LANÇAMENTO DA OBRA DE JOAQUIM EVÓNIO "SERCIAL & MALVASIA"
Casa da Madeira, 25-09-09
José Verdasca - Lisboa, 25-09-09
Senhor Presidente, autoridades presentes, gentis senhoras, nobres cavalheiros, boa noite.
Joaquim Evónio – Vasconcelos para os camaradas da Academia Militar – honrou-me com um convite para – aqui e agora – fazer uma breve apresentação deste seu novo e interessante livro, tarefa de que Luís Dantas já em parte se desincumbiu, na brilhante Introdução da obra.
Mas, como separar o prestigiado autor dos mais de uma vintena de enternecedores, belos e pedagógicos contos, entremeados de quase outros tantos pequenos-grandes textos poético-filosóficos onde avulta a poesia prosaica – versos brancos em que a expressão rítmica e ou a rima foram vantajosamente substituídas pela "brancura" da sua pureza, pela sofisticação da sua filosofia, pelo arrebatador deslumbramento do seu profundo conteúdo
Aliás – se bem analisada a obra de Joaquim Evónio – esses são os atributos deste autor de belíssimos poemas, em cuja poética sobressai a singularidade castiça da sua amada Madeira, quando Evónio faz brotar e germinar a poesia da extasiante beleza da paisagem física, da riqueza da paisagem humana e da singularidade da cultura local, características que a sua sensibilidade de idealista-humanista eleva ao nível da grandeza da Natureza, que o mesmo é dizer do sobre-humano, do transcendente, do místico!!!
Entretanto, o pensador Evónio talvez discorde desta concepção, para não admitir que suas construções prosaico-poéticas também lhe brotam da alma, para poder afirmar que não tem alma ou mesmo para continuar afirmando – com alguma ironia – ser um anarquista independente.
Vivi pouco mais de dois anos numa ilha do tamanho da Madeira, e foi lá que aprendi a sentir e dar valor aos pequenos espaços físicos, onde a dimensão das almas – normalmente – lhes é inversamente proporcional, e o isolamento convida à meditação, que aprimora e enriquece o Espírito, contribuindo decisivamente para moldar e lapidar o carácter, para valorizar e humanizar a Moral e os bons costumes, para melhor e mais humanisticamente viver em sociedade, deste modo engrandecendo o que a convivência humana tem de mais precioso, como a Fraternidade, a Solidariedade, a Dignidade.
A vida e a obra de Evónio espelham – na sua plenitude – o que acabo de afirmar, para alegria e satisfação das muitas amigas e amigos que a ele se vêm juntando para engrandecer e dar mais brilho a Varanda das Estrelícias, honra - logo glória – da lusofonia pelo mundo semeada. Por isso – e para isso – aqui nos reunimos nesta acolhedora Casa da Ilha, que o é também de todos nós, do Continente e do Mundo.
O P O E T A
O poeta é um sonhador O poeta é um sonhador O poeta é um sonhador
Sempre a sonhar acordado Que sonha em qualquer lado Que vai dando o seu recado
Construindo a poesia Seja de noite ou de dia Com a maior fidalguia
Não será um fingidor E por ser um pensador Ele tem uma visão maior
Seu carácter bem formado Tudo interpreta calado Do objecto sonhado
É sempre farol e guia Enaltecendo a poesia Onde cria a poesia