Rosélia M G Martins

Nasci em Loulé numa manhã de outono, no tempo da II GUERRA. Cedo comecei a ler e a escrever.
Ainda na primeira escola e já despertara em mim o gosto pela Poesia, que me havia de servir de lenitivo para as minhas divagações. Comecei meus estudos na minha terra natal, continuei até chegar ao ensino superior. Construí a minha vida  familiar e ocupação profissional, sempre com a musa a pairar na mente. Comecei a publicar meus escritos em diversos jornais e revistas. Posteriormante também na internet, aonde estou presente em vários sites luso-brasileiros. Recebi  algumas Menções Honrosas que me incentivaram a continuar. Hoje estou aposentada. Dedico-me à escrita e a  eventos culturais.Também congressista.
Participação em diversas ANTOLOGIAS: série POIESIS da Editorial Minerva (15 volumes) Antologia da Poesia Feminina Algarvia,  Antologia  de Prosa Poética Louvor a Cascais:, várias  ANTOLOGIAS da APP-Associação Portuguesa de Poetas e da  Tertúlia do Rio de Prata, e.....
Participação nos jornais :Voz de Loulé, Postal do Algarve, Jornal Escrito, da AJEA, Jornal do Baixo Guadiana , Jornal ABARCA; Revista Poeta &Trovadores... e... dispersos em jornais regionais on-line
Participei durante vários anos num grande Portal Luso-Brasileiro, onde deixei vasta obra, onde publiquei dois E-Books, que  estão gravados  em CD ; POESIA DA IMAGEM e TEMPO de AMOR.
 
Associada de:
 
APP-Associação Portuguesa de Poetas
AJEA-Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve
ONE - Ordem dos Escritores do Brasil
Obra dispersa em vários sites, blogues, spaces... por este mundo lusófono e latino-americano

 

 

.... ALMA...




A alma é invisível , assim apenas
sinto... mas não a vejo
é a esperança que nos dá vida
a força que nos anima
a caminharmos nesta corrida
em frente passo a passo
em frente cabeça erguida
sem ansiedade sem pressão
em frente emana claridade
abrindo uma luz na escuridão



Rosélia M G Martins

 


 

PROCURASTE A LUA

 

Procuraste a lua dentro de ti

Viajaste no tempo do nada sonhado

Percorreste as ondas da fria noite

Encontraste tua sombra projectada

No espaço da terra martirizada

Pela loucura fremente

Do homem perdido e demente

Do nada fazendo tudo

…e do tudo destruindo

E só resta o nada…

Procuraste a Lua no espaço sideral

Sonhaste ser cavaleiro em busca da paz

Encontraste um deserto de almas

 A ansiar por ternura e amor

Sonhaste ver teu rosto no espelho

Que a luz prateada da lua envia

Encontraste o nada o desespero

Agora continuas errando

Ao sabor dos ventos e das marés

Para além das nuvens para lá do além

Vais correndo em busca da LUA

Para construir um mundo novo

Onde a amizade envolva a imagem

 A minha e a tua

 

Rosélia M G Martins 

 

PSA – Lisboa Portugal

 


 

SER CRIANÇA


Ser ciança ser pequenino
ter o afecto de seus pais
ter na vida como destino
ser homem como os demais

nasceu num dia de graça
aquela linda criança
cresceu brincou saltou
com a bola redonda como o mundo
jogou
com o pião sempre girando
brincou
com os livros da escola
estudou
com os briquedos da vida
brincou
com as estrelas do céu
sonhou
com a lua prateada
se encantou
nos braços da mãe
seu leite sugou
na rua na estrada
correu
nas onda do mar agitado
navegou
nas nuvens tão altas
sonhos criou
nos braços do mundo
sua vida entregou

criança
hoje a luz do meu olhar
a sombra que se escondeu
a nuvem
que desapareceu
o ar
que sempre respirou
o mar
onde estou
o amor
que sempre te dou
o carinho
que me enlevou
o afecto
de quem muito amou

criança
teu sorriso
minha alegria
tuas lágrimas
meu padecer
teu sofrimento
minha dor
tua alegria
meu contentamento
tuas carícias minha ternura
teu rosto
a minha vida

criança
és a imagem mais querida
deste sonho que nasceu em mim
o fruto de um grande amor
uma flor perfumada no meu jardim

criança que ainda sou
és tudo para mim

 


 

A MINHA JUVENTUDE

Foi um tempo feliz da vida. Não conhecia a palavra medo , nem o temor das notícias inflamadas da TV, dos jornais, da Internet., éramos jovens. Era jovem .Tinha sonhos
Tinha amigos.Tinha a sinceridade e pureza dos meus colegas da escola, do Colégio , do Liceu, da Universidade.
Nos verdes anos , passeávamos pela avenida após um longo dia de aulas, mas felizes e contentes pois apenas nos esperava mais um outro dia calmo , sem o apelo louco dos meios de comunicação.
Ia para a escola a pé, para o Liceu de autocarro, para a Universidade de "eléctrico", no seu caminhar lento e monótono pelas ruas da cidade que atravessava de lés a lés.Não havia motos nem carros , para nos drigirmos para os locais de ensino.Em grupo ia e vinha.Sem atropelos nem pressas.
Havia os amigos, os bailes ao luar e à luz de mil lâmpadas no céu estrelado, confundindo-se com as paquenas lâmpadas coloridas que enfeitavam o recinto dos bailes.
A praia, o mar, um extenso areal. A amizade.A cortesia. A limpidez de pensamentos e ideias, a pureza das conversa.
O recato da juventude
Era um tempo pacífico sem as correrias setressiantes que hoje ocorrem
Estudante. Amigos. Separámo-nos , cada um para seu curso. Cada um para sua vida.Volvidos aos nos reencontramos! A mesma pureza. A mesma amizade
A mesma candura dos verdes anos, pura simples.Os abraços , as recordações , o desencato que o hoje nos vergasta na loucura do ser
Queremos ser nós. Continuo a ser eu, mas com os sentidos mais apurados porque descobri que apenas a ilusão se diluiu no ar embrulhada no monte de poluição de ideias misturados com a do ar. que respiramos.Cinismos, hipocrisia. insanidade .Verdes anos, romântica mocidade.
Juventude, foi bela, sem pesadelos , nem rancores.Alegria, pureza, mocidade, convívio, hoje saudade.

Rosélia Martins
PSAdrião, 6 Junho 2005

 


 

FOLHAS PERDIDAS



folhas de saudade esvoaçam
do livro das reçordações
onde os sonhos se perderam
só restam as desilusões
das horas que passaram
naufragando nas emoções
que tão forte danificaram
o céu das boas intenções
só as amarguras ficaram
neste mar sem perdões

folhas ao vento se soltaram
mergulhadas na poesia
onde conto canto choro
onde o riso se perde sem cor
onde busco em vão a alegria
nas asas de um doce amor
perdido em longas madrugadas
perdido nas estradas da vida
sinuosas desertas sem nada
onde mergulho esperança perdida
magoada

Rosélia M G Martins
PSA-15 Março 2009

 


 

OUTONO


De nuvens cinzentas o céu se envolveu,
de folhas amareladas o solo se cobriu,
as árvores se despiram do manto seu,
de aragem húmida então se revestiu.

O astro rei a sua intensidade perdeu
o seu raio luminoso só aparece fugidio.
Os campos cobriram-se de amarelado véu
ave errante, da liberdade se despediu.

Agitado fica o mar espraiando suas águas,
triste, virada a natureza,cinzenta ficou,
os velhos acolhem-se chorando suas mágoas.

Alegria, calor, energia, cor, no ar parou
ficamos quedos, aguardando impávidos,
esta mutação que o outono nos outorgou.


Rosélia M. G Martins

 


 

OS   MEUS RETALHOS

Dispersa nesta soldão
que a minha alma magoa
vou andando por aí
ao sabor das marés
perdida nos recantos da maresia
esquecida no mar do sonho
perdida no areal do desengano
fugitiva desta dor que meu peito tortura
dispersa nesta solidão
semeio os retalhos da minha vida
sem amor sem paz sem sossego
apenas um leve afecto
que a insistir estar presente
assim me obriga
dispersa nesta solidão
meu cabelo solto ao vento
meus desvelos perdidos no caminhos
nesta estrada onde a melancolia
me quer dar por vencida
vagueio solitária
semeio
os retalhos da minha vida

Rosélia M G Martins
PSA - Portugal 19 Jan 2008

 


 

PARTISTE

 

Partiste!
Só, sem ti,
     Chorei.
Partiste!
Só com a saudade,
     Fiquei!
Só,
Com esta saudade,
Com esta dor,
Recordo-me de ti,
      Meu amor.

No brilho das estrelas,
       Vejo os olhos teus.
Nas sombras das vielas,
       Sinto os amplexos que
                    Foram meus.
No sussurrar das águas,
        Ouço a tua voz.
Nos verdes prados os
                   Passarinhos
Recordam os nossos
                    Carinhos.

Dentro de mim a mágoa
Desse tempo que não,
                   mais existe,
Quando tu e eu,
                    Éramos nós.

Partiste!
Estamos tão sós!
TÃO SÓS....

     (Rosélia M G  Martins ) 

 


 

ELA E EU

Ela e eu somos duas crianças

A brincar no jardim da vida

Enquanto ela salta e brinca

Eu fico a ver assim divertida

Somos duas irmãs gémeas

Que coabitam no mesmo ser

Uma que quer avançar

A outra que quer esquecer

Somos dois mundos num só

Que se amam e odeiam

Que se aproxima e se afastam

Quando ambas se incendeiam

Eu digo vou por aqui

Ela me afasta do caminho

Eu quero percorrer esta estrada

Ela afasta todo o carinho

Eu quero o sonho a alegria

Dos momentos que a vida dá

Ela semeia a desarmonia

Empurra-me sem piedade nem dó

Somos duas irmãs viscerais

Vivendo no mesmo corpo

Uma que se afasta cada vez mais

Daquele meu ansiado porto

Não tem mais paz esta andança

Que o cirandar do mundo nos traz

Eu a querer ir para a frente

A teimosa me empurra para trás

Eu quero a luz das pradarias

O céu do meu sonhar

Ela me intriga todo o dia

Da minha senda quer desviar

Eu teimo e persisto sem parar

Neste galgar de penhascos

Ela me empurra feroz

E as pedra parecem verdascos

Nas ondas da imaginação

Vou transpondo certas miragens

Mas ela teima com insinuação

Me afasta das doces paisagens

Vê doida o que pretendes fazer de mim

Uma causa perdida no universo

Queres me ver só e desiludida

No abismo taciturno e adverso

Vê doida estás revoltada

Queres a minha vida amarga

Lançada no turbilhão da urbe

Triste queda desamparada

Mas eu desperto e sigo

Teimo persisto na caminhada

Tu não me darás por vencida

Eu sou forte e muito amada

Não doida não verás esse dia

Em que meu corpo dilacerado

Se perca nos vales da agonia

Não! eu sei o caminho certo

Sei por onde seguir na encruzilhada

Escolher o espaço da verdade

Onde tu não terás entrada

Tu criança brincando em mim

Eu a outra que te quer esquecer

Tu seguiras um caminho sem fim

Mas Eu continuo quero viver!


Rosélia Martins

in ANTOLOGIA LUSO-BRASILEIRA

 


 

NÃO VALE A PENA


não vale a pena ... enganar
a vida que nos não sorri
é só lágrimas a guardar
de momentos que não vivi

não vale a pena... fugir
ao fado que é nossa dita
sempre corremos a fingir
alegria ansiedade aflita

não vale a pena ... iludir
sonhos perdidos no além
sobram os que hão-de vir
e os que a alma contem

não vale a pena ... trocar
nuvem pelo céu estrelado
estamos sempre a suplicar
pelo bem que nos é negado


Rosélia M G Martins
PSA-Lisboa-PORTUGAL
22. Março.2008


 

PAZ   NA   INTERNET
 

Fala-se de paz. Paz na terra, paz no céu, paz ,ausência  de guerra, paz que Deus no deu
Fala-se de paz nos jornais, na rádio nas televisões, mas são palavras ocas disfarçadas de ilusões
Fala-se de paz na escrita, na leitura, nos livros na poesia, na INTERNET !!!
Fala-se de paz e todos os que escrevem a esse tema a submete
Não a encontro , não a vejo, não a sinto e ainda que tente dizer que há paz, minto
aqui na terra como no virtual a intriga surge de modo igual
Queríamos construir um mundo ideal com nossos sonhos e pensamentos
queríamos levá-los com simplicidade a todos os continentes, sem rival
queríamos sentir os mesmos sentimentos de igual para igual
como seres humanos que pensam e sonham, sonham e escrevem
meditam no que escrevem e sendo diferentes , nos amando e comunicando
entre os povos dos diferentes continentes, em harmonia

queríamos...

mas que temos nós?
a inveja, o plágio. a intromissão, a ironia a maldade
que temos nós?
esses malfeitores de corpo e alma usando seus meios obscuros
distorcem a verdade, roubam a autenticidade do que se escreve
semeando a angústia e desespero a quem informatizar o que se escreve
e não somente essa audácia, mas outra mais tenebrosa
a violação da identidade do poeta ,do escritor ou do simples amador
e inventam-se vírus letais como doenças fulminantes tentando destruir
tudo o que com carinho se havia criado antes!

nada de mal fizemos, nada de pecaminoso cometemos
ao inserir nosso endereço nesta máquina que me muitas vezes se torna infernal
levando ,ceifando, tolhendo nosso ideal
será que é tão difícil haver respeito e harmonia
entre os utentes deste meio de comunicação
a INTERNET, que a distância  e o tempo abrevia?
não é maravilhoso compartilhar com amigos longínquos o nosso dia a dia?

Tão simples afinal
porque se atrofia o bem
criando o mal?

a todos façamos para que haja equilíbrio
saúde e sanidade informática liberdade sem intromissões
para se atingir a meta que são as nossas intenções

PAZ nos mundo, PAZ na internet
paz no coração, paz sem deformação

fizemos amigos na NET, criamos nosso mundo de bem
não nos perturbem com loucuras e invejas
porque nós somos humanos sensíveis
 A PAZ DESEJAMOS PARA TODOS E PARA ALGUÉM

 

Rosélia Martins 


 

RELÍQUIAS

 

Hoje entrei no baú do meu esquecimento

Encontrei as peças preferidas que tocava no ontem

Pelo amanhecer da minha esperança

Encontrei dezenas de bonecas vestidas

Com cores de açucena e jasmim

Ache o meu diário louco desse tempo

Perdida no sótão da ilusão

Achei a moeda preferida

Quando fingia ter um em minha mão

Encontrei o livro dos sonhos

Envolto na poeira dos temos

A manta que me cobria os ombros

Nas noites frias de Inverno

Enquanto desfolhava as páginas amarelecidas

Do meu recôndito vaguear

Ali jaziam os ternos poemas

Com que brincávamos aos namorados

Jogando com as letras e as penas

Encontrava um verso rimado

Estavam dentro escondidos no baú

As minhas reminiscências de criança

Os farrapos das ilusões  perdidas

E a pureza vencida nos escombros da vida

Ali jaziam em  grandes monte

Todos os meus sonhos e ansiedades

Ali estavam escondidos os meus desejos

Afogados em poeira de saudades

Abri o baú do tempo ido

Recordei falsas promessa

Ao ler como estavam invertidos

Os tons de certas conversas

Parei no meio do salão

Em busca de uma luz real

Pois reparei que era apenas ilusão

Meu baú de relíquias era virtual 

 

Rosélia Martins 

 


 

DE QUE LADO SOPRA O VENTO


De que lado sopra o vento?
ouço-o através das folhas verdes das árvores
que se agitam como um lamento
de que lado sopra o vento?
do norte ou do sul?
ouço as aves que se agitam nos beirais
ouço os passos fugidios
dos que se abrigam dos temporais
e ouço o vento

de que lado sopra o vento?
da minha janela
da minha rua
daquela estrela que brilha
e tremula tão perto da lua?
das ruelas solitárias
por onde passam os silvos
deste vento urrando forte e ameaçador

de que lado sopra o vento?
das dunas do mar
do desespero da dor?
as aves se agitam
os animais se acoitam
as faúlhas nas lareiras crepitam
e o vento sopra na chaminé
e silva o louco
como um comboio perdido
em busca da paragem certa
da estação...inverno ..verão

de que lado sopra o vento?
pergunto
das nuvens ligeras
que transportam o meu pensamento?
de onde sopra o vento
uivante e sedento
que assobia que sopra que paira no ar
que faz mover os moinhos
e as folhas das árvores pairar
que sopra nos arrozais
nos campos nos matagais
que sopra nas serranias
nas casas
em noite de invernias

de que lado sopra o vento?
de que lado o ouço soprar?
leva ecos do meu pensamento
leva ecos do meu lamento
leva ecos do meu penar

de que lado sopra o vento
se eu não paro de pensar?

Rosélia Maria Guerreiro Martins
Lisboa - PORTUGAL



 

Este corpo tremendo de ventura
de tanto amor e emoção
canta dança com ternura
deixando louco meu coração



 

Sou a tua sereia

 

sou aquela sereia nascida

no mar do teu pensamento

em ti  penso neste momento

com ternura embevecida

 

sou a miragem que  tu viste

naquela praia no  loiro areal

surgida da vaga no temporal

que em redor de mim existe

 

sou a sombra em corpo de mulher

espraiando tão doce magia

esperando com esta alegria

ver teu barco  junto a mim aportar

 

sou a imagem que o amor semeia

neste recanto de verde mar

meus braços te querem abraçar

meu amor eu sou a tua sereia.

 

 

Rosélia M    G Martins

P S Adrião, Lisboa-Portugal

15 Junho 2005

 



 

FALA-ME DE AMOR

 

 Ouve os sons  da música maravilhosos

Ouve querunbins em sua harpa tocando

Ouve estes acordes suaves maviosos

Onde o som da tua voz está faltando

 

Ouve o som da águas calmas em segredo

Por entre as  multicoloridas flores

Ouve o sussurar da brisa no arvoredo

Ouve o pulsar de meus sentidos amores

 

Ouve bem esta melodia eterna constante

Me falando sempre de ti  só e ti sem temor

Ouve ainda que só por um breve instante

 

Este latejar do meu corpo em tremor

Ouve a natuzeza em tom tão alucinante

Ouveo meu coração e fala-me de amor !

 

Rosélia M  G Martins

 



 

Trasnformação

  

Lembras-te, meu bom Deus

Quando me criaste?

Meu corpo verdejante, ondeando ao vento,

Rios de água corriam pelas vertentes,

Outeiros, oásis e desertos

Espelho de uma vida tão bela e pura.

 

E aquele mar, com era belo,

O meu orgulho. Aquelas praias ,

A minha delícia. Aquelas areias,

Aquele matagal. Um paraíso.

Um paraíso que só os visionários

Hoje podem imaginar.

 

Mais tarde vieram os animais.

Das minhas entranhas saiu a vida:

Os peixes, as aves, os mamíferos;

Os peixes nadavam, as aves cantavam

Ar árvores repletas de carnudos frutos

A todos a fome saciavam.

 

  E veio o Homem.

Também ele, saiu puro, belo

Nobre e altivo das minhas entranhas.

E surgiu o Homem .E a pouco

E pouco, este meu corpo ondeante,

Pejado de vegetação se transformou.

 

...finalmente veio o Homem.

Aqui morou, ali transformou .

Minhas árvores destruiu para construir

Suas casas . Caminhos abriu

Outeiros demoliu, meu ser desventrou.

 

...finalmente veio o Homem.

Ai de mim perdida, esventrada,

Poluída, estragada pela técnica

Que o homem astucioso inventou.

Era de pedra a sua casa e a sua espada

 

Era uma lenda, uma visão.

Da beleza infinita que em mim existia

Pouco fica na minha memória,

Que essa fantasia olvidada

E perdida em milénios de história..

 

...finalmente o Homem chegou.

Águas claras, límpidas de cristal

Que eram a minha alegria,

Em lodoso e negro caudal,

Se vão tornando dia após dia.

 

E as árvores, as florestas, os matagais,

Os campos inteiros, os montes, as serranias,

E até os próprios animais...

Tudo, tudo se transformou.

Nada, já nada resta dessa grandeza,

Do fértil esplendor que me envolvia.

 

Já nada existe desses bens da natureza.

Pior que os ventos e as tempestades ,

Mais forte que o vulcões que emanam

Do meu solo fremente, pior são as loucuras

Criadas pelo homem em suas vaidades.

 

Pobre, jazo neste canto do espaço,

Lamentando em pesarosa agonia

Esta morte, esta destruição, esta guerra

O vandalismo que me cerca

Em cada hora, em cada dia.

 

E até as cidades que o Homem

Construiu, cobrindo-as de jardins

E floridos canteiros, onde ainda havia

Um pouco desse sonho e poesia...

Até a obra que ele edificou,

Como um pesadelo - ele derrocou.

 

 

Rosélia Martins

 



 

CIÚME …QUEIXUME

 

Queixas-te do ciúme

Como se fora coisa banal

Tem feitiço  tem traição

A todos faz mal

À roda de uma lareira

Cantam todos uma canção

Mas alguém está alerta

Apertado seu coração

Vê as faíscas saltitantes

Crepitando em  redor

Mas

está só desolação

Sofre penas de amor

 

As chamas amareladas

Vão sumindo em evolução

As brasas já queimadas

Fazem partir o coração

Então num grito louco

Olhando em redor

Vai–se a vida a pouco e pouco

E a saudade dói

Negra macerando o ar

Em ondas de azedume

Sofres em silêncio a dor

Que sufoca como onda do mar

Mas da tua boca seca

Não sai nem um queixume

 

Rosélia M G Martins

P S. Adrião, 5. Maio. 2006

 



 

SER DIFERENTE

 

 

esta vida dolorida

sofrida mas cheia de vida

me faz lmbrar alguém

aqui presente

essa dor ainda sente

muitas vezes o sorriso

certa tristeza sente

foi lá no D .Estefânia

que  a a saga começou

das outras era diferente

mas lutou  estudou

venceu brincando

sorrindo ou chorando

esta aqui

está presente

enviando um sorriso

um amplexo de ternura

para esta  aquela outra

a quem a vida tem sido dura

pra frente em frente

esquece a amargura

dentro de ti há um sol

uma lua um astro diferente

que te faz sentir feliz

melhor e mais que outra gente

 

 

Rosélia Martins

 

 

 



 

 

- A música ainda ecoa no salão

                        Rosélia Martins

 

A música ainda ecoa no salão

Braços nos braços

Olhos nos olhos

Corpos em convulsão

 

Ainda posso entrar na dança

Ao ritmo do amor

Ao bater do coração

Com o meu par amoroso

Vamos entrar no salão

 

Um estremecimento nos percorre

As veias  o cérebro o corpo

Num lânguido olhar nos enlaçamos

E começamos a dançar

Ai meu  amor  querido

Como é tão suave o teu deslizar

E o meu corpo ao teu comprimido

Ouve teus lábios murmurar

Nesta dança de prazer e ternura

Que nos faz sonhar

Dancemos meu amor

No meio da multidão

Trocamos palavras de amor

De ternura e paixão

E  quando a musica nos faz vibrar

Encostas o teu rosto ao meu

E suavemente em meus lábios

Um beijo vem pousar

Ah amor da minha vida

Vamos continuar assim

Eternamente

Neste cálido balancear

Até que outro dia nasça

Para nossa dança continuar

Depois perguntamos

Ainda posso continuar!?

 

Meu louco amor

Vamos loucamente amar.

Nesta dança  ímpar

 

 

 

Rosélia M G Martins

Lisboa -  PORTUGAL

25.Janeiro.2006

 

 

 



 

MEU LIMÃO

 

 

Meu limão adocicado

Pelos raios do luar

Faz um bom gelado

E um refresco de regalar

Assim amarelinho

Suas gotas em fresca água

Ai que fresquinho

Quebra  minha mágoa

Com vitamina  C 

Acaba a confusão

E quente  já se vê

Acaba a constipação

Ai meu limão

Mas que frescura

Até para os males do  amor

Tem cura

Limão

Doce limão

Deixa assim meu sonho

Mergulhar numa ilusão

 

 

 

Rosélia M G Martins 

Póvoa Sto Adrião, 01  Junho 2006

 

 



 

"O AMOR É COMO A ELECTRICIDADE..."

 

 

 

 o amor é como a electricidade

ora vai ora vem

em corrente alternada

ou em corrente contínua

os electrões percorrem caminhos

perdem-se nos fios

em todos os cantinhos

mas no final  da corrente que vai

a luz clara sai

 

o amor é como a electricidade

pois quando dois polos se encontram

se amam, se entontecem

pecorrem longos caminhos

embrulhados em carinhos

num vai e vem constante

devagar

ou de repente

ai amor  que amor tanto

e neste enleio

que teu  corpo seduz

ao fim

acabo por dar à luz

 

 

Rosélia M G Martins

 

S Adrião , 1 Março

 

 



 

NO INFINITO, O CÉU

 

 

olho na calma da noite

para aquele manto azul que envolve a terra.

ao entardecer raiavam ondas de cores

qual tela pintada por hábil pintor

era o escurecer

e as sombras das núvens projectavam

uma vida a nascer

o sol escondia-se no ocaso da vida

a lua aparecia sorridente íluminando

os enamorados

que trocavam beijos ,acariciadodos

pelos raios  da bisbilhoteira lua

que não se cansava de os admirar:

era o amor que nascia

quanto encantamento quanta alegria

quanta ternura

enquanto a lua continuava brilhando

naquele anoitecer

cheio de encanto e poesia

e a lua subia...subia

oh meu amor quão belo é este luar

que me deixa antever as linhas do teu corpo

mas que amor tão pleno de ventura

que amor  tão louco

e os enamorados se aconchegavam

ainda mais com beijos de ternura

e na sua órbita a lua começou a se afastar

já a sua luz era pouca

mas outra claridade

vibrante como os  beijos da tua boca

cintilando lá no infinito

surgiam aqueles pontos brilhantes

no céu agora escurecido

aquela cúpula iluminada

por tantas tochas ganhava dimensão

sob o céu estrelado os amantes se amavam

em núvens    de loucura

em ondas de amor...

o amanhecer já se notava no infinito

onde este amor estava a acontecer

mas com o raiar da madrugada

já nada se podia ver

a enamorada voou para o céu

em forma de estrela ficou naquele amanhecer

ele embrenhou-se numa galáxia

aonde ficaram a  viver

 

lá no infinito, o céu

onde muitas estórias podem acontecer.

 

 

Rosélia M G Martins

PSA, 22 Maio 2009

 

 



 

NESTA NOITE ...

 

 

Nesta noite em que o silêncio domina

Ouço vozes de desespero dentro de  mim 

 serão ecos do passado

Ou sombras de sonhos mortos por fim

Nesta noite silenciosa

Apenas a dor deste desespero no meu ser

Acordes desafinados de meu peito

Em gritos de dor aflitos

Nesta hora em que o mundo repousa

Meu coração vive em sobressalto

Sangra de mágoa e desespero

Daquele meu sonho antigo que não vivi

E hoje no silêncio choro e sofro

Porque loucamente ainda o quero

 

 

Rosélia M G Martins

Lisboa –PORTUGAL

 

 



 

ETERNA  SOLIDÃO

Rosélia Martins

 

 

A solidão é minha companheira

desde a manhã ao sol pôr

viver não sei de outra maneira

é para mim um lenitivo para a dor

A solidão faz parte do meu ser

sem ela não sei como viver

me acompaha a vida inteira

a sós comigo sinto  renascer

a solidão é aquele forte abraço

que se perdeu em certo momento

é a presença que enche o espaço

de estar enfim com meu pensamento.

 

 

 

PS ADRIÃO - Portugal

 



 

DE MÃOS DADAS, INTERNAUTAS

 

 

De mãos dadas iremos dizer ao mundo

Que os poetas sonham gostam de escrever

Querem amor e anseiam liberdade

Sem guerras nem ódio para os tolher

 

De mão dadas com paz e harmonia

Venceremos os escolhos da vida

Sorriremos sempre com muita alegria

Para os que nos vendem a intriga

 

Não nos deixaremos espezinhar

Por esse muito hediondo e cruel

Da mãos dadas vamos viver e amar

Não queremos o amargo do fel

 

De mãos dadas ao sabor da corrente

Viveremos o nosso mundo virtual

Tendo sempre vivo em nossa mente

Que PAZ e o Amor são o essencial

 

Rosélia M G Martins

Lisboa - Portugal, 26 Fev 2006

 

 



 

SEGREDOS  DA  NOITE  ALGARVIA

 

 

Segredos da noite algarvia

No silêncio dos campos

Contemplando o azul celeste

Contemplando o cintilar ímpar

Das estrelas

O correr fugidio

Das estrelas cadentes

Ouço os segredos da noite algarvia...

Ali nos montes

Além nos extensos areais

Banhados pelo mar azul

Escurecido pelo ocaso

Onde se vislumbra

A estrela da minha vida.

 

Eu sonho

Olhando o céu

Olhando o mar

Esse mundo meu

Que sempre hei-de amar.

Na escuridão

Das serras entre arbustos

Entre amendoeiras

Entre arvoredos

Entre tojos e urzes

Entre alfarrobeiras

Eu sonho

Eu ouço

Os segredos da noite algarvia

Segredos da minha infância

Distantes  disperso

 

Além, muito além da noite furtiva

Dos bares noctívagos

De danças frenéticas

Da boémia  da música  do estrondo

Dessas vozes pertencendo a todos os mundos

A toda a Terra

Além, longe ,  longe  do buliço

Da vida

Da euforia da vida

Da música estridente

Eu sonho

Com os segredos das noites algarvias

Das noites de encantamento

Feitas de estrelas

E sonho

De sonhos feitos para amar

 

Meus sonhos   seus segredos

Seus segredos   meus devaneios

Meus devaneios   seus encantos

Seus encantos    meus receios

Meus receios   seus temores

Seus temores   meus anseios

Meus anseios   seus amores

Seus amores   meus anseios

                       Meus tremores

                       Meus devaneios

                       Meus amores

 

Noite,   noite algarvia

Eu ouço os teus segredos

Nesta ânsia de vida

À beira mar

Ouvindo o ruído das sus ondas

Sobre a areia a espraiar

Eu ouço os segredos da noite algarvia

Neste murmúrio  neste encantamento

De paz e luar

E sob este manto se estrelas

Eu ouço as vozes dos passos

Ecoando por entre os casarios

Pequenos  perdidos

Aqui e acolá escondidos

No meio do Algarve que cresceu

              cresceu ,         cresceu,    cresceu

                                      cresceu

e

casas

       casas

               casas

 

mas o mesmo mar

o mesmo céu

e sinto assim dentro de mim

que este Algarve

que é meu

ainda tem sonhos e segredos

segredos que sempre ouvi

e ouvirei

ontem  hoje  amanhã

segredos da terra algarvia

sonhos da noite algarvia.

 

 

Rosélia M G  Martins

 

 



 

NASCI PERTO DO MAR

Eu nasci perto do mar
Lá nas terras do sul
Via os peixinhos a chegar
Nas manhãs de verão
Os veraneantes a nadar
Tudo pureza sem confusão
Sobre aquele extenso areal
Em que todo o mar era meu
Eu sentia-me sereia
Quase tocando o céu
O mar banhava meus pés
Ainda era menina
Ao longe via os barcos
Da pesca a chegar
Ao sabor das marés
Novos e velhos passeavam
Ali à beira mar
Sem exibicionismos mostravam
Como é bom ser português
Mesmo nas manhãs de frio
As mulheres corriam à lota
Levavam o peixe escorregadio
Muito fresco saboroso
Depois de cozinhado
Uma paz de ser algarvio !!!
Assim corriam os dias
Naquele alegre marulhar
Eu brincava com as ondas
A família a conversar
Sobre a areia escaldante
Estendiam-se os mais ousados
Logo corriam ofegantes
Para um lugar mais abrigado
O mar era todo meu
A terra o céu o ar
Aquela bênção que Deus nos deu
E os homens teimam em estragar

Mar dos meus encantos
Deixa-me voltar a sonhar
Com os teus belos recantos
Nas rochas da beira mar


Rosélia M G Martins
PS Adrião, 21 Maio 2007
16,47 h

 
 




 

ROMANTISMO  É COMIGO
 
 
romantismo é comigo
quando chega o anoitecer
ouço aquela música suave
embalando nossos olhares
e sonho
sonho com um mundo de carícias e beijos
com teus braços em meu redor
com teu corpo e mil desejos
de estar contigo meu amor
hoje como me sinto feliz
valseando nesta onda de romantismo
sem o ruído das trovoadas
que encheram as nossas vidas
sem as visões tenebrosas
de passos perdidos
não  nada disso é real
apenas eu e tu
neste sonho tão belo
demasiado belo para
ser ideal
minha onda de romantismo
envolve meu ser
abstraido das vivências do dia
penetro nos sonhos do infinito
e sinto dentro de mim
esta harmonia
meu romantismo me prende à vida
meu romantismo me prende a ti
a ti que julgava esquecida
mas afinal estás sempre aqui
 
 
Rosélia M G Martins
P S Adrião, 7 Novembro 2004

Lisboa -PORTUGAL

 



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