Vânia Moreira Diniz
www.vaniadiniz.pro.br

Vânia Moreira Diniz é natural do Rio de Janeiro (RJ) - 21/10.
Residente e domiciliada na cidade de Brasília-DF Escritora, Poeta, Humanista, divulgadora e Pesquisadora.

Fundou o Centro de Treinamento de Línguas em Brasília e dirigiu-o durante 10 anos. Formada em Letras com pós graduação em Educação. Palestrante nas áreas de educação, humanas e literária. Colaboradora de algumas revistas e muitos sites. Colunista de Blocosonline
Orientadora de teses e monografias. Autora de 6 livros impressos, 12 em e-book e participante de várias antologias.      http://www.vaniadiniz.pro.br/OBRAS.HTM
Faz parte da Rebra (rede de Escritoras brasileiras), grupo Ecos da Poesia, consulesa do Plano piloto- Brasília em Poetas Del mundo, patronesse e membro efetivo avspe, sindicato dos escritores de Brasília e outras associações.
portal http://www.vaniadiniz.pro.br
site: http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/default_ecos.htm


 

 

O Retorno de Papai Noel.

Vânia Moreira Diniz

 

Estamos às vésperas de natal e enquanto aprecio o burburinho intenso de nossas ruas, árvores de natal coloridas, como uma esperança de vida, alegria, futuro promissor, dirigi-me silenciosamente nessa manhã ensolarada para visitar meus protegidos.
Levava presentes ou seja umas lembrancinhas para as crianças e meu sorriso de fé para todas as pessoas que ali estavam. Não sabia se ia surtir efeito, mas eu tentaria mostrar-lhes o horizonte que eu amo e que faz parte de todo o planeta.

Sonhava com o tempo, com a esperança que nunca morre e que poderia trazer ao nosso mundo perspectivas de beleza e ventura. Imaginava se estaria sendo utópica, como costumava dizer minha mãe, mas mesmo assim sentia-me feliz.

E feliz principalmente porque havia leveza no meu coração e um verdadeiro amor pelos meus companheiros de estrada. Não há sensação mais gratificante do que o amor universal, esse amor que é dirigido até mesmo para as pessoas que possam ter nos ferido. Mesmo porque não sabemos se involuntariamente fizemos o mesmo. E é a hora certa para nossas desculpas e reflexões no sentido de sermos cuidadosos quando nos dirigimos às outras pessoas.

À medida que me aproximava da periferia da capital, um silêncio incomodativo dominava meu coração e eu verificava como o ruidoso movimento de natal estava longe dali. Mas entrando na rua estreita de casas tão pobres pude perceber a mãe de um menino que tinha uma doença grave e que me lembrava uma criança que convivera há muitos anos comigo. A diferença é que essa criança que estava nos meus pensamentos era rica, mas morrera vitimado por essa enfermidade. A mãe, Yara, aproximou-se sorrindo chamando o filho para que me desse um abraço e pude constatar que o pequeno Marcos desinchara e parecia em plena recuperação.

A jovem mãe me abraçava, agradecia e ria sem poder controlar a alegria que transparecia em seus belos e brilhantes olhos.

Não podia esquecer quando vira o menino pela primeira vez e me lembrara do pequeno Cláudio, meu irmão que morrera com apenas cinco anos e da mesma doença.

Com médicos à sua volta e ainda mais os da família mesmo assim não conseguira sobrepujar o mal daquela terrível enfermidade chamada nefrose e que o levara tão cedo.

E ali com Marcos no colo, pequeno, de olhos cor de mel e cabelos encaracolados, eu me sentia nas nuvens, encantada com o maior presente de natal que recebera esse ano, antes mesmo do dia oficial. Quase passei a acreditar no generoso papai Noel, que fizera o encanto de minha infância.

Fechando os olhos, agradecia ao Senhor do Universo a felicidade da cura de
Marcos e a alegria de sua família, que sem árvores coloridas, ou luzes artificiais tinham recebido uma graça incalculável, preciosa, um verdadeiro tesouro incalculavelmente precioso.

Valera meus pensamentos quando me dirigia para lá, as esperanças que me circundaram e até mesmo o sonho de renovar um dia minhas relações com o velhinho de barbas brancas que povoam os sonhos das
crianças. Papai Noel retornara.

Não podia deixar de relatar aos meus leitores nesse fim de ano esse fato que me proporcionou tanta felicidade. Não sei as novidades ou despedidas que virão ainda, mas essa alegria valeu por muitos sonhos arquivados.

 

 

 

 

 

Quando o Natal se aproxima

Vânia Moreira Diniz

Quando o Natal se aproxima,
Brilhante e colorido,
A saudade machuca o coração,
No sonho já vivido.

Quando o Natal se aproxima,
Com tanta luz e alegria,
O tempo volta atrás
E percebemos o valor de cada dia.

Quando o Natal se aproxima,
Tocante e misterioso,
Recordo estranhas sensações,
E o som melodioso.

Quando o Natal se aproxima,
Cada gesto ou palavra é vivência,
E os pensamentos se perpetuam,
Nos fragmentos de tamanha ânsia.

Quando o Natal se aproxima,
Evocando imagens e dores,
Resguardo enfim a memória,
Em esquecimentos protetores.

Quando o Natal se aproxima,
Vislumbro as diferenças,
Não entendo certas tolerâncias,
Mas me protejo nas crenças.


Quando o Natal se aproxima
Quisera pairar nas nuvens,
Esquecendo qualquer sofrimento,
E me fixo em outras paisagens.

Quando o Natal se aproxima,
Consolido minhas concepções,
Realizando o vôo da liberdade,
Em volta das emoções.

 

 

 

 

 

Saudação ao Novo Ano

Vânia Moreira Diniz

 

Sinto uma sensação de despedida,
Algum sabor de viagem e festa,
Prevejo o lento prosseguir da vida,
E múltipla e colorida esperança.

O ano que se foi levou ilusões,
Satisfez ideais e muitos sonhos,
Mas trouxe também melancolias,
E perdas tristes e irrecuperáveis.

Andei por caminhos diversos,
Inexplorados e fascinantes,
Vi o brilho intenso das estrelas,
Em cada desejo que me ofuscava.

Deparei-me com ricos corações,
Senti o tesouro neles escondido,
Fascinei-me com sua opulência,
E guardei-os indeléveis em mim.

O ano por vezes me desafiou,
A enfrentar momentos de dor,
Depois me envolvia em pura alegria,
E esperava silencioso minha reação.


Lágrimas desceram, risos explodiram,
Confusa via-me entre dois abismos,
Por vezes fiquei ansiosa e duvidosa,
Mas a indiferença não me vencia.

Vou em caminho do horizonte,
O Novo Ano aparece delirante,
Conclamo a sonharmos juntos,
E esperar calmamente o amanhã.

Vamos todos nos dar as mãos,
Nessa estrada pedregosa e atraente
Cumprimentar suavemente o novo ano,
com eflúvios intensos de amor.

 

 

 

 

 

Para sonhar com papai Noel

Vânia Moreira Diniz


O papai-noel que eu perdi há muitos anos, quando meu irmão mais velho me informou que ele era uma ilusão misteriosa e fantástica e pelo qual eu chorei desesperadamente, está de volta na esperança que ilumina meu coração todos os dias.
Ele se encontra na certeza de nossas convicções, na mão estendida ao ser humano que se encontra ao nosso lado, no horizonte que se delineia claro e promissor, nos momentos de curtição que não deixamos para depois, na confiança que depositamos na vida e em cada momento de vivência, amor, paixão, carinho, saber, aprendizado ou nos toques de confraternização e conforto.
Só esperamos que esse papai-noel se lembre das crianças e das pessoas que esperam sua presença todos os dias com irremovível força e entusiasmo.
Nesse ano que está chegando ao fim em meio a muitos acontecimentos, eu destaco positivamente, a evolução científico-médico que mesmo não impedindo doenças certamente melhorará a qualidade de vida de muitas pessoas e pode ser um marco para vitórias maiores e mais consistentes.
A luta contra qualquer tipo de preconceito também delineia um caminho ainda não definitivo, mas progressivo, contra qualquer tipo triste convencionalismo, na batalha a favor dos excluídos de qualquer categoria e a fé pela igualdade universal.
O sorriso do ser humano, a alegria de uma comemoração, a fé na vida e a certeza de caminharmos sempre em busca da luz maior que o sol inunda, nos faz crer na presença de um velho chamado Papai Noel, a mais encantadora e fascinante figura da imaginação criadora.
Andando pelo mundo com sua cesta nas costas, os olhos azuis e faiscantes, a roupa vermelha, barbas brancas a denunciar experiência e compreensão, sempre estará nos sonhos de todas as crianças do planeta e para isso não é preciso que seja rico ou nascido no luxo e na abastança.
Para sonhar é apenas necessário imaginação, fé e aspiração. Para sonhar precisamos divagar lentamente, silenciar gritos que não merecem ser ouvidos, aprender a entender as pequenas e poderosas dádivas da vida e crer nos momentos intensos que não retornam.
O velho homem, vindo de tão longe, na fértil imaginação das criancinhas e como uma tradição misteriosa, povoa o dom especial de nossos pequenos e se estende por toda uma vida quando queremos fantasiar os anos que se findam.
E finalmente a esperança do novo ano que vigoroso e carregando ideais se aproxima depois da presença do velho e bondoso papai Noel, que chega distribuindo senão presentes pelo menos esperanças na véspera do nascimento de Cristo, homem, , filósofo ou filho de Deus.
Não importa o que nos reservou 2004, mas teremos que receber das mãos enrugadas e fortes de papai-Noel o presente de uma nova era, o novo ano que se aproxima, os dias que vem ao nosso encontro céleres, as horas que marcarão a nossa vida, em ritmo de expectativas coloridas e prementes. E aqui no mês de dezembro sempre teremos os dias enfeitados e deslumbrantes para ainda sonhar com papai Noel.

 


 


Enviados Dez/2010


 

 

 

Estendendo as mãos
Vânia Moreira Diniz

 

 

                Não sei por que revolvi meu interior e encontrei muita coisa a cultivar. Lembrei-me, então das inumeráveis vezes em que prometi voltar para dentro de mim, podar ervas daninhas e hidratar as flores e frutos que estavam prestes a ficar maduros e completos.

               Hoje, recordando essa ocasião vi que por falta de tempo ou displicência não tenho feito esse exercício de reflexão a que me proponho agora. Muita coisa aconteceu, e enquanto me concentro num momento de introspecção, procuro entender o mistério da vida que sempre me fascinou.

               Culpamos aos dirigentes do país, à nossas autoridades, às outras pessoas, à família, parentes e amigos, mas esquecemos que antes de tudo devemos olhar para nós mesmos. E é isso que faço nesse momento, è exatamente isso, que repentinamente pensei quando senti novamente e de forma intensa o que podemos fazer pelos nossos semelhantes e por nós mesmos.

               Nesse momento da minha vida que considero o apogeu, quero estender minhas mãos para todos, e procurar o gesto de amor e carinho que esqueci ontem, que não fui capaz de transmitir hoje em muitas oportunidades cruciantes.

                Contemplo toda a natureza em volta de mim, cada objeto, o amigo computador, companheiro fiel de todas as horas, onde deposito as alucinações de meu cérebro, paixão de meu coração, loucuras de meu ser integral, experiências de minha alma, sabendo que ele tudo entenderá e absorverá, sem um minuto de crítica.

                 Volto à realidade, mas procuro certa escuridão para que possa refletir com mais liberdade, calma e privacidade. Isso dentro da própria solidão que existe na vida do escritor e nas horas em que produz. E me vejo totalmente entregue a reflexões, fantasias idéias e no recolhimento desse instante, percorro caminhos desconhecidos e me comprazo em mais uma vez verificar como são infinitos nossos pensamentos que voam em silêncio.

                  Recolher-nos em certas horas é a única maneira de podermos exercer a liberdade de pensar, aliás, a única liberdade que realmente temos. Neles ninguém penetra se não quisermos. Por isso fico ali, durante alguns minutos e vôo numa distância infinita, retenho algumas idéias rápidas e retorno ao meu mundo, certo que o planeta é magnificamente expressivo e fecho os olhos ainda uma vez.

                   Quando os reabro sinto que minhas perspectivas são ilimitadas e ao mesmo tempo etéreas, porém encontro-me num espaço de esperanças, luz e felicidade. Estendendo as mãos encontro o verdadeiro sentido de uma existência, plena em todos os sentidos, estendendo as mãos, posso encontrar desvendado o mistério do desabrochar interior, da realização sonhada e finalmente enxergar verdadeiramente com os olhos da alma que refletem meu olhar exterior.

 


Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 

 

 

Consciência Negra
Por Vânia Moreira Diniz

 

O dia da consciência negra para mim chama-se integração. Precisamos como já disse algumas vezes fazer com que negros, brancos, olhos amendoados, redondos, cabelos loiros, pretos ou castanhos, lisos ou encaracolados e diversas línguas estejam irmanados no mesmo sentimento profundo e fraterno.

A cor da pele, a religião, raça, conceitos, civilização formam um só magnífico mundo. E os negros por tudo que sofreram estão entre aqueles que merecem nosso respeito especial, tal como as mulheres de qualquer raça que já foram escravizadas pela ausência de participação e por  terem sido dependentes do homem.

Tudo isso me faz voltar novamente à minha infância e lembro-me de dois tios negros que meu avô adotou  e que eram amados  e tinham os mesmos direitos de suas filhas.

Nós, os netos, crescemos tendo profundo respeito e carinho por aqueles dois tios, um dos quais eu tinha verdadeira admiração. Muito alto, os dentes perfeitos, sorriso fascinante que me encantava também pela confiança e segurança depositada nele. Sempre me passava as notícias que trazia naquele tempo no jornal debaixo do braço para depois levá-lo até minha avó. Os dois chamavam meus avós de pai e mãe e eram amados como filhos dedicados.

O outro era brincalhão e extrovertido, falava horas com minha mãe ao telefone e ambos estudaram bastante e eram maravilhosamente humanos e compreensivos.

Nunca pude compreender esse preconceito contra o negro já que em minha família eles faziam parte de nossa vida literalmente.

Um deles morreu há algum tempo o que nos fez curtir uma saudade intensa e doída. O outro está conosco, já se aposentou e vive com sua mulher, mas realmente nunca vi ninguém tão deslumbrado pela mãe que o criara como era esse homem que aprendi a amar desde pequenina.

Claro que pessoas egoístas, invejosas e sem o senso do direito e do dever existem em toda a humanidade em qualquer raça, religião ou  ambiente, mas o  doloroso é imaginar seres humanos discriminados pelos seus traços, características genéticas ou lugar em que nasceu. Sei, é claro que o preconceito existe de uma maneira quase aviltante, porém tentemos lutar pela união dos seres viventes que são nossos pares no planeta e essa luta primordial que deveria ser inerente em qualquer um de nós.

As classes excluídas são tantas e de tal forma variadas que eles mesmos se discriminam em si. Isso é terrivelmente triste e de uma perversidade avassaladora.

No Dia da Consciência Negra e em todos os dias de nossa vida precisamos entender como é importante saber discernir qualquer ato pouco generoso de nossa espécie humana e entender como foram sofridos os dias de escravidão tolhidos e maltratados por brancos que se achavam com direitos inalienáveis até de torturar. Isso é realmente uma vergonha que nos devia impulsionar a querer resgatar anos dessa história triste e vil.

Prestar homenagem à consciência negra não significa admitir um preconceito, ao contrário, é a homenagem justa que prestamos a nossos irmãos, inteligentes e talentosos que tiveram que parar tanto tempo na demonstração de suas potencialidades por motivos covardes e cheios de supremacia.

O dia da Consciência negra se comemora em 20 de novembro no Brasil pela morte de Zumbi que se dedicou à causa negra e à luta pela liberdade  e constitui símbolo da resistência negra à  escravidão abominante.

Embora o racismo seja negado insistentemente sabemos que ele existe e que é uma vergonha que empana  qualquer ato heróico e ético da humanidade inteira.

 

Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 

 

 

Jamais o pranto
Vânia Moreira Diniz

 

Um dia chegaste a este espaço,

Senti no coração aquela empatia,

O carinho que se espalhou no peito,
A presença da amizade que eu sentia,

E isso mais que enxergava, eu via.

 

São momentos de doçura e carinho,

A mútua e intensa compreensão,
aprendizado fascinante, uma lição,

A certeza do rumo e do caminho,

E nada de palavras ditas em vão.

 

Por isso entendi riso ou o soluço,
compreendi o instante de alegria,

Penetrei até no doloroso sofrimento,

Encontrei tua alma no dia-a-dia,

para ti só sorriso, jamais o pranto..

 

 

 


Enviados Nov/2010


 

 

VÂNIA MOREIRA DINIZ

 

             Há poucos dias ouvi alguém falando que de nada adianta  lutar por algo em que não se acredite. E achei interessante. Sumamente interessante.

            Hoje as pessoas em geral são tão descrentes de tudo que se torna difícil empreender alguma coisa com confiança.  Houve períodos em que isso acontecia comigo e por isso posso falar com convicção. Até que pude entender que a fé talvez seja o primeiro requisito para o êxito e a felicidade.

            Nascemos, crescemos, iniciamos a caminhada, amamos e temos alegrias ou decepções, mas nada podemos realizar sem a verdadeira fé. Ela nos impulsiona de uma maneira tão forte e definitiva que quase acreditamos ser o motivo pela qual realizamos todos os sonhos.

             Compreende-se perfeitamente a razão da desesperança numa época em que o egocentrismo, a violência e o descaso pelo semelhante fazem desse mundo um paraíso de inseguros e sofredores.

              Não se pensa em minorar o sofrimento de quem quer que seja e muitas vezes contribuímos para isso pela displicência de não perceber como pessoas tão próximas a nós sofrem por vezes inutilmente.

              Aprendi muito de fé em vários exemplos que tive em minha vida, porém um dos mais marcantes, sem dúvida foi de uma amiga que ficou doente com um câncer e os médicos desenganaram. Era muito bonita, com traços suaves e nobres, uma tez maravilhosamente acetinada, os olhos rasgados, verdes e profundos e os cabelos claros e brilhantes. Durante todo o período de dúvidas sobre a sua  doença nunca desacreditou que pudesse vir a sobreviver ilesa.

             Nos vários diálogos que mantive com ela sempre a vi com uma fé inquebrantável e admirava aquela menina que sendo tão jovem como eu mantinha em meio à tormenta um bom humor inacreditável. Sorrindo e deixando à mostra seus magníficos dentes bonitos e muito claros dizia sempre com convicção:

            -Eu não vou precisar cortar minha perna. Tenho fé nisso.

            Olhava-a encantada admirando aquela força ilimitada e muitas vezes achei que por dentro devia estar aniquilada.

            Um dia perguntei-lhe isso e ela me respondeu com carinho:

           - Há momentos que estou arrasada. Choro. Deixo que as lágrimas me inundem. Mas não permito que o desalento seja maior que a minha esperança. Se consentisse nisso, Vânia estaria perdida ou já teria morrido.

            Olhava-a questionando-me como alguém com tão pouca experiência podia ter tanta força e discernimento na dor e chegava a conclusão que tudo isso vinha de uma estrutura de espírito e fé na vida e num poder superior.

            Mildred, como se chamava depois de um período doloroso em que todos pensavam que estava desenganada, começou a ter uma melhora inexplicável. E para perplexidade e alegria de todos que a cercavam conseguiu realmente recuperar-se muito lentamente sem que fosse preciso cumprir a previsão dos médicos  sobre  o corte de sua perna.

            Nunca esquecerei a expressão de seu rosto bonito quando entendeu que realmente sua fé havia contribuído para isso. Não sei como nem porque, mas a verdade é que a minha amiga voltou a ser a moça saudável que alegrava a todos que a conheciam. E foi um exemplo de positividade nunca esquecido por mim.

            Pouco depois, conversando com ela numa tarde ensolarada em que nos reunimos para trocar idéias e que eu estava com vontade de ouvi-la falar da experiência que passara ela me disse:

            - Nunca duvidarei de nada, minha amiga. Nada. Alguma coisa me dizia que tudo terminaria bem. Era uma certeza muito forte que não sei donde vinha, mas que eu confiava.

             Até hoje precisando acreditar em alguma coisa me reporto com enorme ternura àquela fase de minha vida, que foi um exemplo de convicção, certeza e fruto de uma fé inabalável.

 

 

 

 

 

Maravilhosos Heróis

             

Fui criada  familiarizada com os médicos. Cresci no meio deles. Meus tios, meu avô o eram e aprendi o  toque mágico que significam suas mãos e a ciência que dominam.


Mas assim como a maioria deles é maravilhosa (diga-se de passagem), poderão também significar no sentido negativo (e são raros) a descrença na vida, o desespero e até a morte. E é por isso que o rigor deve ser levado a sério acerca de tão importantes e ilustres profissionais.


Vemos hoje especialmente médicos que indiferentes ao sofrimento dos outros deveriam desertar de sua própria profissão. Não é só ter talento, estudar, fazer doutorado, defender teses, ser senhor absoluto em seu campo e serem chamados de Doutor.


Mas é tudo isso aliado à humanidade, à generosidade. Sem esses elementos não se conseguirá um médico no sentido amplo da palavra. 

Acho que são justamente relações humanas e amor que as faculdades de medicina deveriam ensinar como matéria básica e tentando extrair os sentimentos intrínsecos que existem dentro de cada estudante.


Isso não é só importante nessa profissão, é claro, porém é justamente nela que se lida com o ser humano frágil, doente, necessitado, carente e muitas vezes desesperançado.


E hoje vemos com muito maior freqüência a frieza entre os seres humanos. Isso já é por si só algo que deveria ser pacientemente ensinado desde a infância em colégios iniciando nos primeiros anos e não finalizando jamais.

Retornando ao assunto principal, os médicos são as pessoas que mais influenciam a vida de uma pessoa ou seja a população em geral. E eles sabem disso.


Quando se formaram fizeram o juramento de Hipócrates e nele se incluem todos esses elementos. Têm a obrigação de cumpri-lo em toda a extensão da palavra.

Portanto aqui o protesto ao profissional da área de saúde que é capaz de usar frieza, inconstância, aparente indiferença no trato com seus clientes, principalmente com aqueles que carecem de assistência negadas pela própria vida.


Eu me recordo há muitos anos que os médicos de família iam à casa de seus clientes e isso era um conforto na hora de uma doença dolorosa.


Lembro-me a triste circunstância de uma criança que eu vi sofrer desesperadamente com “nefrose”. Suas dores eram imensas, os pais tinham dinheiro, nível social elevado e cultura invulgar. E mesmo assim o conforto de médicos dedicados os livrou do desespero total. A assistência especial e afetuosa dos profissionais não deixava que eles caíssem em depressão ou angústia profundas.


Sei que os médicos têm família e vida própria, mas já que escolheram a medicina são mais missionários do que outra coisa qualquer. Muitos realmente são. Mas e os poucos que não querem pensar que a vida deles é diferente?  Mas é. Mesmo que não queiram e neguem essa afirmativa. Tem que ser diferentes pela própria natureza do que fazem.


Para que a classe tão merecedora não seja desprestigiada quero lançar um protesto àqueles que ainda não compreenderam isso.Ainda que seja em tempos modernos, na atualidade difícil, na vida complicada de uma cidade conturbada os médicos são pessoas peculiares cuja obrigação principal é senão tirar ou remover doenças (isso por vezes é impossível, humanamente falando), mas dar consolo e ter predominantemente o sentimento de ternura como base de sua estrutura.

Competência e humanidade. Bases do profissional perfeito.

Não consigo entender o médico que não se comove com a aflição alheia, mesmo que esteja acostumado ao sofrimento.

Desejo, no entanto fazer uma homenagem à maioria dessa extraordinária categoria, os heróis verdadeiros (e eu conheço muitos) que mesmo á sombra realizam o maior trabalho que alguém pode executar. Quero agradecer em nome de uma população que se conforta ao encontrar no caminho de sua existência esses heróis, que batalharam durante toda uma vida conhecendo, pesquisando, estudando e carregam com essa bagagem o amor, a solidariedade, a compreensão e uma humanidade que só eles são capazes.

Não obstante a luta, os dias cansativos e tensos, os clientes irritados, o sacrifício da família e dos amigos e de toda uma vida sacrificada. A despeito da ingratidão, das noites insones, do desconforto, das cenas dolorosas, das consternações abundantes. Apesar de tudo eles continuam fortes, magnânimos e imprescindíveis. Aos heróis, o nosso agradecimento.

 

 

 

 

 

Intimidade

 

Corações segredando harmoniosos,
Escutando o clamor do outro lado,
Sorrindo no amor sempre bem-vindo
E chorando em momentos angustiosos.

Brigando nas horas complicadas,
Entendendo as razões inexplicáveis,
Com soluções certas e apreciáveis,
E percebendo as reações enlouquecidas.

Compreensão nos dramas recíprocos,
Olhar suave e terno nas dores profundas,
Mútuo carinho em horas dedicadas
Aos acontecimentos diários e pacíficos.

A certeza da reação esperada,
Nas alegrias e surpresas incoerentes,
A ternura e a demonstração inocentes
Na notícia longamente aguardada.

Fusão importante e constante,
Olhando na mesma direção,
Visualizando até ideais diferentes,
Porém aceitando a diversa execução. 

Intimidade é a entrega,
Nas horas mais descabidas,
A descoberta que sossega,
A alma surpreendida e extasiada.

 

Vânia Moreira Diniz

 

 

 


Enviados Out/2010


 

 

O Poder do Sábado

 

       Sábado sempre foi um dia especial para mim. Há muitos anos costumava acordar com as cortinas fechadas, mas que deixavam entrever pela manhã uma nesga de sol luminoso, característica do meu Rio de Janeiro. Chegava então à janela e entreabria-as de forma que pudesse admirar o movimento acelerado daquela barulhenta Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, em que cresci.

       Esse dia da semana significava em minha concepção algo diferente e as sensações se multiplicavam quando pensava o que faria no transcorrer dele. Ainda hoje sinto percepções estranhas se multiplicando no Sábado como se pudesse me trazer notícias boas e eu conseguisse compartilhar mais as alegrias e prazeres do mundo.   Acho que nunca tirarei essa impressão e deixarei de sentir o mágico prazer desse dia.

      Levantava-me tarde e animada, o sorriso sem querer sempre dançando em meus lábios e encontrava meus pais na parte de baixo da casa. Haviam tomado café e estavam escutando música às vezes clássica e em outras oportunidades populares,  a maioria delas de Vinicius de Morais, que eles adoravam. É como se esse som divino não conseguisse sair da minha cabeça principalmente nas manhãs de sábado.

       Não saberia explicar com clareza essa sensação de vida e alegria, as esperanças brincando em meu coração sem que eu as distinguisse, a vontade de correr e abraçar todas as pessoas, o carinho que me dominava nas ruas e no colégio, a fascinação dos passeios, principalmente da praia naquele dia tão especial.

        Com o biquíni e apenas uma toalha enrolada na cintura, encontrava-me com a alegre turminha de adolescentes, sentindo na pele o sol, no coração a vida e admirando sem ter consciência de quanto aquele mar era infinitamente amado. Uma sensação de liberdade e contentamento que não saberia definir.

        O verde-azulado do infinito gigante a mexer em delírio com meus sentimentos, levava-me em reflexão em suas ondas de movimentos ondulantes e espetaculares, e então deixava que suas águas geladas me molhassem e me conduzissem para  caminhos diferentes ao ritmo de minha própria imaginação.

         Era ali que me refazia da semana, e encontrava a sedução necessária, esquecendo que haveria dias tristes e nebulosos. Olvidando que a vida era contrastante e por vezes incompreensível. Quando voltava para casa o Sábado continuava a caminhar misterioso, poderoso e infinitamente incompreendido.

          Muitas vezes reunidos meus colegas e eu fazíamos planos, alguns jamais cumpridos, mas nem por isso menos sedutores. E as noites estreladas eram em sua beleza fonte de segredos que a alma recolhia, terna e silenciosa. E as vozes então se levantavam, cada uma querendo contar um pouquinho de si mesmo.  E isso repercute em meus ouvidos como suave música tão necessária e forte que embala e ressurge cada vez que preciso de estímulo numa hora difícil e traumatizante embora passageira.

           Hoje esse dia da semana tem o mesmo poder e me domina com uma persistência infinitamente recrudescedora. Levam-me a fantasias que eu recolho emocionada e distribuo pelo meu dia com uma vibração que sempre conheci no poder impressionante do Sábado.

           Significam sensações das quais jamais poderei me apartar porque estão  ligadas pela própria vida em anos de energias acumuladas e que são distribuídas por mim sem ao menos avaliar como tudo isso ocorreu e em que época da minha vida comecei a sentir seu impressionante domínio.

 

 

 

 

 

O que é Alegria?

 

Alegria é a alma em festa, pedindo que o riso perdure, na humanidade cheia de tristezas e, no entanto maravilhosamente prazerosa. Alegria é presenciar o amor em todas as suas facetas, contemplar o riso contagiante das crianças, a simplicidade dos seres humildes e bons  e gargalhar nos momentos fúteis.

 Alegria é observar os adolescentes que presunçosos, Julgam-se sábios e a velhice que ainda espera o futuro, é olhar a imensidão do mar em momentos de calmaria e admirar a beleza de planícies e planaltos. Alegria é sentir ainda tranqüilidade em nossas cidades, poder caminhar sem o espectro do medo nas ruas escuras, trazer instantes de felicidade a alguém angustiado e gargalhar nos momentos pueris.

Alegria é ver a criança estudar sem obstáculos e preocupações, ter assegurado a confiança de amigos e pessoas queridas, a concretização de ideais os mais profundamente almejados, e a certeza da consciência que não nos machuca ou tortura. Alegria é observar embevecidos, o brilho nos olhos do cego, ou a atenção concentrada em quem nada ouve e sentir a esperança que se desprende ou a certeza de sua realização e gargalhar nos momentos mais infantis.

Alegria é vermos o carinho despreocupado entre as pessoas, ter expectativa da cura de doenças incuráveis como Aids e o Câncer, os preconceitos serem excluídos sem que precise leis para isso, e saber que as classes mais pobres não precisam da caridade humilhante. Alegria é presenciarmos o beijo, expressão máxima de ternura entre as pessoas, sermos beijadas e correspondidas com amor intenso e gargalhar nos momentos amenos.

Alegria é a paixão que nos conduz a expressão máxima do prazer, sentir amor nessa lascívia que nos conduz à união completa, desejar que sempre o ápice seja mais intenso em sua manifestação imperativa e gargalhar pedindo mais.

Alegria é viver sentir amar, realizar, ter amigos e compreender, é rir de dentro para fora e sentir prazer nas pequenas realizações, alegria é reconhecer o erro e saber se desculpar sem timidez e gargalhar de todas as experiências que a vida oferece.



Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 

 

Hoje

 

       Hoje é meu dia de saudade. Sei que alguém muito próxima a mim está sofrendo.. Simplesmente. E essa pessoa tem muitos sonhos que acumulou em sua muito jovem vida. Eu a conheço intimamente e capto cada trecho de sua personalidade. Mesmo assim não sei se poderá ter reações inesperadas. Na maioria das vezes não nos conhecemos e ficamos petrificados  quando temos uma reação estranha.

      Hoje é meu dia de reflexão em que mergulho totalmente em mim para ver se consigo absorver um conteúdo forte e desbravar com imparcialidade um mundo que está sempre misterioso e distante apesar de muitas experiências. E nessas reflexões por vezes ansiosas visualizo a alma de minha amiga e sinto a angústia que se apodera dela.

      Hoje é meu dia de dúvida quanto ao sentido real da vida, mergulhando em meu próprio inconsciente e trazendo imagens e pensamentos lá sepultados sem aos menos compreender a razão dessa imersão involuntária num dia de muita perplexidade e dúvidas incoerentes.

       Hoje é o meu dia de loucura, querendo da vida usufruir todas as migalhas sem notar a qualidade ou extensão, sem ver os detalhes ou avaliar as conseqüências. Querendo me agarrar a alguma coisa palpável que me dê a certeza da felicidade no sentido mais amplo e sentindo  minha vulnerabilidade em todos os  caminhos.

      Hoje é meu dia do esquecimento de tudo que poderia me sustentar na estrada  em que prossigo com passos ora firmes ora hesitantes mas sempre no sentido do futuro  sem lembrar de nada que já empreendi ou conquistei e querendo sempre mais e mais densamente.

       Hoje é meu dia da fragilidade, das lágrimas e dos risos, da certeza iluminada, da verdade inconquistável, do engano irrealizável, dos olhares que se cruzam amenos ou profundos, da natureza apreciada, da beleza admirada. É meu dia de viver cada momento, de sentir todas as sensações e de retornar ilesa e vigorosa.

      Hoje é meu dia do perdão em que desconheço as ofensas por imensas que sejam, ignoro as palavras duras, não enxergo os instantes de agonia, distancio-me dos sofrimentos, fico cega às  indiferenças, ignoro as ironias  e me encorajo nas duras decisões contraditórias e tormentosas.

        Hoje é principalmente meu dia de liberdade em que abro os olhos e me ilumino com a luz que jorra espontânea e abundante  e me permito amar-me, enternecer-me completar-me e gozar todos os momentos lúdicos e inebriantes vivendo a sensualidade plena em todos os aspectos.

        Hoje, agora, nesse minuto  é meu dia mais cativante, majestoso e verdadeiro.

 

Vânia Moreira Diniz

 

 

 


Enviados Set/2010





Educação, o sonho que transforma o mundo
Vânia Moreira Diniz

 

O mundo está realmente com a marca da violência e do egoísmo. E enquanto não houver ensino e educação para todos o quadro será cada vez mais aterrador.

A educação é o grande marco que mudará o comportamento das pessoas. O exercício “ensinar e aprender” é algo que tem passado de geração em geração até chegar aos nossos dias. Um processo fascinante porque nada é mais instigante do que o conhecimento, que se inicia nas primeiras curiosidades da criança para “ O que é isso?”

Sem cultura o ser humano age por instinto. Somos racionais, pela capacidade de pensar e seguir uma linha de raciocínio seja qual for o momento em que estejamos vivendo. Essa é a importância da educação.

O não aprendizado implica em contemplar um mundo cujas linhas não conseguimos divisar e, portanto ignoramos a beleza, a suavidade ou a força da natureza. E só vemos tudo escuro, por mais que façamos força para enxergar.

Assim é com o aprendizado. Sem ele tornamo-nos pessoas rudes, e sentimo-nos discriminados simplesmente porque não podemos compreender o que o outro fala e quando não somos alfabetizados jamais compreenderemos o valor daqueles algarismos que unidos uns aos outros formam as palavras e se estabelece a comunicação.

A educação é a única maneira de evolução do povo, a forma como a sensibilidade se manifesta e os sentimentos mais nobres são capazes de fluir de maneira profunda.

Claro que nascemos com sentimentos e qualidades que diferem um dos outros, mas elas só se aperfeiçoam quando a educação lidera por intermédio de informações que vão atuando no nosso subconsciente e nos conscientizando de práticas civilizadas e compreensíveis.

O ensino, o “querer aprender” nasce com o homem e se manifesta até quando o bebê suga em sua mãe as primeiras gotas de leite, no princípio com tanta dificuldade.

A evolução se manifesta dia a dia, mas enquanto não é alfabetizado seu mundo é pequeno, com cores cinza que impedem o exercício do cérebro que poderá até se atrofiar bem como qualquer membro físico sem exercício.

O não aprender significa para quem é vítima de suas conseqüências um ato castrador e covarde e por isso o governo e mesmo os cidadãos de cada país deveriam se preocupar com falta de alfabetização que ainda grassa pelo mundo de uma maneira atroz.

È uma deficiência que deveria ter como principal providência a inclusão numa sociedade de pessoas que podem se entender e difundir a educação fazendo cada um de sua parte um esforço pelos analfabetos que sofrem intensamente num mundo evoluído como o nosso em que a tecnologia impera

È essa nossa principal meta. Estamos condenando as pessoas analfabetas a uma vida de escuridão, tristeza, “ouvindo, mas não vendo”, “escutando, mas não compreendendo “ e transnformando-os em pessoas revoltadas e infelizes que não são capazes de se integrar numa vida sadia e meritória.

A Educação, o conhecimento é a única riqueza que realmente temos e que ninguém poderá usurpar e por isso o nosso sonho, um dos mais freqüentes deverá ser sempre a luta pela erradicação do analfabetismo assim como conseguimos nas doenças que devastaram a humanidade, a única maneira de contribuirmos realmente para um mundo melhor, humano e sem vestígios de exclusões e desigualdades.

 

 

 


Enviados Ago/2010


 


Dia do Escritor, 25 de julho



Amanheci com uma sensação de carinho, lembrando-me dos dias remotos em que sentada à mesa de meu avô admirava sua atividade desejando seguir seus passos de escritor,  obcecada pela ternura como pegava uma caneta esparzindo imaginação liderada pela alma, e derramando-a em verdades ou conclusões.
Nenhum dia melhor para estar aqui escrevendo para o nosso Portal do que aquele próximo ao Dia do escritor, onde muitos deles aqui estão ao nosso lado, colaborando e trazendo apoio e carinho.
A minha homenagem é de amor por essa data em que nos sentimos prestigiados com o coração realmente emocionado, e acreditando nos sonhos que pairam em nossas almas, com essa busca de realização pelo menos parcialmente concretizada mesmo que não seja para o mundo inteiro, mas para  nós mesmos.
O escritor é capaz de conscientemente sentir que está usando sua arte principalmente quando transmite à humanidade as palavras como um estandarte de luta, seja qual for a reação dos que nos lêem. E a usamos para liderar os movimentos os mais justos e  deixar pelo menos uma semente vigorosa, que florescerá exuberante.
De rir ou chorar, ter esperanças ou descrever seu desespero, caminhar por estradas diversas sempre confiando no dom de sua palavra profícua mesmo que ignorada em certos momentos.
Estamos em guerra,  guerra não é apenas destruição oficial de  cidades, que machucam covardemente pessoas humanas, dilaceram criancinhas proporcionando a amargura e a dor em cada rosto descrente da vida.
Guerra também é isso que está acontecendo na humanidade, no Brasil, a indiferença marcando as atitudes de pessoas humanas assistindo em expectativa  silenciosa, a destruição, a barbárie, pessoas lutando contra indefesos, matando pelas costas, incendiando ônibus, optando pela destruição, pelo pânico esquecendo que ali estão seus pares humanos e cruelmente continuando o extermínio e a maldade indefinidamente fascinados pela própria crueldade.
E nós outros que olhamos sem ver, completamente anestesiados, num marasmo intensificado pela incompreensão do que se passa a nossa volta.
Aqui está nosso papel, os escritores emitindo o grito de revolta quando a  destruição e a luta por uma pseudo-causa é o  pretexto cruel que se impõe. 
Estamos aqui, escritores levando a palavra, sentindo na alma os sentimentos que geram e transmitindo aos que o lêem sufocado pelas dores ou fascinado por acontecimentos que são caros e nobres, vibrando por vitórias honrosas ou revoltadas por fatos incoerentes e injustos.
Escrevemos e lemos talvez com a mesma fascinação completamente envolvidos e entorpecidos pelo amor às letras, desejando que nossa palavra chegue voando por espaços diversos com intensidade e amor, sentindo os eflúvios de nossas próprias sensações, amando a literatura com um fascínio quase inconsciente.
Desejo agradecer aos nossos colaboradores que prestigiam o Portal Vânia Diniz e o Espaço ecos  e reiterar a admiração pelo seu trabalho laborioso, persistente e talentoso.
Desejamos também recordar o dia em que inauguramos o Portal com esperança, entusiasmo, alento e alegria infinda esperando levar a palavra até os confins do mundo e divulgar com ternura os escritores que amam a palavra escrita e torcem, vibram e continuam a cada dia o aperfeiçoamento  de sua transmissão. Esperamos que nossos ideais expressos em palavras possam se concretizar mesmo que lentamente e ser estendidos pelas gerações que nos sucederão com o mesmo amor.
A aprendizagem é justamente isso: O acúmulo de conhecimento passado de geração para geração por intermédio desse instrumento tão eficiente que á a palavra escrita. Por isso enfatizo o valor e o reconhecimento  que se deva dar ao escritor.
É essa nossa missão de escritores e a palavra  será sempre o grande elo que unirá escritores a leitores, ambos pressurosos de lutar por uma humanidade mais humana e menos perversa em todos os sentidos.
Impõe-se uma conclusão: Não fosse o escritor e essa capacidade especial da palavra escrita  que se eterniza, não fosse o primeiro escrito e o primeiro escritor a humanidade estaria muito atrás, sabe Deus onde.
Não fosse essa transmissão maravilhosa e a sedução que se estabelece não estaríamos aqui, lutando por uma globalização justa, com a tecnologia maravilhosa unindo em um minuto os mais distantes lugares  e a informação necessária e deslumbrante capaz  de ultrapassar os mais difíceis obstáculos.
Conseguimos unir os povos na palavra, falta-nos apenas convencê-los que o amor universal é o sentimento mais profícuo que possa existir onde sempre estará  marcada a paz e a compreensão. A palavra escrita que nós veneramos é a responsável pela evolução do mundo e por isso a comemoramos hoje.
Obrigada pelo carinho e parabéns por esse dia especial, o seu, o nosso dia que comemoramos com a alma suspensa e a palavra pululando de ansiedade e certezas.


Vânia Moreira Diniz 

 

 

 

 


Assim eu escrevo


Escrevo consultando minha alma,
Interpretando todos os meus sonhos,
Mergulhando nos eventuais dissabores,
Reconhecendo em Deus a majestade,
Assim eu escrevo...

Escrevo na ânsia de procurar a verdade,
Com o coração pedindo um desabafo,
Em horas tardias das madrugadas,
Na compulsividade dos sentimentos.
Assim eu escrevo...

Escrevo em todos os momentos da vida,
Com fé nas verdades que sempre acreditei,
Sentindo os reflexos do que cedo aprendi,
Na vontade de transmitir a cada hora mais.
Assim eu escrevo...

Escrevo procurando as almas aliadas,
Que em segredos se entrelaçam,
Como minha única fonte de libertação,
E fazendo dessas horas minha vida.
Assim eu escrevo...

Escrevo desde bem pequenina,
Como um vício que me dominou,
Expressando meu amor em sorrisos,
Ou extravasando em doces lágrimas,
Assim eu escrevo...

Com entusiasmo e de tudo esquecendo,
Admirando as linhas que se formam,
Embebida na crendice do que confesso,
Entre as letras unidas e que eu amo.
Assim eu escrevo...

Apreciando no universo os mínimos movimentos,
Que para meus pensamentos se dirigem,
Em formas de lirismo e excitantes fantasias,
Que eu transformo na alegria do canto e da poesia...
Assim eu escrevo...

 

Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 


Ecos da alma

 

Ouço os ecos da minha alma,
No labirinto dessa vida,
Esquecendo os reais motivos,
Dessa caminhada incongruente.

Ouço as batidas do meu coração,
Que se repetem sempre sem cessar,
Acompanhando em seus compassos,
A caminhada ritmada e ininterrupta.

Ouço os ruídos de todas as espécies,
O alongar do destino contraditório,
As horas que escoam silenciosas,
E os ecos que continuam insistentes.

Ouço vozes doces e tão emocionantes,
Que recordam dias passados importantes,
Trazendo em sua vivência a saudade
E carregando imagens impressionantes.

Ouço sons harmoniosos de doçura,
Vozes melodiosas que eu tanto amei,
A sonoridade de expectativa ansiosa,
Os mesmos sussurros jamais olvidados.

Ouço todas os gritos do universo,
O choro que trazem as lágrimas,
Os risos que transbordam felizes,
O encontro e as exclamações alegres.

Ouço o som da vida que se desprende,
As gargalhadas das crianças inocentes,
O gorjear dos pássaros independentes
E o leve farfalhar nas folhas pendentes.

Ouço e sinto cada mínimo movimento,
Anseio por cada surpreendente momento,
Prossigo a caminhada lenta querendo,
Que surja a única voz do meu julgamento.

 

Vânia Moreira Diniz

 

 



Enviados Jul/2010


 



Dia da Paixão
Vânia Moreira Diniz

 

Estamos “vivendo” o Dia dos Namorados no qual  todas as pessoas apaixonadas se congraçam num mesmo gesto e principalmente nas mesmas sensações.Em corações enamorados, não importa a idade, origens ou crenças, o sentimento é universal e semelhante em suas características porque paixão é a sensação mais forte e desvairada cujo diagnóstico principal é a ausência completa de reações coerentes. Mas como é delicioso!!!!!

Ah a paixão... Perguntamos sempre, que sentimento é esse capaz de nos levar a atitudes que jamais seriam concretizadas normalmente e que nos arrasta poderosamente, fazendo com que sintamos talvez só nessas ocasiões que o coração é capaz de bater com muita e indiscriminada intensidade....Na paixão tudo é extraordinário: Podemos vislumbrar o sol com mais intensidade, as estrelas são distinguidas por sua luz a olho nu e conversamos com o mar, as árvores, os pássaros, a lua e na verdade entendemos e até ouvimos sua secreta voz.  Melodia mágica a nos falar de amor e de contos de fada,  esquecidos de coerências e do dia-a-dia monótono e ultrapassado.

Ah estar enamorado, apaixonado, é nem tomar consciência que existe amanhã porque estamos demasiados perdidos nos olhos de alguém que naquele momento é o centro maior e único do universo inteiro  e o viver se impõe misterioso e convidativo.

Ah a paixão, que faz com que os corações se apertem, à procura do que não se sabe nem se tem consciência, perdidos em pensamentos longínquos de abraços silenciosos, inacabados e beijos tórridos e só existe aquele momento tão mágico quanto verdadeiro. Vibrações infindas e inexplicáveis, vontade de falar tudo e ouvir a voz amada, e o território de um mundo a dois absolutamente cativante.

Ah a paixão, que se comemora no dia dos namorados, mas que não dá trégua um só instante, éden de nossos sonhos e cuja ambrosia deleitosa nos leva aos píncaros do prazer imortal e inacabado.

No dia dos namorados são comemoradas todas as espécies de sentimentos românticos, atuais e passados, vividos hoje, conservados ou não ao longo do tempo, mas verdadeiramente é o dia da paixão inconseqüente e deliciosamente louca, de gestos, palavras, desejos, ausência de qualquer pensamento finito, porque naquele momento é eterna e ilimitada.

Dia dos olhares apaixonados em que tudo se concentra nessa profundidade maravilhosa que fitamos no desespero da paixão, no ápice absoluto do amor desvairado.

Ah a paixão que verdadeiramente é comemorado nesse dia de amor, com ausência de tristezas, monotonia, incompreensões, dores porque simplesmente não existem quando vivemos esse transe deliciosamente latejante.

E para entendermos melhor ainda, o dia dos namorados é apenas um símbolo, porque a paixão é ininterrupta e lancinante, marcante e poderosa, causticante e surpreendente, e somente ameniza quando estamos nos braços majestosos, fortes, esplêndidos daquele a quem amamos.

Ah, a paixão, que nos submerge em torrentes e redemoinhos estonteantes e arrebatadores sem volta e sem espaço, a mais primorosa forma do sentir imprescindível e ao mesmo tempo deliciosamente enriquecedora, loucura a mais sedutora que poderemos sentir um dia!

Ah, a paixão, misto de química, sentimento e fascinação, Ah, a paixão que nos faz vulneráveis, dominados, à procura do oxigênio energizador que só a pessoa amada é capaz de fornecer.


Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 

 

Dia de Amor

                                                           

         Nesse momento quero esquecer tudo que não se refira a romantismo e alegria, olvidar as crises do país, a corrupção de pessoas que não se dão ao respeito, não lembrar nada daquilo que possa macular a doçura imensa desta data especial. Quero deixar que os eflúvios dessa canção cheguem até minha alma em concentração com carinho numa retirada poeticamente perfeita.

         Enquanto caminho, com a imaginação acelerada, o coração em festa íntima, posso apreciar essa natureza tão pujante sempre, e preparada para o apogeu de todas as estações. Enquanto o verde se mistura às cores variadas numa festa de vida e luminosidade, convido meu interior a participar desse evento.

          Continuo a andar dando graças ao Senhor absoluto do Universo que criou tanta beleza e tenho consciência do meu privilégio de estar aqui, usufruindo essa magnífica estadia nesse planeta, e principalmente vivendo-a integralmente.

          Sinto o amor em suas variadas formas e tenho um profundo respeito por esse sentimento tão poderoso que independe de pensamentos e raciocínios. Não há dia, nem hora, não há o porquê e a razão se perde em seu sinuoso e profundo existir.

         Junho é o mês do amor dos namorados, em que seus adeptos não vêem mais do que o olhar profundo daquele que o está fitando perdido em seu próprio mundo e carecendo do gesto de seu parceiro. É a época do recolhimento a dois, das expressões apaixonadas só compreendidas por quem ama. Nada é preciso senão amar.  Essa sensação por vezes considerada pueril, mas a única que permanece indelével desde os primórdios do mundo.

         Enquanto estava a refletir em todo esse mistério e o fascínio desse sentimento único capaz de absorver as pessoas e torná-las livres de interesses materiais, vi um jovem casal que se beijava. E fiquei disfarçadamente apreciando essa demonstração, a mais bela e profunda de carinho  e de paixão. Nesse momento nada existe de mais bonito e tudo em volta é pequeno e insignificante.

         E nessa hora em que nos doamos, a única verdade é a entrega mágica que se torna realidade, instantes que nunca voltarão. Poderão surgir outros, mas não esse exatamente, e daí o valor imenso de cada acontecimento ou gesto que a vida recebe de nós ou nos permite vivê-la.

        Quando observei discretamente os dois adolescentes pensei nas primeiras sensações maravilhosas que vem de um relacionamento como o amor. E como essas crianças devem curtir esses momentos sem, no entanto, talvez saber da sua grandeza. Da fortaleza que pela vida afora eles significarão. Paixão e amor em uníssono a nos transtornar, fazendo-nos viver experiências com a trepidante emoção que cada acontecimento nos traz.

         E nesses dias, parece que o sol nos ilumina e aquece com mais propriedade, revigorando as horas de uma poesia realmente necessária e deslumbrante, a gritar dentro do coração e deixar o eco de palavras cariciosas que se transformam no desejo, e no prazer finalmente realizado.

 

Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 



Despedida

Vânia Moreira Diniz


É sempre triste uma despedida,

Melancólica, tão deprimente,

A partida que se faz presente,

O olhar a perscrutar os caminhos,

Recordações profundas,

Imagens nítidas e incólumes.

 

Muito triste uma despedida,

As mãos que se apertam,

O nunca mais murmurado

Entre sorrisos saudosos,

Olhar distante a procurar o espaço,

E o abraço apertado e aconchegante.

 

Nessa despedida tenho o testemunho do sol,

Aquecendo meu corpo vibrante,

Acariciando minha alma recolhida,

Apertando meu coração em sinfonias,

Que de longe posso compassar,

É sempre muito triste uma despedida!

Vânia Moreira Diniz

 

 



Enviados Jun/2010


 



Mês de Maio

 

O mês de maio é tradicionalmente significativo. E especialmente na proximidade do segundo domingo de maio parece que tudo se reveste de um sentido especial pela comemoração do Dia das Mães.

O Espaço Ecos inserido dentro do Portal VMD também comemora com especial carinho essa data e cumprimenta a todos os escritores, poetas e leitores que desde o o seu nascimento deram apoio integral a esse site cujo lema  A literatura como instrumento de inclusão está tentando trabalhar por um mundo cheio de paz e amor entre os povos e em que os preconceitos sejam banidos.

Desejo cumprimentar todas as mães incluindo aquelas que perderam seus filhos prematuramente ou estão sofrendo nesse universo conturbado e violento.

Desde o ano passado a natureza está enfurecida causando danos muitas pessoas que sofreram diretamente com as consequências de terremotos, chuvas e devastação o que nos faz ainda mais pensar nas mães que sofreram com o resultado de tantas catástrofes.

Precisamos nesse momento difícil, ter mais consciência que precisamos batalhar pela preservação do nosso solo e também reinvindicar espaços mais seguros para a nossa população carente para que possam viver com dignidade e assegurar às suas famílias um lugar aconchegante e seguro.

Todos nós merecemos uma vida digna e com o essencial necessário para que a miséria não leve as pessoas para lugares perigosos onde qualquer chuva mais forte pode derrubar as casas ali construídas e é desesperador presenciar isso tudo com seres humanos, nossos irmãos de caminhada.

Desejo dizer a todos os escritores e poetas que o Espaço Ecos agradece sensibilizado a dedicação, carinho, sensibilidade com que brindam suas colunas e espaços e declaro nossa admiração e alegria pelo brilhantismo com que enriquecem esse site com seu talento maravilhoso.

Mas nesse texto desejo especialmente cumprimentar às mães, que são a base sólida para que  o planeta consiga realmente a estabilidade imprescindível para que continuemos a sonhar com uma humanidade feliz.

Nascemos sim para construir uma vida feliz, mesmo porque a existência nesse mundo é demasiadamente curta. Precisamos usufruir inteiramente os momentos afortunados que vivemos e curtir o amor, a presença das pessoas que amamos e deixar um exemplo de sabedoria e estabilidade para os nossos descendentes.

E é justamente na figura de nossas mães que conseguimos forças e o exemplo absoluto para transitarmos nessa estrada cujo horizonte imenso e belo aprendemos a confiar .

Parabéns ao Dia das Mães, o mais comemorado em sua sublimidade.



Vânia Moreira Diniz

 


 

 



Generosidade

 

Acho que não há sensação mais agradável do que sentirmos a alegria de ajudar alguém ou deixar passar uma indelicadeza. É a certeza da vida tão curta que não merece descargas nervosas, respostas duras e não vamos encontrá-la nem sempre nos primeiros anos de vida. É justamente quando o mundo nos ensina e de forma mais contundente que ela aparece. Mas claro que é difícil essa prática.

Alguém que eu muito amei na minha infância falou-me sobre essa verdade. Às vezes parece que é superioridade magoar ou tocar no ponto mais sensível de um companheiro. Mas isso na verdade é insegurança, frieza provinda de traumas  ou  mágoas não ultrapassadas.

Não estou falando da indiferença que pode ser uma forte arma para ferir alguém. E uma arma traiçoeira, ignóbil e covarde. Estou falando da generosidade mesmo, essa que é talvez a mais difícil atitude da vida, em momentos específicos. E quando não usada em certas horas, pode machucar tanto que não há cicatrização possível.

Tenho conhecido pessoas cheias de munificência, mas não posso esquecer de alguém especial cuja generosidade transformou minha vida num vale de esperanças e muita alegria. Ele sabia avaliar as piores situações, olhar para as pessoas levando-as a entender o quanto aqueles olhos eram capazes. Não se tratava de paixão nem amor. Mas presenciei várias vezes a sua suavidade em ocasiões diversas, seu sorriso iluminava todo o ambiente em que vivia.

Paulo era ator e uma vez fui testemunha de sua grandeza d’alma com alguém de talento medíocre, louvando e divulgando de forma tão superlativa o trabalho do amigo, que por sinal costumava ser acre com ele, que Marcos conseguiu afinal ser reconhecido.

Fui testemunha de vários atos de generosidade em que praticamente se anulava para favorecer outra pessoa. Nunca esquecerei que Paulo foi para mim sempre o símbolo da verdadeira generosidade.

Era tão feliz, animado e entusiasta nas piores situações, mesmo quando sentia a dureza de uma palavra injusta e passei a sentir os reflexos de luz que ele irradiava.

Nunca o vi deixar de acompanhar alguém que estivesse precisando de uma palavra ou de um sorriso e sua bondade era o maior dom que facilitava o fantástico talento que possuía.

Quanto às críticas jamais senti ninguém que a recebesse com tão bom humor, enquanto por vezes concordava com o que diziam. Não é que Paulo fosse um santo, mas particularmente na generosidade com que brindava o mundo, sei o quanto me lembrarei eternamente  desse exemplo espontâneo e carismático.

Só o vi uma vez revoltado, quando alguém que ele conhecia foi capaz de humilhar um colega de trabalho ainda inexperiente e que se sentia impotente. Nunca pensei que pudesse ver raiva em seus olhos, e só sossegou depois de presenciar as desculpas do ofensor, mas sei que  custava também a perdoar qualquer covardia que presenciasse.

Paulo foi um exemplo para todas as pessoas que conviveram com ele e independente de sua competência e talento possuía o mais nobre sentimento que permeia entre outros, mas que em certas situações é superior a todos porque engloba beleza, amor, ternura, caráter e humanidade:a Generosidade


Vânia Moreira Diniz



 

 



Duas Vertentes


A indiferença está tão grande acrescida sempre da violência em todos os setores da vida que nos perguntamos o porquê  de muitas comemorações hipócritas ou palavras doces que rodeiam as pessoas entre si. A verdade dificilmente se apresenta com suas cores naturais e a singeleza com que vemos a dor e os sofrimentos de outras pessoas é simplesmente patética.

Agora que a tecnologia tomou conta de tudo e deveria ser um ponto positivo e atuante,  sentimos até virtualmente esse cruel egocentrismo, mesmo com as delicadezas e as flores que de instante a instante se jogam em grupos e nos e-mails. Isso é fácil quando não precisamos nos esforçar para dar ao outro o carinho e aconchego que deveria ser tão simples no ser humano.

Adoro a informática, mas lamento que ela esteja servindo na maioria das vezes para acirrar o egoísmo, a centralização única nos próprios trabalhos, esquecendo que é dando que se recebe e incentivando na criança e no jovem  a insensibilidade quando se trata de seu próximo.

Ao mesmo tempo sou verdadeiramente fascinada pela tecnologia que em poucos segundos nos leva a países e continentes distantes e nos dá chances incríveis em todos os tipos de assuntos, estudos ou pesquisas. Um texto que preparávamos  numa longa vigília, jogando papéis fora e tendo um trabalho ilimitado atualmente é um passe de mágica, fascínio que nos encanta e economiza horas e horas de trabalho.

A internet então nem se fala, com toda a sedução de explorar o universo no exato momento que desejamos.  E a fatal indiferença me parece mais evidente principalmente pela assiduidade com que nos deparamos com misérias e dores alheias aumentadas a cada dia que passa, lamentavelmente.

Sinto que muitas pessoas sentem uma solidão gerada talvez pelo frio contato do computador sem o efusivo aperto de mãos, olhos nos olhos e o aquecimento do abraço confortador. Isso porque a maioria se isola apenas num mundo frio e mesmo assim, sente a distância até das palavras porque o e-mail é em sua maioria algo frio e impessoal.

Devemos, no entanto, valorizar o que o computador e a internet podem nos trazer de felicidade. Há algum tempo encontrei uma amiga de longos anos. Nós nos distanciamos pela própria vida e porque seguimos caminhos diferentes, ela foi morar e casou na Alemanha. Quando me escreveu depois de me localizar na Usina de letras a alegria transbordou e prometemos que jamais deixaríamos a distância se interpor entre nós e nossa terna amizade fraternal. Vania é minha xará, amiga, confidente, voltamos a nos encontrar várias vezes e estamos até fazendo trabalho juntas. Nossas famílias se conhecem bem. Foi realmente uma alegria.

A vida tem sempre duas vertentes, por isso nos momentos atuais em que estamos presenciando os acontecimentos mundiais que nos trazem tristeza e perplexidade, precisamos ter esperanças  acompanhando  cada passo do que está acontecendo em nosso país e sabendo discernir para não errar na hora crucial do voto consciente.

Duas vertentes também para nós, utilizando a proximidade da tecnologia para não transformá-la em um abismo de impassibilidade, mas aproveitando para nos unir, mesmo porque a vida é infinitamente curta. Procurarei transformar a minha reflexão num conteúdo de verdade para mim mesma.


Vânia Moreira Diniz



 

 



Felicidade, amor e Fantasias.

 

Enquanto voava em direção ao Rio de Janeiro  e como muitas vezes aconteceu aproveitei para deixar que meus pensamentos corressem velozmente fazendo uma regressão em toda a minha vida. O vôo agradável e estável faz com que  sejam mais fascinantes as recordações e os sonhos  em direção ao futuro. E dessa vez além dos contrastes  evidentes havia minha gratidão maior pela vida  e compreensão plena de sua generosidade.

Lembrei-me também que por isso mesmo a minha responsabilidade era muito grande e quase se me deparou aos olhos certa passagem do evangelho que há muito não lia, mas me lembrava os tempos de minha adolescência.

Estava chegando ao Rio, e podia ver os recortes de minha cidade, entendia plenamente o que significava o beijo ao solo da terra que amamos. Aproveitava para enaltecer o criador do ser humano que fora capaz de elaborar até a individualidade dos pensamentos em seus detalhes, o que sempre admirei plenamente: Privacidade que pode existir nos sentimentos e em  tudo que o cérebro cria.

Fechei os olhos por um momento lembrando-me que chegava ao Rio para o lançamento dos meus livros e que muitas outras vezes viera por motivos tristes como a morte de meu pai e então pedi que ele me protegesse aproveitando para recordar muitos momentos  afetivos, a doçura de seus gestos e a segurança que encontrava em sua presença.Também imaginei que ele estava a meu lado no seu jeito característico e sorrindo plenamente pelas minhas realizações. E eu lhe agradecia docemente.

Tudo parecia suave e cheio de paz, meu coração aquecido e nada do que eu passara de negativo se comparava a tantas misérias que o mundo impõe. Era isso que ele me ensinara durante toda a minha vida e era assim que eu pretendia continuar a viver, tentando aperfeiçoar cada um de meus traços de personalidade. Sabia o quanto de força eu precisaria para isso, mas tentaria, pelo menos tentaria. Tinha consciência de minhas  grandes imperfeições, mas era para isso que estava aqui nesse planeta Para redimir ao máximo os meus erros.

Agradecia o momento  que eu estava vivendo,  a realização de sonhos sobrevoando minha existência desde pequenina, a vontade indomável de escrever, a angústia quando não podia fazê-lo na hora exata, a compulsividade de passar para o papel todo o universo, natureza, sentimentos, dores, alegrias  e o ser humano que eu admirava tanto.

Sabia que não merecia tantas alegrias, mas a munificência de um ser poderoso estava acima  de tudo e me doara plenamente a alegria que transbordava em meu coração. Sendo assim eu ia vivê-la em sua plenitude e curtir o carinho da família, a compreensão dos amigos, a ternura das pessoas à minha volta e a concretização de meus sonhos. Libertava minha alma,  o riso pleno, a luminosidade refletindo meu coração encantado naquele trecho do caminho.

E quando o avião aterrissou,  continuei sentada, enquanto os outros passageiros se levantavam pressurosos e eu procurava imaginar o que cada um deles esperava da vida. Se eram felizes ou determinados, sonhadores ou objetivos e novamente minha imaginação navegou em fantasias longínquas e fascinantes esperando que se cumprisse o principal objetivo da vida: felicidade e amor para todos.

 

Vânia Moreira Diniz  





Enviados Maio/2010







Vamos Nos Dar  As Mãos Novamente?

Por Vânia Moreira Diniz



Desejaria dar as mãos a todas as pessoas que estão sofrendo no meu Rio de Janeiro, minha terra natal da qual estou distante neste momento  e  que está passando por dores e calamidades.

Todos os anos ao ver o espetáculo doloroso dessas chuvas que causam tantos problemas principalmente às famílias pobres em todo o Brasil  imploramos que as autoridades se sensibilizem  não apenas falando mas principalmente fazendo um trabalho de prevenção. Do ano passado para cá vários estados passaram por tormentos assim.

Claro que as famílias resistem de sair de suas casinhas e quem não resistiria sabendo que ficarão ao desalento ou no máximo irão para abrigos enquanto não encontram outra solução? E que solução?

A atuação do governo deveria ocorrer ainda na seca assegurando espaços para que essas pessoas fizessem suas casas e até ajudando nas construções. Longe de encostas, longe de rios e procurando organizar uma campanha de esclarecimento ao povo para que não joguem nada na rua para que esses lixos não entupam os bueiros e os rios não transbordem com os detritos que se acumulam lá.

Como foi dito pelo Escritor Raymundo de monte Arraes, meu avô, em seu Livro Cidadão de Dois Mundos edição, que “o problema do Brasil não decorre da deficiência do seu meio físico, pois riquezas, se não as temos no limite admitido pela fantasia de muitos, temô-las, no entanto, suficientemente, para, uma vez exploradas com inteligência e técnica, transformá-las em mananciais geradores de bem estar e de grandeza geral.”

Claro que a copa do mundo é importante para o país, mas não mais do que vidas humanas e por isso o principal agora é pensar nessas pessoas que estão sofrendo e perdendo em desespero seus entes queridos. Quando conseguirmos dar apoio e salvar o máximo de vidas, pensaremos na copa. Mas agora se trata de gente, gente como nós que estão ficando soterrados, feridos ou perdendo a vida.

Não podemos deixar que isso se torne um espetáculo de cinema como filme de suspense, onde esperamos cada cena e,  apenas ansiosos, o final. O que estamos passando, o que neste momento o Rio de Janeiro está sofrendo não é ficção, mas uma triste, nua e infeliz realidade.

Precisamos hastear uma bandeira também para que isso não mais suceda nessas proporções como também para muitos outros fatos que estão torturando  não só nosso povo brasileiro, porém toda a humanidade.

Para prever as chuvas os especialistas precisavam de um equipamento que não existe no Brasil e quem sabe diminuindo as despesas de excessivo conforto dos órgãos públicos em todos os poderes e esferas não poderíamos comprá-la? Elas são mais necessárias que viagens ou  gastos que não são imprescindíveis.

Vamos nos dar as  mãos e compreender que só com a união verdadeira conseguiremos minorar os desastres, provenientes da natureza sim, mas com uma prevenção eficaz e sistemática.

Não é possível assistir tanta agonia e permanecermos inertes ou simplesmente assistindo emocionados esses espetáculos macabros.

 Precisamos mais uma vez nos dar as mãos por que tenho convicção absoluta que só a solidariedade é capaz de minorar acontecimentos como este e juntos poderemos pelo menos suavizar tanta dor.

A vida é finita, vamos lutar por ela  e entender que a indiferença só pode nos trazer uma sensação de impotência e depressão profundas?

Estamos aqui estreitamente ligados pelas intempéries e percalços e nessa hora a única coisa que aliviará  esses sentimentos é nos unirmos e procurar entender que precisamos reinvindicar direitos, principalmente no que concerne à segurança e ao mínimo direito à dignidade da vida.

Vamos nos dar novamente as mãos? Vamos dar às mãos aos nossos irmãos do nosso belo Rio de Janeiro que está precisando de nosso carinho e apoio? Vamos pedir, implorar, insistir, acompanhar, exigir, ficar atentos aos mínimos desastres e estender nossas mãos forte e carinhosamente para todos que passam por esses desastres terríveis.




 





Ah, A Saudade, que Saudade...
Por Vânia Moreira Diniz



Estou aqui, trabalhando, procurando aprofundar-me nas experiências que me rodeiam,  aprendendo cada vez mais e a saudade provoca uma ferida de enormes dimensões. Procuro tratá-la, coloco o remédio adequado, alegro-me com as experiências que me levarão sempre a lutar por um mundo melhor, mas a dor é muito funda.

Lágrimas descem indiscriminadamente e não consigo nem tento detê-las, pois  aliviam nesse momento difícil em que me encontro. Enxugo-as e continuo independente da dor que um dia suavizará ficando a saudade, pois essa é eterna.

Caminho suavemente carregando minhas lembranças, consciente que só eu devo e posso dominar minha angústia, não querendo incomodar nem preocupar  ninguém. Só nós mesmos sabemos o jeitinho de administrar tudo que se passa dentro de nós.

A força vem do interior de nossas almas e o trabalho, a ternura com nosso próximo são as soluções eficazes que me farão um dia estar mais livre e menos presa às aflições.

Revejo o mar cujas águas me batizaram desde muito pequena, as conversas ao redor dele e as silenciosas reflexões quando mirava as ondas que vinham molhar meu corpo,dando a sensação de paz e quietude, regando sentimentos e lembrando-me que elas estariam lá eternamente mesmo quando qualquer dissabor viesse alterar o ritmo de minha vida.

Olho o céu tão azul. O sol que atravessa meus olhos com sua luminosidade intensa e procuro sorrir recordando cenas que me envolveram,  chego bem perto de mim própria abraçando-me para sentir um pouco minha mãe.

Lembro-me de cenas tão vívidas que me dão quase a impressão de serem reais nesse momento, como se estivesse vivendo cada segundo numa misteriosa regressão.

E aí vem o consolo, um pouco de alívio, a certeza do amanhã, do reencontro, da esperança que não se desfaz, do seu sorriso  e de suas mãos que me transmitiam segurança, de seu olhar profundo e expressivo que revelavam o que ia dentro de seu coração.

Viajo entre meus sonhos, as nuvens parecendo flocos de algodão, longe de sentimentos que não sejam encantamento e amor, voando com amplidão por entre espaços de liberdade, procurando na natureza que aprecio o momento de placidez e compreensão.

Penso nas pessoas que eu amo no afago dos que me querem bem, na doçura dos amigos verdadeiros, nas palavras que me são ditas e vejo que estou acompanhada da solidariedade plena.

Continuo minha viagem, experimento o riso que transcende qualquer sensação, agradeço a esse mundo que me abrigou e indago o que faço com tanta saudade.De longe as plantas, flores, pássaros coloridos  acenam-me transmitindo que a suavidade um dia amainará esse sentimento tornando-o mais suportável e transformando-o em mais uma experiência que amadurecerá com  ênfase meu coração.

Recordo-me suavemente das lágrimas de minha mãe quando depois de uma temporada no Rio eu voltava para meus afazeres na capital e as lágrimas quando a distância mesmo por períodos não muito grandes nos separava.

Sei que agora não há distância para ela e que se encontra no espaço de muito fulgor onde pode ver-me com precisão.

Mas a minha saudade... Ah saudade!

Continuo o caminho convicta que preciso andar mais celeremente olhar para meus irmãos de caminhada e prosseguir o trabalho que elegi sendo vigorosa em qualquer momento e regando com cuidado a semente para que frutifique.

Vamos... Vamos continuar e só assim meu coração se acalmará.




 





Bondade
Por Vânia Moreira Diniz



Muitas vezes ficamos estarrecidos com algumas cenas que presenciamos e até porque fazemos uma censura interior e quedamo-nos descrentes de que o ser humano seja capaz de atos frios, indiferentes e até hostis. Quando assistimos ainda mais à violência apavorante que toma conta da humanidade como uma praga é difícil conter o medo do futuro e a descrença que passa a nos envolver como um manto de incredulidade e horror. O mais dramático é a incompreensão desses traumatizantes impulsos oriundos de seres que possuem sentimentos e emoções. Chegamos até a pensar que os animais irracionais são mais lógicos em sua fúria porque só matam ou trucidam quando violentados em algum instinto. E isso porque são irracionais.

À medida que o tempo passa e a tecnologia que tanto amamos se desenvolve enxergamos mais profundamente a exposição de casos tornando-nos capazes de envergonhar-nos de pertencer à raça humana.

Isso são acontecimentos extremos. De pessoas doentes, neuróticas e que carregam dentro de si alguma patologia psíquica. Não os estou perdoando, mas querendo dizer que nós mesmos sem chegarmos a nenhum extremo por vezes agimos incoerentemente num momento difícil do nosso próximo só pelo fato de não lhe dar a atenção que ele precisa. Em certas fases da vida é muito importante um simples sorriso ou uma palavra amiga e calorosa.

E se fiz esse preâmbulo foi para abordar o tema da bondade. É dela que preciso falar e com ela que fiquei encantada ao presenciar exemplos maravilhosos de suavidade e desprendimento. Não há nada mais enternecedor que um gesto de solidariedade, que além de emocionar pode salvar.
Bondade é um gesto ameno num momento difícil: O carinho quando se está carente, a suavidade no desespero, o sorriso na desesperança, uma palavra quando a alma está silenciosa e vazia. Bondade é o olhar que conforta, a alegria que estimula, e a certeza da presença na hora da dor. E também o compartilhamento na felicidade alheia.

No caminho da minha vida tenho encontrado mais bondade do que indiferença ou frieza. Em todos os instantes aflitivos ou nas dificuldades variadas deparei-me sempre com alguém a me estender a mão  num aceno comovedor. E também o dia-a-dia sensibiliza-me com o as atitudes que pessoas que às vezes nem conheço são capazes de demonstrar.

Acho que a tendência instintiva e verdadeira do ser humano é a benevolência, certamente!
Essa tendência, entretanto devia ser enfatizada e enaltecida desde a mais tenra idade.E rigorosamente ressaltada como um sentimento essencial para a verdadeira felicidade. Nada nos poderá fazer afortunados sabendo que existem pessoas sofrendo e que um ato nosso poderia amenizar. 

Portanto a bondade é condição essencial para uma estrada mais livre de percalços cujos companheiros de caminhada  serão sempre nossos parceiros na luta por uma existência melhor, fecunda e afortunada pela extensão e profundidade de nossa vida interior.

Jamais conheci riqueza maior do que conseguir se aliar ao próximo nessa busca de sensações enobrecedoras o que no mais profundo de nós mesmos almejamos como meta essencial da verdadeira prosperidade.




 





Silêncio
Vânia Moreira Diniz

 

A criança aqui, o sofrimento ali.

Humanidade tão indiferente,

As palavras não são ditas,

E tudo continua naturalmente.

 

Qual a razão desse silêncio,

Cada um para si vivendo,

E não há nenhum remédio,

Para a dor do sentimento.

 

A solidão dos seres humanos,

Que já em nada acreditam,

Tantos, tantos sofrimentos,

E os dias que se arrastam.

 

Vejo o céu a brilhar azul,

Só a natureza se ergue e reage,

E sentimos que nada transborde,

de um coração triste e indiferente.

 

O ego parece a única verdade,

Tão fria e áspera como o metal.

Disputa sem amor nem suavidade,

Arma cruel, subjetiva e letal.






Enviados Abril/2010





 A Importância do Orientador Educacional.
Vânia Moreira Diniz

Mais do que nunca a educação é a base de uma vida construtiva. Sem ela a desesperança que domina atualmente o mundo estaria sobrepujando  qualquer meta para um caminho digna e com qualidade.

A própria designação da função originou-se da necessidade do atendimento de dois grandes objetivos:

A orientação propriamente dita
e a preocupação com a qualidade do ensino e do material instrucional adequado a cada etapa.

Partindo daí não é difícil chegar à conclusão de como o orientador educacional exerce uma função importante, fundamental desde a integração entre alunos, escola e professores até a orientação para os pais no sentido de uma total harmonia e entendimento.

As escolas públicas de um modo geral recebem alunos  de famílias que não tiveram a oportunidade de participar efetivamente de um processo de aprendizado formal.

A Orientação Educacional neste momento  é um grande pilar , sendo muitas vezes um elo entre essas famílias e a escola. Não se admite numa escola pública, que deve buscar a qualidade de ensino, que  comprometa seus objetivos com a falta desta função primordial  ao ensino-aprendizagem.

Claro que para isso o orientador não poderá ter um número ilimitado de alunos sob sua supervisão porque isso diminuiria o rendimento de seu trabalho e tornaria suas metas ou objetivos inatingíveis.

Em qualquer colégio a importância de ter um número adequado de orientadores é primordial sem o que não haverá qualidade de ensino porque é uma atividade contínua e complementar que atua em todos os aspectos da educação :físico, moral, intelectual, ético, psicológico e congraçando harmoniosamente todos aqueles que estão ligados nesse trabalho.

Nesse projeto até mesmo os hábitos  concorrem para que o orientador precise estar atento e preocupado não só no ensino propriamente dito como também no dia a dia de cada aluno com a ajuda efetiva dos pais por intermédio do orientador.

Sem esse técnico  que exerce um papel tão profícuo a educação não atingiria suas metas, e a luta por um mundo melhor seria totalmente ineficaz.

A educação começa dentro de casa com a família e se desenvolve nos primeiros anos de  orientação escolar e continuará para sempre, se quisermos acompanhar a modernidade e a atualização de nossos conhecimentos mas sem o orientador durante a fase colegial não conseguiríamos influenciar as pessoas e torná-los capazes de entender sua importância.

Daí a responsabilidade dos diretores  trazendo profissionais em número suficientes e gabaritados para exercer essa função



Vânia Moreira Diniz 
16-03-2010



 

 



Jardim Botânico
Vânia Moreira Diniz

 

Jardim Botânico, bem distante,

Lá no bairro da primeira infância,

Lindo,verde, majestoso, gigante,

Manso e suavemente lembrado,

No encanto daquele instante.

 

Nunca mais voltarei no tempo,

Nunca mais serei aquela menina,

Nunca mais lembrarei pequenina,

Das brincadeiras gentis do momento.

Nunca mais... Nunca mais...

 

Nunca mais verei Maria Amélia,

Babá acolhedora e carinhosa,

Que enfeitava a garota manhosa,

Trançava seus cabelos e sorria

Com a ternura  de todo dia.

Nunca mais...

 

Nunca mais  serei descomprometida,

De deveres e responsabilidades,

Ou olharei  a vida cheia de facilidades

Época distante, existência partida,

Pedaços confusos e diferentes.

Nunca mais...

 

Nunca mais, os amigos distantes,

A volta gostosa nos patins ligeiros,

As bicicletas com pequenos passageiros,

Cantigas de roda, pares constantes,

Ecos de gritaria infantil e retumbante.

Nunca mais...

 

Nunca mais o querido jardim Botânico,

Proporcionará momentos de tanto encanto,

Contexto extremamente feliz e mágico,

Tempo inesquecível, doce e magnífico,

Conduzindo ao incrível passado  fantástico.

Nunca mais...

 

 Nunca mais brincarei na areia,

Acreditando no bondoso papai noel 

 Em histórias sussurradas  de sereia,

Ou pedirei para comprar pão de mel,

De mãos dadas com a boa Maria Amélia.

Maria Amélia Cheia de graça, brejeirice e poesia.

Nunca mais... Meu jardim Botânico...

Nunca mais...


Vânia Moreira Diniz 
16-03-2010 




 



Razão de Viver
Vânia Moreira Diniz

 

Novamente de meu ponto principal, onde costumo apreciar, curtir e agradecer a Deus o presente de nossa hospedagem nesse mundo observo o quanto a natureza está bonita neste dia intensamente frio.

Parece-me mesmo que habito o Jardim do Éden, o paraíso de delícias, amor, prazer, felicidade e carinho entre todas as pessoas. Isso porque nesse momento entendo o quanto cada instante de nossas vidas é importante nesse caminhar que fazemos por este planeta belíssimo.

Ontem à noite estive em uma festa em que se reuniam pessoas maravilhosas, mas cuja missão é árdua. Nós, seres comuns, ficamos impressionados com a grandeza e generosidade que nos circundava.

Enquanto a violência campeia, a indiferença horripila, o amor diminui testemunhado em diversos acontecimentos de barbárie e dor, o momento que vivi ontem foi de paz absoluta.

Pessoas com deficiências físicas e condições biológicas diferentes estavam ali acompanhadas de seus pais e familiares, um espetáculo de solidariedade, ternura, altruísmo que me comoveu até às lágrimas e como eles me ensinam a amar a vida em todos os seus aspectos. A sorrir verdadeiramente com o brilho no olhar e a consciência da verdadeira alegria.

Como me senti pequena e egoísta enquanto via uma família ao redor de uma jovem cadeirante em cujo rosto bonito captei extremo bem estar. E conversando com seus pais, entendi mais perfeitamente o quanto é importante nossa missão nesta terra. Além disso, a moça ainda precisava fazer um transplante.

 Eu olhava totalmente eletrizada aquele casal cuja tranqüilidade me fascinou. Eles tinham fé na vida, nas pessoas, neles mesmos e sem nenhuma autopiedade compareciam a um dia de alegria com o sorriso nos lábios e dispostos a enfrentar o futuro com segurança.

Depois me aproximei de uma jovem cujo oxigênio demorara a chegar até seus pulmões ao nascer e que por isso era intitulada de “diferente”. Mas como era diferente com sua espontaneidade, sinceridade e o encanto que transmitia a cada um de nós.  

Cada pessoa ali presente tinha uma história enriquecedora para narrar e no meio da música que tocava  fui compreendendo o quanto o céu, as estrelas e o horizonte eram apenas pedaços da beleza exuberante deste planeta habitado por tanta gente maravilhosa.

Chorei e ri como se nesse misto de emoções fosse mais fácil expressar o encantamento e a sabedoria que se passava ali e aprender lições verdadeiras de coragem e heroísmo.

Fui dormir com a sensação de um mundo deveras insinuante e lindo não apenas cercado de truculência que vemos nas ruas de cada cidade, mas da bondade que perscrutei em cada pessoa presente nessa festa não apenas ruidosa, porém deslumbrante porque consegui apreciar através dos rostos a alma de cada um, tão brilhante e luminosa que quase doía nos olhos.

Tudo isso não é uma ficção ou produto de um momento de inspiração, mas algo que vivi e amei profundamente e onde em poucas horas absorvi sensações que não pude sentir em anos de vida e observação.

Não era uma simples alegria que sentia nas pessoas que se reuniam naquele salão, mas

Felicidade de dentro para fora e pelo sentir profundo e verdadeiro onde se misturavam exterior e interior e se mesclavam nas mesmas sensações que procuramos todos os dias.

Trago essa experiência porque gostaria que cada um de nós pudéssemos viver intensamente cada minuto de nossas existências com a mesma intensidade que presenciei ontem e que ficará marcada indelevelmente em meu coração.



Vânia Moreira Diniz
16-03-2010




 

 

Enviados Mar/2010





Crônica

A Estrela

            Ela sempre me acompanhou com seu forte e viçoso brilho. Quando era pequena entendia meus sonhos e minhas lágrimas. À medida que fui crescendo conversávamos e seu brilho sempre me ofuscou fazendo com que me sentisse aureolada  por uma luz brilhante. Uma luz que não deixava obscurecer as partes mais íntimas do meu coração. Nem nos momentos de dor. Cintilava em minha direção, trazendo energia e calor e transmitindo-me força e coragem.         

A minha estrela, imutável em beleza, fascinante em seu mistério exuberante, cujo fulgor jamais diminuiu, confiante e faceira a passear pelo azul do céu  e encantar a todos que lhe contemplam infiltra muita paz em minha alma. E deixa que seu brilho opere uma metamorfose de confiança e fé nos momentos difíceis.
      
  Nos momentos alegres e de felicidade indescritíveis quando a vida surpreende com seu poder de suavidade e amor ela está como aliada fervorosa e presente, incentivando-me e embora distante na impressão visual protegendo-me e maravilhando-me com  sua  gentil soberania.
       
  Enxergo da janela seu apogeu e deitada procuro-a  agora como em todos os momentos atraída pela claridade que circula em reflexos prateados e ilumina não só o aposento terreno como todos os cantos da minha alma fortificando-a .

Posso entender que sua missão jamais acabará e então em prece suplico que ela permaneça ali,encantadoramente deslumbrante enquanto caminho por sendas inexploradas confiando plenamente  em sua proteção  inspiradora.



Vânia Moreira Diniz


 

 




PROSA POÉTICA

Urgência
Vânia Moreira Diniz


        
             Tenho urgência de escrever. Uma urgência angustiante. Preciso sempre escrever mais. Como se sem isso me faltasse oxigênio, ou não pudesse me perpetuar.
              Quando era ainda garota minha mãe dizia, que eu parecia querer realizar tudo  rapidamente como se não existisse o amanhã.  E era mais ou menos isso. As mães se não concordam, pelo menos tem a percepção da alma do filho. E imagino que tenha sido isso que aconteceu com ela.
          Atualmente continuo na mesma corrida contra o tempo e mais precisamente ultimamente, como se necessitasse concretizar todos os meus sonhos num passe de mágica. Num abrir rápido e profundo de olhos. No perpassar da borboleta azul e maravilhosa, a me indicar um caminho encantado e desconhecido. A mostrar uma paisagem já não tão familiar, mas igualmente aberta e maravilhosa. A me indicar simultaneamente dois sentidos no novo caminhar de luz e uma escuridão generosa contrastante e, no entanto poderosamente soberana.
          Sinto urgência em derramar minha alma em flocos de poesia e fascinante ternura, e ser entendida nos menores sentimentos expulsos num momento de explosão inspirada e deliciosa. Urgência em divagar cada vez mais e com os olhos da emoção plena e verdadeira. Sentindo em cada expressão, minha alma que se deleita na esperança de todas as sensações. 
           Principalmente sinto urgência de escrever muito e cada vez mais, o que couber no espaço do meu tempo, dissecar o ínfimo de cada sensação, transformando as lágrimas em sorrisos e espalhando o amor generoso nas palavras, dissertando sobre cada prazer sentido com volúpia e do amor experimentado como doce néctar. De misturar num só passo, alegrias e tristezas, choro e gargalhadas, transformando-os no viver contínuo e desejado.
           Tenho urgência de espalhar as letras, formar palavras e transformá-las em esperança, vida, amor, sentimento, carícia, deleite, perdão, carinho  no paraíso inconsciente da nossa inusitada sensibilidade. Tenho pressa, muita pressa de escrever cada vez mais o que me desfila pelos olhos em devaneios, e o que se concentra no espírito, discreto e contrastantemente delirante.
           Tenho uma urgência voraz de escrever  sempre mais, como se pudesse gozar nesse momento em eterno orgasmo a simbiose do corpo e alma entrelaçados em orgia literária. E conseguisse extrair deles a  seiva da  vida que se extingue lenta e caprichosamente sem ânsias ou tormentos porém progressivamente em intervalos cada vez mais curtos.
            Preciso escrever, desejar, sentir, usufruir, ajudar, atender, socorrer, aspirar o ar e me aquecer ao sol, fechar os olhos brincando nas ondas espumentas e grossas, belas e inspiradoras. Preciso andar pela areia branca e sentir sua maciez, apreciar a natureza e amar cada vez mais.  Preciso escrever, preciso viver enquanto puder. Tenho urgência  de escrever  cada vez mais...



 



Confeitaria Colombo

Vânia Moreira Diniz


Nada me dava tanto prazer e alegria,
Ao sentir o aroma e apreciar o movimento
Nos tempos áureos de minha infância
Do que o fascínio da Confeitaria Colombo

Tudo aquilo era deslumbramento ao redor,
Em cada canto apreciava as mesas elegantes,
Já sabia o cardápio inteiramente de cor,
E os rostos animados e muito sorridentes.

Aquele prazer sonoro que eu não definia,
Em cada canto histórias e intensidade,
Que mesmo em sonhos nem parece verdade.

Hoje ao entrar na imponente confeitaria
Sinto a presença das lembranças sedutoras,
E me envolvo nas recordações as mais caras.

 

 



Eu chorei, chorei
De Vânia Moreira Diniz
Em terno AGRADECIMENTO à Vica Além Mar,
Minha amiga, minha irmã.

Eu Chorei, chorei,
De emoção, ternura e reconhecimento,
De lágrimas que purificaram meu coração,
Numa amizade longa, profunda e verdadeira,
De um mundo pacífico, bondoso e ameno.

Eu chorei, chorei,
Ao sentir o carinho e parceria expressos,
Cada linha a sugerir bondade em cada passo,
Recordando-me momentos difíceis e belos,
Que ultrapassamos no riso e no pranto.

Eu chorei, chorei,
Ao sentir os anos que tinham  velozmente corrido,
Os cognomes com que tínhamos nos batizado,
Em momentos de confidências e ternos desabafos,
Ao sentir a empatia que liderou nosso convívio.

Eu chorei, chorei,
Ao lembrar-me da literatura  que ambas amamos,
Dos silêncios ou palavras no virtual diálogo,
A força que nos unia em instantes trágicos,
E que nos fazia caminhar, as lágrimas enxugando.

Eu chorei, chorei,
Na alegria que se manifestava no soerguimento,
Na poesia que emanava tão naturalmente,
Da prosa literária que nos fazia esquecer os prantos
e poder descrever a vida tão espontaneamente.

Eu chorei, chorei,
Ao lembrar-me das vitórias, cada palavra saboreando,
Da luz da literatura que nos uniu e lembrou
Que vivemos cada minuto em fiel afeto comemorando,
E deixando que as lágrimas desçam  celebrando,
Alegria, amor, amizade, união coração unidos e felizes.

Obrigada com lágrimas, muito sorriso, emoção e sem
Palavras com o peito apertado em muito carinho,
Obrigada! Oh Deus me sugira a mais forte palavra
Para que eu possa expressar a minha felicidade.
 
Eu chorei, chorei, eu sorri, sorri
De felicidade e de ventura, lágrimas e muitos risos
Eu chorei, eu sorri e lhe abraço, literatura e vida,
Eu sorri, sorri , em meio às lágrimas de felicidade.

Oh Deus me envie a palavra  para que mais possa chorar,
Rindo, rindo muito entre abraços, afeto e carinho.
Amada amiga e irmã Virgínia Além Mar
OBRIGADA!


Vânia Moreira Diniz

 

 

 

 

Enviados Fev/2010




 É aqui que estaremos...

 

Hoje me encontrei com a vida de anos que se foram, E não foi nada desagradável. Parece que nossas existências  estão sempre procurando um aprendizado sadio nem sempre árido, mas reconfortante e precioso.

Não sei se era um sonho ou se regressei às minhas origens e pude entender o sentido de muitos acontecimentos à frente com uma facilidade assustadora. Acontecimentos esses que na época talvez não entendesse.

Pisava em nuvens densas, principalmente com a leveza da inocência que tocava meu coração e sentia que a vida me proporcionara momentos de tanta felicidade que me impulsionara para a compreensão mesmo quando o conhecimento e a claridade de meus pensamentos já não tinham o sabor de momentos leves e sedutores.

Deparei no meu caminho tanta gente boa, generosa e amiga que não entendia a metamorfose ocorrida no mundo e nem exatamente a época em que  a covardia e a violência iniciaram mais profundamente seu processo degenerador.

Tudo parou ali naquele instante em que me perguntava pelos valores intrínsecos e me via em frente à épocas passadas perguntando o que esperei da estrada que estava seguindo entusiasmada e cheia de sonhos.

Os sonhos continuaram e se fazem presentes neste mesmo momento em que me encontro longe daqui sem espaço, tempo  ou lembranças objetivas. E me vejo calmamente pulando sobre ondas suaves, muito brancas, com  o corpo molhado do mar e  admirando o infinito horizonte que me parecia tão distante e promissor.

Muitos rostos , um ao lado do outro fixam meus olhos extraordinariamente pensativos e mágicos ao perceber as figuras que diminuem e aumentam com uma facilidade assustadora, enquanto meu pensamento não tem origem na profundidade das imagens coloridas e explícitas.

Cadê você? Eu me faço essa pergunta como se tivesse me duplicado em matérias e estivesse procurando captar o sentido de minha própria pergunta ao divisar bem longe o que fui um dia ou o que serei anos para frente na velocidade estupenda em que sinto o tempo passar.

E abraço a todos sentindo a ternura que agora compreendo, o carinho que não tem limite e o extravasamento do afeto que sentia, mas não era capaz de dimensionar e nesse rodopiar do sentimento minha vida se divide em milhões de pedaços, meu corpo transita inconsciente mas meu cérebro está tão lúcido que posso entender as palavras que se perdem num vasto precipício mas que eu posso alcançar com clareza.

Cadê você? Estou aqui com o mundo, na terra que aprendi a caminhar  e encontro sua imagem, gesticulo querendo envolver todas as coisas que decorreram e mesmo assim agradeço a cada minuto de certeza, de claridade dessas recordações que fazem parte do meu viver e que não me atormentam porém condensam nesse momento que estou vivendo fazendo que eu sinta o sentido do que estou passando, do que passei e do que passarei. E nesse dia divisarei a luz suavemente e viverei em cada momento que eu imaginava não mais voltar. Mas viverei, é aqui que estarei, dentro de mim mesma e de cada pessoa sem poder dimensionar o tamanho nem o espaço.

È aqui que estarei, é aqui que estaremos...

 

Vânia Moreira Diniz



 


Herança Bendita

 

Creio que nesse momento e dias de introspecção só Deus esteve comigo. Meu coração precisava do conforto e sentir que eu poderia seguir em frente certa que minha mão dada aos meus irmãos de caminhada estava sendo forte e confortadora.

Estou num trabalho que minha alma identifica desde os seis anos de idade .Mas  reconheci que para prestar socorro aos companheiros de estrada precisava inicialmente me encontrar no dia a dia e poder sentir que estava bem. Sem isso poderia atrapalhar os passos de meus irmãos o que me traria uma dor imensa e inconsolável.

Percorri estradas e andei silenciosamente pelos meandros de minha alma, apreciando a beleza da natureza que sempre amei.  Mas desta vez com um entusiasmo incomensurável  que a força da maturidade me transmitia.

Olhando sem ver, ouvindo sem escutar, andando sem sentir, contemplando sem a consciência exata que poderia conferir opiniões que no momento eu não queria dar. Desejava apenas apreciar e experimentar dentro do meu coração as batidas  fortes e vigorosas que me levariam a decisões importantes no caminhar apressado da vida.

As recordações passadas e presentes eram muitas e me via pequenina diante da magnitude do universo pleno e exuberante. Esta sensação me dava a tranqüilidade para que eu esperasse até que a onipotência do Senhor do Universo me sussurrasse as palavras que eu precisava ouvir.

As árvores que eu admirava estavam viçosas, as flores coloridas e gentis extremamente aveludadas. Os pássaros voavam em bando usufruindo a liberdade essencial e verdadeira que só eles podem sentir, sabendo que seu espaço não influi nem atrapalha a de seu companheiro.

Absorvi profundamente a verdadeira diferença existente entre o altruísmo dos componentes da natureza e o ser humano que é generosamente recebido como hóspede provisório quando sente pela primeira vez o oxigênio para que possa se manter nesse mundo que ele está galgando sem conhecer a razão intrínseca.

Nós somos tão hóspedes que precisamos de vaidades frágeis, títulos neutros e sem substância, verdades incoerentes, elogios  constantes para nos equilibrarmos quando devíamos aspirar a felicidade com a fé dos grandes vôos.

Tudo isso passava pela minha cabeça sem que eu tivesse certeza de quem me inspirava, apenas era levada por uma energia  envolvente e profunda. Uma energia tranqüilizadora e verdadeira. Como se algo tivesse amenizado as feridas e realçado o bem-estar e a felicidade que me dominavam.

Tenho certeza que aqui, neste planeta que precisamos urgentemente preservar  sem teorias e com amor, não existe o “eu” mas simplesmente o “nós” para que possamos prosseguir sem obstáculos e compreendendo que o espaço é único e vasto não importa quantos os sobrevoam.

Vim, retornei de um grande vôo e compreendi a importância da paz que sinto nesse instante e a certeza da união e da solidariedade no sentido mais amplo e verdadeiro.

Mesmo que hajam rivalidades, disputas, egoísmos, invejas, soberbas a união e paz estarão sempre mais densas e vitoriosas no caminho que estamos percorrendo e sei que aos poucos todos nós compreenderemos essa verdade que será a herança das futuras e mais conscientes gerações. Herança Bendita!

 

Vânia Moreira Diniz

 

 





Avenida Copacabana




Avenida tão querida, especial,
Que me lembra tempos idos,
No seu vigoroso manancial,
De tantos sonhos revividos.

Que me conduz a liberta fantasia,
E me chama para o tempo passado,
Convidando ao devaneio de dia
Levando ao congraçamento evocado.

Que apesar dos anos corridos,
E da lembrança distante, eu amo,
Em todos os detalhes vividos
E nesse sentimento tão caro.

Avenida que está no meu coração,
Que ouviu as minhas confidências,
Enquanto as amigas em efusão,
Viviam a juventude em evidência.

E eu sinto a efervescência,
De cada ponto tão distante,
E vejo a estranha ciência,
Que expressava constante.

Avenida Copacabana és tu
Que me viu dia a dia crescer,
Bem ali barulhenta na zona sul,
E hoje lágrimas me faz verter.

Nunca pensei de ti me separar,
Nos dias esplêndidos de outrora,
Quando tudo me fazia pensar
Que estarias presente desde aurora.

Hoje é insistente a saudade,
Que está no lugar da atração
E parece até real atrocidade,
Essa doída e tão longa separação.

Avenida Copacabana estás aí,
Vejo-te nesse tempo todo igual,
Nada diferente como dizem aqui,
Esplendorosa como te conheço e ideal.


Vânia Moreira Diniz



 


Barata Ribeiro 316

 

Casa da minha infância,
Casa querida dos anos antigos,
Casa que me viu crescer,
Com suas salas grandes e espaçosas,
Copacabana gritando lá fora,
Rua movimentada do Rio de Janeiro.

A agitação reconfortante,
os gritos infantis ,
a bola quebrando as vidraças,
o balanço que acalentava o fim do dia,
os lanches apetitosos na varanda,
a biblioteca estimulante e os livros preferidos,
o estudo vigiado e dúvidas elucidadas,
os jantares  deliciosos em conversas alternadas
e a presença  dos olhos azuis de meu pai, inteligentes ,
perspicazes, dando ensinamentos de vida.

 

Barata Ribeiro, espaço tentador
Que enchia de novidades a juventude,
de esperanças a meninada correndo em perigo,
pelas calçadas animadas,
e de expectativa os adultos , procurando atravessar
Com cuidado entre os carros velozes.

Barata Ribeiro, esquina da Rua Paula Freitas,
Que me viu crescer , entre prazeres e obrigações,
 meus irmãos enfrentando, impávidos as esquinas
inesperadas, os bares convidando ao  rebuliço e às conversas,
as vitrines atraindo  às compras , os restaurantes animados
concentrando  o pessoal  de Copacabana, as praias absorvendo
os povos de todas as categorias, os morros reunindo casas e
pessoas com o andar e sotaque carioca e a vivacidade
inigualável da Avenida Copacabana.

Barata Ribeiro, cujo portão fechado nos levava ao desejo
de liberdade quando saíamos correndo
 para os passeios e o colégio.
De manhã cedo o estudo redobrado,
 à noite as reuniões e festas repetidas.
Meu pai trabalhando no escritório, minha mãe ao telefone.
E nós pequenos, correndo escada acima e abaixo,
discutindo nossas questões,
e fingindo dormir quando alguém entrava de mansinho.

Barata Ribeiro,te vejo em cada pedaço da minha vida,
 nas alegrias que surgem , nas tristezas costumeiras,
nas divergências naturais, no amor que se manifesta,
nas pessoas que procuram diversão e ideais, e me recordo
então, que naquela época a violência era rara
 e ruas e praias de minha cidade eram curtidas
 com veemência.
Barata Ribeiro,  ficaste lá... E nós ? Onde estamos?

 

Vânia Moreira Diniz

 


 

 

Enviados Jan/2010


 


Escuridão
Vânia Moreira Diniz

Enquanto espero o natal,
Na guarida quente,
De corações que amo,
Surpreendo-me
Com a desesperança,
Com o frio e desabrigo,
Que muitos irmãos,
Sofrem na escuridão.

Luzes fortes ofuscam,
Meus claros olhos.
E quase cambaleando
De tanta luminosidade,
Penso no contraste aterrador,
De crianças a pedir auxílio,
Estendendo a sofrida mão,
Em variadas direções.

O colorido é maravilhoso
No burburinho das lindas lojas,
Oferecendo feitiços de matéria,
Que recebemos em efusão.
Ali bem perto alguém tem fome,
Não há cores, mas crepúsculo,
Não existem mimos, porém miséria,
Que passa despercebida e oculta.

Risos e barulho a todos entretêm,
Novidades que correm e divertem,
Vida que vibra em cada árvore.
Um pouco mais adiante, solidão,
Os rostos sérios e concentrados,
A pele marcada de lágrimas,
As mãos e a alma vazias,
E o olhar perdido na escuridão.


 



 


Quando o Natal se aproxima

Vânia Moreira Diniz

Quando o Natal se aproxima,

Brilhante e colorido,

A saudade machuca o coração,

No sonho já vivido.

 

Quando o Natal se aproxima,

Com tanta luz e alegria,

O tempo volta atrás

E percebemos o valor de cada dia.

 

Quando o Natal se aproxima,

Tocante e misterioso,

Recordo estranhas sensações,

E o som  melodioso.

 

Quando o Natal se aproxima,

Cada gesto ou palavra é vivência,

E os pensamentos se perpetuam,

Nos fragmentos  de tamanha ânsia.

 

Quando o Natal se aproxima,

Evocando imagens e dores,

Resguardo enfim a memória,

Em esquecimentos protetores.

 

Quando o Natal se aproxima,

Vislumbro  as diferenças,

Não entendo certas tolerâncias,

Mas me protejo nas crenças.

 

Quando o Natal se aproxima

Quisera pairar nas nuvens,

Esquecendo qualquer sofrimento,

 E me fixo em outras paisagens.

 

Quando o Natal se aproxima,

Consolido minhas concepções,

Realizando o vôo da liberdade,

Em volta das emoções.

 

 



 


Ano Velho, Ano Novo

Vânia Moreira Diniz


Não senti a pressa como que o ano velho passou, tantas e tão grandes foram os acontecimentos pessoais, contrastantes na sua maioria, entre alegres e alguns cheios de dor.


Ele caminhou comigo, sem ao menos perguntar se estava tudo bem, sorrindo entre os intervalos dos dias, entregando-me o que me competia e não perguntando pela minha reação. E eu continuei a contemplá-lo, esperançosa a agradecer a profundidade de sentimentos que fizeram do meu ano algo por vezes tão maravilhoso, que o marcava com  a regozijo dos grandes acontecimentos. E de repente vinha a borrasca derrubando as estruturas  fazendo com que sonhasse outros períodos, imaginando-me longe daquele ano que começava a carregar o peso dos dias inexoráveis.


Realizações profissionais, mudanças radicais, conhecimento, entre meus textos em prosa e verso, a minha literatura, e a presença de sonhos e ideais.


Ano de profundo amor, que me deixou atônita. Apaixonada, terna e rendida sem sentir a passagem do tempo indelével e constante, eu abençoava esse ano que me fez conhecer o verdadeiro amor, imergir nas reflexões mais profundas, esperar encantada todo as manifestações de vida, lirismo, aturdida entre as batidas de meu próprio coração.


Dividido entre ternuras e dureza,  o velho 2009 me fez ver o quanto de  fortaleza precisávamos para trilhar junto com ele seus passos.Eram inesperadas suas decisões.


Tivemos crimes hediondos, gestos generosos, a vida célere, as conversas habituais e a presença da generosidade e também da indiferença. Vimos aturdidos crianças e adultos passarem fome e a riqueza que rondava os privilegiados.


Surge o novo ano, tão jovem e sem experiência amparando o velho que já sai aos poucos arrependido de certos atos e glorioso de outras atitudes. Ele se vai sem a pose do início, sem a segurança com que entrou, ostentando entre as rugas as dúvidas do que poderia ter feito de melhor, recordando as lágrimas de alguns e exultando pelos risos de alegria de muitos de seus súditos.


Contemplando o novo ano, cuja auréola de luz e esperança ele bendiz, espera silenciosamente que esse mês finde e possamos descansar não sei se em paz, mas desejando que seu jovem substituto consiga realizar os sonhos mal distinguidos entre os acontecimentos confusos do ano que está se esvaindo.


E vejo a luz que se aproxima trazendo o ano de 2010, a certeza que deixa à sua volta, o sorrisos de pura alegria, e  convicção do que pretende fazer.


Eles se encontram na linha que separa os dois espaços de tempos e se apertam as mãos, um exaurido, já sem forças e o outro imponente, magnífico, a juventude a brilhar na figura ereta e desenvolta, como imaginando a glória e a os ideais de todos os seus futuros súditos concentrados no seu belo rosto, e no olhar cujo brilho se reflete no planeta sempre à procura da esperança , felicidade e amor.


Ano velho, ano Novo, que fazem nesse momento parte de nossas vidas e a quem dirigimos nossos pedidos e expectativas.


 

 

Enviados Dez/2009


 

Nebulosidade
Vânia Moreira Diniz



Hoje estou muito triste. Vejo alguém que eu amo sofrer e as lágrimas descem em profusão. Não devia escrever num dia assim. Mas é que me acostumei tanto desde pequenina a passar para o papel tudo que está à minha volta...

Sinto o dia frio, nublado o que já costuma me trazer certa nostalgia, mas isso é apenas uma faceta da natureza e costumo respeitar porque precisamos de tudo que venha dela e estamos sofrendo justamente porque não a respeitamos na proporção que devíamos.

Estamos arriscados a deixar para nossos descendentes uma terra árida e a luta na reconquista de  uma natureza que já nos proporcionou dias inteiros durante anos e anos de paz, beleza e tranqüilidade.

Só podemos tirar forças dentro de nós mesmos. Toda a minha vida exerci essa prática. E o resto é paliativo. Assim temos todos nós caminhado, alegrando-nos com os dias de luz e enfrentando os momentos de dor com coragem e esperança no que surgirá depois de uma noite dormida.

Contemplo todas as direções, procurando estender as mãos, olhar dentro das pessoas que estão ao meu lado ou dirigir-lhes uma suave palavra de carinho. E isso me proporciona a certeza que nós, seres humanos temos muito a ver um com os outros. Só dessa forma conseguiremos a realização plena.

Hoje é um dia difícil, mas que ultrapassarei certa de uma força inexaurível que nos conduz com passo firme não sei exatamente a forma e com que poderes. É dela que vem nosso vigor, a conscientização que podemos sofrer e embora descrente com certas manifestações do universo nos guiará ininterruptamente.

A energia está presente em todos os momentos de nossa existência mesmo quando nos julgamos frágeis e  ineficazes e é com ela que estou hoje irradiando dentro de minha alma um vigor já tão conhecido, mas sempre irreconhecível.

Vejo alguém sofrer e parece pior do que se acontecesse comigo porque quando está dentro de nós sabemos o jeito de administrar, seguir, procurar forças até inexistentes  retroceder quando percebemos a escuridão e prosseguir quando visualizamos a luz aparecendo mesmo longínqua  e que certamente se intensificará com o passar do tempo.

Vamos em frente, o dia nebuloso e frio lembrando-me momentos difíceis, uma ladeira íngreme que já subi  diversas vezes encontrando  a claridade, mas que agora não consigo divisar. Vamos em frente, sem medo, com coragem e concentrada na felicidade de ser querido que está sofrendo. Caminhando sempre encontraremos o abrigo confortante e aquecedor.

 



 

  Tudo
Vânia Moreira Diniz


Tudo é o recomeço, a esperança de se dar, a certeza do apogeu, e a necessidade de se doar. Tudo é a convicção de que palavras precisam ser creditadas mesmo na desesperança do que sonhamos ou na alegria de nos reproduzirmos a cada momento.
E é assim que a humanidade caminha, cada um com suas próprias certezas, sorrisos que se repetem ininterruptos e a perseverança de ser ou estar. Mergulhada em convicções ou lamentando as indiferenças.
Tudo é complexo momento da definição, da resolução desde a mais suave à mais ferrenha, quando o destino depende de um olhar , uma palavra ou apenas um gesto.
Tudo é enxergar o céu em sua formosura incompreensível e enxergar nuvens toldando o azul cristalino e uniforme, assim como nos dias de nevoeiro d’alma nos perdemos em pensamentos densos e negros. Ou enxergarmos na escuridão molhada da tempestade a luz que aos poucos se intensifica até que os pingos parem, a água evapore e o sol peça para entrar.
Tudo é a manhã fria que nos cumprimenta, sem o arrebol que cintilaria onipotente clareando e indicando o caminho colorido, vibrátil intensamente belo.
Tudo é a saudade, conturbando o coração, numa dor que transcende o que vivemos, delineamos, refletimos num dia de realidade fascinante em que química e sentimento se mesclaram.
Tudo é nascimento, caminho, ternura de um aceno, instantes céleres e multiplicadores, sofrimentos que machucam ou felicidade que seduz, num mesmo ritmo e profundidade e a incerteza de jamais adivinharmos o amanhã sempre misterioso e enigmático.
Tudo é o anseio peculiar, pessoal, a reserva necessária, privacidade da alma a desdobrar-se em mil sensações para encontrar  talvez um dia aquele espaço distante e inexplorado.

 



 

Inspiração
Vânia Moreira Diniz


Inspiração é sentimento,
Sonho, alegria , calor,
Mágico e impressionante momento,
Dom que expressamos com ardor.

É a alma confundida doando
O coração que lamenta e chora
A vida expressa entoando
Espargindo dom e talento
Na amargura que por vezes choca.

O sentimento inconsciente gritando,
Do  interior trazendo dores e anseios,
Desnudando emoções e chorando
Em cada momento vivido com receio.

Inspiração é reação
Carisma e valor
Dádiva e magnética lição
De competência com amor.

Inspiração,
A palavra que transborda
Pintura,
Literatura, qualquer arte ou história,
Que enfeita, realça e transtorna

 

 

Enviados Nov/2009

 

 

Eis que Chega a Primavera
Vânia Moreira Diniz

 

Eis que está chegando a primavera bela e colorida, a estação mais festejada do ano com sua luminosidade, alegria, doçura  e trazendo-nos o canto dos pássaros, convidando-nos a festejar  

Esperança na natureza colorida, na dança das folhas verdes, nas flores multicores, nas árvores robustas, na beleza que nos foi legada, fonte de vida e amor. Mistérios na energia do universo e que nos é transmitida.

Cada estação tem seus segredos escondidos magicamente no desenvolver de seu ritmo de duração, todos eles legam a esperança do seu reinado nas alegrias características e intrínsecas seja o verão, inverno, outono ou primavera.

A estação das flores carrega perene alegria e tudo se faz mais intenso, sentimos sensações renovadas e fascinantes, os pássaros voam a intervalos de distância como se quisessem avaliar seu tempo e potencialidades, o céu é mais azul, as estrelas brilham com tanto fulgor que nos encantam e o sol dourado nasce precioso e acolhedor.

Quando o dia amanhece a despeito de qualquer tristeza que possamos guardar a graça e o enlevo que experimentamos é tão suave e maravilhoso, que nos convida à concentração, reflexões e ao olhar admirativo e respeitoso frente ao que se nos apresenta de magnífico o nosso planeta.

E a melancolia de saber que temos irmãos  aqui ou em lugares perto ou distantes sofrendo a miséria, o desconforto ou brutalidades imensas nos faz pedir à mãe-natureza que propicie uma vida melhor com o mínimo de dignidade porque todos merecem usufruir o encanto da alegria e da felicidade.

Apelamos para a primavera em cores tão esfuziantes, para que unam os homens e todas as criaturas, hóspedes temporários deste mundo, necessitando usufruir a beleza e o mistério que trazem sensações sedutoras, enriquecendo a alma que faz uma passagem pela terra  e depois se renderá à felicidade plena levando memórias de imagens e amor.

Contemplo e ouço com ternura todos os elementos criados, flores em profusão de tons, árvores gigantescas carregando os mais variados frutos, a  terra  que guardará raízes contendo húmus fertilizador, o gorjeio dos pássaros e o silencioso caminho dos rios e lagos, o eco do mar majestoso em ondas avassaladoras, tão brancas e espumentas, o bramir do vento em sua onipotência, a voz harmoniosa  do ser humano e mais me convenço do poder da esperança nesse dias em que se iniciará a primavera.

E com o perfume das rosas, despertam sonhos que pareciam adormecidos, mas estavam simplesmente descansando de sua ânsia de realização e entoam canções de fé, certos de que não podemos viver sem eles. A primavera os ressuscitou e então caminhamos na certeza de um futuro abraçando-os como única maneira de acreditar  em nós mesmos

Seja bem vinda primavera gentil, que vem para reinar nesses meses  de ventura, com seu ar tépido e enfeitiçador e cujo horizonte longínquo se reveste de todas as cores transformando o limite do real e do irreal. Venha, nós lhe esperamos seduzidos de carinho e esperançosos do regozijo  que deveria ser a  sensação mais duradoura da humanidade.

Breve ela estará aqui com a força de sua beleza e poesia ofertando a natureza fascinante , que nos hospeda cheia de viço e esplendor..
Vânia Moreira Diniz

 



 

À cada passo uma lição.

Vânia Moreira Diniz


                  Acordei muito bem disposta depois de dias que foram cansativos, muito trabalho e preocupações. E o Sábado apesar de nublado, prometia nascer um sol cuja luz se escondia já visível.  Estava feliz de rever muitas pessoas que eu pretendia visitar na cidade satélite de Brasília.  Antevi o rostinho das meninas quando recebessem o que algumas delas me disseram ser um desejo especial: um mimo em forma de brinquinhos delicados para que enfeitassem as orelhas e se olhassem no espelho. Estava levando muitos deles e isso não animava a elas mais do que a mim.. Vaidosa como era, compreendia perfeitamente o que elas sentiam.

Quando cheguei algumas delas que brincavam ou conversavam na rua em frente às suas casas já me viram e se acercaram. Escolhi uma casa de uma senhora, Dna Alzira que logo permitiu no pequeníssimo cômodo a reunião das meninas. Dei a cada uma delas algumas coisas próprias da idade e para que se enfeitassem como almejavam e definitivamente constatei que ali nesses sábados especiais, só ternura chegava ao meu coração. Enquanto via as garotas encantadas procurarem num espelho quebrado a própria imagem, conversei com a dona da casa e soube que sua filha já dera à luz a um menino. E queria logo vê-la. Mas percebi o olhar entristecido da dona da casa. Ela pediu que eu a seguisse e cada vez sentia a dolorosa situação daquela mulher guerreira que num casebre que mal dava para duas pessoas morava com sete filhos. E enquanto as meninas gritavam de alegria por uma simples lembrancinha com o amor próprio em alta ao se verem bonitas com os brincos ou pulseirinhas entrei com Dona Alzira num espaço separado por algo que fazia às vezes de cortina e vi com meus próprios olhos a jovem que acabara de colocar no mundo uma criança.

A cama era muito baixa com um arremedo de colchão onde ela mal podia se equilibrar para dar de mamar ao nenê. E Luana as lágrimas descendo pelo rosto mal parecia a garota que eu conhecera. Estava inchada, os lábios amarelados onde faltava sangue e sua linda cor morena estava amarelada. Gemia a cada movimento seu ou da criança. A mãe relatou-me então o desespero que foi na hora que ela sentiu as primeiras dores e a dificuldade de arranjar um hospital onde quisessem interná-la. Perto da casa dela não conseguiram e o marido a levou para outra cidade satélite. Quando me viu sensibilizada passou a mão em meus cabelos e disse com  carinho indizível:

-Calma, o pior já passou você vai ver...

Luana havia sofrido demasiado, acho que já passara a hora de nascer e o bebê provavelmente estava também se ressentiu. Com tudo isso, as lágrimas descendo depois de deixar alguns alimentos, balas e doces para as crianças e abraçar a mãezinha e Dona Alzira  telefonei para meu amigo e médico ginecologista. Pedi que viesse me encontrar naquele lugar de tantas ocorrências tristes e de gente corajosa dando lições de vida para ver o que podia fazer. Mais uma vez eles me davam exemplo de aceitação, de coragem e de força e eu aprendia  cada vez mais no livro complexo  da vida.

 



 

Longe

Vânia Moreira Diniz

 

Longe...

Eu me perco na saudade,

Recordo e vivo em agonia,

Ansiando pela verdade,

De dias idos com harmonia.

 

Longe...

Eu não quero  viver,

Sofro mansamente,

Só penso em querer,

Sempre e literalmente.

 

Longe...

Evoco só o  passado,

Grito, brado e choro,

Tudo é sempre lembrado,

E em sonhos te devoro.

 

Longe...

A vida é sem sentido,

Procuro uma razão,

e lembro do tempo vivido,

Estranha e louca paixão.

 

Longe...

as lembranças ardentes,

Pedaços vivos da alma,

Permanecem inerentes

E não existe mais calma.

 

Longe...

Nada enxergo na beleza

Das montanhas imponentes,

Do mar amado com certeza,

Das planícies plácidas

Tão veementes

E do universo onipotente.

 

Longe...

Só almejo depressa voltar,

Em teus abraços vibrar,

Feliz de logo regressar

Sem me abalar e amar.

 



 

Dia de Emoção

Vânia Moreira Diniz

 

Meu coração traduz tanta emoção,

e a vida vale por esses momentos,

as tristezas por instantes lá se vão,

ficando em seu lugar só sentimentos.

 

Não importa que existam dores,

se nesse segundo posso vibrar

refletindo minha alma em cores,

para sua  beleza nunca quebrar.

 

Vejo  o sol  mesmo na escuridão,

quando tudo que dentro de mim  ressoa,

é aquela mágica e fascinante emoção.

 

E meu pensamento sem tréguas voa,

nem querendo recordar as aflições

quando o coração reflete doces visões..

 

 

Enviados 07/10/2009