Saudades espicaçantes e algo mortificantes, incitavam-me fortemente a ir ou a vir passar ao terrunho onde nasci, viver e reviver a dulcíssima e incomparável tradição da Quadra do Natal, com a ideia já preconcebida de, ao fim e ao cabo, retornar à fenícia “ALIS UBBO”, à “LISSABONA” bem-amada, mas inesperadamente ferido em profundidade, no coração, por uma seta de Cupido, pela Madeira me quedei não a me restabelecer mas a agravar “aquele contentamento descontente”, “aquele fogo que arde e não se sente...”.
O amor, com todas as suas delícias juvenis, aniquilou todos os meus planos da Lisboa “alfacinha” e preso “naquele engano ledo e cego”, o tempo correu ligeiro e fagueiro e eu cada vez mais apertado, mais alienado no sedutor colete-espartilho de Vénus...
Outro Natal chegou – o de 1926. A ciclónica procela do trágico naufrágio do Iate “Phisália”, ocorrida na baía do Funchal ao entardecer do dia 15 de Dezembro de 26.
Foi o prenúncio da tempestade que desabara sobre a minha vida quieta e feliz, ao cabo da vintena do mês de Janeiro de 1927.
A par do jornal “O IMPARCIAL”, onde o Álvaro Favila Vieira, Raposo de Oliveira (Açoriano), Daniel da Costa e outros, com serenidade, verdade e rudeza, fustigavam a denominada “BURLA DAS OBRAS DO PORTO DO FUNCHAL” – a par de “O IMPARCIAL”, digo, no jornal sindicalista “A BATALHA”, local, do qual eu era redactor, não fora manos rude o combate de minha pena contra a mesma “BURLA”, patrocinada por um “gang” inglês, apodado de “FUMASIL & CO”, actuante em Londres sob a instigação principal do ambicioso corriqueiro, Dr. Américo Correia da Silva, que fora Governador Civil do Funchal, ao tempo do malogrado Presidente Major Dr. Sidónio Pais.
No número de outros comparsas, estava um refugo de trafulhas anichado no organismo da “Junta Autónoma dos Portos do Funchal” e por fora contava-se o arguto Francisco Bento de Gouveia e o Dr. Luís Vieira de Castro, director de “O JORNAL”, ambos lugar-tenentes de Américo Correia da Silva.
Certo dia, Francisco Bento de Gouveia, abordou-me, junto à Companhia da Luz, ao Campo Almirante Reis, com os “pezinhos de lã”, do seguinte benemérito suborno...: -“O jornal de vocês – “A BATALHA” – apresenta-se tipograficamente num estado deplorável. Estarão vocês dispostos a aceitar vinte mil escudos para renovação de material?...”
Respondi eu: - “Esse assunto não me diz respeito. Eu sou apenas um redactor do jornal. A sua proposta só poderá ser atendida por Eurico Marques de Oliveira, na sua qualidade de autorizado e reconhecido orientador, credenciado pelas assembleias-gerais das classes operariadas da Madeira, filiadas na “Casa Sindical”. Eu vou comunicar-lhe a sua proposta e amanhã poderei dar-lhe uma resposta.”
Eurico morava ali pertinho, numa das primeiras casas do Almirante Reis, uma casa de varanda ou sacada que hoje tem o N.º 14, para onde eu me dirigia no instante em que fora abordado por Francisco Bento de Gouveia.
Para lá me dirigi. Eurico recebeu-me logo, de pé, frente à sua secretária de trabalho. Disse-lhe o que acabara de ouvir da boca de Francisco Bento. Eurico, ouviu-me atentamente, e depois, de rosto congestionado, olhos esbugalhados a pularem das órbitas, deu um fortíssimo murro na secretária e quase que alucinado, gritou: “AQUI NINGUÉM SE VENDE!!!”
Do honestíssimo Eurico, se bem que demasiadamente impulsivo, eu não esperava outra resposta, mesmo que tal resposta fosse, como foi, o prelúdio, o rastilho da nossa canalhesca deportação.
Ao levar a resposta dura e decisiva a Francisco Bento, este embatucou e em sua face, como um relâmpago, cintilou um sorriso sinistro...
Dias depois, o tempo necessário para o arranjo e montagem da armadilha (5.ª feira, 20 de Janeiro de 1927) cerca de uma hora da tarde, a “Casa Sindical”, à Rua do Dr. Vieira (Carreira) N.º 5, onde se compunha e imprimia “A BATALHA”, era assaltada por um bando de sicários e mastins, que mudou a fechadura da porta da rua, expulsou os tipógrafos e ajudantes, um espanhol desgarrado que ali se albergava por total carência de meios de subsistência, dois rapazitos, filhos de operários, de quantos eu ali, armado em professor particular, ministrava ensino para seus exames de 1.º e 2.º Graus.
Porta fechada, por dentro, para que o trabalhinho decorresse mais à vontadinha, um dos quatro salteadores colocou três velas de dinamite, embrulhadas em um exemplar do jornal “Batalha”, dentro de um caixote tipo-embalagem de antigas latas de petróleo, caixote esse que tinha o seu lugar certo, debaixo de uma lareira, sem uso, do 2.º andar. Diga-se já, porque é IMPORTANTÍSSIMO que se diga, que tal caixote, nada, absolutamente NADA continha dentro, antes do assalto porque servia para botar o lixo da varredura da “Casa Sindical” e esse lixo, na própria manhã do dia do assalto, estava como habitualmente à porta da rua e fora despejado à passagem do carrão lixeiro da Câmara, pelo pessoal camarário da limpeza e levado para cima, para o seu habitual lugar, pelo serviçal da “Casa Sindical”, COMPLETAMENTE VAZIO. Sobre esse serviçal, mais adiante nos referiremos para não alterar o passo deste trânsito e engarrafar a descrição.
Porque se serviram os assaltantes desse caixote? Porque e simplesmente o quarto dos delegados sindicais, no primeiro andar, estava fechado à chave e arrombar-lhe a porta seria uma perigosa imprudência...
Cá fora, na rua, a servir de esculca, estava o célebre camarada, o tanoeiro João Luís de Faria, empregado eventual na oficina de tanoaria da Casa Blandy, sita, como ainda hoje, à Calçada de S. Lourenço.
À saída, os quatro figurões salteadores, ensaiados e encenados pelos contra-regras da “FUMASIL”, foram entregar a chave da porta da rua da “Casa Sindical” ao Governador Civil, governador que segundo constava, por ser confrade dos capangas da “FUMASIL”, nadava nas mesmas águas... Antes da entrega da chave, os salteadores, cansados da tarefa, foram molhar o bico, à tasca do José Gomes (o “Bonito”), sita no rés-do-chão da própria “Casa Sindical”.
Eis aqui os nomes dos quatro salteadores: - António de Abreu (O “Rainha das Balsas), caiador-encartado da Junta-Geral do Distrito, que segundo se dizia era o guarda-costas para todo o serviço, do presidente-empreiteiro daquele Corpo administrativo, Dr. Vasco Gonçalves Marques; José de Freitas (o “Calvinista), carpinteiro de profissão e director do semanário adventista “A VOZ da MADEIRA”; João Octaviano Soares, ainda hoje pintor-chefe do “Hotel REID’S” e João Jerónimo Melim (o “Olho de Vidro”), serralheiro-mecânico no Arsenal de S. Tiago. Este foi quem roubou no depósito de dinamite do referido arsenal, as três velas de dinamite destinadas à criminosa proeza. Tempos depois, a Providência castigou-o: três dedos da mão direita, cortados na serra onde ele trabalhava.
Por debaixo desta máquina de serrar metais, segundo me disse o conhecido Afonso Coelho, ainda hoje existe o referido depósito de dinamite, onde Melim, exposto a ser despedido, por merecida punição, rapinou ao serviço dos burlões da “FUMASIL” e seus labréus, velas que também foram da “Câmara ardente” do infeliz deportado, o pedreiro João Abílio Ferreira, que gravemente doente em Timor, veio morrer em Lisboa, sem assistência familiar, no Hospital de alienados, “Miguel Bombarda”. Desgraçado amigo, pobre companheiro da mais “MISERÁVEL DAS INFÂMIAS IMPUNEMENTE PERPRETADAS NA MADEIRA” – segundo a expressão verbal e escrita de um esclarecido e popularmente respeitado e querido Governador Civil do Funchal, o saudoso e nobre Capitão de Caçadores 5, Artur de Almeida Cabaço!
MAIS CARNAVAL PORCO E IGNÓBIL...
Quatro dias após o banditário assalto à “Casa Sindical” (2.ª feira, 24 de Janeiro de 1927) o habilíssimo chefe de polícia, Francisco Macedo de Faria, que segundo publicamente corria descobriria crimes que os dois mais audaciosos e temíveis gatunos de então – o “Carambola” e o “Caravela”, seus protegidos, lhe sopravam aos ouvidos – chefe Macedo de Faria, acompanhado por dois dos assaltantes, foi fazer uma busca e rebusca de encomenda, e ali foram direitinhos de ventas ao caixote do lixo, onde se encontrava o famoso e manigante corpo de delito...
A piramidal descoberta levou o celebérrimo detective a matutar por conta e serviço dos burlões da “FUMASIL” na composição de uma “quadrilha de malfeitores” e toca a mandar prender operários, uns chefes de família, outros solteiros, porquanto eu e o Eurico Marques de Oliveira, éramos quem se queria e pretendia atingir pelos apelos secretos dos cabecilhas das Obras do Porto. Chefe Macedo, o hábil, o exímio, trazia na mioleira, no fígado, no bofe e em todas as vísceras, aquilo que se dizia à boca cheia, à boca farta, ter aprendido e praticado, na Ponta do Sol, seu coio natalício... Na Comissaria, o primo João Bigodes, um magno espalha brasas, um ideal bigorrilha de se lhe tirar o “palhinhas”, como à frente se verá e concluirá...
O “Jornal”, da direcção de Luís Vieira de Castro, era o órgão raivosamente declarado da “Burla das Obras do Porto”, assim como mais tarde deveria sê-lo da grotesca “Revolva da Madeira”, porque previamente combinado com o amigalhaço Capitão Sardinha, não fora bem ordenadamente requisitado pelos revoltosos mas voluntariamente concedido... Porém, fases daquela Revolta de má figura e de banzantes ineditismos, queremos que sejam da memória de outro capítulo...
O jornal castrino foi badalo de repique constante contra os presos da “Casa Sindical”, não por serviço de informação pública mas por ódio mal disfarçado, contra o atrevido perturbador que o Eurico e eu, o éramos, por meio da pena e comício de Redacção e de esquina contra a descarada falcatrua dos afanosos obreiros do Porto do Funchal. Eu já sabia que estava à cabeça da relação de quantos iam ser postos a ferros pelo mui hábil chefe Macedo, instrumentado pelos burlões de comandita com o corjedo menor de servidão bajulante e traidora, cujo quartel general era na “Cooperativa de Construção Civil”, da Travessa do Forno, a quem fora prometida a parte carpinteiral, por cinquenta anos, da citada obra burlona – o que era uma teta sem fim e um pau por um olho...
Compreenda-se o primor da suma malandrice.
De modo algum eu queria ser catrafilado ou engradado antes do dia 21 de Janeiro. E porquê? Porque, por dever de gratidão eu desejaria estar presente à trasladação dos despojos fúnebres de Henrique Augusto Vieira de Castro, do jazigo municipal onde os mesmos despojos se encontravam, para o jazigo de família – acto esse que se realizaria no dia 20 de Janeiro de 1927, com a presença de familiares do saudoso falecido e de alguns amigos do mesmo e em cujo acto, apesar de certas coisas e loisas... eu também estive ocultamente presente, graças ao amigo Gabriel, guarda do cemitério, que me permitira antecipadamente esconderijo no necrotério do mesmo cemitério, não fosse o Diabo deitar-me os gadanhos se me apanhasse ali visível antes da efectivação do referido acto angustioso e funéreo...
Então e depois eu consenti deixar-me prender porque tinha a minha consciência plenamente tranquila e no meu íntimo silabava pausadamente o rifão de que “Quem não deve não teme...”
Na Terça-feira, 25 de Janeiro, eu já estava a ferros num calaboiço-enxovia do Comissariado de Polícia Cívica do Funchal e comigo os seguintes companheiros de cárcere:
Eurico Lino Gonçalves Marques de Oliveira, 1.º Oficial dos C.T.T. Calisto Gonçalves Pinto da Silva, comerciante; Francisco Fernandes Camacho, carpinteiro e marceneiro; João de Sousa, sapateiro, antigo guarda cívico N.º 7; António Francisco Serra, sapateiro; José Fernandes Lopes, carpinteiro; João Abílio Ferreira, pedreiro; Francisco Fernandes, sapateiro e Francisco Ureña Prieto, de nacionalidade espanhola e sem profissão na Madeira.
Veja-se agora, em conformidade e confirmação do que acima dito ou escrito, o modo passional, sensacionalista, claramente denunciador e AÇULADOR como o jornal da direcção de Luís Vieira de Castro, se portou e comprometeu na notícia com destaque de primeira página, 6.ª coluna, ao alto, em sua edição de 6.ª feira, 21 de Janeiro de 1927.
Devo acentuar que os sublinhados, parênteses, interrogações e reticências, são meus.
Título: - “ORGANIZAÇÃO OPERÁRIA. – CASA SINDICAL”
“A SEDE DAS ASSOCIAÇÕES OPERÁRIAS DO Funchal, instalada desde alguns anos numa casa à Rua da Carreira, foi ontem RECONQUISTADA!!! (Até parece Jerusalém...) pelos legítimos representantes (???) da organização sindical desta cidade.” (Espantosa mentira! Inaudito descaramento! Miserável pantomina!).
“A sede das associações tinha sido ocupada (Ocupada, não! Legalmente frequentada, sim!) por um grupo de operário capitaneado (Capitaneado é palavrão desprimoroso que cheira a quadrilha de ladrões!!!) por Eurico Marques de Oliveira e ali era composto e impresso um semanário intitulado a “Batalha” (Verdade absoluta. Verdade total. Sim. “A BATALHA”, o jornal que estava atravessado no gorgomilo dos burlões da “FUMASIL” que os mesmos tentaram subornar!!!). “Ontem, cerca de uma hora da tarde (Hora tacticamente escolhida. Hora de almoço por causa das moscas e dos moscardos nas bochechas...) os legítimos inquilinos (Ele a dar-lhe e a burra a fugir...) decidiram a regressar à casa que lhes fora usurpada (Aqui, como a D. Miguel, chama-se usurpadores, gatunos, aos donos verdadeiros. Triste ignorância. Pobre mentalidade. Grandessíssima malandrice) violentamente (Que maldoso e insidioso estilo o do autor da notícia, o próprio Luís Vieira de Castro, como nos dissera então o Arnaldo Coimbra Figueira, repórter de “O JORNAL” e executaram com relativa facilidade os seus desígnios (pudera, se não estava lá ninguém que esmurrasse os narizes dos salteadores e os fizesse descer os dois lances da escada, a “jacto”... Quanto aos desígnios, as amicíssimas e seráficas velinhas de presépio dinamitório, esses resultaram às mil maravilhas...)
“Dentro da casa encontrava-se um indivíduo espanhol de nome aranã (pois seja aranã. Já se sabe o que significa quando se troca o nome a qualquer pessoa...) que há seis meses se acha ali residindo e que segundo nos consta (O Sr. Consta é irmão uterino do Sr. ETC....) é um elemento perigoso (Pois claro! Porque é que o pobre diabo, sendo espanhol, não havia de ser perigoso???) pelos seus ideais revolucionários (Pandilha! Ideais revolucionários toda a gente os pode ter. mas esse desgraçado espanhol só tinha fome. Pior do que certos ideais revolucionários são as traições aos ideais. Pergunte-se ao Manuel Marcos dos Santos, empregado no “Hotel Golden Gate”, desde 1913, quem na roda amiga do incorrigível revolucionário, Capitão de Engenheiros, Carlos Venceslau de Ornelas Frazão Sardinha, hoje um monge de 85 anos, em Sá da Bandeira – escrevia e ditava no mesmo hotel, manifestos clandestinos, papel comprado na Livraria Popular, do Zé Talassa”, compostos e impressos pelo falecido tipógrafo e amador teatral, Manuel Câmara, no prelo da referida Livraria, sita à Rua do Bispo, manifestos esses favoravelmente afectos ao Movimento Revolucionário da Madeira, que eclodiu na manhã de 4 de Abril de 1931. Saiba-se que eu tenho em meu poder um recibo desse trabalhinho de sapa castrista, no montante de cerca de mil e quinhentos escudos. Mas isto é outra memória, outra história...)
No edifício (continua Luís Vieira de Castro) estavam também dois tipógrafos (que novidade haver tipógrafos numa tipografia... Mas não tantos como na tipografia de “O JORNAL”...) e três pequenos cuja função na casa se desconhece (Esses três pequenos... lede e ouve bem, leitor amigo, eram meus alunos. Um deles é hoje o hábil desenhador e mestre de arquitectura, Alírio Nunes Sequeira, a quem eu continuei a dar lições diárias, nas grades do Calaboiço, durante mais de um mês, até a minha saída para a Cadeia do Limoeiro, a 24 de Fevereiro de 1927. Não se tratava, pois, de negócios invertidos, à Sandrinha)...
Continua a treta da notícia do “JORNAL”, do punho do Luizinho: - “O pessoal empregado na “Batalha”, foi mandado sair do edifício e as portas fechadas com chaves de segurança. (O trabalho de patente secreta, dispensava mirones perigosamente alcoviteiros...)
“Ocupada a casa, os inquilinos legítimos (Luís chamava inquilinos legítimos a verdadeiros salteadores...), afixaram um “placard” com os seguintes dizeres: -
“Um grupo de operários funchalenses, descontentes com a maneira atrabiliária como (Não interrompamos a “mise” para não provocarmos apertos uretrais. Esperemos pelo fim do esguicho...) como vem caminhando a organização operária, acaba de encerrar a Casa Sindical e expulsar o intruso Marques de Oliveira. O mesmo grupo convocará a assembleia-geral afim de executar (ou decapitar?) novos trabalhos.”
Viva o operariado madeirense!
Nestes termos, assim acabou a noticeira boa-nova de Luís Vieira de Castro.
Outro comentário nosso: - “Maneira atrabiliária”? – Nunca foi tão atrabiliária o caminho cheio de curvas trilhado pela Casa Sindical, só houvera ordem sob o mandato daquele intruso a quem os salteadores nunca se cansaram de sabujamente lamber-lhe os pés primeiro do que as mãos...
Quanto ao “VIVA” ladrado no “placard”, eu, que conhecia muito do patifismo operariado, de que tantas vezes fui vítima em sua chantage, na pureza do meu idealismo, só posso responder com este brado: - “Abaixo a malandragem, a escória daninha, criminosa, do operariado madeirense!!!”
Uma estrelinha, um asterisco estampado no papel, a seguir ao esguichado “placard”, fez a notícia tomar ar e dar ao farricoco escriba, ao fariseu dos sete costados, a despejar esta angelical perfídia, este bento conselho instigador, que por nojo me abstenho de comentar, de farpear, de esfrangalhar: - “Consta-nos que os operários foram procurar as autoridades a fim de expor-lhes o ocorrido e de pedirem as necessárias providências para que se não dê qualquer alteração da ordem. “(Ronha, medo, cobardia!!!)
“Seria, de facto, conveniente que a polícia evitasse qualquer incidente capaz de perturbar a tranquilidade pública.”
A notícia tendenciosa, que acima terminou, era bem merecedora das honrarias editoriais de... fundo imundo...
Mota de Vasconcelos (M. de V.)