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Entre o gesto e o pouso
tocaste-me a terra, metamorfoseada,
que se desenrolava e desamarrava
enquanto rompias as ervas
estremeces, riscando-me e marcando-me
definitivamente
transformaste-me em qualquer coisa que sabe
do intermédio entre o gesto e o pouso.
rio, 04.3.07
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Um toque, sem tato o que cala, sente, e faz sentir
onde o sol não bate, ou pensa
o coração
basta ser e estar, nesse quase feliz
como um olhar das pálpebras nuas
vê de perfil e de frente ao mesmo tempo
como um rodear profundo que toca
sem tato, intriga o arrepio, não escolhe
objeto nem parte.
02.3.07
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Em cristalino espasmo no colo, o marinho cavalo
- antigo personagem
em cristalino espasmo
do mar - não mais navega
ou voa: respira, sopra
- magia crua -, transforma,
nutre de impurezas
necessárias a aura,
no ar.
02.3.07
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De um tempo e uma distância não lineares
Não me escondo na trama da minha fábula, o que narro não é um ato de caridade: tampouco sou proprietária das minhas representações.
simplesmente cobiço que se fixem - e não tardem - o fervor e o júbilo, a ternura, o colorido de um tempo e uma distância não lineares. Rio, 02.11.06
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Mergulhar na lágrima
Mergulhar na lágrima é deixar-se inundar sem preencher o vazio
Rio, 02.11.06
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Nenhuma decepção é inesgotável
Sou guerreira, mas não quero combater fantasmas, basta-me atravessá-los: Nenhuma decepção é inesgotável.
Rio, 02.11.06 |
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"Ninguém se perde na volta" - Antonio Adriano de Medeiros"
À volta, na qual ninguém se perde!
Em meio ao tudo e ao nada, a prosa. num não à nostalgia, os vivas: à volta, na qual ninguém se perde e à poesia... que fica. Rio, 14.9.06
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imagem: Pilar Ilara
O
vão da
palavra |
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Uma literatura
simples, que arda quero
uma oração
sem a compostura quero-a escrita sem esquadro, sinuoso Rio, 28.10.06 |
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imagem: E
. Brown Por favor, não morras na praia
talvez não na pausa, esteja a voz que te falta; talvez no molhado da terra, no azul das asas, talvez na leitura
de ruídos que não decifras, talvez na nervura da vaga, na espuma, talvez venha hoje a manhã que aguardas foi tanto que nadaste,
não te debatas:
Rio, 30.10.06 |
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Tatuagem marca minha pele, o teu olhar. como tatuagem veste-me o corpo de um brilho que só a ti responde, se tocado no sensível
nem há vergonha, nas entranhas. ao toque dos teus dedos vibram como um piano, signo colorido a fazer-se água
e há o preto, e o branco da alma [que te aguarda] para ser aquarela
vermelha, azul, amarela.
Para florir um poema
que dizer do verde tom que, entre dois umbigos, é um rito de pássaros - sem tempo e espaço? troco o bonito simplesmente apreciado por esse momento, que esconde o infinito
na carne a duração dos instantes sabe da mão que constrói a floração do poema
e no encontro das silabas a palavra diz.
O toque
ama o amor. seja qual for o diabo (ou o deus), olha-o nos olhos conhece o prazer que lhe dá prazer aprende do lume que ensina ao corpo a difícil arte do abandono das palavras
atravessa com ela os resíduos
o desejo que começa na mente, deixa que escape pelos dedos, como penas.
Caminheira
Caminho d’água
Convite, preciso.
Leveza
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