Ridamar Batista

Membro efetivo da Academia de Letras do Brasil
Cadeira n.º 37 – Brasília- DF
Presidente da Academia de Letras do Brasil - Anápolis- Goiás, empossada pelo Professor DR. PHD. Mario Carabajal, em 23 de agosto de 2010, em Brasília - cadeira n.º 01
Nasci numa linda e mágica cidadezinha goiana, chamada Pirenópolis, nome que lhe fora dado por estar aos pés dos Morros dos Pireneus, no planalto central, onde a lua do mês de Julho, festejando a época mais encantadora do ano, é recebida com pompas, sendo apreciada lá de cima do morro, por toda a população de minha cidade natal.
Sou como as cachoeiras de minha terra, desconheço os empecilhos do caminho e às vezes me precipito de grandes alturas, me despedaçando em mil, para reunir-me outra vez e seguir correndo em busca de meus ideais mais sagrados.
Sou mística.
Sou cidadã do mundo.
Conhecer VMD Vânia Moreira Diniz (Presidente da Academia de Letras do Brasil para o Distrito federal e Centro Oeste) foi para mim um privilégio. Tinha que acontecer. Sou um antes e depois dela.
Sou grafóloga formada pela Escola espanhola de grafologia PSICOGRAF (Bilbao).
Sou professora, mãe e mulher e sou feliz por isso.
Sou Rosacruz pela minha mais profunda convicção.
Quase tudo que tenho escrito em papel ou virtualmente está guardado na enciclopédia virtual GOOGLE.

Meus livros

Poesia:

Filha da Magia
Descendência mágica
Magias Eternas
Desta trilogia desmembrei vários livros pequenos
Palavra Perdida ( Já na editora)
Meus versos prediletos
Carícias na carne (versos eróticos)
Tertúlia de pássaros
Romance
Desabafo ao vento- Prefácio de Vânia Moreira Diniz ( No prelo)
Espelho embaçado (A história de um menino)
O Tarot este grande incompreendido
Crônicas e contos
Muralhas invisíveis
Proseando com a saudade
Crônicas políticas
Um livro infantil
A história do peixe que fala

 

 

 

Prosa poética
Fora de casa



A coruja piou tão triste que colei meu rosto na janela para saber o que passava lá fora.
A noite está mais morta que viva e o luar embaçado no meio do nada.
Não há mar para cantar seu mantra, nem amplidão para ser vislumbrada, apenas uma cortina esdrúxula de paredes e janelas silenciosas.
Aqui e acolá, uma lâmpada acesa denuncia a solidão tamanha de algum insone.
Também eu, dentro de minha ermida, com os olhos ofuscados pela luz difusa da lareira,
absorvo o estado de estar só.
A coruja piou talvez por ser feliz.
É o seu jeito de comunicar com seu amado.
Meu piar é mudo e está surdo aquele que deveria ouvir-me.
Uma formiga sobe lentamente pela parede e alheia aos meus pesares segue seu caminho.
Certamente veio de longe, trazida pelo lenhador...
Também minhalma imigrou nos ombros de algum duende e estou aqui... tremendo de frio, nesta noite de inverno.


Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

As chuvas



Umedecido ar, transborda o mar
todas correntes em avalanches
vão levando as bordas dos destinos
num total e louco desatino
de romper frágeis amarras
construídas nos sopés...
Vão esperanças tardias
rolando a ribanceira
numa tão grande cegueira
de não ver onde passar.
Perdidos pelos escombros
pedaços de vidas e coisas
misturam lembranças de dor.
O rio quando arrebenta
não pede desculpas e vai
neste desmando infeliz
rompendo todas as amarras
limpando sua estrada
obedecendo um ciclo vital.
Ninguém pode culpá-lo
é força da própria vida
encher e depois vazar...


Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Adeus

 

Nunca disse que partisse
nunca te disse adeus
se seguiste teu caminho
certeza que não fui eu
a causa do desatino
forjamos nosso destino
como quem brinca com fogo
crianças irreverentes
fazendo da vida um jogo
Se foste embora quiseste
nunca te disse não
a porta esteve aberta
janelas de par em par
deixaram voar o vento
foste de meu coração.
Nunca mandei-te embora
foi a vida que sismou
de fazer-me um joquete
Ah! triste fiquei agora.
Seria melhor que ficasses
deitado nos braços meus
sorvesses o mel de meus beijos
e eu sorvesse os teus.

 

Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

Enviados em Jan/2012

 

 

 

Dor
Ridamar Batista

 

Meu corpo sofre de dores
as carrego comigo nos ombros
as pernas trôpegas sofrem
ressentidas e descrentes
buscam constantemente
uma parte desconhecida.
A parte que falta é dolorida
igual a dor dos mutilados
que sente pela vida a fora
a dor da parte perdida.

 

Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Auto-retrato místico

 

Vejo-me diante do espelho
num reflexo desconexo envelhecido
em nuances e tons pasteis
meio difusa meio apagada
a chama que me resta
ilumina apenas uma fresta
num raio de sol sem jeito e sem presença
como se tímido refletisse
apenas alguma coisa à-toa...
mas ao mesmo tempo leio dentro de meus olhos
uma outra verdade refletida
ao avesso de toda minha vida
uma mensagem ainda sem decifrar
algo misteriosa, ignota não compreendida
uma palavra só buscada e querida
capaz de revelar, abrir e declarar
aquilo que nunca fui nem sou.
Como se pássaro voando pela noite
perdidas sombras ocultasse a morte
e ao mesmo tempo no espelho forte
um ser vivente igocnito e disforme
pudesse ser eu mesma do avesso.
Nada disso sou nem sei se reconheço
a imagem que forma no espelho
meu retrato é doce, sereno e belo
embora o papel esteja amarelo
vejo-me igual aquela que já fui
porque a alma nunca fica velha.
Numa luz constante segue clareando
e reflete aquilo que sonhamos
no caminho longo que pisamos.
Somos sempre a mesma imagem
bela, feia, destorcida ou do avesso
uma só, sem fim, desde o começo.


Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Crescimento



Meus versos ficarão a enfeitar caminhos
fazer felizes corações descrentes
plantado em terras ressequidas, torpes
a semente do total encantamento
há de brotar cantada em vozes diferentes
Serão relidos em tardes de sóis
falados por todos ao som de bemóis
assim mesmo serão os versos meus
em cada boca ou coração tão repetidos
amadurecerão a rima, enfeitarão a prosa
igual que eu em vidas repetidas
alma vivente em múltiplas jornadas
crescendo sempre e sempre melhorada
poder dizer completa e felizmente
enfim! cumpri a minha prova.



Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

Enviados em Dez/2011

 

 

 

Auto-retrato místico

 

Vejo-me diante do espelho
num reflexo disconexo envelhecido
em nuances e tons pasteis
meio difusa meio apagada
a chama que me resta
ilumina apenas uma fresta
num raio de sol sem jeito e sem presença
como se tímido refletisse
apenas alguma coisa à-toa...
mas ao mesmo tempo leio dentro de meus olhos
uma outra verdade refletida
ao avesso de toda minha vida
uma mensagem ainda sem decifrar
algo misteriosa, ignota não compreendida
uma palavra só buscada e querida
capaz de revelar, abrir e declarar
aquilo que nunca fui nem sou.
Como se pássaro voando pela noite
perdidas sombras ocultasse a morte
e ao mesmo tempo no espelho forte
um ser vivente igocnito e disforme
pudesse ser eu mesma do avesso.
Nada disso sou nem sei se reconheço
a imagem que forma no espelho
meu retrato é doce, sereno e belo
embora o papel esteja amarelo
vejo-me igual aquela que já fui
porque a alma nunca fica velha.
Numa luz constante segue clareando
e reflete aquilo que sonhamos
no caminho longo que pisamos.
Somos sempre a mesma imagem
bela, feia, destorcida ou do avesso
uma só, sem fim, desde o começo.


Ridamar Batista
Presidente da ALBA - Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Crescimento



Meus versos ficarão a enfeitar caminhos
fazer felizes corações descrentes
plantado em terras ressequidas, torpes
a semente do total encantamento
há de brotar cantada em vozes diferentes
Serão relidos em tardes de sóis
falados por todos ao som de bemóis
assim mesmo serão os versos meus
em cada boca ou coração tão repetidos
amadurecerão a rima, enfeitarão a prosa
igual que eu em vidas repetidas
alma vivente em múltiplas jornadas
crescendo sempre e sempre melhorada
poder dizer completa e felizmente
enfim! cumpri a minha prova.


Ridamar Batista
Presidente da ALBA - Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

O melhor presente de natal pode ser também o mais apreciado e mais durável, podendo passar de mão em mão sem nunca estragar alem de ser o mais barato.
Dê um livro de presente.
Ajude a divulgar a cultura goiana.
Somos milhares de escritores esperando sua participação.
A Academia de Letras do Brasil agradece.

 

Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Sete bilhoes


Sete bilhoes que somos
espalhados por toda parte
formamos a raça humana
cada qual um pedaço
ainda assim há quem pensa
ser diferente e melhor
e chega em frente ao próximo
e grita "sabe quem sou?"
Ninguém é mais que uma célula
um resquício sagrado do Pai
vivente aqui na Terra
planeta igual a bilhoes
cumprindo a mesma tarefa
de progredir na andança
na busca de ser melhor
quem sabe um dia crescer
e chegar mais perto de Deus.

 

Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

 

Sete bilhoes



Sete bilhoes que somos
espalhados por toda parte
formamos a raça humana
cada qual um pedaço
ainda assim há quem pensa
ser diferente e melhor
e chega em frente ao próximo
e grita "sabe quem sou?"
Ninguém é mais que uma célula
um resquício sagrado do Pai
vivente aqui na Terra
planeta igual a bilhoes
cumprindo a mesma tarefa
de progredir na andança
na busca de ser melhor
quem sabe um dia crescer
e chegar mais perto de Deus.


Ridamar Batista
Presidente da ALBA- Academia de Letras do Brasil- Anápolis

 

 

 

 

Enviados em Nov/2011

 

 

 

Primavera

Ridamar Batista

 

Ah! quem dera
o tempo fosse primavera
nos dias que se vão
levando o sonho e a ilusão
de quem anda perdido por aí.
Quem dera
fosse a vida primavera
em flores soltas pelo chão
cobrindo os passos da estrada
fazendo lindo este rincão.
Fosse quem fosse aquele
que passa em solidão
pudesse achar abrigo
e receber comigo
os afagos aperto de mão.
Fosse a tarde que pressagia
a escuridão tamanha
das noites mal dormidas
assombrando almas
solitárias e sofridas
de uns e outros náufragos esquecidos
em busca de um tempo bom.
AH! quem me dera
fosse primavera
em roseirais de pétalas ao vento
a perfumar desejos e quimeras
a enfeitar madeixas juvenis
que voam como borboletas azuis.

 

 

 


 

Seca

Ridamar Batista

 

Chovem flutuantes leônidas
tardias e fluorescentes
caem lá de cima complacentes
qual pontos de luz em transparentes gotas
nos iludindo pobres planaltinos
de céu azul tão negro quanto a sorte
de viver nesta total secura e morte.
Queimam os rios desleixados
e estradas se consomem em cinzas
e fumaça e o sol contagiado e virótico
rodopia cego e desencaminhado.
Chovem leônidas na noite escura
porque a núvem que esperamos
não nasceu por certo
e o vento seco do nosso deserto
vai rompendo o vão da estrada
e sorrupiando a água que nos resta.

 

 

 

 

Enviados em Out/2011

 

 

 

Doce condenação ( A vida)
Ridamar BAtista

 

Já fui moca, manca, gaga
já andei descalça, sem calças, sem graça
conectada e desconexa
aries, leão e sagitário
já fui até peixes, que tormento
um pouco homem carregando peso
mulher carregando barriga
já fui até miss
bonita, menina-moça
cheirando a flores de laranja rosa
já fui leprosa, andrajos rotos
já atravessei os mares e as marés
já me cortaram os pés
tudo isso envolta neste mesmo traje
a carne, o corpo o sopro
de Deus!


Nesta primavera hei de preparar a terra para semear meus novos sonhos, posto que sonhar é mister.
Ridamar Batista

 

 

 

 

Enviados em Set/2011

 

 

 

Lua minguando

 

A lua anda minguando por aí
e por aqui também minguando vão os sonhos
meus, seus, ave perdida
voando sobre trigais ao vento
frio, quente inclemente ou não.
Toda beleza de céu azul infinito
de nada vale visão tão colorida
imagem distorcida e surreal
a primavera chega aqui e aí
o tempo é mescla de chuvas e gemidos
os mesmos que o vento trás pra mim
em rugidos assombrosos
mescla de tempo, de vento e de sentimento
flores, arcoíres e cores
tudo num tempo só
como se fora estertor, vislumbre
visão agonizada, aurora boreal
fogo-fátuo, fogos de artifício
fantasia infantil, sonhos dourados
miragem de mente embriagada
Vai minguando a lua, dia a dia
e o piado da andorinha me entedia
e vou ficando cada vez mais só.

Um abraço cheio de ternura e paz.
Ridamar Batista

 

 

 

 

 

Verdade ou mentira?
Ridamar Batista


Eu sou apenas uma sombra
querendo a vida intensamente
como folhas caídas
completando o ciclo
e vivendo em dose pequenas
apenas um momento
breve
quase nada
e quase tudo
sou um ser vivente
morto
de tanto viver sozinho
sou uma esperança
de vida
embora saiba que viver
é uma mentira
que começa na verdade
e vai se diluindo
em sonhos
em fantasias
e não chega a realidade
sou a alma
que na esquina
olha seus vizinhos
e não compreende
para onde vão
os que por aqui passam
olhando a vida
como quem sonha
e acorda no vazio
de cada um
todos
apenas uma inverdade.


Nesta primavera hei de preparar a terra para semear meus novos sonhos, posto que sonhar é mister.
Ridamar Batista

 

 

 

 

Enviados em Ago/2011

 

 

 

Frio
Ridamar Batista



Da janela vejo o frio
Queimando o rosto das gentes
Perambulantes, vadias
Sem vontade de chegar
O cigarro aceso nos lábios
O vento está a tragar
E venta de sul para norte
Em tempestades, tormentas
Encrespando as ondas do rio
Enlouquecendo o mar
As nuvens sombrias descrevem
Lições tão fáceis de ler
A borrasca ainda persiste
É tempo de se esconder.
E se o poeta perguntou
“Mudei eu, ou muda o tempo”
Eu digo que tudo mudou.
Aqui dentro da cabana
Já não faz tanto penar
O vento que sopra molhado
Não esfria nossa cama
Temos muitos apetrechos
Temos toda proteção
A casa está fechada
Da janela vejo tudo
Mas não deixo o frio entrar.

 

 

 

 

Enviados em Jul/2011

 

 

 

Doença
Ridamar Batista


Que cruel desmantelo
desarranjo total
de víceras em espasmos
descompensados e constantes
qual serpente retorcida
mal matada, doente
de tao forte dor, desvalida
em dilacerante angústias
medos e horrores
maior que a própria alma
perdida em escuridao de estrada
nas noites mal dormidas
envoltas no puro breu
Oh! este mal que ataca
corroendo entranhas
nao disfarça a lágrima
em gargalhadas desfeita
na máscara triste da face.

 

"Existe em cada um de nós uma fortaleza, uma força inexplicável, um poder de superação inimaginável.
Há só uma deficiência avassaladora, retrógada e fatal:
a auto-piedade."
Flanklin Delano Rooselvet

 

 

 

 

Enviados em Jun/2011

 

 

 

Livros pra inguinorantes, por Carlos Eduardo Novaes


Jornal do Brasil
Carlos Eduardo Novaes

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!
A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.
A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.
Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

 


 


 

Enquanto houver um dia
Ridamar Batista

 

Enquanto houver um dia
não deixarei morrer a esperança
enquanto eu acordar vendo o sol
ou talvez apenas sentindo o sol
ou quem sabe pressentindo a luz
a esperança me acompanhará
e nem é apenas ela como também
a ilusão de mais um dia
para viver em paz.
Cultivando o bem querer
o saber estar e sentir o outro
amando o vento que passa
sopra meus cabelos e vai
deixando um recadinho de amor
assim seguirei cheia fé.
Levo comigo a saudade
que sem ela não se pode viver
minha bagagem de sonhos
quase todos usados
porem indispensáveis
seguirão ao meu lado
levo a ternura de momentos
jamais esquecidos
revividos
somente eternizados.
Enquanto houver um dia
sorrirei de mim, de ti, de tudo
porque gosto de sorrir
e porque acho a vida bela.
Enquanto o dia nascer
saudarei o sol, o céu e Deus.

 

 

 

 

 

Mistérios e medos

Ridamar Batista

 

Gosto de mergulhar nos mistérios
que a vida nos propõe
porem nada é mais misterioso
que viver o dia que se impõe.
Cada um com seu encanto
começa e nunca se sabe
se de risos ou de pranto
será o seu remate
que há segredos tão grandes
em cada dia que passa
Como rio que passa e vai
levando a vida consigo
as horas de cada dia
também as levo comigo
vamos andando caminhos
juntando nossos segredos
para que a noite os desenrede
enquanto a mente descansa
e desfaça nossos medos.


" É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante."
"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem: uma corda por cima do abismo; perigosa travessia. Perigoso Caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso parar e tremer. O que é de grande valor no homem é o fato de ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento." - FNietz-in Assim Falou Zaratustra-

 

 

 

 

Enviados em Maio/2011

 

 

 

O mau
Ridamar Batista

 

A maldade humana sai do esconderijo
todas as forças do mau vêm a tona
nem religião e nem filosofia ocultam
os males causados pela força bruta
de quem estava por cima e no poder
quem sabe absoluto de tudo, de todos
sem medo de represália ou repúdio
o mau instalou seu trono e cetro régio
governando almas e gentes
num louco desatino de fazer ganhar
o ouro, a fama, o saber ou o ódio
que este souberam bem plantar e colher
em cada safra da nossa cruel história
de seres errantes neste planeta de paz
onde tudo houvera sido belo
não fosse a fera bastarda habitante de nós.

 

 

 

 

 

Aceitação

Ridamar Batista

 

Os segredos que esta vida esconde
Cada qual em um lugar estranho
Cada qual com um mistério tamanho
Ninguém compreende como, quando e onde

Guardados no recôndito da alma
É força ignota, constante e latente
Segredos profundos da alma vivente
Angustia e dor que não se acalma.

Os segredos que esta vida esconde
Nem tu, nem eu, ninguém compreende
São mistérios de Deus, ainda que nos ronde

Por toda parte, onde nós andamos,
Seguem-nos queiramos ou não queiramos
São para aceitar, sem que os compreendamos.


" É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante."
"O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem: uma corda por cima do abismo; perigosa travessia. Perigoso Caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso parar e tremer. O que é de grande valor no homem é o fato de ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento." - FNietz-in Assim Falou Zaratustra-

 

 

 

 

Enviados em Abr/2011

 

 

 

Uirapuru
Ridamar Batista

 

O canto dos pássaros falam
de dor, de amor e de cuidados
cada qual de seu jeitinho
cuida bem de seu ninho
e canta para ser feliz.
O Bem-te-vi faz travessuras
canta alegre ninguém pode negar
de manhã pelas mangueiras
vai abrindo o dia musicado
por cima das palmeiras
E cada qual com seu encanto
enche o ouvido dos viventes
que repetem a grosso som
a cantiga dos animais
Porem existe um passarinho
que para construir seu ninho
canta mais que os demais
Seu trino doce de suave flauta
pia por toda alvorada
enquanto numa tarefa alegre
vai construindo a morada.
Nem sei se canta macho ou fêmea
que importa isso agora
diante de tanta beleza?
Toda mata silencia
tudo cala para ouvir
afinal só canta o pássaro
uma vez em cada ano
e somente enquanto faz
o seu ninho de amor.
As pessoas acreditam
que ele é mais que um mito
um amoleto, um sortilégio
quem dele tem como remédio
uma pena, uma pluma, um pedaço
de seu ninho procriador.
Poucos seres deste mundo
tiveram a sorte de ouvir
uma voz tão maviosa
um feitiço de sentir.
O Uirapuru
Este pássaro encantado
que alguns dizem ser verdade
e milhões dizem magia
existe sim, tenho certeza
tal como o primeiro amor
de tão grande e tão fictício
um arcoires de beleza
acaba sendo ilusão.

 

 

 

 

 

Lua minguando
Ridamar Batista

 

A lua anda minguando por aí
e por aqui também minguando vão os sonhos
meus, seus, ave perdida
voando sobre trigais ao vento
frio, quente inclemente ou não.
Toda beleza de céu azul infinito
de nada vale visão tão colorida
imagem distorcida e surrel
a primavera chega aqui e aí
o tempo é mescla de chuvas e gemidos
os mesmos que o vento trás pra mim
em rugidos assombrosos
mescla de tempo, de vento e de sentimento
flores, arcoíres e cores
tudo num tempo só
como se fora estertor, vislumbre
visão agonizada, aurora boreal
fogo-fátuo, fogos de artifício
fantasia infantil, sonhos dourados
miragem de mente embriagada
Vai minguando a lua, dia a dia
e o piado da andorinha me entedia
e vou ficando cada vez mais só.

 

 

 

 

Enviados em Mar/2011

 

 

 

Como magia (considerações gerais)
Ridamar Batista

 

Os sonhos, as experiências místicas e o admirar de um por de sol ( se temos a sorte de vivênciar um dos três mistérios, ou os três, que sejam tão raros quanto indescritíveis) são tão iguais que chegam a divinizarem-se, embora uns e outros possam ser diferentes e tanto, que no campo da experiência "divina" na realidade semântica ou no mais sutíl entendimento da alma humana nada tenham em comum.
O sonho erótico, o encontro alquímico ou ver o por do sol, cada qual com sua beleza impossível de ser escrita, realmente se tocam no mundo experimental e mágico das emoções humanas, mas na verdade, o que tem a ver um com o outro?
Somente o fato de estarem em nossa mente, existirem e ser sentidos sem que jamais possamos explicá-los com palavras porque neste momento a palavra fica grosseira, perde o a emoção e não condiz com aquilo que queríamos dizer.
Por mais que tentarmos relatar a vivência destas experiências, tudo fica pequeno e sem verdade.
Os místicos se encontram uns com os outros em momentos parecidos, quando apenas usando a força mágica do pensamento, a união se faz. É o casamento alquímico jamais relatado em palavras.
O sonho erótico acontece entre duas pessoas com tanta frequência vibratória que acordados parecemos sonâmbulos em busca do mesmo prazer sentido.
E ao admirar o por do sol, uma aurora boreal ou mesmo a madrugada se rasgando em luz,
temos a mesma impressão divina. Vemos... mas não sabemos descrevê-os.
A tudo isso eu chamo de magia.

 

 

 


 

Noite de inverno

Ridamar Batista


O vento sopra tão bravo
parece golpe de espada
cortando a face da noite
deixando marcadas feridas
de onde o sangue não escorre.
Vem trazido de bem longe
faz a volta entre os montes
e chega aqui veloz, feroz e gelado.
A noite descabelada
geme de dor e de frio
mulher abandonada.
A lua acovardada, branca de medo
esconde detrás da chuva
que respinga em neve c lara
desnorteando os pássaros.
Vento! Gemido de dor
grito assombrado de morte
alma vivente perdida
num caminho sem volta.

 

 

 

 

 

J’ACUSE !!!

(Eu acuso !)

(Tributo ao professor Kássio Vinícius Castro Gomes) 

        « Mon devoir est de parler, je ne veux pas être complice. (Émile Zola)
          Meu dever é falar, não quero ser cúmplice. (...) (Émile Zola) 
           


Foi uma tragédia fartamente anunciada. Em milhares de casos, desrespeito. Em outros tantos, escárnio. Em Belo Horizonte, um estudante processa a escola e o professor que lhe deu notas baixas, alegando que teve danos morais ao ter que virar noites estudando para a prova subsequente. (Notem bem: o alegado “dano moral” do estudante foi ter que... estudar!).  

A coisa não fica apenas por aí. Pelo Brasil afora, ameaças constantes. Ainda neste ano, uma professora brutalmente espancada por um aluno. O ápice desta escalada macabra não poderia ser outro. 

O professor Kássio Vinícius Castro Gomes pagou com sua vida, com seu futuro, com o futuro de sua esposa e filhas, com as lágrimas eternas de sua mãe, pela irresponsabilidade que há muito vem tomando conta dos ambientes escolares. 

Há uma lógica perversa por trás dessa asquerosa escalada. A promoção do desrespeito aos valores, ao bom senso, às regras de bem viver e à autoridade foi elevada a método de ensino e imperativo de convivência supostamente democrática.  

No início, foi o maio de 68, em Paris: gritava-se nas ruas que “era proibido proibir”. Depois, a geração do “não bate, que traumatiza”. A coisa continuou: “Não reprove, que atrapalha”. Não dê provas difíceis, pois “temos que respeitar o perfil dos nossos alunos”. Aliás, “prova não prova nada”. Deixe o aluno “construir seu conhecimento.” Não vamos avaliar o aluno. Pensando bem, “é o aluno que vai avaliar o professor”. Afinal de contas, ele está pagando... 

E como a estupidez humana não tem limite, a avacalhação geral epidêmica, travestida de “novo paradigma” (Irc!), prosseguiu a todo vapor, em vários setores: “o bandido é vítima da sociedade”, “temos que mudar ‘tudo isso que está aí’; “mais importante que ter conhecimento é ser ‘crítico’.” 

Claro que a intelectualidade rasa de pedagogos de panfleto e burocratas carreiristas ganhou um imenso impulso com a mercantilização desabrida do ensino: agora, o discurso anti-disciplina é anabolizado pela lógica doentia e desonesta da paparicação ao aluno – cliente... 

Estamos criando gerações em que uma parcela considerável de nossos cidadãos é composta de adultos mimados, despreparados para os problemas, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e, pior, dotados de uma delirante certeza de que “o mundo lhes deve algo”. 
 

Um desses jovens, revoltado com suas notas baixas, cravou uma faca com dezoito centímetros de lâmina, bem no coração de um professor. Tirou-lhe tudo o que tinha e tudo o que poderia vir a ter, sentir, amar. 

Ao assassino, corretamente , deverão ser concedidos todos os direitos que a lei prevê: o direito ao tratamento humano, o direito à ampla defesa, o direito de não ser condenado em pena maior do que a prevista em lei. Tudo isso, e muito mais, fará parte do devido processo legal, que se iniciará com a denúncia, a ser apresentada pelo Ministério Público. A acusação penal ao autor do homicídio covarde virá do promotor de justiça. Mas, com a licença devida ao célebre texto de Emile Zola, EU ACUSO tantos outros que estão por trás do cabo da faca: 

EU ACUSO a pedagogia ideologizada, que pretende relativizar tudo e todos, equiparando certo ao errado e vice-versa;  

EU ACUSO os pseudo-intelectuais de panfleto, que romantizam a “revolta dos oprimidos”e justificam a violência por parte daqueles que se sentem vítimas;  

EU ACUSO os burocratas da educação e suas cartilhas do politicamente correto, que impedem a escola de constar faltas graves no histórico escolar, mesmo de alunos criminosos, deixando-os livres para tumultuar e cometer crimes em outras escolas; 

EU ACUSO a hipocrisia de exigir professores com mestrado e doutorado, muitos dos quais, no dia a dia, serão pressionados a dar provas bem tranqüilas, provas de mentirinha, para “adequar a avaliação ao perfil dos alunos”; 

EU ACUSO os últimos tantos Ministros da Educação, que em nome de estatísticas hipócritas e interesses privados, permitiram a proliferação de cursos superiores completamente sem condições, freqüentados por alunos igualmente sem condições de ali estar; 

EU ACUSO a mercantilização cretina do ensino, a venda de diplomas e títulos sem o mínimo de interesse e de responsabilidade com o conteúdo e formação dos alunos, bem como de suas futuras missões na sociedade;  

EU ACUSO a lógica doentia e hipócrita do aluno-cliente, cada vez menos exigido e cada vez mais paparicado e enganado, o qual, finge que não sabe que, para a escola que lhe paparica, seu boleto hoje vale muito mais do que seu sucesso e sua felicidade amanhã; 

EU ACUSO a hipocrisia das escolas que jamais reprovam seus alunos, as quais formam analfabetos funcionais só para maquiar estatísticas do IDH e dizer ao mundo que o número de alunos com segundo grau completo cresceu “tantos por cento”; 

EU ACUSO os que aplaudem tais escolas e ainda trabalham pela massificação do ensino superior, sem entender que o aluno que ali chega deve ter o mínimo de preparo civilizacional, intelectual e moral, pois estamos chegando ao tempo no qual o aluno “terá direito” de se tornar médico ou advogado sem sequer saber escrever, tudo para o desespero de seus futuros clientes-cobaia; 

EU ACUSO os que agora falam em promover um “novo paradigma”, uma “ nova cultura de paz”, pois o que se deve promover é a boa e VELHA cultura da “vergonha na cara”, do respeito às normas, à autoridade e do respeito ao ambiente universitário como um ambiente de busca do conhecimento;  

EU ACUSO os “cabeça – boa” que acham e ensinam que disciplina é “careta”, que respeito às normas é coisa de velho decrépito,  

EU ACUSO os métodos de avaliação de professores, que se tornaram templos de vendilhões, nos quais votos são comprados e vendidos em troca de piadinhas, sorrisos e notas fáceis;  

EU ACUSO os alunos que protestam contra a impunidade dos políticos, mas gabam-se de colar nas provas, assim como ACUSO os professores que, vendo tais alunos colarem, não têm coragem de aplicar a devida punição. 

EU VEEMENTEMENTE ACUSO os diretores e coordenadores que impedem os professores de punir os alunos que colam, ou pretendem que os professores sejam “promoters” de seus cursos; 

EU ACUSO os diretores e coordenadores que toleram condutas desrespeitosas de alunos contra professores e funcionários, pois sua omissão quanto aos pequenos incidentes é diretamente responsável pela ocorrência dos incidentes maiores; 

Uma multidão de filhos tiranos que se tornam alunos -clientes, serão despejados na vida como adultos eternamente infantilizados e totalmente despreparados, tanto tecnicamente para o exercício da profissão, quanto pessoalmente para os conflitos, desafios e decepções do dia a dia.  

Ensimesmados em seus delírios de perseguição ou de grandeza, estes jovens mostram cada vez menos preparo na delicada e essencial arte que é lidar com aquele ser complexo e imprevisível que podemos chamar de “o outro”. 

A infantilização eterna cria a seguinte e horrenda lógica, hoje na cabeça de muitas crianças em corpo de adulto: “Se eu tiro nota baixa, a culpa é do professor. Se não tenho dinheiro, a culpa é do patrão. Se me drogo, a culpa é dos meus pais. Se furto, roubo, mato, a culpa é do sistema. Eu, sou apenas uma vítima. Uma eterna vítima. O opressor é você, que trabalha, paga suas contas em dia e vive sua vida. Minhas coisas não saíram como eu queria. Estou com muita raiva. Quando eu era criança, eu batia os pés no chão. Mas agora, fisicamente, eu cresci. Portanto, você pode ser o próximo.” 

Qualquer um de nós pode ser o próximo, por qualquer motivo. Em qualquer lugar, dentro ou fora das escolas. A facada ignóbil no professor Kássio dói no peito de todos nós. Que a sua morte não seja em vão. É hora de repensarmos a educação brasileira e abrirmos mão dos modismos e invencionices. A melhor “nova cultura de paz” que podemos adotar nas escolas e universidades é fazermos as pazes com os bons e velhos conceitos de seriedade, responsabilidade, disciplina e estudo de verdade.  
 

Igor Pantuzza Wildmann 

Advogado – Doutor em Direito. Professor universitário.

 

 

 

 

Enviados em Fev/2011

 

 

 

O morro

Ridamar Batista


Quando eu era menina o morro era apenas uma fantasia.

Ninguém ousava desvendá-lo.

Todos os segredos que podia conter a mente humana ali se escondiam.

As árvores frondosas acolhiam os pássaros e animais selvagens e as águas corriam ainda virgens por entre as pedras.

De lá só ouvíamos muito raramente algum barulho de pássaros ou animais. Trovoadas benditas quando previam as chuvas e pouco mais.

Quando era tempo de chuva ficava ainda mais lúgubre. As árvores gemiam de frio. Os caminhos tortos e traiçoeiros ficavam mais perigosos, as pedras rolavam ladeira a baixo e deixava tudo um verdadeiro caos.

Quando uma ou outra vaca se perdia pelo morro, era um Deus nos acuda.

Os empregados da fazenda morriam de medo de ir em busca do bicho desviado.

Tanta história mal assombrada contavam por ali.

Entre a cidade, o morro e a fazenda eram apenas alguns quilômetros de estrada estreita e lamacenta no tempo de chuva e empoeirada e cheia de folhas secas no tempo de verão.

Para nós meninos, longe demais.

Havia um rancho velho onde ninguém ousava entrar. Contava-se que ali havia suicidado um jovem apaixonado por haver perdido seu grande amor. Diziam que qualquer um podia ouvir seu choro triste quando por ali passavam e que ele aparecia todo descabelado e nu e pedia ao transeunte desavisado para lhe trazer a tal moça. Maria Polucena …

E dizem também que a tal moça nem era assim este pendor todo. Era vesga e gaga e além do mais puxava de uma perna. Muito feia. Igual que o nome.

Mesmo assim ganhara tão grande amor ao qual trocou por outro forasteiro com quem foi-se embora para sempre.

Havia nos beirais do rancho velho uma moita de erva de fazer chá da qual ninguém queria saber. Falava-se que se dela bebesse o chá teria pesadelos a noite e acabava ficando louco. Era enfeitiçada.

Lá de cima do morro surgia muita história, cada qual que de lá voltava trazia uma lenda. Homem de duas cabeças, homem sem cabeça, homem que virava lobo nas noites de lua cheia e tantas mais.

Tinha também um caso escabroso de crianças que desapareciam meses inteiros e depois reapareciam desnutridas, tristes e infelizes e que nunca mais voltavam a ser as mesmas.

Uma delas conseguiu relatar o que passara, mas foi proibida de contar para mais ninguém.

Contou ela para sua mãe que havia lá no morro uma pequena fresta numa pedra que entrava para uma grande sala toda colorida de pedras e musgos e um tapete onde dormia.

Por mais que tentasse a mãe, a menina não conseguia se lembrar de onde e nem como havia chegado lá.

Dormia e acordava sem saber de nada.

Sentia fome e sede e nunca via ninguém por perto.

Um dia sem saber como despertara ao pé do morro e ouvira o barulho das águas do rio rolando ali perto. Conseguiu aproximar e beber água. Se fortaleceu e voltou para sua casa.

Isso tudo ouvíamos contar quando eu ainda era uma menina, quem sabe para que nunca ousássemos subir o morro tão rico de encantos, frutas deliciosas e belas cascatas.

Havia também o canto da jaó que enfeitiçava os homens e os levavam cada vez mais dentro da mata. Alguns nunca mais voltaram. Será que foram mesmo pro morro? Ou pegaram a estrada para outas bandas, fugindo talvez de uma vida malfadada e triste?

Coisas de cidades pequenas, onde pouco se sabia do mundo lá fora ou da vida em outras plagas.

Eu cresci, fiquei adulta e fui embora conhecer o mundo. Que diferença!

A cidade também cresceu, ficou adulta e recebeu gente do mundo afora.

O morro totalmente desvirginado hoje já não possui os encantos mágicos de meu tempo de menina, porem ficou bonito todo modernizado pelas grandes mansões que lá fizeram os forasteiros.

Em troca do gozo intenso de uma visão paradisíaca, cada um foi desvirginando os encantos do nosso morro.

O rancho velho assombrado deu lugar a um imenso e belo mirante, de onde se pode ver a grande cachoeira gemer dia e noite sem parar. Mas a moita de erva de chá continua lá como que desafiando o tempo. Fizeram uma espécie de jardim em volta dela e ainda é respeitada, escreveram até a lenda e puseram aos seus pés.

Maldita ou não ela ficou na história para ser lembrada. O morro desvirginado e feio, com grandes feridas abertas pelas estradas largas por onde podem passar os turistas, migrantes, emigrantes e imigrantes, todos no afã de conhecer um mundo ainda desabitado das gentes ávidas por explorar o que não deviam, assim o morro já não tem mais tanta beleza e nem tanto mistérios.

É certo que os meus mistérios são bem infantis, pois me foram contados quando eu ainda era criança porem fico olhando as crianças de hoje, de olhos presos em telas de computador, jogando jogos horrorosos e violentos, que história terão para contar? Sequer olham para o morro com a mesma admiração com que olhávamos nós cada vez que ouvíamos uma das suas histórias.

Queira Deus não venha desabar o morro como outros do mundo a fora por onde andei.

Na velocidade com que vejo ser ocupado não demora nada também balançar as bases e jogar fora tudo que lhe aborrece. Tal como a gente de minha terra, meu velho morro querido também não leva desaforos para casa.


"Se querem me julgar, então exijo que meus defensores sejam metafísicos em vez de advogados. E que o júri seja composto pelos meus pares: poetas, pervertidos, vagabundos e gênios."

(atribuído a Oscar Wilde)

 

 

 

 

 

2011- A força do pensamento e das palavras
Ridamar Batista

Diante da verdadeira dinâmica que a vida cumpre, de novo Mercúrio chega na regência do ano.
2011 terá a natureza andrógena, bipolar e mutável.
Dançará entre os dois extremos. Pulará do Yn para o Yang sem pedir licença.
Os pratos da balança ficarão a deriva, cada vez mais bêbados ao sabor do vento.
Como um camaleão com fome ou com medo, assim estaremos durante o passo deste ano vindouro.
As mudanças lunares, as estações do ano, tudo terá a regência quente de Mercúrio o astro impulsivo, eloquente, intelectual e comunicativo.
As argumentações estarão cheias de astúcias, o pensamento a mil por hora e a necessidade de análise muito aguçada.
Os tons passearão entre o azul e o laranja e facilitarão a interpretação das sensações da alma.
O elemento será o AR e com isso estaremos mais sutís, realinhando nossa forma de pensar e de perceber o entorno em busca de elementos positivos para facilitar o convívio.
Desenvolveremos a coragem. Estaremos mais aptos a compreender o que se instala no mundo e na vida dos que estão criando para o amanhã.
Navegaremos entre calmarias e tempestades.
Nosso corpo estará mais frágil nos ombros, braços, mãos.
Deveremos exercitar a glândula Tireóide com pequenas massagens feitas com a ponta dos dedos em movimentos alternados e rítmicos.
Respirar profundamente o ar puro pela manhã e fazer simbiose mental com a luz solar será a força mágica que nos equilibrará.
Usar ervas como aniz, sabugueiro e camomila em infusões também nos levará a estados de paz mental e física.
O calor do fogo angélico vindo da presença apaziguadora do anjo Miguel, protetor do ano 2011, deverá ser ativado com uma vela acesa todas as manhãs ao mesmo tempo que pediremos a queima simbólica de tudo que nos for negativo ou passageiro, prevalecendo a força eterna da Luz maior.
Nosso lar enfeitado de flores trará a ancoragem perfeita para o anjo, nossa sentinela invisível.
Desejo a cada um de todos que comigo comungam a fé e a esperança de um mundo melhor, numa caminhada próspera e pródiga a mais perfeita conspiração cósmica para a realização de nossos projetos.
Prece Cósmica
Universo!
Em sintonia plena e perfeita simbiose, meu coração pulsa em ritmo e som iguais ao ritmo e som UNO.
Tudo funciona em harmonia e paz.
Somos apenas UM.
Assim Seja!

 

 

 

 

Enviados em Jan/2011

 

 

 

2011- A força do pensamento e das palavras
Ridamar Batista

Diante da verdadeira dinâmica que a vida cumpre, de novo Mercúrio chega na regência do ano.
2011 terá a natureza andrógena, bipolar e mutável.
Dançará entre os dois extremos. Pulará do Yn para o Yang sem pedir licença.
Os pratos da balança ficarão a deriva, cada vez mais bêbados ao sabor do vento.
Como um camaleão com fome ou com medo, assim estaremos durante o passo deste ano vindouro.
As mudanças lunares, as estações do ano, tudo terá a regência quente de Mercúrio o astro impulsivo, eloquente, intelectual e comunicativo.
As argumentações estarão cheias de astúcias, o pensamento a mil por hora e a necessidade de análise muito aguçada.
Os tons passearão entre o azul e o laranja e facilitarão a interpretação das sensações da alma.
O elemento será o AR e com isso estaremos mais sutís, realinhando nossa forma de pensar e de perceber o entorno em busca de elementos positivos para facilitar o convívio.
Desenvolveremos a coragem. Estaremos mais aptos a compreender o que se instala no mundo e na vida dos que estão criando para o amanhã.
Navegaremos entre calmarias e tempestades.
Nosso corpo estará mais frágil nos ombros, braços, mãos.
Deveremos exercitar a glândula Tireóide com pequenas massagens feitas com a ponta dos dedos em movimentos alternados e rítmicos.
Respirar profundamente o ar puro pela manhã e fazer simbiose mental com a luz solar será a força mágica que nos equilibrará.
Usar ervas como aniz, sabugueiro e camomila em infusões também nos levará a estados de paz mental e física.
O calor do fogo angélico vindo da presença apaziguadora do anjo Miguel, protetor do ano 2011, deverá ser ativado com uma vela acesa todas as manhãs ao mesmo tempo que pediremos a queima simbólica de tudo que nos for negativo ou passageiro, prevalecendo a força eterna da Luz maior.
Nosso lar enfeitado de flores trará a ancoragem perfeita para o anjo, nossa sentinela invisível.
Desejo a cada um de todos que comigo comungam a fé e a esperança de um mundo melhor, numa caminhada próspera e pródiga a mais perfeita conspiração cósmica para a realização de nossos projetos.
Prece Cósmica
Universo!
Em sintonia plena e perfeita simbiose, meu coração pulsa em ritmo e som iguais ao ritmo e som UNO.
Tudo funciona em harmonia e paz.
Somos apenas UM.
Assim Seja!

 

 

“Que o ano que vem chegando seja para todos um motivo mais de alegria, de felicidade e de reflexão; porque os anos vão sendo cada vez mais duros, mais frios, mais curtos, tal como o tem querido a incompreensão humana. Devemos lutar para que os anos futuros voltem a ser cálidos, longos e ditosos para todos. Eis aqui o meu anelo”.(Da Sabedoria Logosófica).

 

 

 

 

 

Natal

Ridamar Batista

 

Badalam os sinos do templo

E de minhalma

Ouço as campanas em festa

A cidade reluz colorida

Em lâmpadas maravilhosas

Os castelos são fantasia

Que nos levam a sonhar amores

E a vida fica bonita

Toda enfeitada de fita

Colorida de mil flores

Nos finais primaveris.

É natal e tudo é festa

Badalam os sinos em mim

Querendo levar sorrisos

Em cada casa onde haja

Uma criança a sonhar

O sonho de doce espera

O sapatinho na janela

E um presente encontrar

Ah! Se eu pudesse estaria

Cumprindo essa missão

De enfeitar sonhos e ninhos

Alegrando o coração

Que bate em apressado

Olhando pro céu anilado

Querendo fazer magia.

Badalam sinos em mim

Nesta noite de natal!

Dai-me oh! céus este poder

De espalhar a alegria!

 

 

"Todo estado de alma é uma paisagem. 
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós. 
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens."  Fernando Pessoa

 

 

 

 

 

Consolo
Ridamar Batista

 

Aos que sofrem das amarguras
de estarem numa solitária
em calabouços escuros e sombrios
onde vivem os ratos e insetos
de costumes peçonhentos
de viveres estranhos
aos que neste instante
no mais profundo dos escombros
choram na solidão total
de si e de todos nós
e se debatem sem respostas
e clamam sem serem ouvidos
e sofrem e choram a mais
dolorosa lágrima vertida
aos que já não conseguem ver
a luz que brilha e clareia
e sem o bálsamo da esperança
naufragam num mar revolto
aos que dormem a noite negra
nas calçadas imundas
atropelados pelos pés
de transeuntes ébrios de dor
ou de se entorpecerem
deliberadamente sem saberem
em que lugar estão agora
a todos os que sofrem
o triste destino do desassossego
escutem a voz do coração
que em prece lhes consolam.

 


"Todo estado de alma é uma paisagem.
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós.
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens." Fernando

 

 

 

 

 

Cobrança
Ridamar Batista

 

Quanto me custou o beijo que te dei
pago em prestações tão longamente
usurpadas de mim, do que foi meu
em horas aflitas desdobradas lentas
culpadas, estragadas, pagas em dobro
por causa de quase nada, um beijo só.
Cobraram tão caro aquele beijo
fui derramando lágrimas amargas
levando cruéis e dolorosas chicotadas
únicamente por haver-te dado um beijo, oh! dó.

 

 

 

 

Enviados em Dez/2010

 

 

 

Rio de Janeiro e muito mais
Ridamar Batista

Por mais que tenho buscado dentro de mim uma razão para tanta violencia
nesta cidade tão linda, não consigo achar.
Caminhos escusos, vielas sombrias e becos feitos de temor e terror são as
vias de acesso que meu coração encontra.
Impossível enfiar em minha cabeça uma imagem de tamanha crueza. Impossível
para meu pensamento visualizar o que a televisão nos mostra.
Parece filme de terror.
Não sei conceber esta desordem.
Tenho tentado imaginar pessoas iguais a mim vivendo naquele sub mundo
tão trágico.
Ouvi uma mulher agradecer por haver sido resgatada de trinta anos de prisão
e cárcere dentro de sua casa, seu bairro, sua vida ali desfilada dia por dia sob

o comando demoníaco dos que só querem dinheiro.
A droga é apenas um instrumento usado para saciar outro vício maior e
mais daninho, o vício pelo dinheiro, poder e mando.
Somos todos reféns indefesos a quanto o vício obriga.
Remédio? quem sabe? Fazer o quê com esta gente toda perdida no grande opróbio?
O carrasco extermina o inocente e a Justiça não pode dar o troco.
O inocente tomba na calçada depois de um dia de labor intenso, sem sequer
levar para casa a colheita merecida enquanto o bandido em risadas histéricas
comemora mais um herói tombado.
As valas se enchem de corpos e a rua de malfeitores e a Justiça sem direito
de revanche olha atônita o resultado das Leis.
Um Lei para si e outra para os outros, como funciona no caso dos egoístas
de plantão. Ah! como o vício escraviza! não ao viciado mas a todos que com os
tais convivem.
A ignomínia avança. Dá a volta ao mundo dentro dos mais sofisticados meios
de transportes, se empapa de ouro e brilhante, manipula o dinheiro que circula
ou o retem se for o caso.
Nós os pobres mortais comuns e enquadrados, vamos sendo tocados como boi
de tropa.
Iludidos com idéia democrática de que temos Justiça para todos, quando
na verdade a Justiça funciona somente para os bandidos ou endinheirados.
Bastava um governo que pensasse em todos sem ter dó dos que seperdem
pelas veredas escuras do mal e do fracasso.
Uma mão de ferro a combater o vício e outra mão amena a proteger os que nada
tem a ver com a malandragem.
O vício é uma doença? uma chaga que ataca o viciado e os que com os
tais compartem a vida dentro da sociedade?
Busquemos então meios para curar a uns e outros.
Tudo é possível quando um líder assim o quer.

 

 

 

 

 

Querendo ser
Ridamar Batista

 

Eu quisera a noite eterna
uma sombria estadia
de ficar comigo e sem mim
assim dormindo noite inteira
como se fosse uma dormideira
a chorar em vão os meu pesares.
Queria ser também um dia inteiro
em busca de meus mais profundos
seres e queres materiais
e ser também banais os meus sonhares
e viver assim tão sutilmente
num burlesco sonho
lúdicos pensares
e viver tão deliberadamente
que nem eu e ninguém
possivelmente pudesse então
criar uma realidade
e assim quem sabe na verdade
criar enfim um sonho
ou talvez um nada
uma vontade apenas de ser
Oh! insanidade!

 

"Sem você... nem o tempo me faz companhia..."

 

 

 

 

Enviados em Nov/2010

 

 

 

Ser Mago
Ridamar Batista


Ser mago não é nada fácil
Tem que aprender muitas coisas.
Passar a vida estudando.
Buscar em cada cultura
aquilo que mais lhe interessa,
ir adicionando conhecimentos,
como o alquimista adiciona no cadinho
em que prepara a sua mais secreta poção,
cada ingrediente,
a sua vez,
na quantidade certa e no momento exato,
chegar ao clímax,
como a cozinheira,
ao levar à mesa o seu bocado.
Assim se faz um mago.
Com paciência,
aprendizado constante e muita,
muita vontade de saber.
O mago deve conhecer TUDO,
para ter consciência plena daquilo que é.
Viver com intensidade cada momento,
apreciar o dia e as horas,
sem angústia,
como se escutasse uma sinfonia.
Ser comandante da nau,
sem temer as intempéries,
porque elas também fazem parte do segredo...
o seu segredo! A VIDA.

 

 

 

 

Enviados em Out/2010

 

 

 

Fazendo amor
Ridamar Batista



Minha pele arde fogosa
em delírio por teus versos
sem distância e nem ausência
faço caso de teus gestos
como louca na janela
busco a tua vibração
meus anseios em teu seio
minhas mãos em tua mão
amarroto meus lençóis
nesta busca de teus beijos
deito e durmo pesadelos
nos arrepios de meu corpo
Tu me deixas assanhada
com vontade de amor
e do toque de seus dedos
afagando minha flor.

 

 

 

 

Eu carrego você comigo.. (Poema de E.E. Cummings)

Carrego seu coração comigo
Eu carrego no meu coração
Nunca estou sem ele

Onde quer que vá, você vai comigo
E o que quer que faça
Eu faço por você

Não temo meu destino
Você é meu destino meu doce
Eu não quero o mundo por mais belo que seja

Você é meu mundo, minha verdade.
Eis o grande segredo que ninguém sabe.

Aqui está a raiz da raiz
O broto do broto e o céu do céu
De uma árvore  chamada VIDA
Que cresce mais que a alma pode esperar ou a mente pode esconder
E esse é o pródigo que mantém as estrelas á distancia

Eu carrego seu coração comigo
Eu o carrego no meu coração.

* Extraído do Poema de E.E. Cummings  *

 

 

A los hombres les probaría cuán equivocados están al pensar que dejan deenamorarse cuando envejecen, sin saber que envejecen, cuando dejan deenamorarse.

                                   GabrielGarcia Marques

 

 

 

 

Calo-me
Ridamar Batista



Calo-me
nestes dias de tanto falatório.
Uns falam bem se mesmos
outros falam mal impunemente
levados pela ganancia e inveja
pura falta de si mesmos
se buscam na imagem do outro.
Espelho embaçado que reflete
a sombra ignóbil fantasia
da mentira de cada um.
Hoje calo-me
a prosopopéia é farta
não precisam de ouvir
poemas ou prosa fácil
que alegra o coração idôneo
que disfarça a pena do sofrer
em vão.
Calo-me 
porque o silencio é forte
neste momento desfacelado
em tanta prolixia.
Calo-me e afasto
que a multidão me cansa.

 

" Non nobis,
Domine,
sed nomini tuo
ad Glória!"

 

 

 

Enviados em Set/2010

 

 


Meu anjo
Ridamar Batista

 

Dentro de mim mora um anjo
hóspede ilustre de plumas brancas
silencioso e terno, eterno em mim
caminha por minha casa delicadamente
sem nunca ocupar espaços alheios
sem mostrar-se pelos meios
vive em paz e sempre alerta
pronto para me socorrer.
Meu anjo amado, meu companheiro
sutil presença dentro de mim mesma
amigo, conselheiro e confidente
tem sido para mim eternamente
a luz que brilha alem do horizonte azul.
Dentro de mim mora um anjo
que me alegra e me faz sorrir
com seus sussurros "im"prudentes
suas infinitas falas e conselhos
minha sentinela.
Meu Sancho Pança, escudeiro
companheiro nas vigílias
nas noites intermináveis do meu ser.
Mora em mim um anjo meu amigo
que diz sim e não constantemente
e me deixa livre para decidir.
Meu anjo bom,
em dimensões distintas
somos os dois um só
e assim seremos continuadamente!
Um só!

 

 

 

 


Vida Fácil
Ridamar Batista


Meu mundo é só magia.
Em cada passo que faço fico perdida em estradas de não sei onde me levarem.
Sou um ser estranho.
Por mais que eu acredite na vã realidade, sou capaz de viver um sonho cada vez mais " Alice no pais das maravilhas,"
Ontem por exemplo fui capaz de me fazer crer que temos que acreditar em sete coisas antes do café da manhã.
Só assim poderemos ser felizes e realizarmos um experimento místico para que a vida se faça.
Fantasia ou ilusão são coisas quase iguais.
Para ser feliz temos que acreditar no impossível. Isso nos dizem os que fazem da vida uma ilusão.
Gurus, homens que se tornam escravos de alguma crença ou seita, mentes comidas ou compradas, vão manipulando outras mentes até que o mundo todo fale a mesma língua.
Quem sabe uma Babel falsa, fingida ou desumana, vai fazendo das mentes febris e sem nexo uma conjunção de gentes-biônicas, falsas personalidades cheias de qualquer coisa que nunca é aquilo que deveria ser dentro do contexto comum positivo para fazer da vida um caminho para o amanhã.
Cada vez que passo por alguém e olho no fundo de seus olhos tenho a total certeza do ser catatônico.
Posso dizer que a vida é quase uma mentira.
Tem pessoa que pode mentir tanto que todos acreditam.
Tem pessoas que não sabem mentir e que no entanto se passam por mentirosas pelo simples fato de serem sinceras.
Vivo entre umas e outras.
Como me disse um dia Machado de Assis, temos Capitus por todas as partes.
Ontem eu tive com uma destas mulheres.
Tanto Capitu como qualquer outra.
No andar de baixo o rapaz veio trazer a água e ficou fazendo amor até que a dona da casa ficasse saciada. Até parece romance de Nelson Rodrigues, mas não é.
É a pura vida simples e clara.
Tão clara que minha amiga resolveu criar laços lacivos com seu proprio genro.
Escandaloso?
Eu tambem acho.
No andar de cima a senhora de roupas sóbrias se deixa enganar pelo encanador.
Ai! meu Deus!
Quanta hipocrisia!
E tem gente que ainda acredita nos Padres e Freiras.
Até parece que hormônios só acontecem com os comuns e infelizes mortais.E eles não são mortais?
Também tem gente que consegue arrancar os cabelos dos empregados. Como se o tempo dos escravos ainda estivesse em moda. O poder do medo!
Meu mundo é só magia.
Vivo no mundo dos homens que ainda acreditam nos homens.
Sou do tipo que acredita na pureza do ser humano.
Sou como aqueles que dão boas vindas as plantas, as flores e aos seres, sejam humanos ou não.
Acredito nos duendes, fadas, nos encantados.
Acredito até no reflorescer das flores, das vidas e dos amores.
Acredito na revoada dos pássaros, na troca da lã, no amamentar da espécie.
Eu acredito na flor.
e na abelha? acredito no mel.
E sabe de uma coisa? acredito no cheiro gostoso do orégano. Tem coisa mais gostosa que macarrão com orégano?
Não tem como acreditar em mentiras. a vida é muito lúcida.
A vida cheira, fala e e se mostra,
Só os biônicos não conseguem viver a vida.
Estão presos a trabalhos, a busca louca pelo dinheiro ou pelo poder.
Eu não consigo acreditar em nenhum e nem outro.
Sou simples.
Gosto da vida nua e crua, cheia de magia.



Os nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais lhes cedemos, mais exigentes se tornam.
(Provérbio Chinês)


 

 

Enviados em Ago/2010

 

 


Primavera

 

Debruçou o olhar no horizonte azul

Um vento quente balançou-lhe

Os galhos ressequidos

Fantasiou uma nuvem que chovesse

E no profundo de suas raízes

Sentiu medo da sede.

Titubeou um pouco sonolenta

Ao balanço de seus galhos

E então para ser diferente

Inventou a flor.

Toda vestida de pétalas

Envaidecida e bela

Voltou a olhar o horizonte azul

E chamou o tempo Primavera...

 

 
Os nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais lhes cedemos, mais
exigentes se tornam.
(Provérbio Chinês)

 

 

 

 

O prazer de ser livre é tão intenso que abrange qualquer forma de amor ou de amar... é como se o tempo bastasse, a vida fosse um eterno deleite e o sol num brilho constante fosse feito para mim.

Ridamar Batista

 

 


Enviados em Julho/2010

 

 


Marginalidade
Ridamar Batista

Vivo na contra mão,
sou totalmente marginal
quando cruzam comigo
sem perceber sorrio e digo
Boooom diaaaaaa!
Sabe? saído mesmo do coração.
Sou capaz de pular um muro por causa de uma flor
e tambem saio de casa ao meio dia
sol estourando momonas
levando água para um cão sedento
eu não existo!
ainda sedo o meu lugar na fila
para qualquer que esteja
muito mais pressado que eu
aliás, nunca estou com pressa
Sou marginal, diferente, esquisita
fico cheia de emoção quando o sol se põe
e quando a passarada canta de manhã
eu juro que é para mim
e chego até  responder seu canto
lembro-me até hoje
de coisas engraçadas que fizeram
meus filhos, sobrinhos e amiguinhos deles
ainda me pego rindo de cada um
como se fosse hoje mesmo.
Acredito no amanhã, sonho e tenho fé.
Sou tão esquisita que ainda posso
andar na praia procurando conchinhas
e quando a onda quebra fico olhando os peixinhos
voltarem correndo para o mar.
Gosto de ouvir o granido fino das gaivotas
e até lhes ofereço algum marisco.
Marginalidade total a minha
que ainda acredito no amor
na fantasia de ser feliz
fazendo piada do cotidiano
Como quem não leva nada a sério
levo a vida sem sentir o peso
da dor, da solidão e dos anos
 ainda sou capaz de mergulhar
num copo de vinho tinto
todas as tristezas banais
que por acaso me venham visitar.
MArginal demais
sou capaz de viver em paz!

 


De novo, encerando as asas... plano de vôo e travessia sendo revisado...

 

 

 

 


Momento de insensatez
Ridamar Batista


Hoje os duendes riram de mim
zombaram de minha ingenuidade.
Deram gargalhadas e eu
sem saber me defender
fiquei ali, meio tonta, meio boba
sem saber o que fazer.
Meus amigos da solidão profunda
conhecem mais de mim que eu
e sabendo daquele momento
não puderam se conter.
Riram... riram...
não importei.
Eu sabia que era apenas um palhaço,
nada mais que uma máscara feia
um disfarce,
na verdade,
bem no fundo de mim
quem sorriu foi eu.

 
 


De novo, encerando as asas... plano de vôo e travessia sendo revisado...

 

 



Enviados em Junho/2010

 

 


Voltar
Ridamar Batista

Outra vez encero as asas,
voarei de novo
é chega a hora de cumprir a sina
como aves migratórias
obediente ao tempo e ao vento
volto ao ninho do começo
deixo o ninho provisório
sem perder a fé e nem a direção
de um e de outro
faço meu vôo solitário
sobre as ondas do mar revolto ou não
por onde vou em calmaria.
As asas são preparadas com esmero
cada pluma em seu lugar certeiro
vão sendo ordenadas para o vôo.
A confiança cega no partir
deixa-me livre para sonhar
que aqui ou acolá em qualquer parte
um deus me acompanhará.
 


De novo, encerando as asas... plano de vôo e travessia sendo revisado...



 



Distante

Ridamar Batista


Uma semana!

quantos andares..

eu vi voce em em todas esquinas

em todos lugares

perdido de mim

a me procurares

nas ruas desertas

nos cantos de algures

em cada lugar...

olhares perdidos

buscando impossível

sabendo que nunca

encontrarias aquilo

que tanto procuras

nos entraves da vida.

Eu vi teus olhares

procurando por mim

A cidade tão grande

tão longas as ruas

tantas esquinas

fingidas e escusas

com tantas mentiras

de sombras escuras

não sabem de mim.

A procura se estende

por quantas escusas

quem sou eu

quem me procura?

quem somos nós?

 o que mais quero

procuro nas sombras

onde escondo

o meu bem querer.

 



Enviados em Maio/2010





A lua e eu
Ridamar Batista

Da vidraça opaca
respingos de sol
clareiam a lua...

Nós duas na distância
nos perdemos em sonhos
percorrer a amplidão.

Mas a lua cheia de manha
faz boquinha dengosa
boceja e beija a rosa.

São companheiras na vida
enfeitam o caminho de luz
e sombras esquivas, vadias.

A lua molhada de mar
a rosa o orvalho beija
nós... amantes peregrinas.

Cada qual em suas sinas
seguimos eterna jornada
guiadas por mãos divinas.


Ridamar Batista, membro efetivo da Academia de Letras do Brasil, indicação de Vania Moreira Diniz, Presidenta- Posse marcada para 23 de agosto em Brasília.







O nome é Reboleira
Ridamar Batista

Não sei porque soa tão mal aos nossos ouvidos desde a primeira vez que o escutamos. Será estigma? Carma? Não sei.
O que sei é que a primeira experiência que tive por lá foi negativa. Qualquer coisa vai mal neste bairro Lisboeta.
Nada de primeiro mundo. Nada mesmo.
Uma imensa estação de comboios, alguns gatos pingados transitando por ali, indo para Sintra ou para Lisboa. Sempre com olhares temerosos e furtivos, uma conduta que revela em segundos o risco que se corre quem passa pela tal estação..
No piso inferior da plataforma de embarque, duas salas pequenas e mal arranjadas foram escolhidas para o serviço oficial do governo português chamado SEF ( Serviço de estrangeria e fronteiras).
Quando liguei o telefone para marcar minha entrevista de pedido de prorrogação de estadia no dito e cujo, me deram um número, uma data e um quase endereço. Reboleira, e nada mais.
Trememos todos. Só o nome já dava arrepios, imagine ter que ficar horas a fio, numa fila, a espera da "má" vontade dos atendentes do tal SEF.
Para diminuir minha insegurança e não fazer asneiras, fui consultar-me com a internet,
na enciclopédia GOOGLE.
Queria saber com antecedência onde fica exatamente o tal SEF  da Reboleira. Na hora da marcação telefônica não dizem nada sobre o locar, como se todos os estrangeiros tivessem a obrigação de conhecer todas as bibocas da "terrinha". Eu não conheço.
Qual não foi meu assombro e de meus familiares, quando vimos no GOOGLE um site
moderníssimo fazendo propaganda positiva da tal agência.
Diz lá assim:
____ O melhor posto de serviço do SEF de Portugal. Totalmente informatizado. O utente é atendido em minutos, sem espera. Plano piloto para ser implantado em todas as outras agências do país.
Se meus leitores quiserem averiguar, basta buscar no GOOGLE: SEF REBOLEIRA.
Fiquei super animada, desta vez não haverá " trabalho de parto" que é como nos sentimos cada vez que temos que utilizar tal departamento do governo português.
No dia e hora marcados lá estava eu.
Munida de todos os documentos possíveis e imaginados, meus e de meus familiares. Sim... porque tive que levar termo de responsabilidade dos familiares para que eu pudesse permanecer mais 90 dias em terras estrangeiras. E pagar 80 euros para permanecer aqui.
Tais documentos, pasmem, inclue até a escritura da casa onde moram os responsáveis pela pessoa pedinte de permanência curta em terras portuguesas.
Fiquei abismada com tanta burocracia para uma agência que era totalmente informatizada, como dizia o site.
Se assim fosse, bastava buscar no sistema e encontraria toda a documentação de meus familiares residentes, domiciliados e trabalhadores em Portugal.
Haja vista, meu genro é médico e atua exatamente na região lisboeta.
Que nada!
A tal agência plano piloto para todo país, nada mais é que uma mera porta para duas salas apinhadas de gente ( estrangeiros) para eles... intrusos.
Os funcionários mal educados, a dois por um, fazem alguém sair de lá chorando, o que no mínimo gera um mal estar geral naqueles que ficam cabisbaixos.
Meu coração saltava pela boca. Eu mais parecia uma ré no banco de julgamento. A própria inquisição...
Nunca me senti tão impotente.
Tive que ficar até a derradeira hora. Naquele momento era-me assaz premente ficar.
Mas e os outros? Quanta humilhação!
Fiquei olhando tudo aquilo indignada e me veio a pergunta:
Será que aí no Brasil acontece o mesmo?


Ridamar Batista, membro efetivo da Academia de Letras do Brasil, indicação de Vania Moreira Diniz, Presidenta- Posse marcada para 23 de agosto em Brasília.





 

Enviados em Abril/2010






Sonhar

 

Não te quero a ofuscar-me os olhos

Vendas negras, pano de assustar

Quero-te luz brilhante alvissareira

Trazendo-me a doçura deste amar.

 

Sombras vadias enchem-me de queixas

Com o negrume a me incomodar

Estando perto sinto que me deixas

Assim tão longe te quero abraçar

 

Amores teço em horas vadias

Meus véus desfaço para enfeitiçar

Ah! Este amor tardio último aceno

Tua voz macia a me sussurrar

 

Vem meu amor, quero-te constante

Desfazer as brumas deste meu cismar

Contigo estar em todos os instantes

Contigo em paz também poder sonhar.


Ridamar Batista, membro efetivo da Academia de Letras do Brasil, indicação de Vania Moreira Diniz, Presidenta- Posse marcada para 23 de agosto em Brasília.





 

Enviados em Mar/2010







O tempo e  a vida

Ridamar Batista


Granizos...

Horas de não fazer quase nada.

Janelas gemem de dor.

São vincos feitos ao léo, São navalhas na carne que sangram sem ver.

No chão a brancura da espuma que vai se dissolvendo e fazendo a paisagem deformar.

Tudo é tão insólito como o encontro de dois duendes perdidos no nada.

Um vento falante toca os ouvidos e num sussurro sem medo diz coisa que não quero ouvir.

A vida fica tão pequena que cabe no cubo de cada gelo que cai.

Tão gelada e sonsa que nem sabe se é ou se deveria ser.

Ah! a vida. Que diferença tem entre este vendaval e a vida que corre.

Granizos...

Dias perdidos em horas de não fazer quase nada. Os galhos lá fora se mostram na nudez vergonhosa de não se poder vestir.

É frio. É inverno.

Tudo fica cinzento.

O céu se esconde entre nuvens vadias que se formam para fazer bagunça.

É o caos.

Passarinhos não cantam ou se cantam é um gemido de dor e de frio.

No mesmo momento que a chuva enfeitiça e alimenta, transforma seu movimento em tragédia e faz desastres.

Que desatino!

Que louca desdita.

Parece a mente humana quando quer o que não pode ser.

Vai desatando amarras, vai desobedecendo ordens, vai se desfazendo em insanidades tolas.

Oh! Vida! esta vida que conhecemos tão pouco.

Oh! quantos de nós sabemos que não sabemos nada.

No mesmo momento que tudo temos, vemos desabar a torre dos poderes e nos vemos pobres.

Granizos...

Quase um brilhante, uma gota dagua, a neve...

Tudo tão sonhado, tudo tão cantado e no entanto tão Granizos...

Os olhos aflitos de quem não sabe se pode vencer a intempérie, a mão amiga de quem não tem como chegar ali.

E a vida corre no seu cruel cotidiano, e não entende porque ocorre cada coisa e cada movimento e sem saber porque, algumas almas choram sem poder agir.

Respingos gelados na janela e uma vontade louca de poder viver.

As árvores lá fora se desfacelam e seus galhos magros encolhidos sentem frio.

Granizos caem sem saber porque...

E eu me pergunto.

Porquê?



Ridamar Batista, membro efetivo da Academia de Letras do Brasil, indicação de Vania Moreira Diniz, Presidenta- Posse marcada para 23 de agosto em Brasília.







Dor suprema ou noite negra da alma
Ridamar Batista


A dor de cada um tem dois pesos e duas medidas..

O sofrimento que vida nos impõe, é uma tortura quase impossível de viver e depois que a transpomos, fica um vazio muito grande.

Este vazio tem a cara de saudade. Não posso acreditar que sintamos saudade de algo que tanto mal nos fez, mas dá esta impressão. Uma marca indelével, um sentimento imensurável, uma lembrança quase latente.

Sofrer é duro demais.

Principalmente quando a nossa dor fica exposta e muitas outras pessoas tentam ajudar na causa.

É meio invasivo, meio cruel. Por mais que os outros tentem ser solidários, não deixa de ser intruso.

Tem momento que a dor deve ser sentida a sós. Não dá para repartir a dor. Não dá para ser sociável na dor.

A dor é feia, repugnante e quase indecente.

E pior, ela tem dois pesos e duas medidas. Para quem sofre, a dor é tão cruel que nos transforma e fantasmas ambulantes. Ficamos com a face tensa, as lágrimas escorrem sem serem chamadas, os dentes ficam presos, as mandíbulas contraídas a tal ponto de doer. No momento da dor suprema, esquecemos de tudo, ficamos totalmente sozinhos, verdadeiros ermitães de nós mesmos.

Criamos a mais escura caverna. Refugiamos dentro da mais negra solidão. Nada consola. A dor suprema sangra o coração, a carne fica roxa, a alma negra. Ela parece um pouco com o ódio.

Esquecemos de nós mesmos quando sofremos.

Mas a nossa dor não consegue ser medida pelo outro do tamanho que ela é para quem sofre.

O tamanho da dor é tão diferente que nem sequer o maior sábio pode dimensionar o que o outro sente. O coração do homem é terra que ninguém jamais pode pisar.

E nesta hora de dor suprema, nada e nem ninguém pode ajudar. Cada um de nós tem seu momento negro. A noite negra da alma. Aquele pedaço de caminho que teremos um dia que passar a sós. Dentro de nós mesmos, sem consolo e sem abrigo.

Até que possamos ver ao longe o primeiro raiar da nova alvorada, aquela que precede a noite negra.

Sempre sofremos por alguém. A dor suprema da alma humana está sempre relacionada com alguma perda.

Para entender bem isso, um dia eu li algo assim…

“Nós fazemos chorar àqueles que cuidam de nós.

Nós choramos por aqueles que nunca cuidam de nós.

E nós cuidamos daqueles que nunca vão chorar por nós.”

Esta é a vida. A mais pura verdade.

Uma vez que entendamos isso, é a hora certa para mudar. E quem sabe, deixar de sofrer a dor suprema.

PS. Escrito com o pensamento voltado para as pessoas que passaram por tantas tragédias no fim do ano de 2009, tentando entender a dor de cada um.

 

Ridamar Batista, membro efetivo da Academia de Letras do Brasil, indicação de Vania Moreira Diniz, Presidenta- Posse marcada para 23 de agosto em Brasília.

 




Iemanjá

02-02-2010

 

Salve! Rainha!

mãe, irmã e companheira.

Salve minha deusa de azul e branco

que escorre translúcida das cachoeiras

em gotas pequenas

evapora luz e esperança

perfumando a flor

enfeite das senhoras

nós

faceiras damas da noite

do dia, das claridades lunares

no brilho dourado do sol

ouro nos dedos postos

e mãos de rezas e crenças

pedindo pelo seu povo

sua cria que chora e que ri

que dança e que descansa.....

Mãe formosura

que canta na alma da gente...

Amemmmmmmmmmmmmm!

Manhã de fevereiro- Badajoz- Espanha



 

Enviados em Fev/2010

 


Amado meu

Ridamar Batista

 

Meu único momento de ser feliz

vivi em seus braços

numa dança mansa

de tons e sons perfeitos

seus braços em minha cintura

seus passos

juntos aos meu

uma sala tão grande

um momento tão efêmero

uma felicidade enorme

e nós... cegos de amor

sem poder ver mais nada.

Ah! amor de minha vida

o tempo passa, a vida escorre

e eu...

nunca vou esquecer

os seus murmúrios de amor

sussurros ternos´

promessas infindas.

Quanto nos amamos,

sempre nos queremos

e a vida não foi suficiente

para completar esta paixão...

Vamos viver ad-infinitun

um para o outro

embora um abismo nos separe.

"Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes."


 

 

Planeta Terra

Ridamar Batista

 

O tempo faz tempestades,

Tem maremotos,

Terremotos,

Torrentes, enchentes,

Desabrigados...

A natureza do tempo

É forte.

Parece moça embirrada.

O rio transborda,

A água barrenta

Não presta pra beber.

Menino chora de sede,

Mulher chora de perda,

Homem chora injustiça.

A terra treme de raiva,

Mulher pirracenta!

Quebra tudo

Joga fora,

Não pensa depois...

Aí, cospe fogo,

Fala besteira,

Um vulcão.

Terra danada,

Perdeu a cabeça

Desnorteada, descompensada,

Carrega nas costa

Gente que sofre

Seus desatinos,

Homens,

Mulheres

Meninos...

  

"Quero pintar uma tela branca. Como se faz? É a coisa mais difícil do mundo. A nudez. O número zero. Como atingi-los? Só chegando,suponho, ao núcleo último da pessoa." Clarice Lispector


 

 

Fazer-te feliz
Ridamar Batista

Ah! se eu soubesse a palavra
aquele gesto único e completo
a única maneira de expressar
a vida, o sentimento, a minha vóz
e num momento só ser tudo
e te abrasar em sentimentos totais
e te fazer feliz
e tão feliz que pudesse voltar
a infância
a carência do colo
a essência do leite
a vontade de ser.
ah!
se eu pudesse fazer de ti
o ser completo
o encontro verdadeiro
o teu único ser
e na integridade da vida
deixar acontecer o que nunca foi
e se pudesse desamarrar as garras
e voar solto no tempo e no vento
e se fazer um só
na nota tangente de cada som
repetir em sintonia
todas as notas do canto...
dó...ré... mi...fá...sol...lá...si...
que dó

não posso fazer-te feliz!

 

"Quero pintar uma tela branca. Como se faz? É a coisa mais difícil do mundo. A nudez. O número zero. Como atingi-los? Só chegando,suponho, ao núcleo último da pessoa." Clarice Lispector

 


 

Enviados em Jan/2010

 



Natal

Ridamar Batista

 

Badalam os sinos do templo

E de minhalma

Ouço as campanas em festa

A cidade reluz colorida

Em lâmpadas maravilhosas

Os castelos são fantasia

Que nos levam a sonhar amores

E a vida fica bonita

Toda enfeitada de fita

Colorida de mil flores

Nos finais primaveris.

É natal e tudo é festa

Badalam os sinos em mim

Querendo levar sorrisos

Em cada casa onde haja

Uma criança a sonhar

O sonho de doce espera

O sapatinho na janela

E um presente encontrar

Ah! Se eu pudesse estaria

Cumprindo essa missão

De enfeitar sonhos e ninhos

Alegrando o coração

Que bate em apressado

Olhando pro céu anilado

Querendo fazer magia.

Badalam sinos em mim

Nesta noite de natal!

Dai-me oh! céus este poder

De espalhar a alegria!



" Ai amor!
Seu lugar no meu coração
tá desocupado...
( Só voce não sabe, só voce não sabe...) Roberto CArlos


 

 

Enviados em Dez/2009

 

 

Cara quebrada

Ridamar Batista

O caminho parecia bom,

uma viagem colorida

talvez psicodélica

quem sabe até perigosa

mas feita de emoções buscadas

para animar a vida

tão feita de tristes nãos...

aquele sim vinha em boa hora

o carinho buscado

chegava assim tão fácil

que nem sequer questionou.

Esmola demais o santo desconfia

ela nem desconfiou

foi adentrando sem pressa

vidas se enlaçando

sentimentos cruzados

emoções paralelas

afetos perdidos

no caminho errado.

Quebrou a cara!




O perigo que ronda não vem de fora, é antes hospedeiro de nossa própria sorte.
Ridamar BAtista  


 



Sonhos

Ridamar Batista

 

Ir, para nunca mais voltar!

um sonho incumprido

de menina, ser cigana

de menina moça, ser circence

e depois ser gente

e não fui nada

mais que alma vivente

de sonos profundos

de vontades loucas

e a vida derretendo

e escorrendo entre dedos

como gelo ao sol

e transmutando igual

o tempo de todas vidas.

Quantas vidas!?

Num caminho só...

 

O perigo que ronda não vem de fora, é antes hospedeiro de nossa própria sorte.
Ridamar BAtista  

 

 

Enviados em Nov/2009

 


Sua presença

Ridamar Batista

 

Quando voce chega trás consigo

toda a paz que eu sempre busquei

trás as mãos cheias de encanto

todos os carinhos santos

pra cobrir-me o corpo inteiro

vem sorrindo com saudade

vai chegando e tudo invade

a casa toda fica em festa

voce trás tanta alegria

que até meus passarinhos

cada qual lá de seus ninhos

se alvoroçam a cantar

quando vem até a lua

toda linda e toda nua

quer tambem te conquistar

os seus olhos dois cristais

não escondem a alegria

que de longe trás pra mim.

Quando voce chega

tudo aqui é um bem querer

as portas da casa e da vida

abertas  sempre com afeto

como quem espera um deus.


 

 

Falando só...
Ridamar Batista


Mesa de bar, tarde da noite
a conversa flui sem muitos dizeres
o copo balança e dança
numa roda de vida sem muito tom
o canto que rola é triste sonata
o bêbado chora a solidão de nada
nem sabe se sofre ou se a dor
é seu habitat ou quem sabe
o habitat da dor
seja a triste saudade?
Mesa de bar é casa de amigo
um canto de mesa
cadeiras vazias
vontade de alguem
pra fazer companhia...
para me tirar desta sucumbencia
deste estado total de estar só...

 


"Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba.
Não ame por admiração, pois um dia você
se decepciona.
Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar
com um amor sem explicação!"
Chico Xavier

 

Enviados em Out/2009


 

Lenda
Ridamar BAtistaa


Alem do horizonte azul
onde o arco-iris brilha
em cores e matizes de luz
um pássaro sem asas
numa manhã doirada de sol
me prometeu amor.
Acetei.
Amar é um ventura
feita de sol, céu e luz
e num abraço protetor
meu corpo se fundiu
e minhas asas doei
e meu pássaro encantado
voo...voo... e se perdeu
de mim, de nós.

 



 

Primavera
Ridamar BAtista


Nestas manhãs primaveris
enquanto as flores caem
num bailado delicado
a passarada plena de alegria
 de cada himineu
vão fortalecendo laços
em cada encontro
flores e terra
vôos e abraços
cantigas auspiciosas
todo meu cerrado em festa.
São manhãs primaveris
bordando de tons e sons
tudo que exala da vida
e explode de cada um
nos respingos de chuva branda
nos doirados do orvalho matinal
nas folhas verdes que dançam
em cada galho balanço
brinquedo de aves e flores
e meninos cheios de amores
em risos alegres e sãos
fazendo e tecendo momentos
que jamais esquecerão
gravados na alma sedenta
a imagem feliz desta vida
repetida nas primaveras
que bailam num ritmo só
trazendo flores ao vento
no som de pássaros e gente
que sabem entender o passo
dos dias que vem e vão...


"Ser livre é querer o que se pode - Jean Paul Sartre -

 



Dois mundos

Ridamar BAtista


Entre dois mundos, um sutil encontro
tênue linha de divisão
num etéreo encontro arrepios
sentimentos de sonhos ou não
uma vontade louca de ser e não poder
um leve tocar de mãos sem se entender
uma luz clareando a solidão
de movimentos soltos desatados
na hora derradeira do perdão.
Dois mundos tão distantes
uma incompreensão
uma vontade enorme, uma ilusão
duas almas juntas... união.
Onde estamos nós, desamarrados
voando nesta eterna amplidão
buscando um ao outro, oh! sortilégio
oh! desventura imensa, esta escravidão.
Correntes atando nossas vidas
nos laços soltos, oh! perdida!
a luz de seu olhar no meu refletida
uma saudade imensa
uma partida
esta busca insessante de nós dois.


"Ser livre é querer o que se pode - Jean Paul Sartre -

 




Final da novela Caminho das Indias... um show de beleza, imagens, encantos e o canto mavioso de nossa eterna "Maria Betania"...

O Que É, O Que É?

Gonzaguinha

Composição: Gonzaguinha
Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...
Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...
E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...
E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...
Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

"Ser livre é querer o que se pode  -Jean Paul Sartre -

 

"Ser livre é querer o que se pode  -Jean Paul Sartre -




O silencio se expande em ondas que gritam dentro de minha cabeça.
 Fico quieta, meus movimentos se tornam letárgicos, estou como se numa câmera lenta...
Sentada nesta cadeira olho o céu azul se misturando ao grande lago e o verde que me envolve nunca foi tão verde como hoje.
Um contraste de tristeza e alegria forma uma onda gigante que vem quebrar aos meus pés.
A espuma branca parece bolha de sabão e me leva de volta a tempos de menina.
Entre o lá e cá nem sei dizer se foram tempos perdidos, mas a sensação é de solidão e angústia.
Por mais que se renove a vida, fica uma estrada para trás e não se pode ignorá-la. É a minha vida. Foram os meus dias passados a limpo ou não que fizeram de mim esta caminhante rumo ao amanhã..
Ele virá?
O ontem se foi?
E agora? que faço aqui, olhando o nada e tentando não pensar no amanhã e sequer lembrar o ontem.
Agora me resta esperar que alguém me tire desta pasmaceira e me chame para almoçar.
É sempre assim, quando estamos muito introspectiva ninguém tem coragem de nos tirar da cena dos pensamentos a não ser por algum motivo bem sério... como por exemplo: almoçar.
Enquanto isso, leio alguma coisa de um livro qualquer somente para que pensem que estou me distraindo, na verdade me escondo por detrás das páginas do livro para evitar qualquer conversa importuna.
O ontem se foi?
E então porque ele insiste em me rodear nesta manhã de sol e de céu azul?
O passarinho canta e eu respondo com um assobio. Ele volta a cantar. Ficamos assim, um a imitar o outro, como se pudéssemos entender esta linguagem.
As lembranças teimam em rondar meu coração.
Procuro afastá-las para não sofrer. São saudades! e saudade é sentimento matreiro, vai chegando disfarçada em lembranças e depois apunhala o peito... Não a quero sentir mais.
Não, o ontem nunca vai embora. Fica ali, nos espreitando, sempre pronto para voltar, na lembrança, na saudade e em tudo que nos cerca.

 

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

(Pablo Neruda)

 



O amor ( desconhecido)
Ridamar Batista


Uma busca de palavras vãs

Um ai, um sentimento, um quase nada

Uma esperança, um amanhã

Quem sabe, uma alegria

Uma felicidade, uma mentira

Nós dois andando mãos dadas

Numa calçada qualquer

Uma caminhada

Uma esperança inútil

Talvez uma jornada

Uma busca de alguém

Quem sabe uma ansiedade

Você meu sonho, uma fantasia

Aquele alguém que quis

Alguém que construí

Alguém que foi e nunca conheci

Você um sonho nunca concluído

Sonhado e jamais reconhecido

Você o amor mais que buscado

O sonho mais que sonhado

Alguém que não pude encontrar

O amor por mais que quis

Nesta vida encontrá-lo

E que nunca, nunca

Jamais pude vive-lo. 

 

"Deus move o céu inteiro naquilo que o ser humano é incapaz de fazer. Mas não move uma palha naquilo que a capacidade humana pode resolver" (Ditado Oriental)


 

Feiticeira
Ridamar Batista

E sou astrológica

Simbólica

Astral

E gosto das crenças

Dos saberes

Das ancestralidades

Sou mágica

Sou bruxa

Sou feiticeira

Gosto da lua

Principalmente cheia

Gosto do sol

Em solstícios e

Em equinócios

E sou mágica

Sou um pouco de tudo

um pouco de nada

E gosto das fogueiras

Dos dias ensolarados

Gosto das coisas naturais

E sou assim meio que fada

um quase nada

Sou uma mulher esquisita

Creio em tudo

E não creio em nada

Cada dia para mim

É apenas um dia

Cada hora, uma hora

E quando você diz que me quer,

Eu sou apenas a sua amada.

 

 

Ida

Ridamar Batista

Amanha, quando uma nuvem passageira

Levar-me pra bem longe

Uma lembrança suave hei de deixar

Meus versos simples, minha singeleza

Minha maneira adocicada de falar.

Hão de lembrar-me os caminhos todos

Floridos ou não, meu fantasiar

O mar revolto, os cabelos seus

a cor do mato, esse seu olhar

as folhas secas colorindo estradas

o azul do céu, meu enfeitiçar

a lua branca, o Cruzeiro do Sul

levarei tudo quando eu voar

vou buscar meus sonhos

todas as quimeras

Viajar, viajar e viajar

Correr montanhas, cavalgar o vento

Em risadas soltas, assim me alegrar

Serei tão leve como o grão de areia

Imperceptível como o sonhar

Deixarei lembranças, algo de saudades

Quando amanhã a nuvem me levar.

 

 

A louca...

Ridamar Batista

 

Louca, louca não sou

mas jogo pedra na lua

e se a lua reflete na água

mergulho de cabeça

perco o senso, fico nua.

Rasgo dinheiro e queimo

na fogueira de mim mesma

 as chamas lambem o céu 

e o sol fica vermelho

pura vergonha de mim.

Louca de pedra não sou

só agrido se preciso

pura defesa que faço.

Talvez eu seja insensata

mas louca, louca não sou.

Sou apenas um pedaço...
 

Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo. Oscar Wilde


Deixado para depois...

Ridamar Batista

 

A próxima vez que voce me ver

terei  tranças grandes como Rapunzel

meu sorriso será um parêntese

aberto nas bordas da boca

como querendo explicar

o que nunca foi falado

a felicidade tão frágil como a gota

de orvalho numa pétala de rosa

a esperança apenas asas verdes

voando em torno do pensamento

e a vida, um caminho longo

coberto de folhas amarelecidas

o olhar  esbranquiçado

coberto pela nuvem

do silêncio e da saudade.

 

TEMPO DA TRAVESSIA

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia…... e se não ousarmos fazê-lo teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

 

 

 

    ..." E o coração de quem ama

    fica faltando um pedaço

    que nem a lua minguando

    que nem o meu nos seus braços..."

 

                    Djavan

 

 

Eu

Ridamar Batista

 

 

Eu sou assim

uma canoa velha

cansada de navegar

um velho Jatobá

feito veleiro

feito navegante

em águas revoltas

levando a alma

de  pobre sonhadora

sou um casco velho

em busca de uma praia

um porto seguro

ou não...

uma viagem sem rumo

uma aportagem qualquer

um lugar onde ficar.

Meu campo magnético

meio descompesado

minha rota tão desfeita

meu ponto de partida perdido

no horizonte colorido

de meu arcoiris

desfacelado

em cores sem matizes

sou um ser perdido

no mar revolto de mim mesma

por conta de amores desfeitos

no caminho de mim.

 

 



 

Em estado de eclipse

Ridamar BAtista

 

Esta é a história dos que amam

e não são prometidos

O encontro é fruto do acaso

da imaginação e do sonho

Mas e porque não sonhar? esperar?  iludir?

Assim é o eclipse.

Às vezes acontece.`

Nós acontecemos...

No fogo do cio

às escuras da vida

no esconderijo quente de nós.

Voce se funde em mim

embora seja tão depressa

acontecemos porque acreditamos.

E nos respingos liberados

da essencia de seu gozo

alimento minha inspiração

Faço voce feliz e pronto.

Desapareço...

 

 

 

 

"Gosto dos venenos os mais lentos!

As bebidas as mais fortes!

Dos cafés mais amargos!

E os delirios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

E daí

eu adoro voar!!!

C. Lispector

 

 



 

Dar um tempo

Ridamar Batista

 

Dar um tempo, retroceder

ou buscar novo rumo

são atos ou fatos

que distanciam, separam

desatam os nós.

O compromisso fica folgado

o exercício do amor dissolve

em brumas espessas e cegas

os braços se afrouxam

os abraços se perdem

se calam os lábios

o beijo vira uma lenda,

porque dar um tempo

é desamar, desenrolar ou derreter

apagar o fogo que impulsiona

o coração que bate forte.

Buscar novo rumo

quem sabe novo horizonte

onde as franjas imaginárias

serão icógnitas ou falsas?

Dar um tempo no amor

é quase desistir

da chama que resta ao peito

do direito de ser feliz.

Entrar dentro da ausência

num sentimento de perda

recolher à insignificância

perder toda esperança

e voltar a ser tão só.

 

 

 



 

Luar

Ridamar BAtista

 

Somos como um raio de luar

em noites de lua nova clareamos

um poente se desfazendo

em nuances deslumbrantes

num rajar de cores fortes

se nos deixam clarear.

Somos um raio de luz

numa noite de luar.

se a lua aparece tristonha

por entre brumas espessas

somos como gotejar

de orvalhos entrestecidos

numa noite de luar.

e quando a lua cresce

brilhando por entre janelas

somos olhares furtivos

de enamorados perdidos

nas noites de luar.

nas noites de lua cheia

nos morros escurecidos

somos como os amantes

tentando se esquivar.

Cada lua nos fascina

esta será nossa sina

vagar em cada esquina

num grito desesperado

buscando o nosso encontro

sabendo que nos custa tanto

voltar a nos encontrar.

igual que lua minguante

fico cada vez mais distante

de seu meigo olhar.

 

 



 

Dois rios ( Dois amantes)
Ridamar Batista

Dois rios com alegria resvalam por entre as pedras, cantando uma sinfonia ouvida por todo quêniun e cantam assim felizes por estarem certos que vão se encontrar no caminho.

De cima daquele morro, sentados na laje da encosta os dois ciganos descansam, enquanto felizes contemplam a imagem tão bela daquelas paragens sem fim. O sol bate nas pedras ao entardecer e o colorido das flores revela todos os tons.

São namorados da vida, de mãos dadas trocam olhares na certeza do amor.

Ela vestida de seda, um lenço vermelho na cabeça e outro cingindo o ventre, nos pés a sandália bordada, nos braços pulseiras doiradas no olhar a ternura profunda de quem sabe ser amada.

Olham o verde esperança, enlaçados pelo abraço de toda entrega sincera, doação dos sentimentos.

Como os dois rios, se fundem e perdem a identidade para correr no infinito em busca de um mesmo momento, vislumbram do alto do queniun a entrega das águas que se encontram numa cantiga eterna, mostrando a grandiosidade da vida.

A companheira silente, bebe com entusiasmo a sabedoria do amante, que vai lhe ensinando aos poucos o que há de mais sagrado.

Fecham os olhos e sonham diante da imensidão. É tão belo o momento que o silencio é preciso. Apenas o som das águas faz o sentido de tudo.

Nascidas em cima do morro, correm cantando felizes e vão em busca do mar. Conhecem os desafios, sabem que é longo o caminho e o quanto é mister resvalar. Porem a força da vida empurra as águas pra frente sem que temam o caminhar.

Assim também os amantes, dois ciganos errantes, vão em busca do destino.

Param de vez em quando. Ele sabe cada canto onde a natureza foi pródiga para enfeitar o caminho.  De camisa vermelha, lenço amarrado ao pescoço, botas até os joelhos, atento a cada sinal, leva a moça pelas mãos e num gesto de carinho, descem o queniun devagar. Lá em baixo as águas rolam, cantando sem parar.

Sabem viver cada dia, sem ansiedade ou agonia, certos de que vão chegar ao ponto de suas buscas.

Estando longe ou perto o coração bate certo, cumprindo o mesmo tom, como as águas dos riachos, cantam para alegrar o vale, uma canção de amor.

Levam ternura nas almas por onde tem que passar. Seguem de mãos dadas, serenos pelas estradas, como os rios para o mar. Alimentam seu caminho, ladeando de carinho e dando vida a quem passar. Ao correrem por este leito, carregam o alimento no peito e semeiam compreensão.São caminheiros do mundo e aprendizes da vida. Sem destino e sem norte, vagam pelos caminhos, levando em seu cadinho uma pitada sorte.

Confiam em sua estrela, o sol durante o dia e a lua brilhando a noite. Dormem sobre a relva, bebem na mesma concha e fazem a vida bela.

 



 

Horas que passam
Ridamar Batista

Das sutilezas da vida
impera cada momento
num frágil agilizar
de cada pensamento.
E vamos compondo as horas
em leves sonhos pensados
como quem refaz trabalhos
como quem compõe a arte
em cada palavra dita.
O momento acontece
fulgaz como asas ao vento
e num plainar delicado
se pode escolher o pouso
sabendo entender que somos
aquilo que mais queremos
na transmutação eterna
do passo de cada momento...

 



 

Para fazer feliz alguém
Ridamar Batista

Eu preciso te amar de manhã cedo, de mãos dadas caminhando feliz por sobre a relva molhada dos pingos de nosso amor consumido durante a noite.
De passos lentos e corações em disparada, sentir o doce de seus lábios enquanto o sol desponta no horizonte colorido de meus sonhos.
Pisar tranquilamente o chão sabendo que nada mais pode acontecer que não seja o abrir generoso do escrínio cósmico, derramando sobre nós o tesouro de nossas certezas.
Amar cada momento num abraço musicado pelo compasso de seu caminhar.
Ouvir silenciosamente o ritmo de seu sussurro enquanto o riacho corre e leva todas as dúvidas para bem distante.
Dar a volta em cada pedra do caminho e abençoar a terra que nos acolhe.
Quero te amar intensamente como se fosse a única vez e deixar-te saciado de um bem querer incomensurável e duradouro.
E sentir de ti a seiva que alimenta a ternura que propaga como o vento alegre de cada manhã de abril.
Voar no pensamento simbiótico de nós e construir a paz que nunca tive.
Descansar da lida acolhida em seus braços e meditar com Deus a ventura imensa de ser tua mulher.
Assim quero amanhecer te amando a cada instante, no correr das horas caminhantes.
Forjar as franjas doiradas do tempo num delírio de cores e de sons tão lúdicos quanto verdadeiros e navegar a vida como quem tira férias.
Vou perfumar as mãos para colher estrelas e pratear seu mais sonhado anseio.
Ungir teu corpo de poderes mágicos e deixar-te em sonhos divinais. Fazer de ti um rei de tronos majestosos, dar-te exército fiel aos teus comandos.
Fazer-te dono total de meus domínios, entregar a ti todo tesouro que meu ser reserva.
Serás um rei de noites musicadas, em que violinos gemem notas das esferas e acalenta o sono que te espera.
Serás o dono das cavernas, onde Ali Babá conserva todo ouro.
Tu e somente tu saberás o segredo de meu “Abre-te Sésamo”! e te farei colher o mel de todas as delícias, numa manhã em que contigo, andarei por relvas orvalhadas.

 



 

Ciume
Ridamar Batista

A tortura lenta do ciume
vai minando a alma
os sentimentos bons
vão acabando comigo
sempre tão autentica
vou me consumindo
na dor profunda dos ciumes.
Ai! que tortura cruel
que delírio torpe
que insensatez.
Busco confusa
nas mais arraigadas crenças
vou fazendo da vida
uma volupia louca
vou mentindo para mim mesma
na perturbadora e insana crença
de que posso viver assim.

 



 

Nascedouro de amor
Ridamar Batista

*" ...água de regaço que nunca foi cascata..."
Geraldo Soares de Farias.

Como a nuvem que forma sem chover
Como o vento que passa e não se vê
Como o canto sufocado na garganta

Como o estertor vivo que não quer morrer
Como “água de regato que nunca foi cascata”
Como sombra que teima em não ser

Como o riso que morre sem nascer
Como o tempo que passa sem se ver
Como tudo que se quer sem nunca ter

Começo querer amar voce…

 



 

Um ser andrógino
Ridamar Batista

 
Cantam que por aqui passou ha muito tempo, um ser andrógino capaz de encantar a homens e mulheres, crianças, animais e pedras.

De beleza tão rara e de um cantar tão triste que fazia chorar as águas do rio.

Quando ele se punha a solfejar seu canto de angústia e de saudade, ás águas em tumulto faziam redemoinhos indescritíveis e balançavam formando ondas que se quebravam nas margens soltando um cheiro de peixe que todos podiam sentir, como se cardumes em alvoroço também estivessem ouvindo a vós daquele homem.

Cada nota de seu canto evadia em ondas coloridas e formavam arco-íris com as partículas de gotas da água do rio que evaporavam em descompasso, dançando entre as pedras e transformando em figuras desconhecidas.

Depressa o povo alvoroçou.

O comentário a boca pequena começou a correr. No mesmo grau de encanto e deslumbramento também surgia o medo e a inveja.

O ser andrógino sabia falar muitas línguas e conhecia a teoria de muitas crenças.

Não demorou nada para ser chamado de feiticeiro, aplicava seus conhecimentos em curas estranhas e tinha o poder de tirar a dor apenas com a aposição das mãos. Conhecia o poder das ervas, das cores e dos sons para usar na cura das doenças.

Dentro de uma comunidade simples de gente pobre, logo foi chamado de Bruxo.

Nunca se incomodou com os comentários. Estava acima de qualquer opinião. Era um ermitão em total silencio, apenas abrindo a boca para falar o imprescindível e para cantar seu canto de tristeza profunda.

A voz mais parecia um veludo, que adentrava os ouvidos numa espécie de hipnotismo.

Enfeitiçou.

Veio o turbilhão. Maledicências, acusações, insultos, denúncias falsas e expulsão da vila.

Saiu como havia chegado. Nada trouxe a não ser a maviosa canção que entoava sempre e nada levou senão a si mesmo e seu canto.

Vagou por aqueles ermos sem fim. Vagou cantando e seu canto de tão triste ia se repetindo por entre as pedras do vão dos morros e cada nota sonora ia se transformando em pedras e mais pedras.

Conta-se que foi assim que o ermo sem esperança de progresso se transformou numa verdadeira mina de pedras preciosas.

Ainda hoje, quem vive por lá tenta repetir seu canto. As crianças já nascem querendo tocar algum instrumento musical e aqui e acolá nasce um poeta cheio de dor e de saudades.

Os boêmios se multiplicam e a música ecoa por entre os morros no som das cachoeiras que abundam por aquelas terras.

Uma verdadeira magia. Dizem que quem dorme no alto de algum dos morros que rodeiam a cidade ainda pode ouvir seu canto e até mesmo ver seu vulto a caminhar sozinho e a encantar os pássaros.

 



 

Medo
Ridamar Batista

Oh! poça d'agua refletida
no poço profundo da visão difusa
espelhada na busca inutil
da verdade incontida
no espasmo do vento
que rodopia insano
numa corrente de angústias e dor.
Oh! pingo dágua umidecido
nas bordas do seio
que alimenta e que desfruta
que é descanso e cansaço.
Molha-me e sustenta minha sede
que a vida escorre de mim
com tanta pressa
que um furacão se forma
na corrente morna de meu sangue
e não responde perguntas
e vai devastando estradas
e removendo a lama
dos conceitos maditos
que fizeram de mim

uma mulher com medo.

 



 

Anseios
Ridamar Batista
 
Como véus reluzentes leves
Dançam ao vento borboletas
E lambe o tempo cada chama
A iluminar o rosto de quem passa.
Febril cintila o fogo dentro dalma
Igual a luz que brilha nesta lâmpada
Aquece em volta, queima o cetim
E não se queima e nem se apaga.
Vai dando luz à escuridão tamanha
Vai aquecendo outras almas estranhas
Mas não conhece seu próprio ardor.
Oh! Fogo, este que me arde
Dentro do peito, este solitário
Em busca de outro sol que venha
Juntar a mim, trazer mais lenha
Formar em nós este braseiro
E abrigar em sua alma o sonho
E transmutar em mim
Os meus anseios.

 



 

Passeio matinal
Ridamar Batista

 
Uma conchinha cor de rosa rolou faceira sobre meus pés, puxada pelo refluxo da onda.
Olhei pensando em apanhá-la para guardar com as outras tantas que carrego de todos os mares por onde andei.
Naquele momento pensei que seria mais bonito se a outra metade da concha viesse junto.
Assim eu não levaria uma concha mutilada.
Mais parecia a asa quebrada de um anjo.
Tão rosada era que pensei, deve ser uma anja.
Só podia ser. São as anjas que costumam quebrar suas asas.
Ou quem sabe alguma fada brincasse de barquinho com aquela concha? Sei lá.
O brilho de madripérola sempre me encantou.
Olhei ao longe o mar revolto me dava medo. Não tive coragem de entrar, as ondas estavam altas e não me eram convidativas.
O mar aberto assusta e a maré estava muito alta. Segurei a minha onda.
Com um olhar meio tristonho deixei que onda tragasse de novo a minha concha cor de rosa.
Não a levaria para casa.
Apressei o passo, a manhã já se fazia quente e eu estava sem protetor solar. Nestas alturas da vida, melhor tomar cuidado.
Eu me sentia bem entre a brancura da areia e o verde que me cercava por todos os lados.
Era a primeira vez que estava numa praia onde a cidade fica escondida por uma orla totalmente verde. Os prédios estão longe do mar, a avenida respeitada por largos calçadões e logo depois a plantação beirinha.
Muito bonito mesmo.
Do calçadão imagina-se uma praia deserta e quando se vai aproximando, está tomada pelos banhistas de férias. Na maioria estrangeiros ou melhor, argentinos.
A pousada onde estou, é um castelinho de quatro andares. O telhado lembra as casas européias, são triangulares, porque assim se a neve for muito forte no inverno, não pesa tanto, escorrem e não danificam o teto. Muito bonito. Com o afunilado do teto, vão criando novos quartos até que o último seja apenas um, aí a decoração fica mais aconchegante, mais romântica e mais convidativa, só para dois.
Uma janelinha enfeitada de flores naturais, aqui se planta muito os gerânios, porque são fortes e aguentam bem tanto o inverno como o verão sempre floridos.
Uma cortina de renda branca com dois cisnes nadando lado a lado e formando um coração com os bicos encostados um ao outro. Lindo!
Os descendentes europeus são delicados. As mulheres costumam ser boas artesãs. Bordam as toalhas de banho, fazem crochê que são verdadeiras rendas e gostam de flores por toda casa.
As pousadas são bem familiares, misturando seus donos com os hóspedes. À tarde sentam na calçada de suas casas e proseiam com todos que passam.
As crianças loiras e de olhos azuis parecem anjos com seus cabelos cacheados e compridos.
Uma terra aprazível de estar.
Enquanto eu ia pensando nestas coisas de novo senti o roçar de algo nos meus pés. Outra conchinha rosa me chamou a atenção. Esta agora não me escapa. Abaixei e peguei a concha. Olhei em volta e já estava bem distante de meu ponto de partida, dei a volta e segui minha caminhada até encontrar um local onde as ondas não estavam tão fortes.

Mergulhei no mar e abençoei-me por ser tão feliz.

 

Do Livro "Sete véus caídos" de Ridamar Batista em breve na NET

 



 

Fogo de palha
Ridamar Batista

 

Eu precisava abandonar aquele porto seguro, mas precisava para tanto um motivo visceral. Briguei com o mundo, inventei desordens dentro de mim, eu mesma deveria me expulsar.

Foi o que fiz.

Mas como aportar em outro ninho?Num novo ninho tão velho quanto as minhas reminiscências porem tão estranho como meu próprio eu?

Teria que criar motivos. Criei.

Teria que encontrar prazer naquilo que me esperava. Encontrei.

O prazer tem nome, endereço e CPF. Move-se, fala e pensa e mais, faz-me um bem danado. Somente um defeito, é homem, e lembrando um pedaço da história da Branca de Neve, que eu ouvia quando menina pude fazer uma paródia.

Havia no meio da história uma fala que vinha do anãozinho Zangado. Quando os anões entram na casinha minúscula e encontram Branca de Neve deitada na cama do Zangado, um dos anõezinhos, o Feliz, exclama:

___Que linda!

O que imediatamente Zangado responde:

___Mas é mulher e as mulheres são falsas…

Tal e qual… penso eu dos homens. Talvez nem seria falso o adjetivo usado por mim, manipuladores quem sabe cairia melhor?

Manipular mentes humanas chega ser até chic, uma arte. Eu o chamaria  artista.

Mesmo correndo riscos, mergulhei fundo, perdi a cabeça. Experimentei.

Era-me no momento substancial.

Minha única maneira de sobreviver num ambiente que tanto se mostrava inóspito.

Seria o que eu posso chamar de melzinho na chupeta. Um premio de consolação que estava dando a mim mesma. Um empurrãozinho para frente quando por acaso eu quisesse retroceder. Um brinquedo inocente.

Na verdade eu nunca soube quem esteve usando quem…

As luas foram se sucedendo, uma por uma, as via subindo no céu. Contei-as todas.  Ora feliz, ora descontente. Ora certa daquele amor, ora descrente até de mim mesma.

Fui deixando meu campo minar. Fui baixando a guarda. Desarmada de mim, de nós. Fui imprudente. Brincar com fogo tem seus perigos e muito mais, fogo de palha. Afinal ele deveria ser o brinquedo e não eu.

Assim, como diz o conselho do dia…

“Um amor imposto é um fardo para o amado e para o amante. O segredo está em despertar o amor dentro de voce, pois este contagia e seu perfume embriaga quem estiver por perto.”

 



 

Enfeitiçada
Ridamar Batista

Que as noites sejam tão claras
Que as horas sejam tão minhas
Que eu possa fitar andorinhas
Voando pelo céu
Que os sentimentos eclodam
Sem pressa de se fazer
Que eu possa sentir a ternura
De todo o meu querer
Deixado em semeadura
Pelos caminhos doirados
Por onde teus passos pisaram
Segurando em minha mão
Que a lua clareie  a estrada
Que a terra seja pintada
Com as cores que Orestes criou
Para enfeitar a doçura
 da embriagues tão pura
Deste amor que me enfeitiçou.




 

Metáfora
Ridamar Batista

Perder a cabeça por amor
se posso usar esta metáfora
de ser e fazer loucuras
sem medo da guilhotina
já que nem sou rainha
e nem tenho tronos de meu,
sou apenas a fêmea faminta
que saceia a fome de amor
nos braços de quem me queira.
Perco a cabeça e o rumo
perco meu chão e meu céu
rasgo minha capa de véu
e me desnudo toda.
Mostro sentimentos ocultos
em frases desvirginadas
sussurros sentidos e soltos
entrego o gemido tolo
quando me roças a pele
e vibro com a alma leve
no compasso de teu abraço
invasivo e sem pudores.
Sinto tua alma leve
na ternura de meu beijo
invado segredos profundos
e te faço perder a cabeça.




 

Primavera
Ridamar Batista
 
Debruçou o olhar no horizonte azul
Um vento quente balançou-lhe
Os galhos ressequidos
Fantasiou uma nuvem que chovesse
E no profundo de suas raízes
Sentiu medo da sede.
Titubeou um pouco sonolenta
Ao balanço de seus galhos
E então para ser diferente
Inventou a flor.
Toda vestida de pétalas
Envaidecida e bela
Voltou a olhar o horizonte azul
E chamou o tempo Primavera...

 



 

Simbiose telepática
Ridamar Batista
 
Este vento que sopra sorrateiro
murmura e chora em desespero
a falta que tu me faz
Tuas mãos afagando-me ligeiras
teus carinhos sempre meus
e úmida, e quente e lasciva
entrego-me a ti sem medos
a carne pronta para o prazer
ouço tua voz a sussurrar no vento
teus dedos a desalinhar meus pelos
e tua carne dentro de mim.
Somos apenas uma simbiose
telepática, mental e etérea
que se faz presente quando o vento sopra
e arrepia-me o desejo de voltar a tê-lo.

 



 

Amante
Ridamar Batista
 
Sou como colibri
a espera de mel
no ninho, sedenta.
Sou a flor que se abre
em úmida seiva
e se entrega e se deixa
açucarar de amor.
Sou o mel de tua boca
deixado na minha boca
para alimentar meu desejo.
E quando cai a chuva
 e molha meu caminho
 sou como a fonte limpa
que nasce de carinho
 e corre para o mar.
Sou toda uma dádiva
mulher de corpo e alma
sempre pronta para amar.

 



 

Te quero...
Ridamar Batista
 
Teus lábios em meus seios
derretendo todo mel
formaria um riacho
desembocado no céu,
o umbral de meus amores
onde sofro sem pudores
as delícias de teu beijo
e molhado desta água
entrarias sem demora
nos escombros de mim mesma
e demente entre espasmos
gritaria de prazer

e teria meus orgasmos.

 



 

Desejo
Ridamar Batista
 
Lambuza de mim
derrete meu gelo
tira a máscara
da minha cara
meu caro poeta
se esfrega em meu corpo
deitado na cama
de folhas secas
eu, camaleoa
no cio constante
na busca incessante
de um amor
.

 

(Poemas publicados no Livro "Mulheres no Banquete de Eros"
lançado pela aBrace, Movimento de integração cultural na América Latina
Em 25 JUn 08, em Brasília, foi apresentado o Livro pela primeira vez no Brasil.
Ridamar Batista é uma das poetisas que participa desta obra sutil e delicada.)

 



 

O som do choro
Ridamar Batista
 
Oh! canto que me sufoca o peito
este som que ouço en cada canto
na viola do cigano
no sapateado da mulher
que solta seu cabelo
e faz sonoridade com a saia
e balança o corpo na dança
e a música esvai em cada nota
do vento que sopra
do mar que revolta
do silencio que faz na noite
e da estrela que cai...
ah! esta música que me sufoca
e me tira o ar
na guitarra que chora
no violino que sofre
a mesma dor que eu
ouvindo cada tom perdido
sem sabe onde buscar
o consolo para a alma.
Esta música que chega
na quietude da areia
na folha que farfalha
na queda de si mesma.
E o pingo da chuva
que ainda não caiu
já traz consigo o som
que busco na esfera
quando fito o infinito
e ouço a plumagem da ave
solta em rodopio
zumbindo em meu ouvido
sua dor...
ah! todos esses sons
que não me dão sossego
vão compondo o enredo
do meu viver tão só.
Dó...Dó...Dó...
Ressoa em mim
Mi...Mi...Mi...
Reflete a dor
Ré... Ré...Ré.

 



 

Semeando versos
Ridamar Batista

 Eu não sei se escrevo versos
 mas sinto que a poesia
 dança dentro de mim,
 transcrevendo uma órbita
 ao meu redor.
 Tudo que vejo, sinto ou pressinto
 transpira rima e faz poemas
 e um simples pensamento
 o olhar furtivo, um sorriso apenas
 vão se tornando frases
 multiplicando anseios
 Versos saem fáceis de mim.
 Se o sol
 está brilhando ou não
 isso já nada importa
 sou poeta e cumpro a minha sina
 de andar rimando qual menina
 minhas singelas trovas.

 



 

Pirenópolis
(Ode)
Ridamar Batista
 
Pirenópolis não existe...
Tem um lugar no planeta
Entre os sonhos confusos
Destes que às vezes vivemos
Entre brumas e clarões
Inexplicáveis
De visões paradisíacas
Entre morros sombreados
Serpenteando caminhos
rumo a alma das águas.
Você sabe onde é?
Um sonho?
Sentir a água nascer gelada
 dentro do côncavo de pedras milenares
Com cheiro de mato virgem
Cheiro xamântico
Das flores que brotam
do seco e das alturas
e se mistura ao odor
impregnado nas rochas
testemunhas de vidas, de sonhos
de sabedorias e de encantos.
Pirenópolis existe?
Minuto de êxtase,
Plenitude, magia e regeneração
De vida,alma e sentidos
Que se aguçam,
Bailam,
Entontecem.
Os olhos dançam
A visão não cansa,
Sobre os telhados
Bichos se multiplicam
Em orgia de criação constante,
As escadarias
De paus e pedras
Incrustadas nas orlas de seus morros
Fazem cascatas sonoras
No rodopio da alma de suas águas
Pirenópolis existe?
O perfume que emana de suas águas fáceis
Mistura ao vento dançarino que corre
De serra em serra,
Levando notícias a uns e outros
E suas águas cheirosas ensinam
Como é fácil nascer, crescer e viver.
Os Buritis que acalentam a visão
Ninho dos pássaros
Insólitos e paradisíacos
Os olhos das gentes não alcançam.
Uma carícia na alma
A certeza do toque aveludado
Daquilo que é e não se vê...
A vida.
Minha cidade...
Desconhecida dos poetas
Filósofos
Políticos e estudiosos
Navega às soltas neste planeta.
Não é a Rua do Laser
Nem a Ponte de Pedra
Rua do Sapo
Do Bonfim
A Ramalhuda
As cavalhadas, Pastorinhas
Histórias copiadas,
Suas pousadas, luxo.
Eu falo do clima,
Das águas que brotam fáceis
E escorrem para o norte
E enchem rios para o sul,
A energia mágica e natural
De sua posição em privilégio.
Incrustada no meio de um país
De sonhos e sonhadores
Pirenópolis existe?
E sua gente te desconhece...
 
 
 
(Com a participação de Ondimar, Esdras, Karine e Aymée...)



 

A carga não pesa ao dono
Ridamar Batista


Diante de certos fatos sinto-me mais entrevada que qualquer tetraplégico. Os olhos paralisados, fixos no horizonte, tentando ver aquilo que  jamais fora mostrado, nem mesmo aos deuses do Olimpo e tentando desvendar mistérios ocultos até mesmo do meu próprio Deus, fico perdida pela minha profunda curiosidade, querendo revelar de mim e para mim mesma tudo que nunca foi dito ou sequer pensado ao longo da vida.
E exatamente nestes momentos de insensata curiosidade, às vezes perdida de tanta busca, descubro quão inútil este tão grande destemor.
Hoje cedo, numa de minhas longas conversas com desconhecidos, pessoas que me procuram para falar de si enquanto pacientemente ouço e dou ás vezes um conselho, ouvi esta história.
Sentada ao meu lado, enquanto tomávamos meu costumeiro chá, por volta das nove horas da manhã, ofereci a ela também um pedaço de pão, mal saído do forno, quente, cheiroso, nutritivo, integral. Talvez o único bocado comido naquele dia, seria longo e triste como muito outros.
Notei que levava uma barriga grande, uma gravidez bem adiantada. Ela me disse que estava grávida de gêmeos. Não tinha marido. Com sutileza perguntei se não seria o caso de entregá-los para adoção, a moça me parecia tão jovem ainda e tão desamparada. Tantos sonham com uma criança a sorrir feliz em lares de abastança financeira sem a alegria do riso de um filho.
Desviou-me o olhar e me pareceu um pouco enfadada.
Mudei de assunto e ela quis contar-me sua história.

“Quando eu tinha doze anos, minha irmã mais velha me vendeu para um amigo seu, em troca de uma televisão em cores velha.
“Levaram-me para um quarto de motel, daqueles bem simples e mal cheirosos, isso hoje eu sei, porque já fui a muitos melhores que aquele. Sem que eu pudesse me defender, o tal homem me possuiu, enquanto minha irmã esperava na porta do quarto. Eu relutei muito e chamei por ela, mas ela não veio em meu socorro, e somente agora eu sei o por quê.
Naquele momento me senti sozinha, infeliz e violada, sem entender o que tudo isso ia significar para minha vida futura. Naquela época sequer havia menstruado pela primeira vez. Isso veio logo acontecer, porque a partir daquele dia, o tal homem sempre me queria mais uma vez. Como ele havia me possuído, eu pensei que devia mesmo aceitá-lo.
No começo foi difícil, não gostei. Porém, com o passar dos meses fui me acostumando, fui sentir prazer em recebê-lo, era carinhoso, cuidava bem de mim, me dava comida, casa, presentes, coisas insignificantes, mas como nunca tinha recebido nada disso de ninguém, acabei gostando.
Era casado, lógico! Alugou um barraco onde eu morava. Muitas vezes vi minha irmã ir lá pedir dinheiro para ele. Não entendia bem porquê, só tempos depois as coisas foram se esclarecendo em minha cabeça de menina.
Por lá eu fui ficando, meios seios nasceram e com eles uma gravidez. Minha filha mais velha, hoje com três anos.
Assim que ela nasceu ele alugou uma casa boa para nós. Comprou de tudo, cama, geladeira, televisão, fogão a gás e panela de pressão. Eu me sentia uma rainha, que muitas vezes ele me chamava assim. Parecia um sonho. Vim de uma vida pobre e na roça, porque minha irmã resolveu me vender para o amigo dela antes que meu pai me tirasse, como fez com ela.
Quando eu menos esperava, morrem na mesma época, meu pai e meu marido. Fiquei sozinha, minha irmã tinha sumido há algum tempo e eu nem sabia por onde andava.
A mulher de meu marido me tomou tudo que ele havia dado. No velório havia mais três mulheres querendo chorar pelo defunto. Mas foi a verdadeira quem me tomou o que eu tinha.
Fui morar numa invasão, debaixo de uma lona, arrumada por um amigo meu. A minha sogra, que antes ia me visitar algumas vezes, tomou-me a filha, mesmo dizendo que não sabia se era neta dela.  Eu tinha quinze anos, os quais vivi na fazenda e depois com o dito cujo.”

Perguntei então:

____Quantos anos você tem agora? Quinze
____E esta gravidez? De quem é?
E ela me respondeu como se eu fosse uma tonta:
____Dele é claro. Quando morreu me deixou assim, mas a velha não acredita que os gêmeos são dele, mesmo assim disse que vai me tomar esses também, porque eu não presto e não posso criar meus filhos, isso não é verdade, vou criá-los sim.
Arrisquei de novo.
____Não acha melhor levá-los para a adoção? Sua vida está tão complicada, sua situação tão difícil e você ainda tão jovem para carregar tamanho fardo sozinha?
Ela me fitou bem fundo nos olhos e com uma certeza grande do que dizia, respondeu:

_____” A carga não pesa ao dono”. Sou muito mulher para criar as minhas crias.

 



 

Alma do fogo
 
A alma do fogo crepita
Em mim silenciosamente
Qual chama acendida
Num altar sagrado
E cada chama flamejante
Baila colorida e forte
Na retina merejante de seus olhos
Enquanto a alma quente
Vibra nesta dança única
Como véus reluzentes leves
Dançam ao vento borboletas
E lambe o tempo cada chama
A iluminar o rosto de quem passa.
Febril cintila o fogo dentro d’alma
Igual a luz que brilha nesta lâmpada
Aquece em volta, queima o cetim
E não se queima e nem se apaga.
Vai dando luz à escuridão tamanha
Vai aquecendo outras almas estranhas
Mas não conhece seu próprio ardor.
Oh! Fogo, este que me arde
Dentro do peito, este solitário
Em busca de outro sol que venha
Juntar a mim, trazer mais lenha
Formar em nós este braseiro
E abrigar em sua alma o sonho
E transmutar em mim
Os meus anseios.

 



 

Ida
 
Amanha, quando uma nuvem passageira
Levar-me pra bem longe
Uma lembrança suave hei de deixar
Meus versos simples, minha singeleza
Minha maneira adocicada de falar.
Hão de lembrar-me os caminhos todos
Floridos ou não meu fantasiar
O mar revolto, os cabelos seus
a cor do mato, esse seu olhar
as folhas secas colorindo estradas
o azul do céu, meu enfeitiçar
a lua branca, o Cruzeiro do Sul
levarei tudo quando eu voar
vou buscar meus sonhos
todas as quimeras
Viajar, viajar e viajar
Correr montanhas, cavalgar o vento
Em risadas soltas, assim me alegrar
Serei tão leve como o grão de areia
Imperceptível como o sonhar
Deixarei lembranças, algo de saudades
Quando amanha a nuvem me levar.

 



 

Tempo

Há um tempo para tudo
Um tempo de espera
Um tempo de ação
Instantes bem vividos
Ao acorde da ilusão
Tempo de fazer de tudo
Tijolo por tijolo, grão a grão
Momentos de não esquecer
Um aceno breve, um olhar
Um afeto tardio, aperto de mão
Há tempo para a vida
Mesmo quando ela se vai
Um adeus derradeiro
Um soluço e um ai
Há tempo de colheitas
A fartura a opulência
Os risos fáceis com freqüência
A certeza de saber estar
Há tempo de pensar
E tempo de repensar
Uma cadeira de balanço
Um olhar perdido, o descanso
A recompensa de tudo mais
O tempo firme caminhante
Em andrajos rotos ambulante
Indiferente de qualquer um
Segue seu curso alheio
Do hoje, amanhã ou do jamais.

 



Amando sempre

Hoje amanheci te amando
De um amor tão forte e puro e simples
Que chegou como chega a tempestade
E invade a alma e faz barulho.
Hoje desde cedo estou te amando
E te querendo tanto e tão sinceramente
Que chego a pensar que quero
Mais a ti do que a mim, um destempero
Uma insanidade que somente o amor
Companheiro da loucura
Em quase tudo tão iguais
Pode fazer alguém amar assim
Tão loucamente.
O sol brilhou na minha janela
E sem saber por que gritou seu nome
E meu coração, este tresloucado
Entrou em redemoinho
E eu perdida em reminiscências
Amanheci assim te amando.



Águas estranhas

Quis eu navegar seus mares
Seu rio imenso em enseada azul
Um delta ensolarado
Um brilho de luar
Um navegar constante
Uma falsa idéia de mar.
Velas ao vento
Ventos intrusos
Fora de hora
Fora de rota
Trazendo sentimentos
Indecifráveis.
Velas ao vento
A navegar caminhos
Escusos e incertos
Cheios de medo
Cheios de mistérios.
Ah! Seu mar, seu rio...
A maresia corrói a alma
E os sentimentos vindos
De terras alheias e distantes
São puros e inteiros
Singelos, verdadeiros
São diferentes nos prazeres,
E quando se querem
Existe a busca,
Porem...
Não se misturam
Nunca se entendem.

 

Metáfora

Ridamar Batista

 

Perder a cabeça por amor

se posso usar esta metáfora

de ser e fazer loucuras

sem medo da guilhotina

já que nem sou rainha

e nem tenho tronos de meu,

sou apenas a fêmea faminta

que saceia a fome de amor

nos braços de quem me queira.

Perco a cabeça e o rumo

perco meu chão e meu céu

rasgo minha capa de véu

e me desnudo toda.

Mostro sentimentos ocultos

em frases desvirginadas

sussurros sentidos e soltos

entrego o gemido tolo

quando me roças a pele

e vibro com a alma leve

no compasso de teu abraço

invasivo e sem pudores.

Sinto tua alma leve

na ternura de meu beijo

invado segredos profundos

e te faço perder a cabeça.