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CONTO MINIMALISTA NR.º.1
A VERDADE DA MENTIRA
Naquele dia ela estava especialmente feliz, esboçava um alegre sorriso, enquanto ali em casa sozinha com as suas recordações, pensava como tinha sido a sua vida.
Já tinham passados tantos anos desde o dia em que o tinha encontrado, apaixonaram-se de imediato, ela não teve culpa, coisas do destino, ele homem estrangeiro com outras crenças, outra religião, mas nada os deteve, nem o facto de lá longe ele ser casado.
Juntos engendraram uma história que iam contando aos conhecidos, mudaram de cidade variadíssimas vezes, Ah! As casas, umas tinham sido grandes outras pequenas, mas o amor de ambos era maior.
Entretanto ao relembrar com emoção, sentiu sede, levantou-se e foi à cozinha buscar um copo de água que ia sorvendo em grandes goles.
Agora ela estava de semblante triste… como pudera aquilo acontecer, tantos anos depois e ele teria que voltar de vez para o seu País, uma história tão linda e perto do fim, e o que dizer aos amigos? Impossível contar a verdade, depois começou a rir a bom rir:
- Matei-o
Pronunciou em voz alta a respeitada e inconsolável viúva!!!
SUSANA CUSTÓDIO
24 De Fevereiro de 2009
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Inspirado no olhar triste de uma jovem poeta que conheci
GRITA JOVEM POETA!!! (INDRISO II)
És uma menina presa numa alma espigada
No teu olhar vago, triste sem expressão, adivinho-te desfolhada
De onde vem a amargura que lemos na tua confrangida escrita?
Quem fez de ti a menina ausente de sorriso?
Quem te tira as pétalas como a um malmequer?
Quem é que te obriga a seres uma sofrida mulher?
Acorda jovem poeta, grita ao mundo a tua verdade
Solta-te das amarras e voa em direcção à liberdade
Susana Custódio
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HAIKAY 6
Inverno tão triste
Entre árvores caídas
Manhã submersa
Susana Custódio
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Voltei ao Ribatejo
Susana Custódio
Que beleza é montar um lusitano
Um puro sangue Alter de nobre porte
Com a leveza da espora a dar-lhe o norte
Dar-lhe o calor do amor de um ser humano
Como é bela a Lezíria assim vivida
Nas margens desse tempo adocicado
Correr pelo Ribatejo engalanado
À cadência do trote desta vida
Há cheiros de torricado pelo ar
Que bons são esses dons para cheirar
São aromas da vida dos campinos
Há casarios branquinhos a brilhar
Coloridos fandangos a vibrar
E há fé nas igrejas e nos sinos

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TRISTEZA
Esta tristeza que me definha!
É como fogo que me consome,
É como ter vontade de comer e não ter fome!
Esta tristeza é dor que no coração se aninha…
Quisera eu que ela não fosse minha,
Para este mal não há remédio que eu tome!
E que me deixe escrever nestas linhas,
Que a mágoa que sinto é enorme…
Tristeza de não sentir uma boca na minha,
Esmagando-a até à morte,
Arrancando-me a alma p’lo caminho,
Com o desespero louco de dor forte,
Vai-me elevando aos ares como avezinha
Ferida!
Só!
Sem rumo!
Sem norte!
Esperando a morte!!!
SUSANA CUSTÓDIO
Ano: 1978
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CORAÇÃO SEM TIL (INDRISO)
Este amor por ti é tão louco
Estou tola já nem sei escrever
Resultado do meu grande desejo de te ver
Ansiosa, faço a mala para a grande viagem
Para absorver as horas que nos separam
Penso em ti e a culpa me esmaga
Dos meus olhos agora tristes caem águas mil
Esqueci-me de no teu coração ter colocado o til
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SUSANA CUSTÓDIO
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Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei
OBS: Glosa do evento da Poetisa
Teka Nascimento
GLOSANDO FERNANDO PESSOA
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Se eu te pudesse dizer
Hoje o quanto te amei
Eterna Musa da minha vida
Meu coração saudoso acalmaria
A ti, minha geradora querida
O que nunca te direi
Pois partiste desta vida
Durante a mocidade perdida
Hoje tudo seria diferente
Num etéreo encontro…
Tu terias que entender
As palavras que ficaram por dizer
Tanta saudade! Mas tanta!
Com rios de tinta azul celeste
Em sonhos escreverei
Aquilo que nem eu sei
AUTORA: SUSANA CUSTÓDIO
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ENCÓMIO À MINHA MÃE
Mãe minha amiga e companheira,
Professora do meu difícil caminhar,
Frágil saúde sem mostrar canseira,
Soubeste bem ensinar o verbo amar!
Noites longas sempre à cabeceira,
Tendo a minha frágil saúde para zelar,
Cuidados mil – a melhor enfermeira,
A tua grande vitória foi me salvar!
Muito cedo da minha vida partiste!
Eu com o olhar imenso, vago e triste…
Sozinha fiz os caminhos da mocidade,
Nem imaginas o amor que habita em mim
Vagueio só, na lembrança do teu jardim
E nele habito quando a saudade me invade
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Susana Custódio
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A FIGUEIRA
Em casa do meu avô havia um quintal
Tinha lá uma maravilhosa Figueira
Uma árvore de folhas verdes já ancestral
Seus figos eram uma autêntica petisqueira
Esta Figueira era para todos muito especial
Todos nós reunidos em alegre cavaqueira
Sob a sombra desta Figueira sentimental
E é esta uma homenagem feita à minha maneira
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CIRANDA DA (MERIAM LAZARO)
( 22 DE MARÇO DE 2008)
SUSANA CUSTÓDIO
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PRIMAVERA
Tempestades! Foram-se do meu regaço,
Foi-se da minha boca o sabor antigo,
Céu azul ao alcance do meu braço!
Agora nos meus olhos um sorriso amigo…
P’ra chegar junto de ti só um passo,
Tempo cinzento já foi meu inimigo!
Agora só quero dar-te um abraço,
E poder gritar a todos isto que digo!
Primavera que enche vazios corações,
Chegou enfim a linda e amena estação,
Foi-se embora o tempo da solidão!
É tempo de tomar muitas decisões,
Decorar a vida com variadas flores,
E encher o peito com novos amores!
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SUSANA CUSTÓDIO
(12-02-2008)
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QUANDO
Quando
Naquele jardim, te afastaste
E já longe gritaste!
Corre para mim...
Eu, louca fui correndo,
Abriste os teus braços...me agarraste...
Rodopiando num louco frenesim!
Quando
Naquele barco
Que lento ia cortando as águas do Sado,
Com a tua viola...
Dedilhando nas cordas "Les feuilles Mortes”
E a tua voz grave cantava a doce melodia!!!
Esquecemo-nos de tudo e de todos,
E de olhos nos olhos eu te ouvia...
Amando-te cada vez mais!!!
Quando
Nas dunas da praia nos deitámos
E nos amámos,
Entre beijos, carícias e gemidos!!!
Quando
Hoje olho para ti...
A saudade me invade...
EU continuo a ser EU!
E TU já não és TU!
És a sombra daquele,
Quando
No jardim...
No barco...
Nas dunas...
Me amaste!!!
POEMA ESCRITO NO ANO DE: 1995
AUTOR: SUSANA CUSTÓDIO
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VOA PÁSSARO FERIDO
Oiço o lamento do teu canto com emoção
Dentro do meu peito mágoas de penas
Vivem agarradas a este meu coração
Solto angustias em forma de novenas
Peço por ti e por mim em cada oração
Caída de joelhos em tardes azuis serenas
A dor é tanta! Já nem ouço a tua canção
Contigo sofrido vivo em completa aflição
Qual o teu rumo? Para onde voaste pássaro ferido?
Quero alar-te com as minhas silenciosas penas
Não voes triste nesse bosque de brumas perdido
Escuta! Em cada canto da árvore o rádio toca
Entre a folhagem vislumbrarás o meu rosto
Voa pássaro! Solta o teu canto oprimido
SUSANA CUSTÓDIO
29 De Julho de 2008
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A ESPERA
Estava ali na areia, junto ao mar,
Olhando embevecida o pôr-do-sol!
Escutando as ondas no seu marulhar
A chuva caiu todo o dia sem parar!
Senti-a fria no coração! Eu estava só…
Todo o dia foi maior o meu penar!
Agora olhando o Sol a desaparecer
Eu sabia que tu haverias de chegar…
E abri os braços para te receber!
Tu chegaste! Abraçamo-nos a chorar…
Nesse instante finaram-se os tormentos,
E tu dizias – Meu amor, minha alegria –!
Ah! Como são puros estes sentimentos…
Quando estou só morro de melancolia!
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SUSANA CUSTÓDIO
(1980)
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A_FINAL QUEM PERDEU FOSTE TU (POETRIX)
Quiseste ser o actor central
Mentiste, acabou o drama
Fim! O papel agora é meu…
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SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL – SINTRA – 06 De Fevereiro de 2009
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BEIJOS
Se a caneta que tenho na mão
Escrevesse o meu sentir…
Mas que ilusão!
Quantos anos perdidos em vão!
A esta inércia tu me votaste,
Fizeste de mim um ser sem sentir!
Nem imaginaste!
Que os beijos que me não deste,
Levaram-nos os anjos ao céu azul celeste!
E para os lá ir buscar, é longe…
E não consigo voar!
As asas do amor estão quebradas,
Não consigo sair do chão!
Dói-me a alma rasgada de ilusão,
A boca desfigurada de emoção!
Os beijos que me não deste,
São o sonho do desespero arrastado p’las ruas
Frias e nuas de amor ardente!
Os beijos que me não deste
São dor! Dor na alma, no coração que apodrece…
Os beijos que me não deste
São como estrelas cadentes,
Que meus olhos olharam!
E na minha boca não poisaram…
São dor afiada,
Batendo a esta morada
Despertando dores alucinantes,
No meu corpo de ninfa encantada!
Que num momento me leva ao fim de tudo,
E me lembra o esquecimento,
Dos beijos que me não deste!
Como o sofrimento
Da dor que não sei onde dói!...
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Autor: Susana Custódio
Escrita no Ano: 1979
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TRILOGIA (1)
Perscrutando na escuridão
A imensidão do Mundo, sem fim…
Não vêem o que de verdade há em si.
Assim estão os meus OLHOS
Tristes, meigos e lindos…
Virados para esta paisagem infinda
Não sabem a tristeza disfarçar!
Mesmo assim são belos estes OLHARES
Que exprimem dor!...
Milhentas vezes, desilusões
Existem para me atormentar o coração
Como telas pintadas de amor, serão VISÕES…
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SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL - SINTRA
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ATÉ AMANHECER
O tempo está cinzento, negro e triste o vejo!
Por densas e escuras nuvens estou cercada
Céu rasgado de raios, dos meus olhos lacrimejo!
Tempestade que sinto no coração anunciada
Contigo, aqui abraçado a mim, eu não teria pejo!
Fundido o meu no teu corpo estaria abrigada,
Os dois muito juntos em qualquer lugarejo,
A tua boca beijando a minha de medo fechada!
O mau tempo está a passar é para esquecer…
Novamente no céu, lento o sol vai surgindo,
Com as tuas carícias o meu corpo está aquecer!
Com este teu bem-querer já não me sinto perdida,
Foram-se os temores e as trevas da minha vida,
Assim, amando-nos ficaremos até amanhecer!
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SUSANA CUSTÓDIO
PORTUGAL - SINTRA
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EU POESIA
Essa dança imensa de letras
Que anda na minha mente a bailar
Faz-me pegar em canetas
Escrevendo saudades e o verbo amar
Do meu estado de ansiedade
Versos nascem num instante
A inspiração é o meu diamante
O que sai da caneta é a verdade
Transmito aos outros um estado de apatia
A escrita vai surgindo como magia
Tudo em perfeita sincronia
Fim d’uma peça de teatro de bela coreografia
Entre risos e aplausos, pergunto
Afinal o que sou eu?
Vozes respondem em perfeita harmonia
Tu és poesia!
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SUSANA CUSTÓDIO
(04 de Maio de 2008)
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MIL E UM POEMAS
Com min’alma cheia de inspiração
Mil e um poemas cheios de amor
Para ti escrevi com grande emoção
Palavras escritas com todo o ardor
Descrever o amor era a minha intenção
Mil e um poemas com cheiros de flor
Eu só queria conquistar o teu coração
E arrancar p’ra sempre esta minha dor
Muito depressa eu te peço que venhas
Com teus olhos regar este meu jardim
Poderás ver do cimo destas montanhas…
Descrito o meu grande e doce amor por ti
Ouvirás a minha meiga voz até adormecer
Mas antes, beijarás meus lábios de cetim!
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Susana Custódio
Sintra – Portugal
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PERDIDA DE TI
Tento ver-te entre a multidão
Procuro-te no meio das ruas
Dentro daquela linda canção
Mas não te encontro
Procuro no horizonte onde
O céu fica mais perto de mim
Encontrar os teus olhos cor de alecrim
Mas não te encontro
Na beira-mar vigio as ondas
Tiro a roupa e nelas mergulho
No fundo das areias vasculho
Emirjo com mãos vazias de ti
As lágrimas correm com pena de mim
Mas não te encontro
Corro pelos campos verdes em flor
Pensando atenuar esta imensa dor
Quero voar com as borboletas
Na direcção dos cometas
Mas não te encontro
Neste louco caminhar
Continuarei a te procurar
Para o meu amor te dar
Por agora digo-te:
Já que não posso ver o teu rosto
Tocar a tua mão
Entrar dentro do teu coração
Apertar-te nos meus braços
Envio-te a minha alma através
Do tempo e do espaço
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Susana Custódio
Sintra – Portugal
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