|
Onde estarão?
Vânia Moreira Diniz
O Airbus 330 da Air France , uma das companhias mais potentes do mundo que fazia o vôo 447 caiu simplesmente com 224 passageiros sem que ninguém saiba verdadeiramente o que aconteceu nem onde se encontram vestígios dessa queda mais do que trágica.
Acredita-se que foi a forte turbulência mas acho que ninguém se convence que por mais violenta que tenha sido seria capaz de derrubar um avião tão vigoroso submetido a testes os mais diversos na sua construção.
E o mundo inteiro espera uma resposta, estarrecido com esse desastre que abalou a humanidade e principalmente sem que ninguém entenda a causa dessa calamidade.
Aí constatamos mais do que nunca a finitude de nossas vidas e fragilidade do ser humano. Dentro desse avião se encontravam pessoas que carregavam sonhos , esperanças e iam para uma missão de trabalho ou para comemorar a beleza do universo, a maioria acompanhados de pessoas que amavam e que esperavam curtir momentos ou dias maravilhosos.
E não sentem mais a vida, não experimentam mais sensações num milésimo de segundo que tudo pôde acontecer.
Para os que acreditam em Deus o espírito segue um espaço que conforme sua vida aqui na terra será suave ou cheia de obstáculos. Para os que nada crêem eu não consigo imaginar o que poderá ser porque não posso crer que tudo seja tão mortal e finito a ponto de finalizar tudo de vida, amor, entusiasmo, carinho, beleza que existem no ser humano.
Essa viagem foi a definitiva e por mais que possamos refletir não entenderemos onde estão esses nossos irmãos de caminhada que não chegamos a conhecer de perto mas que carregavam sentimentos especiais como nós todos.
Fica a eterna pergunta: Onde estarão?
Com essa reflexão vem também o pensamento da inutilidade da vaidade desmedida, da ânsia de poder que atualmente devasta o mundo perguntando o que valem tantos desejos que além de serem destrutivos não construirão nada de verdadeiro eternamente.
Vemos todos os dias o apego à coisas mais pueris, a bajulação aos poderosos, a loucura pelo sucesso e pela fama como se fôssemos realmente eternos, quando o que vale realmente é a paz verdadeira porque essa permanecerá conosco.
E quando falamos em paz o importante é que não desejemos o mal, lutemos harmoniosamente por uma qualidade de vida melhor e mais duradoura em que incluamos todos os que pertencem a esse planeta , começando dos que estão mais perto de nós e se estendendo infinitamente.
Acredito que a felicidade só será possível quando o sentimento de paz e serenidade forem precursores na luta por uma vida transbordante de verdadeiro amor.
Os passageiros do vôo 447 da Air France se foram e esperamos que encontrem o verdadeiro descanso, a fortuna da paz profunda e duradoura, da tranquilidade real e infinita.
Procuremos nós ainda nessa terra usufruir cada momento mas que sejam inde pendentes de narcisismos incoerentes ou de indiferenças que só podem nos levar à infelicidade e ao vazio.
É isso que espero começando de mim mesma, nessa hora de extremo choque ao constatar cada dia com mais força a incompreensível finitude dessa vida que tanto amamos.
|
|
Quem era?
Vânia Moreira Diniz
Andou por caminhos diversos, cheios de amor e suavidade, sentiu as lágrimas dos que lhe cercavam e olhou sem muita convicção para aqueles que só queriam momentos alegres, desconhecendo a solidão dos oprimidos ou a dor dos que sofriam em desespero por fatalidades inesperadas ou separações doridas
Encarou com severidade os vaidosos, os orgulhosos, os que pensavam em poder, esquecidos que somos infinitamente finitos e teve pena da audácia estampada nos rostos de expressão arrogante
Observou os habitantes e a displicência com que apreciavam a natureza exuberante preparada para recebê-los e quedou-se transtornada com a falta de sensibilidade de muitos que feriam este planeta tão maravilhoso, abrigo e conforto de todos que chegavam à terra aspirando o oxigênio que deveria estar puro e ileso.
Mesmo assim habitou nos corações ou procurou lá ser recebido para que compreendessem a magnitude do que queria transmitir e espantou-se com o egoísmo, vaidade e indiferença dos que se encontravam na terra, nascidos para ser felizes mas que a luta pelo poder e sucesso não deixava que isso acontecesse
Procurou então aqueles que necessitavam dela, não sabia onde encontrá-los porém sentiu que uma força instintiva os aproximava.
Compreendeu que justamente os menos favorecidos, eram aqueles que pediam a sua intervenção ou mesmo alguns que psicologicamente se encontravam depauperados. Não todos. Alguns mais humildes e que compreendiam a força dos sentimentos, a credibilidade do amor e o vigor que poderia advir da solidariedade e união plena.
Não desistiu e universalizou sua presença certa de que aqueles que não a notassem, um dia poderiam aceitá-la
Presenciou momentos de dor, acidentes, imprudências, desespero, inveja e então num mesmo instante imaginou que a sua essência era necessária em cada momento.
Voou sobre a humanidade, procurando definir tantas sensações contrárias para que pudessem influir e ajudar no momento propício. Mesmo assim via no mundo abaixo das nuvens que sobrevoava o conforto dos que foram mais agraciados e a vida daqueles que pareciam não usufruir a própria existência. Reconheceu então que isso não se devia à falta de condições materiais mas à visão da alma de cada um.
Entristeceu-se com o descaso, com a incompreensão dos se achavam poderosos ou dotados, acima de outros e inspirou-os para que compreendessem o justo valor de sua existência.
E então correu para todos aqueles que precisavam de sua força, em acontecimentos de espera, dor extrema, encorajando-os a recomeçar sempre com a mesma vibração, sorriso nos lábios e brilho no olhar.
Ficou tatuada no coração dos seres humanos mesmo aqueles que só lhe davam valor na decadência e na desesperança e se encantou apaixonada por todos que compreendiam o sentido profundo da beleza na harmonia do universo, flores coloridas e frescas, árvores frondosas cheias de frutos, rios, lagos e o mar suntuoso, o céu azul tranqüilo e as estrelas brilhantes.
Mas só descansou quando a paz reinou em cada coração e no universo inteiro como a marca do amor, da união e da compreensão.
Seu nome era Esperança.
|
|
Cristo Redentor
Quando era muita criança
olhava a imensidão do espaço,
e meus olhos em bonança
fixavam O Cristo Redentor
Angústia, ternura e ânsia.
sentimentos em uníssono,
vibrando dentro de mim, fortes,
transformando e confundindo
minha cabeça infantil.
Quando ainda pequenina,
Subi com meus pais ao Cristo
que tanto me perturbava,
algo estranho aconteceu.
Contemplava extasiada a imensa imagem
fatalmente linda que de braços abertos,
indicava a recepção e o carinho
e uma impressão de pavor
mesclada de forte emoção
apoderou-se de mim.
Abraçada a meu pai, chorava
pedindo auxílio nessa impressão
perturbadora que me dominava,
ao mesmo tempo em que o Cristo me atraia
irresistivelmente.
Jamais esquecerei deslumbramento maior.
A imagem dava-me a idéia de abarcar
o mundo em sua grandeza e potência,
eu me sentia frágil e indefesa.
Até hoje o arrebatamento daquele dia especial,
cerca-me de entusiasmo e admiração
enfatizando o misterioso poder recôndito
de símbolos místicos incompreensíveis.
O Cristo Redentor do meu Rio de Janeiro,
traz-me lembranças as mais queridas,
enchendo meu coração de reminiscências
até agora enigmáticas e encantadoras.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Distante...
Sinto-me distante da vida,
Em sua crescente caminhada,
Tranqüilidade estranha e imprevisível,
Ilha isolada e longínqua.
Distante das alegrias habituais,
Ruidosas, gostosas, cheias de prazer,
O movimento excitado das esquinas,
E as gargalhadas ressoando barulhentas.
Distante das conversas estimulantes,
Que devolvem o entusiasmo e alento,
Ao espírito entorpecido em letargia.
Distante dos sonhos românticos,
Devaneios aprazíveis e deliciosos,
E muito perto da meditação.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Aquela voz
Ouço aquela voz na distância,
Longe, muito longe,
É um eco solitário, sem constância,
Lá longe,distante...
Tento ouvir com emoção,
Parece tão conhecida,
Uma simples e triste canção,
No meu coração é música vivida.
Voz melodiosa trazendo saudade,
Ecoando no silêncio da noite,
Com a mesma antiga fidelidade,
Atravessando o espaço como açoite.
Ouço insistente a voz querida,
Não consigo identificar,
As palavras que encheram minha vida
E só consigo docemente esperar.
Ela insiste e eu atendo,
Mas ao meu chamado não responde,
Fico em imaginação vendo,
O passado distante, tão distante...
Ouço a voz que me chama com amor,
Recordo a infância que passou ao longe,
Ela me fala que o sentimento tem vigor
Enquanto a badalada na igreja tange.
Ouço o som tão amigo,
Fecho os olhos com doçura,
Ele deita feliz comigo,
Como nos tempos da infância pura.
Ouço a voz que me tranqüiliza,
As imagens se sucedem,
Nada mais martiriza
E as cenas antigas não mais ferem.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Egoísmo
Gostaria de compreender mais o egoísmo. E entender porque somos tanto e tão profundamente apegados a ele. Não poderíamos ser felizes se não fossem as outras pessoas e se fizéssemos um mundo à parte. Acho que morreríamos de tédio, desconforto e tristeza. A vida seria impossível. Entretanto, e mesmo dependendo um dos outros para nos realizarmos no sentido amplo da palavra e “viver” em sua expressão literal, somos dominados pelo amor desmedido a nós mesmos.
Analisando friamente essa sensação poderosa, gigante e dominadora que é capaz de fazer com que uma pessoa presencie com indiferença o sofrimento ou a desdita de seu semelhante ou não se sensibilize com suas alegrias e vitórias, é realmente incompreensível. À medida que o tempo passa, a evolução do homem se torna realmente vasta e o conforto mais fácil de alcançar, o egoísmo se acerca como um senhor dominador e indestrutível.
Hoje as pessoas raramente se reúnem e eu me lembro quando era pequena, o movimento intenso na casa de meus pais sempre com visitas e como havia um congraçamento e intercâmbio de amizade entre eles. Tinham necessidade de estar com umas com as outras e participar de suas alegrias ou tristezas. Claro que os sentimentos não mudaram e o ser humano é intrinsecamente o mesmo. Houve, entretanto uma diversificação de valores e modo de interpretação.Todos se distanciaram embora sem dúvida os meios de comunicação tenham facilitado outra espécie de aproximação.
A luta pela sobrevivência, a dificuldade de emprego, o desenvolvimento das cidades, as estradas que se abriram promovendo e incrementando o progresso, a tecnologia que substituiu a mão de obra e a disputa das pessoas nessa luta pelo poder, que toma nuances mais assustadoras, intensificou e facilitou o império do egoísmo. Que se estendeu em garras afiadas e provocantes.
O egoísmo hoje prevalece de uma maneira tão requintada e absorvente, que as pessoas não reparam nem na existência dele e menos ainda que é sua vítima. E que quanto mais vive seu próprio mundo, pensando somente em suas necessidades individuais, mais se distancia da felicidade e da satisfação verdadeira.
Nas horas solitárias, em que os pensamentos flutuam e que a consciência torna-se presente e não estamos no burburinho nem desfrutando nenhum prazer muitas vezes passageiro, que nos alheia da realidade, poderemos sentir essa insatisfação, na maioria das vezes, fruto do egoísmo.
Creio que não sabemos mais amar no sentido exato da palavra. A luta pelo poder e pelo dinheiro toma proporções assustadoras, os interesses são puramente egoístas e com isso a miséria aumenta facilitando a prática da violência e exterminando sentimentos nobres e prazerosos.
Infelizmente o espectro pavoroso do egoísmo nos ronda como um dragão perigoso, e o mais triste é que nos aproximamos a passos largos em direção a um precipício doloroso e letal.
|
|
Jesus
Jesus, filósofo da humanidade,
Unindo sabedoria e talento,
Amor propagado e muita bondade,
Morreu na cruz em grande sofrimento.
Mestre gênio e carismático,
Por toda parte admirado,
E pelos inimigos detestado.
Possuía um poder enigmático.
Energia era um dom que exercia,
Lutava pelos frágeis e oprimidos
E grande fascínio conseguia.
O julgamento foi atormentado,
O ódio imperou e a injustiça resultou
Na morte do líder crucificado
Vânia Moreira Diniz
|
|

Mulher
Venho caminhando e colhendo os frutos,
Admirando tudo ao meu redor com alegria,
Procurando enaltecer em movimentos mútuos,
A entrada gloriosa de ser mulher em cada dia.
O orgulho da conquista é esplendoroso,
Experimento dentro do peito ânsia e ternura,
Pelos atos que do ser profundo e generoso,
A mulher demonstra em legítima ventura.
Carinho e amor vividos em dedicação
Transbordando da alma com magnificência,
E de cada pequenina luta a transformação,
Caminhando e ensinando com eficiência.
Os primeiros passos lentos e já atraentes,
As palavras tão gentis e harmoniosas,
A inteligência desenvolvida exuberante,
E a vida ali da mulher real e maravilhosa.
Muitos caminhos tiveram que enfrentar,
Nossas ancestrais, humildes e silenciosas,
Mas a batalha sem tréguas valeu tentar,
Para que a bandeira hasteasse vitoriosa.
Hoje nosso horizonte é imenso e iluminado,
Somos feitas de meiguice e generosidade
Acrescidas de competência e muito valor,
Que conquistamos com doce grandiosidade.
Vânia Moreira Diniz
08-03-2009
Dia Internacional da Mulher
|
|

Mulher
Venho caminhando e colhendo os frutos,
Admirando tudo ao meu redor com alegria,
Procurando enaltecer em movimentos mútuos,
A entrada gloriosa de ser mulher em cada dia.
O orgulho da conquista é esplendoroso,
Experimento dentro do peito ânsia e ternura,
Pelos atos que do ser profundo e generoso,
A mulher demonstra em legítima ventura.
Carinho e amor vividos em dedicação
Transbordando da alma com magnificência,
E de cada pequenina luta a transformação,
Caminhando e ensinando com eficiência.
Os primeiros passos lentos e já atraentes,
As palavras tão gentis e harmoniosas,
A inteligência desenvolvida exuberante,
E a vida ali da mulher real e maravilhosa.
Muitos caminhos tiveram que enfrentar,
Nossas ancestrais, humildes e silenciosas,
Mas a batalha sem tréguas valeu tentar,
Para que a bandeira hasteasse vitoriosa.
Hoje nosso horizonte é imenso e iluminado,
Somos feitas de meiguice e generosidade
Acrescidas de competência e muito valor,
Que conquistamos com doce grandiosidade.
Vânia Moreira Diniz
08-03-2009
Dia Internacional da Mulher
|
|
Ecos da alma
Ouço os ecos da minha alma,
No labirinto dessa vida,
Esquecendo os reais motivos,
Dessa caminhada incongruente.
Ouço as batidas do meu coração,
Que se repetem sempre sem cessar,
Acompanhando em seus compassos,
A caminhada ritmada e ininterrupta.
Ouço os ruídos de todas as espécies,
O alongar do destino contraditório,
As horas que escoam silenciosas,
E os ecos que continuam insistentes.
Ouço vozes doces e tão emocionantes,
Que recordam dias passados importantes,
Trazendo em sua vivência a saudade
E carregando imagens impressionantes.
Ouço sons harmoniosos de doçura,
Vozes melodiosas que eu tanto amei,
A sonoridade de expectativa ansiosa,
Os mesmos sussurros jamais olvidados.
Ouço todas os gritos do universo,
O choro que trazem as lágrimas,
Os risos que transbordam felizes,
O encontro e as exclamações alegres.
Ouço o som da vida que se desprende,
As gargalhadas das crianças inocentes,
O gorjear dos pássaros independentes
E o leve farfalhar nas folhas pendentes.
Ouço e sinto cada mínimo movimento,
Anseio por cada surpreendente momento,
Prossigo a caminhada lenta querendo,
Que surja a única voz do meu julgamento.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Nossos Pares
Grito de Alerta
Vânia Moreira Diniz
Creio que o amor e solidariedade é algo amplo alcançando todas as pessoas, mesmo aquelas que estão ao nosso lado e me entristeci ao ir verificando aos poucos que talvez não tenhamos dado atenção e estímulo a muitos colegas escritores cheios de talento. Fomos longe em nossa elucubrações e não vimos aquele que estava ao nosso lado.
Tenho percebido que muitos excelentes poetas e escritores saíram do nosso convívio. E desistiram de escrever. Creio que devem estar escrevendo para si mesmos na tentativa de realizarem algo que é importante para eles, para seus corações como uma necessidade premente. Recordo-me que fiz uma divulgação para alguém que tinha acabado de escrever um livro e tempos depois perguntei-lhe como tinha sido a experiência . Simplesmente respondeu-me:
- Resolvi parar. Estava me desgastando e esperançoso, achando que me realizaria e de repente percebi que não valia a pena .Neste país, Vânia o escritor só consegue algo com cacife a ajuda maciça da mídia. Vou seguir e esquecer que publiquei um livro.
É claro que não vou dar os nomes dessas pessoas para respeitar a privacidade de cada um, mas de repente me toquei que talvez eu mesma fosse um pouco culpada. Faço um trabalho de divulgação que é importante para o meu coração porque nada é mais enriquecedor do que vê um autor desconhecido até da internet ir alçando vôo sentir o quanto são importantes as palavras que transmite e chegar ao ápice de sua vida literária. Para mim sentir que o ideal das pessoas está se concretizando é uma sensação indescritível.
E repentinamente penso que talvez não tenha feito o suficiente, tenha talvez me distraído num momento importante que alguém precisava de apoio e atenção. Acho que está acontecendo isso entre os escritores.
A falta de atenção, carinho preocupação com o outro quando apenas olhamos para nossos próprios escritos, a displicência com que nos grupos, sites, jornais e revistas eletrônicos não nos preocupamos de perguntar por um participante ausente e abrir os braços acolhedoramente ou talvez a concentração apenas nas pessoas que aparecem, olvidando completamente de procurar o outro tão perto de nós tenha contribuído para isso.
Falamos de assuntos necessários, de pessoas que também precisam de nosso apoio e esquecemos justamente nossos pares, colegas que lutam ao nosso lado pelo mesmo ideal e que se dedicam com o mesmo afinco.
Notei que muitos deles sumiram da internet , não estão escrevendo pelo menos publicamente e procurei-os. Alguns ainda não consegui encontrar e outros pude travar um diálogo e percebi como estão realmente desiludidos. Além disso eles significavam mais vozes, mais palavras para tentarmos lutar contra os dissabores sociais, a violência, a exclusão e trazer o lirismo aos dias conturbados de hoje.
Questionei a mim mesma culpando-me por não ter dado um sorriso na hora exata (claro que o sorriso seria palavras mais empolgantes, pois não poderiam me ver) o abraço carinhoso de nosso entusiasmo ou uma divulgação mais persistente.
Muitos desse poetas e escritores que desistiram fizeram um bonito trabalho, digno de louvor mas talvez estivéssemos demasiados absorvidos com nossos afazeres ou com os que se manifestavam mais abertamente.
Não me conformo, porém. Peço a esses profissionais das letras que não abandonem seus escritos e a literatura e que seu trabalho é primordial para compormos uma frente a favor de um universo capaz de sentir-se feliz abrigando todas as pessoas que fazem parte dele.E quanto mais nos unirmos mais fácil atingiremos nossos objetivos.
Venham, não desejamos ser paternalistas apenas dizer o quanto é importante a participação de todos que receberam o dom de transmitir e sonharam com o que sonhamos .Não desistam de seus sonhos nem se sintam relegados. Culpados somos nós, culpada sou eu por não ter prestado atenção suficiente em nossos pares que estavam se afastando e não ter dado um sinal de que necessitávamos de seu trabalho continuado.
Vânia Moreira Diniz
Venham! Estamos esperando! Não poderemos jamais ser felizes sozinhos.
|
|
Delicadeza, O Passe da Felicidade
Vânia Moreira Diniz
Andava procurando minha própria sombra, deixando que as reminiscências entrassem e me envolvessem. Enquanto isso olhava a vida, observando o mundo ali diante de mim, tão diferente do que todos nós um dia pensamos.
Os “Dias Internacionais” englobando várias conquistas em várias categorias estão sendo comemorados com intensidade e isso tem sido um preito de amor e a certeza que jamais retrocederão os direitos inerentes que conquistamos aos poucos.
A verdade é que hoje, quando a tecnologia devia andar ao lado de sentimentos humanitários, precisamos caminhar reconhecendo o quanto as pessoas em geral necessitam do calor humano que se distancia a cada dia e ostentam amizades superficiais e numerosas para acarinhar o próprio ego. É isso que observamos dentro da internet, onde temos necessidade infinda de mostrar nosso mundo populacional dentro de uma comunidade virtual.
Acho que isso é muito importante, todas as formas de aquecimento humano contribuem enormemente para uma vida feliz. Mas a verdade é que acontece somente quando cada um de nós demonstra seus dons e predicados, nas horas de elogios mútuos e satisfações de vaidades.
E a delicadeza, o cuidado específico com o outro que acredito, não faltava no tempo de nossos ascendentes? Aquela preocupação que independe de qualquer fator senão ver o outro feliz e controlar as palavras para que não saiam duras nem ásperas?
Além disso, delicadeza não é apenas seguir as regras da civilidade, porém a preocupação, o carinho que vai além da linguagem, a doação da alma, a riqueza de sentimentos que se inicia com o olhar e se perpetua em palavras e ações.
Observando, vemos pais e filhos que não são capazes de manter um diálogo com amor. Vivem tão perto que não há mais necessidade de demonstrarem o afeto diário, controlando uma palavra que machuca ou subtraindo uma frase que poderia ser ferina num momento da vida do seu próximo.
Aí talvez esqueçamos a finitude da existência e olvidemos que tudo passa muito depressa e independente de nossa vontade ou raciocínio.
Delicadeza é o se dar começando na família, continuando entre amigos e até nas relações profissionais, com um retorno de aquecimento interior maravilhoso. O que custa um sorriso quando a caminhada a cada passo reduz a estrada e a futura convivência com as pessoas que amamos ou admiramos se torna cada vez mais curta?
Nunca esquecerei alguém muito especial, mas incontrolavelmente impulsivo que pouco antes de morrer e já nos últimos suspiros dizia com dificuldade o quanto mudaria seu proceder na exteriorização de seus sentimentos se pudesse voltar atrás.
Delicadeza é o gesto suave, mas incisivo, a expressão doce e ao mesmo tempo enérgica, a resposta a uma pergunta importante, o reconhecimento para alguém que nos ama. Delicadeza é a generosidade espontânea e simples sem cobranças e a suavidade que hoje se mantém tão distante, como se fosse vergonhoso sentir ternura e deixar que as lágrimas desçam em certas ocasiões.
Delicadeza é esquecer uma palavra áspera e raciocinar que a mágoa só reverterá para nós mesmos porque provavelmente quem foi rude já esqueceu seu gesto, são portadoras de egoísmo ou gritante individualismo e não têm consciência do que praticaram.
O “Dias Internacionais já são uma evidência e teremos que aprender que o Dia Internacional do ser humano deve ser comemorado diariamente e que engloba datas dedicadas à prática da humanidade. Delicadeza, cuidado com o outro, reconhecimento, amor convivência mesmo longe das comunidades virtuais ou em reuniões sociais e em cada instante de nossas vidas será sempre conforto para nosso coração e enriquecimento de uma estrada finita sim, porém bela, cercada da natureza pujante e vivida intensamente. Não, não é pieguice, isso significa poder curtir a vida e ser feliz que é a condição mais consistente para permanecermos vibrantes aqui nesse planeta.
E certamente deverei aplicar toda essa reflexão partindo de mim mesma e procurando um atalho para que o caminho seja mais rapidamente encontrado.
|
|
Preconceito
Vânia Moreira Diniz
Muitas vezes imagino como o preconceito é triste e ao mesmo tempo incompreensível. Desde pequena procuro entender o que faz com que alguém pense em distância em relação a outro ser humano. Na verdade não consigo absorver essa espécie de sentimento ou sensação que se apodera de certas pessoas.
Época que pode bem caracterizar esse preconceito foi durante o apogeu de todo o império Romano. A sociedade era dividida em castas. A primeira categoria tinha todos os privilégios, a segunda alguns e os escravos nenhum direito e eram considerados como coisas Res nulius. Isso durou até o ano 565 da Era Cristã. O que podemos deduzir o quanto era antigo esse hábito. E retrógrado.
Hoje, tanto tempo depois embora legalmente seja proibida a discriminação ela continua nos sentimentos de muita gente. Pensando bem ficamos imaginando que ele afasta os seres humanos de uma maneira cruel. Já não é uma questão legal, mas de fraternidade e amor universal!
Há muitos anos conheci alguém que se encontrava atormentada. Acreditava que estava marginalizada numa sociedade, ou melhor, colégio em que só se abrigava crianças ricas e nascidas confortavelmente.
Era muito pequena ainda, mas tinha a justa noção dessa separação quase inconsciente fruto de mentalidades pequenas e incultas. Não queria sofrer e pedira à mãe que lhe tirasse dali. E pela vida afora fui vendo essas distorções que me deixavam surpresa e apavorada. Olhava-a procurando compensar seu sofrimento, mas a minha pouca idade não dava margem a que realizasse grandes coisas. Mas isso ficou principalmente dentro do meu coração como a maior forma de injustiça. Convivi depois com essa menina e pude entender o quanto isso a havia magoado. E com razão.
Quando vemos as pessoas sofrerem tanto, por toda espécie de aflição que a vida impõe em que já somos impotentes para suavizá-las e minorá-las, em que não sabemos o que o futuro reserva e que tristezas nos assolarão nos males que arrasam a dignidade do ser humano tornando-os vulneráveis e infelizes, mesmo assim criamos outros e mais dolorosos. E digo mais porque é infligido por um semelhante que por acaso e não por merecimento pode ocupar um espaço maior na existência e na sociedade. Os menos favorecidos, aqueles que de uma certa forma foram excluídos pelo seu irmão hão de sofrer e sentir uma angústia desmedida muito mais pela marginalização do que por qualquer outra coisa.
Estamos numa nova era em que todos procuram fazer votos de uma vida diferente e melhor. Por que não repensar esse lado tão humano e que continua mesmo ocultamente a dominar várias mentalidades?
Nova era significa progresso em todos os sentidos num momento em que a tecnologia facilita nosso caminho e em que caminhamos com mais fé em dias melhores contando com uma qualidade de vida menos acre.
Nova Era é renovação, esperança, luzes de entendimento e solidariedade. Igualdade. Sentimentos nobres. Vida longa e produtiva. Descoberta de males considerados desesperadores. Remédios que surgiram para doenças ainda incuráveis que transtornam de sofrimentos milhões de pessoas na humanidade e um grito de socorro que pode ser aliviado.
Esperemos que isso aconteça também com qualquer tipo de preconceito que alucina a mente de suas vítimas. E é claro que terá que ser considerado de imediato um trabalho de conscientização de cada pequenina criança para que elas desde cedo aprendam a amar no sentido mais amplo, mais profundo e mais belo. E isso porque todos deverão se dar as mãos numa era em que a renovação e redescoberta de valores e de generosidade impõem uma atitude imediata e transparente.
Vânia Moreira Diniz
|
|
O sonho e o Carnaval
Vânia Moreira Diniz
Passamos pelo Natal e Ano Novo e os brasileiros esperam o carnaval em grande expectativa. Afinal é nossa festa, cujo folclore é arrebatador e faz com que esqueçamos certos sofrimentos para vivê-lo. ! É verdade que hoje existe o temor das doenças e da violência que o contaminam e fazem com que o medo se espalhe de forma grotesca. Que trazem uma marca de dor em meio à alegria contagiante. E começamos a pensar porque certos atos de barbarismos tomaram conta de todo uma nação, de gente tão sensível e especial! E claro que algumas nuvens pesadas, encobrem a festa popular!
Mesmo assim a trepidação domina quando essa época se aproxima e me recorda o entusiasmo das pessoas, que o ano inteiro se prepararam para exibir fantasias que brilham, tanto quanto seus corações. Abriram mão de uma qualidade de vida melhor, hábitos que lhes deleitam, para exporem como num sonho a indumentária fascinante. E isso nos faz pensar na idolatria que o carnaval significa para o país.
Uma escola de samba é constituída de pessoas de todas as classes, desde os mais ricos àqueles cujo valor aquisitivo é mínimo. E elas vivem do amor que essas pessoas dedicam à sua escola, vibrando no desfile, naquele ritmo retumbante e embriagador, esquecido de privações, tristezas ou sofrimentos e embalados no compasso espetacular.
Falo do Carnaval com liberdade, sentindo o que todos os amantes dessa festa experimentam, porque sempre fui fanática por ele.Lembro-me que quando estava começando a adolescência, brincava à tarde e voltava à noite com meus pais e amigos, totalmente dominada pela dança característica, alegria e o vigor indescritível que tomava conta da população.
Não posso deixar de confessar o fascínio que me domina na força da fantasia e do devaneio, em tudo que constitui um traço marcante em nossas vidas. E talvez não exista nada que cause tanto deslumbramento e enlevo do que o nosso brilhante carnaval. Ali é o sonho em delírio, a força das músicas, do colorido, das fantasias e parece que outro mundo se apresenta naquele barulho bem-vindo.
Mas como sempre, tenho que me abismar com o povo humilde de nosso país, que esquecendo as adversidades, a falta de emprego, a desproteção, a insegurança e ausência de horizontes são capazes de sentir a ilusão que as alegorias lhe causam, transtornando-os positivamente.
É lamentável que hoje, em meio ao arrebatamento que esse folclore nos conduz, surjam espectros, toldando a alegria mais intensa, com a qual o nosso povo se resguardava para viver, gritar, enxergar luz e expelir seus maus presságios. Mas voltamos a sonhar...
E imaginar que todos nós, ali no espaço tão colorido, nos acordes das músicas e efervescência de energias trocadas, sentindo a vida, que parece finalmente verdadeira e praticada, deixamos tudo que nos amedronta e mergulhamos no sonho oficial e legítimo do brasileiro.
Oxalá pudéssemos desfrutar dias e momentos de verdadeiro prazer e exuberância. Mesmo assim esperamos o carnaval ainda com olhos brilhantes e encantados pelo samba embalador que nos faz mexer em cadência uniforme o corpo ansioso e o espírito esperançoso.
|
|
Vida Subliminar
Vânia Moreira Diniz
Abri os olhos bem devagar. Havia sonhado com imagens de pessoas queridas, que nunca mais havia visto, mas que continuam presentes em mim, indelevelmente. E pensei no extraordinário poder de viver pela memória e pelo pensamento. Um viver mais nostálgico em suas proporções macabras, mas nem por isso menos especial e verdadeiro.
Percorri a semi-escuridão do quarto, sem poder fixar-me em nada mais que as figuras apenas delineadas, mas tão fortes que se apresentaram em meu sonho. A minha impressão ainda sob a ação do subconsciente ativo é que tínhamos duas realidades e compreendi de forma diferente porque a razão de dizermos que as pessoas não morrem.
Refleti também no que estava sempre presente em mim: A intensidade com que caminhamos de forma diversa e peculiar, a energia nos envolvendo com um vigor assustador, a certeza que pessoas queridas estão ali e conosco e a vida subsistindo em nosso sono como se fosse outra verdade.
Penso que são essas afirmações tão subjetivas que faz do dia a dia um exercício de sensações vívidas e por vezes incoerentes, de fascinação latente a explodir rápidas em certas ocasiões e momentos pelos quais passamos.
Ainda sob a ação do sono, imersa num sentimento misto de inconsciência e lucidez, almejava ficar ali, sem ser perturbada para que pudesse usufruir as visões guardadas em minha memória. Sabia que ao levantar-me tudo se eclipsaria num instante e na maioria das vezes sem deixar vestígios de suas lembranças.
Por isso fiquei. E fui submergindo como se pudesse tocar nas imagens que apareciam em minha mente. Naquela hora em que o movimento da casa e mesmo lá fora era quase inexistente senti como se fosse personagem do meu próprio sonho embora já estivesse acordada. E vivi em função das circunstâncias ilusórias daquele momento.
Eram tão presentes e palpáveis que pareciam estar sob o efeito de uma alucinação. Tudo atuava como se fosse real, mas eu sabia que não era e me deixava levar como se estivesse disposta a ver até onde poderia ir a imaginação e a fantasia.
Partindo daí conclui com mais veemência que a convivência que tivemos com alguém jamais acaba porque ficará sempre muito viva em nossas lembranças proporcionando-nos instantes maravilhosamente relembrados.
O mais importante é a energia que flui benéfica, deixando a certeza da presença não física, mas nem por isso menos evidente. E que atua de forma profunda trazendo-nos uma sensação de bem-estar poderosa e enriquecendo experiências vividas como se ainda fizesse parte do contexto de nossas existências.
E essa sensação nos reconforta nas horas difíceis, impulsiona os momentos vibrantes e nos dão a confirmação de que os entes queridos continuarão a marcar os episódios de nossas vidas e enternecer-nos com seu amor, lembrando-nos sempre a convivência saudosa mas persistente.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Momentos
Vânia Moreira Diniz
Momentos são fragmentos da vida,
Pedaços tirados de uma existência,
Retornando em prazeres voluptuosos,
Ou desditas simples e corriqueiras.
Atos rápidos e profundos,
Sonho realizado que domina
A alma sempre em expectativa,
Procurando a realização concretizada.
Doces e ligeiros beijos de ternura,
Ânsia sem fim e arrojada de um desejo,
O abraço que encontra conforto no afeto
E a paixão que satisfaz o sedento corpo.
Momento é tudo ou nada, mas é vida.
São ocasiões que jamais voltarão ,
Em intensidade ou dessa forma especial
E que a memória com carinho arquivará.
É fração de nossa ínfima estadia,
No mundo conturbado que amamos,
É loucura, afeição, mágoa, alegria,
Tudo numa mesma viagem acidentada.
Felicidade sofrimento e dor,
Indefinidos, translúcidos e ardentes
Envoltos na luz maviosa do amor.
Vânia Moreira Diniz
|
|
O Poder do Sábado
Sábado sempre foi um dia especial para mim. Há muitos anos costumava acordar com as cortinas fechadas, mas que deixavam entrever pela manhã uma nesga de sol luminoso, característica do meu Rio de Janeiro. Chegava então à janela e entreabria-as de forma que pudesse admirar o movimento acelerado daquela barulhenta Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, em que cresci.
Esse dia da semana significava em minha concepção algo diferente e as sensações se multiplicavam quando pensava o que faria no transcorrer dele. Ainda hoje sinto percepções estranhas se multiplicando no Sábado como se pudesse me trazer notícias boas e eu conseguisse compartilhar mais as alegrias e prazeres do mundo. Acho que nunca tirarei essa impressão e deixarei de sentir o mágico prazer desse dia.
Levantava-me tarde e animada, o sorriso sem querer sempre dançando em meus lábios e encontrava meus pais na parte de baixo da casa. Haviam tomado café e estavam escutando música às vezes clássica e em outras oportunidades populares, a maioria delas de Vinicius de Morais, que eles adoravam. É como se esse som divino não conseguisse sair da minha cabeça principalmente nas manhãs de sábado.
Não saberia explicar com clareza essa sensação de vida e alegria, as esperanças brincando em meu coração sem que eu as distinguisse, a vontade de correr e abraçar todas as pessoas, o carinho que me dominava nas ruas e no colégio, a fascinação dos passeios, principalmente da praia naquele dia tão especial.
Com o biquíni e apenas uma toalha enrolada na cintura, encontrava-me com a alegre turminha de adolescentes, sentindo na pele o sol, no coração a vida e admirando sem ter consciência de quanto aquele mar era infinitamente amado. Uma sensação de liberdade e contentamento que não saberia definir.
O verde-azulado do infinito gigante a mexer em delírio com meus sentimentos, levava-me em reflexão em suas ondas de movimentos ondulantes e espetaculares, e então deixava que suas águas geladas me molhassem e me conduzissem para caminhos diferentes ao ritmo de minha própria imaginação.
Era ali que me refazia da semana, e encontrava a sedução necessária, esquecendo que haveria dias tristes e nebulosos. Olvidando que a vida era contrastante e por vezes incompreensível. Quando voltava para casa o Sábado continuava a caminhar misterioso, poderoso e infinitamente incompreendido.
Muitas vezes reunidos meus colegas e eu fazíamos planos, alguns jamais cumpridos, mas nem por isso menos sedutores. E as noites estreladas eram em sua beleza fonte de segredos que a alma recolhia, terna e silenciosa. E as vozes então se levantavam, cada uma querendo contar um pouquinho de si mesmo. E isso repercute em meus ouvidos como suave música tão necessária e forte que embala e ressurge cada vez que preciso de estímulo numa hora difícil e traumatizante embora passageira.
Hoje esse dia da semana tem o mesmo poder e me domina com uma persistência infinitamente recrudescedora. Levam-me a fantasias que eu recolho emocionada e distribuo pelo meu dia com uma vibração que sempre conheci no poder impressionante do Sábado.
Significam sensações das quais jamais poderei me apartar porque estão ligadas pela própria vida em anos de energias acumuladas e que são distribuídas por mim sem ao menos avaliar como tudo isso ocorreu e em que época da minha vida comecei a sentir seu impressionante domínio.
Vânia Moreira Diniz
|
|
Não... Silêncio não...
Esse silêncio me dilacera. Dá-me a sensação de vácuo e de que falo uma língua à parte, completamente desconhecida e ineficaz. Até eu mesma estou silenciosa, longe, sem compreender dores ou sofrimentos.
É um mundo calado e reservado, porque todos nós só pensamos em nós próprios. Vamos acordar ouvir, sentir, amar, antes que o momento passe na sua desesperada escalada e não dê mais tempo. Vamos olhar o nosso irmão ao lado. Ouvir seus soluços ou sorrisos integrar-nos em seus sentimentos, deixar que ele fale e aí sim silenciar na expectativa de suas palavras.
Esse silêncio impera nos momentos que mais precisamos das palavras, dos sons, da vida, da presença, da certeza que existe um planeta povoado.
Precisamos tomar consciência de outras pessoas, que podem estar sofrendo, passando por momentos difíceis, até mesmo alegres com sucessos que devem ser comemorados e precisamos sofrer ou festejar com eles. E que não são os acontecimentos de nossa vida os mais importantes.
Ah silêncio, silêncio, de palavras não ditas, de interesses não manifestados, de gritos que não ecoam.
Silêncio que parece algo a machucar os corações a essa altura do progresso, nesse momento de fatos contundentes que desfilam pela mídia e ouvimos como se tivéssemos assistindo a um filme de suspense.
Não suporto mais tomar consciência desse silêncio, dessa distância que se impõe ou ouvir palavras secas e formais, quero experimentar a vida, o calor, a esperança, o olhar de compreensão.
Preciso quebrar o silêncio e porque não começar de mim mesma?
Não importa que não me ouçam, não importa, mas preciso com urgência ouvi-los...
Todos nós estamos calados egoisticamente e existe alguém ao nosso lado.
Preciso acordar e dizer a esse companheiro. “Estou aqui” Desejo que ele compreenda que meu silêncio vai se quebrar, minha voz cintilar e minhas mãos se estenderem. Não quero mais sentir esse silêncio que ecoa até em minha alma. Não quero... Silêncio não...
Vãnia Moreira Diniz
|
|
Vida Subliminar
Abri os olhos bem devagar. Havia sonhado com imagens de pessoas queridas, que nunca mais havia visto, mas que continuam presentes em mim, indelevelmente. E pensei no extraordinário poder de viver pela memória e pelo pensamento. Um viver mais nostálgico em suas proporções macabras, mas nem por isso menos especial e verdadeiro.
Percorri a semi-escuridão do quarto, sem poder fixar-me em nada mais que as figuras apenas delineadas, mas tão fortes que se apresentaram em meu sonho. A minha impressão ainda sob a ação do subconsciente ativo é que tínhamos duas realidades e compreendi de forma diferente porque a razão de dizermos que as pessoas não morrem.
Refleti também no que estava sempre presente em mim: A intensidade com que caminhamos de forma diversa e peculiar, a energia nos envolvendo com um vigor assustador, a certeza que pessoas queridas estão ali e conosco e a vida subsistindo em nosso sono como se fosse outra verdade.
Penso que são essas afirmações tão subjetivas que faz do dia a dia um exercício de sensações vívidas e por vezes incoerentes, de fascinação latente a explodir rápidas em certas ocasiões e momentos pelos quais passamos.
Ainda sob a ação do sono, imersa num sentimento misto de inconsciência e lucidez, almejava ficar ali, sem ser perturbada para que pudesse usufruir as visões guardadas em minha memória. Sabia que ao levantar-me tudo se eclipsaria num instante e na maioria das vezes sem deixar vestígios de suas lembranças.
Por isso fiquei. E fui submergindo como se pudesse tocar nas imagens que apareciam em minha mente. Naquela hora em que o movimento da casa e mesmo lá fora era quase inexistente senti como se fosse personagem do meu próprio sonho embora já estivesse acordada. E vivi em função das circunstâncias ilusórias daquele momento.
Eram tão presentes e palpáveis que pareciam estar sob o efeito de uma alucinação. Tudo atuava como se fosse real, mas eu sabia que não era e me deixava levar como se estivesse disposta a ver até onde poderia ir a imaginação e a fantasia.
Partindo daí conclui com mais veemência que a convivência que tivemos com alguém jamais acaba porque ficará sempre muito viva em nossas lembranças proporcionando-nos instantes maravilhosamente relembrados.
O mais importante é a energia que flui benéfica, deixando a certeza da presença não física, mas nem por isso menos evidente. E que atua de forma profunda trazendo-nos uma sensação de bem-estar poderosa e enriquecendo experiências vividas como se ainda fizesse parte do contexto de nossas existências.
E essa sensação nos reconforta nas horas difíceis, impulsiona os momentos vibrantes e nos dão a confirmação de que os entes queridos continuarão a marcar os episódios de nossas vidas e enternecer-nos com seu amor, lembrando-nos sempre a convivência saudosa mas persistente.
Vânia Moreira Diniz
www.vaniadiniz.pro.br
|
|
Natureza
Vivi sempre cercada de pedra,
asfalto foi a minha poesia,
mas a natureza é como a palavra,
muita beleza sempre eu veria.
Amo as flores tão lindas e delicadas,
que encerram mistérios sem par,
suas cercanias serão sempre visitadas,
e por vezes o encanto me deixa sem ar.
Os passarinhos gorjeiam em alegria,
pequeninos e tão cheios de histórias,
quando o canto silencia dá melancolia,
e sua liberdade é sempre uma vitória.
As árvores são troncos poderosos,
protetores carregam tradição,
indicam vigor e potência maravilhosos,
e inspiram logo uma canção.
O sol com seu brilho entorpece,
de tanta beleza reflete fulgor,
seu calor agradavelmente aquece,
e olhando não sabemos a cor.
O céu , as estrelas e a lua,
encanto o mais fascinante,
formosura de veemência crua,
que sempre achei deslumbrante.
Não há palavras para tanta pujança,
seu nome sempre será natureza,
criatividade que Deus onipotente lança,
cada dia com mais e maior certeza.
Ter em volta a natureza já é viver,
encontro em cada canto uma efusão,
e mesmo na certeza absoluta do morrer,
caminho pela rica estrada com paixão.
Vânia Moreira Diniz
|
|

Luzes de Natal
Vânia Moreira Diniz
Luz brilhando suavemente,
Esperança que surgia,
Tão simplesmente,
Na desejada harmonia
Vida generosa
Espargindo vibrações,
Ressurgindo vigorosa,
Em prometidas emoções.
Expectativa de amor,
No nascimento e na liberdade,
Em meio à guerra e à dor,
E a visão da solidariedade.
Canto, auxílio e doçura,
Resgatando pobres crianças,
Olhando-as com ventura,
E o dia tão esperado avança.
Eis que surge a generosidade,
Do Natal, o salvador,
E o mundo com curiosidade,
A enxergar ainda alguma cor.
Natal música embalada,
Na doce voz da lealdade,
Maviosa crença na verdade,
E a ausência da maldade.
www.vaniadiniz.pro.br

|
|
“A Vida é muita curta para ser pequena”
Vânia Moreira Diniz
Enquanto o mundo assiste dolorosamente tanta e ilimitada maldade, violência e miséria e a humanidade se digladia num espetáculo de abominável trucidamento, guerra, atentados terroristas, tudo isso que nos causa revolta imensa, lembro-me quanto a vida é curta e de uma frase que ouvi na entrevista de um filósofo e teólogo que já a escutara de outra pessoa: “A vida é muita curta para ser pequena”. E como essa frase mexeu comigo imaginando a qualidade de vida que devíamos escolher não só para nós, mas para todos que caminham conosco seja aqui no Brasil ou no extremo do planeta.
Ele também relembrava que enquanto todos não estivessem bem não podíamos estar bem, e que o ser humano só pode ser feliz no conjunto da felicidade vivido por todos. Que quando apenas um ser humano padece não pode haver plenitude. Uma verdade inquestionável e que me faz pensar longamente no egoísmo que domina o mundo. Enquanto estamos aqui e curtimos a presença mútua com os leitores e amigos, pelo menos é esse meu pensamento, não sabemos o futuro por mais próximo que seja. E por isso aproveito esse momento em que a companhia um dos outros conectada em sentimentos de amizade favorece o companheirismo, amor, solidariedade e gentileza.
Como a vida é imprevisível talvez amanhã ou depois eu esteja em outro lugar, longe completamente do convívio mais estreito ou nos bastidores, apenas trabalhando, escrevendo e esperando que vocês consigam realizar seus sonhos, mas sem esquecê-los jamais.
Por isso espero que reflitamos em palavras tão grandiosas no sentido mais lato de sua expressão e convidemos para a nossa vida interior todos os povos que compõem a humanidade. A corrente deve começar por aqueles que estão bem próximos a nós e se estender inacabável por toda o planeta.
Não sei por que hoje especificamente desejo agradecer todo o carinho de muitos que escrevem, elogiam, dão sugestões, abrem seu espaço e aconchegam nossos projetos com uma ternura rara. E então compreendo o quanto de sensibilidade permeia ainda esse universo conflitante dominado por bens finitos esquecendo a infinitude localizada em outro momento e de forma completamente diversa da materialidade.
A luta pelo poder tão subjetiva em certos aspectos está enlouquecendo o mundo e criando não só distâncias, porém incentivando a miséria e o sofrimento, fazendo com que olvidemos que felicidade se resume no bem universal e jamais individual.
É isso que penso nesse dia, podendo me dirigir a vocês ainda com a esperança de que tudo se modifique e que a tecnologia assim como serviu para abrir caminhos imponderáveis, nos dê oportunidades de semear estradas interceptadas pela devastação humana e vazias pela indiferença. Nada é impossível a partir desse século.
A verdade maior hoje é a frase que pode nos ensinar a viver com coerência e humanidade:
“ Á vida é muita curta para ser pequena”
PS: a frase "A vida é curta para ser pequena" é atribuída a
um escritor e politico ingles Benjamin Disraeli (1804-1881).
|
|
Cadê a alegria?
Nos tempos conflitantes de hoje enquanto a violência impera com tanta ênfase e a mídia transmite guerras, conflitos, doenças e desgraças, crianças e adolescentes reagem até com indiferença, acostumadas a ouvir notícias e assistir cenas grotescas que se apresentam a cada minuto.
De que forma conseguiremos convidá-los à felicidade, enfatizar o horizonte glorioso, a natureza fascinante, com suas cores vibrantes, e ressuscitar os momentos em que já vivemos de prosperidade e expectativa?
Quando observamos o olhar opaco da juventude e a incerteza que se instalam em seus corações perguntamos: como poderão encarar o futuro?
Como conseguirão caminhar sem traumas observando no dia a dia tantos acontecimentos adversos e não podendo brincar nas ruas com liberdade, correr livremente, olhar sem ter medo ou estender a mão a qualquer pessoa sem receios nem dúvidas?
Precisamos ensiná-los, dar o exemplo, mostrar o dom maior da solidariedade e dizer que isso tudo que acontece no mundo inteiro e é descrito tão friamente é apenas uma fase que a humanidade atravessa e não é natural e nem carrega as emoções de um filme de suspense.
Principalmente esclarecer ainda nos bancos do colégio que em qualquer idade as nossas responsabilidades e a importância de nossos atos são proporcionais ao que praticamos.
Nesse tempo em que crimes hediondos são cometidos filhos matam pais ou avós, colegas se trucidam, pessoas inocentes são torturadas e a indiferença é manifestada, como poderemos provar que nascemos para ser felizes e que a solidariedade é o maior instrumento de luz e brilho em nossas vidas?
Como resgatar o entusiasmo ou influenciar nos jovens ânsias por ideais lúdicos e tão necessários para sua formação psicológica nesse momento, em que a humanidade não conhece a palavra união ou paz? Cadê a alegria?
Onde está o sorriso espontâneo e natural, esperança no olhar, vivacidade em brincadeiras sadias, certeza no porvir, entusiasmo a cada passo do caminho e que quase não encontramos hoje em dia em nossos adolescentes? Cadê a alegria?
Essas crianças precisam conhecer os limites que são necessários a uma boa e sadia educação, mas para isso é imprescindível que os adultos compreendam a necessidade do sorrir, da felicidade saudável, do encanto de podermos apreciar o horizonte sonhando com a fé e o crédito que devemos dar aos anos que se seguem.
Temos que lutar por uma boa educação e tornar possível a felicidade praticando em nossa vida particular o que também exigimos dos outros, do governo, da nação, dos políticos e de todos que encaminham o mundo de hoje.
Votar bem, não esquecendo que depende de nós o sorriso de nossas crianças amanhã e os atos que praticarão no dia a dia que se aproxima. Se formos displicentes exercendo nossa cidadania a ponto de escolher o primeiro nome que aparece porque é primo de nosso amigo, conhecido de nosso irmão ou simplesmente porque nos atraiu a simpatia, então cadê a alegria das crianças que ainda virão? E das que se tornarão os homens e mulheres que encaminharão o mundo que surgirá depois?
Estamos no mês do inverno, ainda assim com o sol inundando nosso país, flores de todas as cores e aromas, o céu azul e maravilhoso, a poesia de nossos cantos, sensações que entram na alma como um hino de amor, alegria resgatada para ser entregue às nossas crianças, adolescentes e àqueles pequeninos que sentem pela primeira vez o oxigênio que os conduzirão à vida.
Alegria, alegria, fé, paz, reestruturação de nossos ideais e ainda assim perguntamos para que ela jamais se afaste: Cadê a alegria?
Vânia Moreira Diniz
|
|
Tu me cativas
Tu me cativas nos pequenos gestos,
Nas palavras doces e carinhosas,
No amor que declaras com ternura,
No sentimento espontâneo e faceiro,
Quando me mimas tão naturalmente
E ainda queres saber se me agradou!
Tu me cativas quando falas de amor,
Demonstrando-me teus desejos,
Falando-me de tuas fantasias,
Iluminando ternamente minha vida,
Oferecendo-me a felicidade ,
Compartilhando dos meus sonhos,
Tu me cativas e fazes-me dengosa,
No fascinante encontro de lembranças,
Nas alegrias que me ofereces!
Tu me cativas a separar a distância,
Na força desse amor apaixonado,
Na certeza da felicidade!
Tu me cativas!
Vânia Moreira Diniz
|
|
Esperança, Certeza e Emoção.
Vânia Moreira Diniz
Ontem tive uma emoção muito forte. Uma menina de apenas 12 anos, uma artista nas artes plásticas, maravilhosamente bem dotada, veio me trazer com sua mãe, um quadro que ela pintara inspirada numa das crônicas que lera no meu livro que acaba de ser lançado.
O tema é o mar e não pude conter a sensibilidade enorme que o gesto da linda garota me provocou. Foi algo muito especial. Desses acontecimentos que enchem o coração da gente de alegria colorida e intensa.
Conheço sua mãe e a menina que se chama Juliana estava me olhando fixamente para ver minha reação e depois que Marilene me contou o motivo do presente feito especialmente para mim e mostrou a linda obra de arte é claro que as lágrimas desceram veementes. Entendi que os momentos que eu já vivera e que continuavam ali, valiam o “existir”.
Com carinho imenso abracei a pequena e convidei-a para sentar sem poder falar muito porque algo forte embargava minha voz. Foi quando ouvi Juliana me perguntar:
-Você gostou mesmo?
-Não gostei simplesmente. Amei e não tenho palavras para lhe dizer o quanto olhando para sua pintura, eu me sinto emocionada e feliz.
-Você disse que quando era pequenina e estava triste ia para a praia e eu quis fazer uma tela bem bonita com o mar. Mas eu não conheço. Já vi em fotografia e cinema.
A pintura era maravilhosa, com linhas suaves, o mar verde azulado batendo nas pedras escuras e imaginei que aquela jovenzinha demonstrava um talento e sensibilidade tão grande que minha alma estava em transe. Sentada junto dela, tendo sua mãozinha entre as minhas compreendi o quanto o mundo era admirável e como instantes como esse são uma lição de vida para afastar os momentos e em que nos deprimimos por qualquer bobagem.
Prometi a Juliana levá-la ao Rio para que conhecesse o lugar que acontecera o episódio que lhe fizera pintar o quadro, caso, é claro, sua mãe permitisse. Mas enquanto eu falava percebi que suas mãos estavam frias e perguntei a ela o que estava sentindo
Não sei, ela me respondeu, uma coisa esquisita no meu coração e...
Ficamos ali, longamente abraçadas enquanto sua mãe simplesmente olhava, tentando segurar as lágrimas. Mas em dado momento a linda adolescente, morena, de olhos profundos e indecifráveis, terna e extraordinariamente talentosa disse olhando-me bem nos olhos com a franqueza das crianças enquanto eu estava embevecida apreciando sua tela, aquela obra de arte que era para mim uma valiosa jóia:
-Fiz essa pintura porque é a única forma de lhe oferecer um presente feito por mim e que você não esquecesse. Não sei se é bonito, mas eu queria dizer pintando o que você diz escrevendo. Só que não consigo.
As palavras não saiam, mas consegui ainda responder.
-Juliana, essa é a pintura mais linda que jamais vi. E você será uma grande pintora. Reúna todos os seus trabalhos, querida, e prometo fazer sua primeira exposição.
Não sei o que se passou no coração de nós três reunidas aqui nesse escritório. Em mim era entusiasmo e doçura, em Marilene, alegria e na pequena Ju o brilho da esperança e da certeza radiante.
Vânia Moreira Diniz
|
|

Art by Lenya Terra
Amo a poesia
Amo a poesia,
Em seus mínimos movimentos,
No lirismo que comove
Na ternura das verdades,
Encanto a falar de amor,
Anunciando o carinho.
Que se desfaz em frases,
Escorrendo entre palavras,
Chegando ao coração,
Por vezes lágrimas provocando,
Ou sorrisos de meiguice.
Amo a poesia,
Cultuando a natureza,
Em mil versos diferentes,
Enaltecendo os sentimentos,
Do amor universal,
Protegendo os carentes,
Amando os excluídos,
Envolvendo-os com suavidade,
Abrigando os especiais,
Entendendo seus olhares,
E ouvindo seus segredos.
Amo a poesia.
A descrever a natureza,
Seus tons coloridos,
O céu, a terra, as estrelas,
A lua dourada a nos iluminar,
Com a reconhecida magia
de séculos de compreensão,
Os rios em seu curso veloz,
os lagos tranqüilos,
A tempestade devastadora,
E o sol a aquecer o planeta
E trazer o calor que conforta.
Amo a poesia
A falar de amor,
Vibrar nos acordes da paixão,
Acariciar o beijo dos namorados,
Proteger as carícias dos amantes,
Restaurar os elos dos afetos,
Fundir sentimentos partidos,
Interromper as mágoas,
Presenciar o desejo dos que se amam
e indicar-lhes o momento de prazer.
Amo a poesia!
|
|

OS NOSSOS SONHOS Vânia Moreira Diniz
Precisamos sonhar para viver. E isso até mesmo cientificamente quando os médicos explicam que mesmo não nos lembrando, sonhamos quando estamos dormindo. Ninguém dorme sem sonhos e podemos afirmar que não vivemos sem que eles constituam uma parte grande de nossas vidas.
Não sabemos o dia de amanhã, graças a Deus, senão poderíamos ficar neuróticos de tanto pensar o que nos esperaria ali, aqui ou mais para frente. E acho que nisso também o Senhor do Universo, seja ele quem for agiu e mostrou sua infinita sapiência.
Meu primeiro sonho, aos cinco ou seis anos foi sentar com meu avô e escrever. Ver as minhas letras se transformarem em palavras e estas em frases que as pessoas pudessem entender. E também ler tanto para compreender o mundo, a razão da nossa presença que os adultos não me explicavam com paciência suficiente. Principalmente o motivo das diferenças de pessoas que passavam misérias enquanto outras ostentavam riquezas e usufruíam luxo e fausto. E também como poderia existir violência ou grosseria contra uma criança inocente.
Aos poucos fui compreendendo que todos nós passamos por provas difíceis e também por alegrias profundas. Que tudo na vida era um poderoso contraste. E que lei mais sedutora da vida era o amor universal capaz de fazer com que nos compreendêssemos e nos ajudássemos mutuamente.
É por isso que estaremos aqui todas as quinzenas. Procurando realizar os sonhos procurando proporcionar alegrias infindas a todos aqueles que se conectam a nós não só no termo exato da palavra, mas também com alma e compreensão. Conexão concentrada procurando entender o que desejamos oferecer. Ansiosamente esperando que alcancemos as fantasias de cada um e pelo menos consigamos oferecer tudo aquilo que vocês esperam de nós.
Imagino que cada um possa estar mais perto de nosso trabalho porque não existe nada na existência que não seja regida pela lei da reciprocidade. Por mais que vocês ou nós queiramos oferecer mutuamente carinho, ternura ou solidariedade não o conseguiremos se não houver esse sentimento que age como um ímã e transfere de uns para outros, necessidades que todos precisamos.
E no momento em que trabalhamos no nosso projeto os nossos sonhos, são de poder oferecer aos nossos leitores e amigos um espaço real mesmo em se tratando do virtual. E sentimento, sensações e solidariedade têm mesmo o aspecto abstrato real. Assim é nos sentimentos Como aprendemos nos colégios em nossa infância, “não pegamos”, mas sentimos profundamente e é objetivo à medida que se torna mais profundo.
Nesse momento queremos transmitir o quanto a vida é curta e os momentos tão efêmeros que devemos transformar os sonhos, por pequenos que sejam em um acontecimento fascinante trazendo percepção de realização que nos acompanhará a vida inteira.
E é isso que queremos oferecer: Um sonho, o sonho de realizarmos um trabalho que possa frutificar e encontrar guarida em seus corações.
|
|

Vim para amar
Vânia Moreira Diniz
Vim para ficar,
Vim para amar,
vim para ser feliz,
vim de qualquer jeito.
Atravessei mares,
Avistei terras,
Circundei o mundo,
Encontrei meu sentimento,
Senti meu coração,
Batendo forte e compassado,
Visitei minha alma,
Lugares inexplorados,
Muitos agitados e conhecidos,
mas distante de meus pensamentos.
Vim para viver,
Vim parar crer,
Vim para descobrir,
Vim para amar,
Vim , simplesmente.
Andei por caminhos escuros,
Caminhei sem certeza,
Observando os aclives,
amando as montanhas,
Sentindo as águas geladas,
do mar verde e profundo.
Emergindo exuberante,
Encontrei minhas razões,
E finalmente tive a certeza.
Vim sem nenhuma dor,
Vim somente buscar,
Vim lentamente,
Vim corajosamente,
Vim para amar.
Para descobrir o mundo,
As formas de conquistá-lo,
Com humildade e inexperiência,
Procurando conhecer-me,
E me distanciando de certas verdades,
Estimulando almas distantes,
Encontrando a forma de lutar,
Retirando forças interiores
E convertendo-as em vida.
Vim, apenas vim.
Vim para amar.
|
|
Sonho ou Realidade?
(Homenagem a uma extraordinária psicóloga e amiga)
Olhando o relógio entrei no consultório da psicóloga indicada. Não a conhecia ainda mas estava acostumada a lidar com esses profissionais desde muito pequena. E no momento acreditava que estava precisando de uma terapia, porém não muito intensiva.
A porta abriu e a secretária pediu que eu entrasse e consegui logo divisar uma figura extremamente simpática que evidentemente era Dra. Maria Lúcia.
Sorrindo ela me estendeu a mão sem levantar da poltrona confortável em que estava acomodada.
Não estranhei a atitude e imaginava que ela quisesse me deixar à vontade.
Durante alguns meses freqüentei aquele lugar e me sentia extremamente tranqüila.
Não era referente ao tratamento pois já havia feito em várias ocasiões terapias curtas e a espécie de calma que me dominava no momento era algo diferente que eu não saberia definir.
Acreditava que o ambiente, a bondade extrema de minha psicóloga, querendo sempre a todos ajudar e a naturalidade de seus atos considerados exóticos estavam realmente me fazendo um bem enorme.
Chegava regularmente cedo porém na hora exata sempre a encontrava já acomodada em sua sala.
Ela costumava dizer que o lugar era seu mundo e se sentia em paz toda vez que cruzava seu gabinete de trabalho.
Um dia, entretanto não a encontrei como de costume e antes mesmo que eu pudesse constatar a atendente me pediu desculpas dizendo que Dra Maria Lúcia tivera que fazer uma cirurgia de urgência e não dera tempo de avisar.
Aquiesci compreendendo mas achei muito estranho e durante seis meses não pude completar o tratamento pois a operação tivera implicações e ela nem recebia visitas.
Estivera até mesmo em coma e eu aflitivamente acompanhei a evolução pedindo notícias regularmente.
Dra Maria Lúcia por várias razões até mesmo porque conhecera meu pai tornou-se para mim uma figura extremamente amiga o que não é comum em relações profissionais.
E eu me afeiçoara sinceramente e sabia que era recíproco.
Consegui visitá-la afinal e a encontrei muito bem disposta. Mas havia nessa mulher algo, como se quisesse esconder alguma coisa, que talvez me magoasse.
Não tinha nenhuma razão pra ter esse tipo de pensamento e tirava-o constantemente da minha cabeça.
Voltando ao consultório pude constatar o que já sabia apenas em conversas. Ela era muito mística. Acreditava sinceramente em Deus com uma fé inabalável. Não queria convencer a ninguém de nada mas ao mesmo tempo a crença e generosidade eram tão evidentes que sua influência era natural.
Trabalhava demais, tinha um grupo infantil que ela não abria mão e costumava receber pessoas que estavam martirizadas pelas drogas ou por outra dependência qualquer.
Vira receber essas pessoas em momentos urgentes e nada exigia de pagamento ou recompensa.
Cada vez admirava mais aquela senhora que aparentemente saudável, sofria de dores das quais entretanto não queria falar.
Um dia perguntei-lhe porque trabalhava tanto se tinha o bastante para sobreviver e porque fazia isso em horas tiradas de seu repouso.
Olhou-me com simpatia e seu olhar estava distante e concentrado quando falou:
- É o amor. Amor universal. Sabe que isso é a coisa mais importante da minha vida?
- Mas e a sua vida particular? Sua casa, seus amigos e interesses?
-Tudo isso é contornável. Pode ficar certa que é possível unir as coisas. Sou feliz , não é o que importa?
- Maria Lúcia, sinto que você se dedica aos outros mas há algo que me parece estranho. Não sei o que é.
- Não pense nisso agora. O que importa é que você está conseguindo vencer as pequenas tensões que tanto lhe incomodavam.
Muitas vezes ficava olhando a figura suave daquela profissional que trabalhava quinze horas por dia e jamais desde que eu a conhecera, pelo menos, pensava nela mesma.
Um dia conversando com a secretária Janete ela inadverditamente comentou sobre as dores violentas que Maria Lúcia sentia à noite depois de um dia exaustivo.
Comentei que talvez se ela andasse um pouco fazendo exercícios pelo menos uma vez em tantas horas, aliviasse a posição obrigatória.
A moça não me respondeu e daí em diante evitava conversar.
Sempre notara como essa profissional dedicada que dirigia sua vida para fim comum e nobre, em oportunidade alguma chegava atrasada. E mais de uma vez vira seu marido tratando ali na ante-sala de problemas corriqueiros. Ela não o fazia.
Estava perto do fim de meu tratamento quando reparei que suas mãos estavam encurvadas e ela nunca escrevia ou pegava qualquer coisa a seu lado.
Nem um copo de água.
Tinha tanto carinho e admiração por aquela mulher que me preocupava por ela sinceramente. Perguntei-lhe se estava com alguma espécie de reumatismo e ela muito evasivamente contou-me que tinha uma artrite insistente. Fazia tratamento e o motivo da cirurgia fora aquele.
- Quando me operei, fiquei em coma, mas vou contar-lhe uma coisa que nunca relatei a ninguém. Sei que permaneci alguns dias no coma e o médico já me desenganara. Voltei, no entanto porque precisava ainda fazer muita coisa e Jesus sabe disso.
Olhei-a espantada, conhecendo a sua sensatez inconfundível.
- Não me olhe assim. Nunca contei a ninguém, isso. Mas em você tenho tanta confiança e preciso falar com alguém. Nesses dias tinha consciência que estava em algum lugar diferente. Andávamos com roupas compridas e brancas e por duas vezes conversei com um mestre parecido com Cristo. Pedi para voltar, pois achava que ainda precisava fazer muita coisa. Ele respondeu-me que se voltasse ainda iria sofrer muito e eu concordei. Mas precisava voltar.
- Acredita que foi um sonho pela alucinação do coma?
- Não acredito nisso. Não foi um sonho. Estou aqui, estou sofrendo como ele disse. Entretanto sou pequena demais para ver e falar com o Mestre. Não sei o que pensar.
Olhei-a longamente segurando entre as minhas a mãos que a artrite deformara, procurando infundir-lhe um pouco de calor.
Quase no fim de meu tratamento cheguei mais cedo, pois precisava tentar ser atendida antes do meu horário. Não avisei porque sabia que a psicóloga estava no consultório quase de madrugada.
Quando saí do elevador deparo-me com uma cadeira de rodas, de costas e quando passo por ela e instintivamente olho para trás, lá estava a Dra. Maria Lúcia empurrada pelo marido, com um sorriso nos lábios pintados de batom claro, a mesma figura impressionante e carismática de sempre.
Sem palavras, o olhar assustado, a dor magoando meu peito compreendi tudo. E antes que eu falasse ela me disse:
- Não diga nada, querida. Quem está fazendo terapia é você, não eu. Estou bem. Apenas não posso andar e é por isso que tenho a falta de educação de não me levantar quando você entra em meu consultório.
- E por que não me disse nada?
- Para que? Isso só iria deixá-la chocada. Aconteceu. Vamos. Vamos entrar.
Fiquei parada, petrificada pelo choque e entendendo que talvez o mestre como ela dizia tivesse razão.
Ela morreu poucos meses depois e jamais esquecerei tão doce pessoa que ornamentou minha vida de maneira muito especial e lamento não ter compreendido tudo muito antes para que pudesse dar-lhe uma atenção mais confortável. Lamento profundamente.
Vânia Moreira Diniz
|
|