cala.

 

 

AUTO RETRATO

 

O mundo é um palco

Onde enceno a vida

É meu catafalco

E minha guarida.

Fui tudo e fui nada

Fiquei mascarada

Sou mulher bandida.

 

(Septilha publicada no "Varal do Luna" -

Portal Poético Luna&Amigos )

 

 


Canção do exílio                       Paráfrase da

(Gonçalves Dias)                               “Canção do Exílio”

 

 

Minha terra tem palmeiras,                                  Meu país tinha palmeiras,
Onde canta o Sabiá;                                               Lá cantava o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,                                  Que hoje quase não canta
Não gorjeiam como lá.                                           
Porque poucos deles há.

 

Nosso céu tem mais estrelas,                                Nosso céu, tem sim, estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,                           Mas, nas várzeas não há flores,
Nossos bosques têm mais vida,                             Nossos bosques têm queimadas,   
Nossa vida mais amores.                                       
Há mais ódio e desamores.

 

Em  cismar, sozinho, à noite,                                  Ao deitar, todas as noites,
Mais prazer eu encontro lá;                                   A lembrar ponho-me cá;
Minha terra tem palmeiras,                                   
Daquelas lindas palmeiras,
Onde canta o Sabi á.                                               
Do canto do Sabiá.

 

Minha terra tem primores,                                    Meu país tinha primores

Que tais não encontro eu cá;                                 Mas já não os vejo cá. 
Em cismar –sozinho, à noite–                                Ao lembrar –sozinho, à noite-
Mais prazer eu encontro l á;                                 Quanta tristeza me dá!
Minha terra tem palmeiras,                                  Onde estão minhas palmeiras,
Onde canta o Sabi á.                                              Onde anda o Sabiá?

 

Não permita Deus que eu morra,                          Permita-me, Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;                                      Sem que  tenha de ver cá;
Sem que disfrute os primores                                Mais  depredação das matas
Que não encontro por cá;                                       E a extinção do Sabiá,
Sem qu’inda aviste palmeiras,                               Destas matas brasileiras
Onde canta o Sabiá.
                                               Qu’igual no mundo não há.

 

De Primeiros cantos (1847)                       Miriam Panighel Carvalho


Esta PARÁFRASE foi escrita especialmente para o
Evento da Semana do Meio Ambiente realizada
pela AVSPE - Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores

 

ANGÚSTIA

 
Esta angústia que atormenta
Há anos meu coração
Ceifou-me toda a ilusão –
O pilar que ao ser sustenta!
É uma dor que aumenta... aumenta...
Transformou-me em morta viva

E, sem rumo, ando à deriva...

 

 

À primeira vista este soneto pode parecer que foi escrito com erros crassos de português.
Mas, não são erros.
No interior de São Paulo, permita-me explicar
,os habitantes da maioria das cidades, têm uma fala bem característica.
Claro, refiro-me aos "caboclos" ou "sertanejos", os trabalhadores do campo.
São os que cultivam a lavoura, carpem o solo, e preparam a terra para o plantio.Usam termos próprios que não chegam a configurar um dialeto, mas que fazem parte do nosso folclore, especialmente o do Estado de São Paulo.
Nós, da capital, que tivemos a sorte de estudar e de aprimorar o idioma, às vezes temos certa dificuldade em compreender uma ou outra palavra do contexto da frase.
Assim sendo, no intuito de prestar uma homenagem a esses humildes e fortes trabalhadores do campo, que tanto fazem pelo progresso do País, elaborei este poema com a linguagem que é peculiar ao nosso "caipira".

PS. Se desejar alguma explicação de algum termo, por favor, não hesite em perguntar.

Um grande abraço da

Miriam Panighel Carvalho

SAUDADE  DO  PAGO

Num tem dia, num tem hora

Ésodade que devora

Eita dor que vem depressa

Numtem medida que meça!

 

Dói no peito, dói a “arma”

E num tem nada que “acarma”

Corta fundo o coração

Inté me dá “afrição”

 

Então choro o meu lamento

Na viola que eu afago

Sou assim, num tomo tento!

 

Asveiz saio e bebo uns trago

Prá mor de esquecê  uns momento

As lembrança do meu pago!

 

 

     Para a minha mãe com 90 anos,

                                             linda, lúcida, vaidosa e

                                                amiga inconteste...

                                          (Extensivo a todas as mães)

 Ah, Mãe!

 

Mãe, criatura divina,

Tão doce é tua missão

Quanto dura tua sina!

Trazes no teu coração

Muito amor, muito carinho

E nos ensina o caminho

Da senda da salvação!

 

 

Aproveitando para homenagear
a primavera em Portugal! 
 
 
 
 
 As Sementes Foram Lançadas
 
As sementes foram lançadas
Sem demora nascem as flores
Formosas e tão delicadas
A exalarem doces olores
Do pólen que escapa d'antera.
É que é tempo de primavera
Fulgurante em múltiplas cores!

 

 

A B O R T O

 

(Embrião)

 Era somente embrião

Nem mesmo ainda era feto

Não tinha nem coração

Mas de gente era um projeto

Estava sendo formado

No ventre de uma mulher

Já sentia ser amado

Por quem? Não soube sequer!

Contava apenas um mês

e começava a mudar

Um pouco de cada vez

Num feto a me transformar

Aconteceu de repente...

Não consegui evitar

Sangrava naturalmente

Mamãe ia me abortar!

Breve foi a minha história

Eu nem cheguei a ser feto

E tive u'a morte inglória

Pois tinha vida, isso é certo!

=== 

A B O R T O

    (Feto)      

Comigo foi diferente:

Dez semanas eu contava

Era feto, quase gente

Quando mamãe me abortava...

A dor que senti na hora,

Ninguém pode aquilatar

Sinto mesmo, até agora

O tal tubo a me aspirar...

Fui gerado por meus pais

Que pensei, iam me amar

Mas não me quiseram mais

Resolveram me matar!

Quando tudo terminou

Mamãe parecia calma...

Certamente não pensou

Que feto também tem alma!

Temos histórias iguais.

Trilhamos iguais caminhos.

Rezemos por nossos pais

Agora, somos anjinhos... 

 

 (São Paulo, S/P - BRASIL)
Poesia publicada na "Ciranda
Crestomatia/aborto" elaborada
por Victor Jerónimo e Mercêdes Pordeus 
(
http://www.ecosdapoesia.net/crestomatia/aborto.htm)

 

POETA  NÃO  MORRE
 
Não morre aquele que sente
E que vibra ao versejar
Que possui coração quente
E intenso brilho no olhar
 
Aquele que faz poema
Do real e da ilusão
Que enaltece ou que blasfema
Não morre, não morre não!
 
O poeta é imortal
Pois é luz que a alma acende
De grandeza espiritual
Vida que a morte transcende
 
Com estilo, mas sem norma
Verseja a própria emoção
E assim, seus versos transforma
Numa espécie de oração!

 

 

ILUSÃO

 
  Fito o espelho - que desgosto!
Já não mais me reconheço.
Meu direito é meu avesso
Sou apenas meu oposto,
Um ser estranho sem rosto.
Uma sombra - ai de mim!
Sou mera ilusão, enfim... 


INCIDENTE NA  ADOLESCÊNCIA

                                                  
                 Eu contava treze anos e ansiava assistir ao jogo de futebol num campeonato com a escola onde estudava. Adolescente, hormônios à flor da pele," caída de amores" pela primeira vez. O entãodono do meu coração, era não UM, mas "O" mais solicitado pelas garotas  graciosas e mais bem aquinhoadas pela natureza: corpos bem delineados, beirando os dezoito anos e, portanto, mais amadurecidas, enquanto que eu - tadinha! - muito sem graçona, não passava de uma tábua com o rosto cheio de pregos, ou melhor, espinhas.

              Bastante parecido com o Paul Newman, uns cinco anos mais velho que eu (sentiram as minhas chances, né?) meu deus grego era centro avante do time. Arrumei-me toda, passei batom, pintei os olhos (escondidinho da mamãe), arrisquei um sapato de saltinho e lá fui sentar-me no beiral do muro (1,40 m de altura, mais ou menos ) que margeava  a quadra. Já estávamos na metade do jogo e eu, em meio à torcida bastante empolgada, gritava o nome do meu adonis que ia cobrar um pênalti. De repente, o chute. Tive apenas tempo de ver aquela bola viajando, viajando, viajando e, toing! Tudo à minha volta escureceu. Lembro-me bem de que as vozes sumiam enquanto minha cabeça latejava terrivelmente e eu mergulhava num poço sem fundo. Não sei quanto tempo permaneci naquela escuridão mas, quando dei por mim, estava acordando cercada de pessoas à minha volta. Abri os olhos lentamente.
            - Morri e estou sendo velada!! - pensei. Rostos e mais rostos, com várias formas e bocas tortas se debruçavam sobre mim.
            - Olhem! É a filha do Professor! - alguém disse.
            - Xiii! Tá todo mundo ferrado. Bomba certa em matemática! -bradou um outro.
              Desnorteada, fixei-me  em quem me olhava de frente, olhos azuis encantadores. Meu ídolo, ajoelhado, massageava-me os pulsos com álcool.
             Um anjo? Mas, cadê as asas? -indaguei. E à medida em que tudo tomava forma, tudo também fazia sentido: aquele que me fitava preocupado não era um anjo coisa nenhuma, e sim, o "meu" príncipe encantado!
Por pouco não desmaiei de novo. Só não conseguia entender ainda o porquê de tantas pessoas ao meu redor e qual o motivo que o fazia se desculpar tanto! Até que alguém  perguntou se me lembrava de alguma coisa. Pensei um pouco e, num sobressalto, lembrei: a bola! A BOOOLA!!!! Aquela maldita esfera de couro duro e cheia de ar me derrubou. Pior: nocauteou! Fiquei arrasada, afinal, que mico eu tinha pago!!!
            Mas, peraí! PE-RA-AIIIII!!!!. Paul Newman ia cobrar um pênalti,  errou o alvo e chutou com toda força. Bem na trave: o lado direito do meu rosto. E, como se não bastassem a terrível dor de cabeça e a sensação de que era um pião girando sem parar, uma dor ainda mais aguda me tomou por inteiro: a dor da alma! Com o coração em pedaços (e o cérebro também, pensei) vi meu "herói"abraçar uma garota e se perder no meio de todas as cabeças que, então, já seguiam seus caminhos.    Mais tarde, em observação no hospital, não parava de me perguntar:

"Mas, o que é que eu fui fazer lá?"

 

 

PRIMAVERA II
(Haikai)


Crescem galhos d'hera
Nos muros da natureza
Linda primavera

 

 

SÃO PAULO
 
 
Não me olhem com desprezo
E nem me odeiem, também.
É meu destino, meu vezo,
Ser de todos e de ninguém.
 
Sou tida como cidade
Fria, inóspita e cruel
E vejam: sou,na verdade,
Solitária, mas fiel!
 
É tão extenso este solo 
Que acolhe a todas as gentes
E meu coração é o colo
Que dá guarida aos carentes.
 
Não possuo duas caras
Sou leal e promissora
A todos os "paus de araras"
E à gente trabalhadora.
 
Sou mãe de todas as raças
E também dos imigrantes
Sou amada pelas massas
Do nordeste, os retirantes.
 
Eu não rejeito estrangeiro
Do norte, sul, leste, oeste
E movo o Brasil inteiro
Existe alguém que conteste?
 
Assim é minha cidade
De amores e desamores
Do idoso e da mocidade
Da beleza e dos horrores.
 
Das mentiras e verdades,
Onde se mata e se cura
Quem a deixa tem saudades,
Quem não conhece a procura.
 
São Paulo, Sampa querida,
Não há quem ela atraiçõe
Terra valente e sofrida
Que Deus sempre te abençõe!

 

BOLSA DE MULHER

É uma caixa de Pandora...
O que está fora vai dentro
O que está dentro cai fora
E ai de quem botar a mão!
Simples bolsa de mulher
Mas, gostem todos,ou não:
Homem não mete a colher...

 

 

PRIMAVERA I


Crescem galhos d'hera
Nos muros da natureza
Linda primavera

 

 

A M I Z A D E


Amizade, bem precioso
Que a vida pode nos dar
Tesouro mais valioso
Ninguém consegue roubar.

A amizade verdadeira,
Não tem hora nem lugar.
Também não é passageira
Pois que vem para ficar

Tal qual mais um sacramento
Que tenho no coração
Ora surge num momento
De profunda comoção,

Ora nasce num instante
De alegria, de prazer
Mas sempre é importante
Não deixá-la fenecer...

 

SERENATA

Era moça, inda donzela

Lembro-me, com emoção

De uma voz, de um violão

A cantar sob a janela.

Luz diáfana, amarela...

Serenata que passou

Tempo bom... não mais voltou!

 

 

HOMENAGEM AO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DO " VARANDA DAS

ESTRELÍCIAS". MEUS CUMPRIMENTOS AO AMIGO POETA JOAQUIM

EVÓNIO, DESEJANDO QUE SEU SUCESSO AUMENTE CADA VEZ MAIS, E

QUE EM NOSSA "VARANDA" JAMAIS PAREM DE BROTAR LINDAS E

COLORIDAS ESTRELÍCIAS!

O GRANDE E AFETUOSO ABRAÇO DA

MIRIAM PANIGHEL CARVALHO


À VARANDA


DOIS PAÍSES, IGUAIS VALORES...
É FESTA LUSO-BRASILEIRA
HASTEEMOS A "NOSSA" BANDEIRA!
O MASTRO É O RECANTO DAS FLORES
QUE TAMBÉM É DOS ESCRITORES
LÁ DEIXAMOS NOSSAS PRIMÍCIAS
NA VARANDA DAS ESTRELÍCIAS!

UMA FORMA DIFERENTE PARA HOMENAGEAR NOSSO DEUS MENINO...

NESTA POESIA ESTÁ TUDO O QUE ELE PEDIU AO MUNDO

E TUDO PELO QUE ELE SE SACRIFICOU AO MORRER NA CRUZ.

AMOR

TRABALHO

PAZ!!


A MEUS FILHOS


Vendo-os agora, tão pequeninos,

Frágeis, felizes, sempre a sorrir,

Imploro a Deus pelos seus destinos

Pelo presente e pelo porvir.


Meus dois amores imaculados

Almas tão puras - bela inocência!

São anjinhos, por mim adorados

Que preenchem a minha existência!


São meus filhos, ainda crianças,

Pelos quais sempre faço uma prece:

Que jamais Deus lhes dê esperanças

Que se vão logo que a gente cresce!...


São Paulo, 1981

BRASIL

OBS.: A minha "menina", advogada, se casou há seis
meses... e o meu "menino", médico, acaba
de anunciar o seu noivado.... TEMPUS FUGIT!!!

 

 

MEU RASTRO

Nas curvas da minha estrada

Um rastro deixei em cada

Ele era, eu não sabia,

A dor que eu carregava,

a lágrima que escorria.

 

RESTOS

 
Entre nós dois foi assim:

Era tudo ou era nada

Uma guerra declarada

Sempre aceso um estopim.

Não havia meio termo

Era a briga ou era o tédio.

Nosso amor ficou enfermo

Não havia mais remédio!

Quando eu ficava calada

Você se punha a falar...

E não me dizia nada

Quando eu queria escutar.

Devagar foi se apagando

A chama daquele amor

Que acabou se transformando

Num oceano de dor...

De todos os bons momentos

Nem mesmo a lembrança restou

Ficaram os pensamentos

Da mulher que você matou...

A  MORTE  DA  ALMA

É assim que ela morre. A alma. Ao descobrir que aquele momento mágico já foi e nunca mais será, a alma, como o corpo, fecha os olhos para o mundo e nos tira a alegria de viver. Priva-nos de sentir

todos os prazeres que já conhecemos e nos golpeia com a cegueira eterna.

Primeiro isso: o prazer dos cinco sentidos... Depois a insensibilidade, a apatia total, absoluta! Separa-nos do mundo exterior para nos encerrar dentro de nós mesmos, nas nossas masmorras interiores... A alma,  antes de morrer, faz com que nos tornemos nossos próprios algozes. Aprisionados que estamos em nossas angustias, nada nem ninguém consegue nos libertar...

Omitimos as palavras e emitimos sons... Choramos lágrimas que não são vistas e escrevemos frases com "as tintas da melancolia". O ocaso do sol nada mais é do que mero acaso e o amanhecer, apenas mais um dia que temos de suportar.

É assim que morre a alma... Aos poucos deixa de ser e nos anula.

Pior do que ignorar o belo é sabe-lo lhe ser indiferente... Pior do que não sentir as emoções não é negá-las, mas delas não se aperceber... Pior, muito pior do que morrer é anestesiar a vida... Assim morre a alma...Porque num determinado momento crucial do nosso caminho, simplesmente cansamos dos embates. E desistimos de nós mesmos...

CARNAVAL COM MOZART
 
 
Monday, February 27, 2006 6:34 PM
  
EIS O POVO BRASILEIRO 
REI  NA ARTE DE CRIAR         
FERVOROSO, ALVISSAREIRO,             
ATÉ MOZART FAZ SAMBAR.
  
BRASILEIRO NÃO TEM MEDO
É TINHOSO E  NÃO DESIST
DORME TARDE, ACORDA CEDO
É ALEGRE 'INDA QUE TRISTE ...   
 
ESTIVESSE MOZART VIVO,
COM CERTEZA  APROVARIA
NOSSO JEITO CRIATIVO 
E  O BRASIL VISITARIA.
 

JÁ MUITO CHEIO DE "MANHA",
NA AVENIDA IA SAMBAR
"NÃO VOLTO MAIS PR'A  ALEMANHA
ESTE AQUI  É O MEU LUGAR! "

ESSÊNCIAS
  
Lençóis desalinhados
Cama revolta
Corpos aninhados
Roupas à solta.
Beijos em profusão, 
Carícias desenfreadas
Seres em convulsão
Almas apaixonadas.
Palavras pronunciadas
Com gostosa indecência
Libidos bem saciadas
Do sexo, a essência...

LIBERTA-ME


Toma o meu corpo em tua mão
Fica louco, perde a razão
Tu me esgotas, eu te consumo
Mescla teu sêmen com meu sumo!
Tira de mim toda a essência
Venha me amar com indecência...
Faz do meu colo o teu regaço
E o meu refúgio em teu abraço.
Sinta-me toda... apenas tua
Corpo desnudo e a alma nua
Toma de mim tudo o que eu tiver
Liberta a fera nesta mulher!

DeFlorada
 

Seus cabelos longos e molhados emprestavam-lhe um ar selvagem. Seus olhos
transmitiam o fogo ardente da maturidade. O misto do brejeiro com o sensual
era a nota fascinante naquela criatura. Quem a visse, naquele momento,
jamais poderia imaginar o tamanho da inocência que ali dentro existia.
 
Montava como verdadeira amazona: a cada cavalgada um brilho de prazer
luzia em seu rosto... Ali, sob o véu de água que a envolvia, seu deleite era
tão grande, que a mulher/menina se fazia fêmea. E o homem, que a observava
agora, tão de perto, emudecia... apenas o macho existia. A urgência de
amá-la deu força ao impulso de premê-la em seus braços com a mesma sede com
que queria mimá-la...

Na sela o lado infantil vibrou; o romântico aflorou. Sua alma se
regozijou em orgasmos espirituais... Múltiplos... Aquelas mãos ansiosas
deslizavam pelo seu corpo enquanto as águas da cachoeira se lhe escorriam
pela pele, àquela altura já bronzeada.
 
E assim foi que em meio ao aroma de amor que perfumava a natureza, ela
cerrou os olhos e, num estertor de pleno gozo, mais uma vez se deixou
amar... Entre o esplendor das flores... DeFlorada...

                       Varanda das Estrelícias

                       está florindo a varanda
                       recamada de estrelícias
                       entre flores de alamanda
                       eis que surgem as primícias
 
                       é a "strelitzia reginae"
                       ou ''ave do paraíso''
                       sua flor nos lembra um cisne
                       na beleza e no seu viso
 
                       sua mistura de cores
                       atrai visitas constantes
                       como os meigos beija-flores
                       do seu néctar os amantes
 
                       na varanda, branco ebóreo
                       as estrelícias do joaquim
                       com os versos do evóneo
                       ressurgiram florindo, enfim!
                    

                       São Paulo, 17 de junho de 2005

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