Susana Custódio

Recanto das Letras

SUSANA CUSTÓDIO nasceu em Lisboa em Maio de 1949, reside em Sintra desde os 18 anos.
A ausência de carinhos e afectos por parte de um dos progenitores levou-a desde muito cedo (aos 14 anos) a escrever alguns “rabiscos” a que ela chama “ESTADOS DE ALMA”.
Estudou em Lisboa e em Londres, mais tarde viajou para África mais propriamente Moçambique, País pelo qual viria a ter uma “Grande Paixão” que ainda hoje perdura.
Aos 27 anos ganhou um prémio de literatura oferecido pelo Inspector Varatojo na RTP, ao escrever um conto inédito sobre a grande escritora inglesa de ficção policial AGATHA CHRISTIE.
Tem vários poemas escritos e alguns contos.



 

CONTO MINIMALISTA NR.º.1

 

 

A VERDADE DA MENTIRA

 

 

Naquele dia ela estava especialmente feliz, esboçava um alegre sorriso, enquanto ali em casa sozinha com as suas recordações, pensava como tinha sido a sua vida.

Já tinham passados tantos anos desde o dia em que o tinha encontrado, apaixonaram-se de imediato, ela não teve culpa, coisas do destino, ele homem estrangeiro com outras crenças, outra religião, mas nada os deteve, nem o facto de lá longe ele ser casado.

Juntos engendraram uma história que iam contando aos conhecidos, mudaram de cidade variadíssimas vezes, Ah! As casas, umas tinham sido grandes outras pequenas, mas o amor de ambos era maior.

Entretanto ao relembrar com emoção, sentiu sede, levantou-se e foi à cozinha buscar um copo de água que ia sorvendo em grandes goles.

Agora ela estava de semblante triste… como pudera aquilo acontecer, tantos anos depois e ele teria que voltar de vez para o seu País, uma história tão linda e perto do fim, e o que dizer aos amigos? Impossível contar a verdade, depois começou a rir a bom rir:

 

                                - Matei-o

Pronunciou em voz alta a respeitada e inconsolável viúva!!!

 

 

SUSANA CUSTÓDIO

 

24 De Fevereiro de 2009

 



 

Inspirado no olhar triste de uma jovem poeta que conheci

 

 

GRITA JOVEM POETA!!! (INDRISO II)

 

 

És uma menina presa numa alma espigada

No teu olhar vago, triste sem expressão, adivinho-te desfolhada

De onde vem a amargura que lemos na tua confrangida escrita?

 

 

Quem fez de ti a menina ausente de sorriso?

Quem te tira as pétalas como a um malmequer?

Quem é que te obriga a seres uma sofrida mulher?

 

Acorda jovem poeta, grita ao mundo a tua verdade

Solta-te das amarras e voa em direcção à liberdade

 

 

 

Susana Custódio

 



 

 

HAIKAY 6


Inverno tão triste
Entre árvores caídas
Manhã submersa

 

 

Susana Custódio

 



 

Voltei ao Ribatejo

Susana Custódio

 

Que beleza é montar um lusitano

Um puro sangue Alter de nobre porte

Com a leveza da espora a dar-lhe o norte

Dar-lhe o calor do amor de um ser humano

 

Como é bela a Lezíria assim vivida

Nas margens desse tempo adocicado

Correr pelo Ribatejo engalanado

À cadência do trote desta vida

 

Há cheiros de torricado pelo ar

Que bons são esses dons para cheirar

São aromas da vida dos campinos

 

Há casarios branquinhos a brilhar

Coloridos fandangos a vibrar

E há fé nas igrejas e nos sinos

 

 



 

        TRISTEZA

 

Esta tristeza que me definha!
É como fogo que me consome,
É como ter vontade de comer e não ter fome!
Esta tristeza é dor que no coração se aninha…
Quisera eu que ela não fosse minha,
Para este mal não há remédio que eu tome!
E que me deixe escrever nestas linhas,
Que a mágoa que sinto é enorme…
Tristeza de não sentir uma boca na minha,
Esmagando-a até à morte,
Arrancando-me a alma p’lo caminho,
Com o desespero louco de dor forte,
Vai-me elevando aos ares como avezinha
Ferida!
Só!
Sem rumo!
Sem norte!
Esperando a morte!!!

 

                   SUSANA CUSTÓDIO

                            Ano: 1978

 



 

 

CORAÇÃO SEM TIL (INDRISO)

Este amor por ti é tão louco
Estou tola já nem sei escrever
Resultado do meu grande desejo de te ver

Ansiosa, faço a mala para a grande viagem
Para absorver as horas que nos separam
Penso em ti e a culpa me esmaga

                            Dos meus olhos agora tristes caem águas mil

                                Esqueci-me de no teu coração ter colocado o til

 

                       ***************

 

SUSANA CUSTÓDIO

 



 

 

 

  • Glosando Fernando Pessoa

 

Se eu te pudesse dizer

O que nunca te direi

Tu terias que entender

Aquilo que nem eu sei

 

OBS: Glosa do evento da Poetisa
Teka Nascimento
GLOSANDO FERNANDO PESSOA

 

          ___________

 

Se eu te pudesse dizer

Hoje o quanto te amei

Eterna Musa da minha vida

Meu coração saudoso acalmaria

 

A ti, minha geradora querida

O que nunca te direi

Pois partiste desta vida

Durante a mocidade perdida

 

Hoje tudo seria diferente

Num etéreo encontro…

Tu terias que entender

As palavras que ficaram por dizer

 

Tanta saudade! Mas tanta!

Com rios de tinta azul celeste

Em sonhos escreverei

Aquilo que nem eu sei

 

 

AUTORA: SUSANA CUSTÓDIO

 



 

ENCÓMIO À MINHA MÃE
 

Mãe minha amiga e companheira,
Professora do meu difícil caminhar,
Frágil saúde sem mostrar canseira,
Soubeste bem ensinar o verbo amar!
 
Noites longas sempre à cabeceira,
Tendo a minha frágil saúde para zelar,
Cuidados mil – a melhor enfermeira,
A tua grande vitória foi me salvar!
 
Muito cedo da minha vida partiste!
Eu com o olhar imenso, vago e triste…
Sozinha fiz os caminhos da mocidade,
 
Nem imaginas o amor que habita em mim
Vagueio só, na lembrança do teu jardim
E nele habito quando a saudade me invade

 

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Susana Custódio

 



 

A FIGUEIRA

Em casa do meu avô havia um quintal
Tinha lá uma maravilhosa Figueira
Uma árvore de folhas verdes já ancestral
Seus figos eram uma autêntica petisqueira

Esta Figueira era para todos muito especial
Todos nós reunidos em alegre cavaqueira
Sob a sombra desta Figueira sentimental
E é esta uma homenagem feita à minha maneira

 

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CIRANDA DA (MERIAM LAZARO)

( 22 DE MARÇO DE 2008)
SUSANA CUSTÓDIO

 



 


PRIMAVERA

Tempestades! Foram-se do meu regaço,
Foi-se da minha boca o sabor antigo,
Céu azul ao alcance do meu braço!
Agora nos meus olhos um sorriso amigo…

P’ra chegar junto de ti só um passo,
Tempo cinzento já foi meu inimigo!
Agora só quero dar-te um abraço,
E poder gritar a todos isto que digo!

Primavera que enche vazios corações,
Chegou enfim a linda e amena estação,
Foi-se embora o tempo da solidão!

É tempo de tomar muitas decisões,
Decorar a vida com variadas flores,
E encher o peito com novos amores!

 

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SUSANA CUSTÓDIO
(12-02-2008)

 




QUANDO

Quando
Naquele jardim, te afastaste
E já longe gritaste!
Corre para mim...
Eu, louca fui correndo,
Abriste os teus braços...me agarraste...
Rodopiando num louco frenesim!

Quando
Naquele barco
Que lento ia cortando as águas do Sado,
Com a tua viola...
Dedilhando nas cordas "Les feuilles Mortes”
E a tua voz grave cantava a doce melodia!!!
Esquecemo-nos de tudo e de todos,
E de olhos nos olhos eu te ouvia...
Amando-te cada vez mais!!!

Quando
Nas dunas da praia nos deitámos
E nos amámos,
Entre beijos, carícias e gemidos!!!

Quando
Hoje olho para ti...
A saudade me invade...
EU continuo a ser EU!
E TU já não és TU!
És a sombra daquele,

Quando
No jardim...
No barco...
Nas dunas...
Me amaste!!!

 

POEMA ESCRITO NO ANO DE: 1995
AUTOR: SUSANA CUSTÓDIO

 



 

VOA PÁSSARO FERIDO

Oiço o lamento do teu canto com emoção
Dentro do meu peito mágoas de penas
Vivem agarradas a este meu coração
Solto angustias em forma de novenas

Peço por ti e por mim em cada oração
Caída de joelhos em tardes azuis serenas
A dor é tanta! Já nem ouço a tua canção
Contigo sofrido vivo em completa aflição

Qual o teu rumo? Para onde voaste pássaro ferido?
Quero alar-te com as minhas silenciosas penas
Não voes triste nesse bosque de brumas perdido

Escuta! Em cada canto da árvore o rádio toca
Entre a folhagem vislumbrarás o meu rosto
Voa pássaro! Solta o teu canto oprimido

 

SUSANA CUSTÓDIO
29 De Julho de 2008

 



 

              A ESPERA

Estava ali na areia, junto ao mar,
Olhando embevecida o pôr-do-sol!
Escutando as ondas no seu marulhar

A chuva caiu todo o dia sem parar!
Senti-a fria no coração! Eu estava só…
Todo o dia foi maior o meu penar!

Agora olhando o Sol a desaparecer
Eu sabia que tu haverias de chegar…
E abri os braços para te receber!
Tu chegaste! Abraçamo-nos a chorar…

Nesse instante finaram-se os tormentos,
E tu dizias – Meu amor, minha alegria –!
Ah! Como são puros estes sentimentos…
Quando estou só morro de melancolia!

 

              **************

         SUSANA CUSTÓDIO

                     (1980)

 



 

A_FINAL QUEM PERDEU FOSTE TU  (POETRIX)

 

Quiseste ser o actor central
Mentiste, acabou o drama
Fim! O papel agora é meu…

 

    **********

 

SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL – SINTRA – 06 De Fevereiro de 2009

 



 

           BEIJOS

 

Se a caneta que tenho na mão
Escrevesse o meu sentir…
Mas que ilusão!
Quantos anos perdidos em vão!
A esta inércia tu me votaste,
Fizeste de mim um ser sem sentir!
Nem imaginaste!

Que os beijos que me não deste,
Levaram-nos os anjos ao céu azul celeste!
E para os lá ir buscar, é longe…
E não consigo voar!
As asas do amor estão quebradas,
Não consigo sair do chão!
Dói-me a alma rasgada de ilusão,
A boca desfigurada de emoção!

Os beijos que me não deste,
São o sonho do desespero arrastado p’las ruas
Frias e nuas de amor ardente!

Os beijos que me não deste
São dor! Dor na alma, no coração que apodrece…

Os beijos que me não deste
São como estrelas cadentes,
Que meus olhos olharam!
E na minha boca não poisaram…
São dor afiada,
Batendo a esta morada
Despertando dores alucinantes,
No meu corpo de ninfa encantada!
Que num momento me leva ao fim de tudo,
E me lembra o esquecimento,

Dos beijos que me não deste!
Como o sofrimento
Da dor que não sei onde dói!...

 

        *****************

      Autor: Susana Custódio
        Escrita no  Ano: 1979

 



 

TRILOGIA (1)

 

Perscrutando na escuridão
A imensidão do Mundo, sem fim…
Não vêem o que de verdade há em si.
Assim estão os meus OLHOS

Tristes, meigos e lindos…
Virados para esta paisagem infinda
Não sabem a tristeza disfarçar!
Mesmo assim são belos estes OLHARES

Que exprimem dor!...
Milhentas vezes, desilusões
Existem para me atormentar o coração
Como telas pintadas de amor, serão VISÕES…

 

                                             ************

 

SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL -  SINTRA

 



 

       ATÉ AMANHECER

O tempo está cinzento, negro e triste o vejo!
Por densas e escuras nuvens estou cercada
Céu rasgado de raios, dos meus olhos lacrimejo!
Tempestade que sinto no coração anunciada

Contigo, aqui abraçado a mim, eu não teria pejo!
Fundido o meu no teu corpo estaria abrigada,
Os dois muito juntos em qualquer lugarejo,
A tua boca beijando a minha de medo fechada!

O mau tempo está a passar é para esquecer…
Novamente no céu, lento o sol vai surgindo,
Com as tuas carícias o meu corpo está aquecer!

Com este teu bem-querer já não me sinto perdida,
Foram-se os temores e as trevas da minha vida,
Assim, amando-nos ficaremos até amanhecer!

 

              *********************

 SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL -  SINTRA

 



 

EU POESIA

Essa dança imensa de letras
Que anda na minha mente a bailar
Faz-me pegar em canetas
Escrevendo saudades e o verbo amar

Do meu estado de ansiedade
Versos nascem num instante
A inspiração é o meu diamante
O que sai da caneta é a verdade

Transmito aos outros um estado de apatia
A escrita vai surgindo como magia
Tudo em perfeita sincronia
Fim d’uma peça de teatro de bela coreografia

Entre risos e aplausos, pergunto
Afinal o que sou eu?
Vozes respondem em perfeita harmonia
Tu és poesia!

              

 ******************                              

SUSANA CUSTÓDIO
(04 de Maio de 2008)

 



 

        MIL E UM POEMAS

Com min’alma cheia de inspiração
Mil e um poemas cheios de amor
Para ti escrevi com grande emoção
Palavras escritas com todo o ardor

Descrever o amor era a minha intenção
Mil e um poemas com cheiros de flor
Eu só queria conquistar o teu coração
E arrancar p’ra sempre esta minha dor

Muito depressa eu te peço que venhas
Com teus olhos regar este meu jardim
Poderás ver do cimo destas montanhas…

Descrito o meu grande e doce amor por ti
Ouvirás a minha meiga voz até adormecer
Mas antes, beijarás meus lábios de cetim!

 

            
**************** 

 

Susana Custódio
Sintra – Portugal

                                 



 

         PERDIDA DE TI

Tento ver-te entre a multidão
Procuro-te no meio das ruas
Dentro daquela linda canção

Mas não te encontro

Procuro no horizonte onde
O céu fica mais perto de mim
Encontrar os teus olhos cor de alecrim

Mas não te encontro

Na beira-mar vigio as ondas
Tiro a roupa e nelas mergulho
No fundo das areias vasculho
Emirjo com mãos vazias de ti
As lágrimas correm com pena de mim

Mas não te encontro

Corro pelos campos verdes em flor
Pensando atenuar esta imensa dor
Quero voar com as borboletas
Na direcção dos cometas

Mas não te encontro

Neste louco caminhar
Continuarei a te procurar
Para o meu amor te dar

Por agora digo-te:
Já que não posso ver o teu rosto
Tocar a tua mão
Entrar dentro do teu coração
Apertar-te nos meus braços
Envio-te a minha alma através
Do tempo e do espaço

 

         ***********

Susana Custódio
Sintra – Portugal