JANTAR-TERTÚLIA à VARANDA

Local e data: Cafetaria Rodízio EMMY -  26.03.08



Contrariando o atraso congénito nacional cheguei meia hora mais cedo que a hora marcada.
Tal serviu-me para alinhavar ideias e escrever o seguinte:

TERTÚLIA 

Vou depressa para esperar
Sem que a pressa me desespere

São nestes entretantos
Que geralmente mais
Me fluem as palavras

Por vezes com valia
Outras meras conjugações
De vogais e consoantes
Alinhavadas no momento

Bastantes palavras depois
Surgirá o único pontual, além de mim
Com a sua cabeça e faces
Cobertas de alvura
Sorriso rasgado
De quem ama o convívio

Quando nos multiplicamos
Em dezenas
As escolhas naturais
Far-se-ão
Restando apenas
Os afins
Com os quais
Sussurraremos ao ouvido

Estava enganada, porque foi o Coronel Durão o segundo a chegar. Depois o Julião Bernardes com a criança que poetisa e desenha.
Gostaria de mencionar o nome de todos os convivas mas, como de alguns não sei a graça, as fotos de todos ilustrarão os presentes. Limito-me a representar o meu sentir.
Uma hora depois chegaram mais alguns para culminar com a chegada da Garda, mulher-doçura cujos compromissos a não deixam ser pontual.

O jantar decorreu um pouco morno, salvo as intervenções do Coronel com os seus poemas, o sempre constante e presente Evónio, que respira nas palavras. O cantar do Rui Siqueira, Manuel Antunes e mais alguns.

A pouco e pouco, por afazeres de dia de semana, muitos se foram retirando, até restarmos um pequeno grupo de seis pessoas, três violas a tanger, duas vozes a cantar, demónios todos à solta, com o dono do restaurante a pactuar connosco ao ponto de abrir sem parar garrafa atrás de garrafa dos seus vinhos mais raros, oferta da casa.

Com o álcool, que sempre foi bom companheiro da desinibição, a fazer que a Garda, com a sua generosidade e doçura sem fim, me conseguisse pôr a cantar o fado, coisa que nunca na vida tinha feito antes.
Encontrou entre o mi e o lá o meu tom e lancei "A rua do Capelão" aos ventos, bem como o “Amar perdidamente” da Florbela Espanca. Perdi os três duma forma tão meiga que sempre agradecerei àquela mulher-candura.

Dançámos Sevilhanas e outros ritmos, o Henrique Nande soltou a sua voz de forma operática, até que o noite já se aproximava da manhã e no nevoeiro dos copos todos recolhemos a casa. 

Teresa David

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